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Como ofertar disciplinas em Língua Estrangeira?

Parte 1: Informações, Desmistificações e Recomendações

A decisão de um docente de ministrar um curso de pós-graduação em inglês ou outro idioma estrangeiros é benéfica para todos:

  • A universidade torna-se mais internacionalizada, em prol de sua comunidade interna, bem como aos olhos dos seus parceiros internacionais, e também das instituições avaliadoras de universidades;
  • O programa de pós-graduação intensifica sua internacionalização, oferecendo assim um serviço especial aos seus alunos; também ganha projeção nacional e internacional em sua área;
  • Ao preparar e ministrar suas aulas, o docente cultiva seu conhecimento do idioma estrangeiro, o que pode inclusive elevar as chances de publicar em periódicos internacionais;
  • O aluno estrangeiro, ao planejar sua mobilidade internacional, é atraído pela UFF, por se sentir mais confortável sabendo que poderá cursar disciplinas em inglês ou outros idiomas;
  • O aluno brasileiro ganha a oportunidade de desfrutar de uma experiência internacional na própria UFF, enriquecedora por lhe propiciar contato real com um idioma estrangeiro e com alunos de outros países, experiência esta que poderá encorajá-lo a planejar uma mobilidade internacional no futuro. A experiência também lhes serve para estarem mais bem preparados para participar de congressos e eventos internacionais, e para ter acesso a uma bibliografia mais ampla.

Alguns docentes podem temer assumir o compromisso de ministrar uma disciplina em inglês ou outro idioma estrangeiro, por considerar que não falam impecavelmente o idioma. Preocupação semelhante pode acometer alunos. O temor é injustificado.

É claro que o professor precisa se expressar adequadamente no idioma, de modo a ser compreendido, tanto pelos alunos brasileiros, quanto pelos estrangeiros que eventualmente cursem suas disciplinas. Mas é importante destacar que se trata de uma situação em que o idioma estrangeiro não é mais do que um meio de instrução, isto é, um idioma de trabalho. Para tanto, não é necessário um nível excepcional de fluência, nem o grau de desenvoltura que somente um nativo de um idioma tem.

Aqueles entre nós que estudamos no exterior e frequentamos cursos ministrados por falantes não-nativos sabemos que muitos deles, apesar de estarem muito longe da perfeição no uso do idioma, foram capazes de transmitir conhecimento, de conduzir debates, de provocar reflexões – em suma, de ensinar, no sentido amplo do termo.

Tampouco se requer dos alunos um nível excepcional de conhecimento para frequentarem as aulas dessas disciplinas. Graus ao menos intermediários de capacidade de compreensão e de expressão são importantes para um bom aproveitamento das aulas, mas não necessariamente mais do que isto.

E quando um aluno não sentir segurança, num primeiro momento, poderá inscrever-se na disciplina em idioma estrangeiro na condição de "aluno ouvinte" ou equivalente, ganhando assim confiança para increver-se como aluno regular no futuro.

É provável que os alunos inscritos numa disciplina oferecida em idioma estrangeiro sejam heterogêneos, por várias razões, e não apenas pela mais óbvia: têm níveis diferentes de competências linguísticas. Também poderá haver alunos de pós- graduação e de graduação juntos na turma, bem como alunos brasileiros e estrangeiros, ou ainda alunos de áreas diferentes, atraídos pelo idioma de instrução da disciplina.

Um docente pode então se questionar: diante de tanta heterogeneidade, como definir o conteúdo a ser ensinado e o grau de exigência na avaliação?

Segundo a experiência de alguns docentes da UFF, essas dificuldades podem ser contornadas, adotando-se as seguintes providências:

  • Quanto à heterogeneidade de competências linguísticas, é preciso ser muito firme num aspecto: o único idioma de trabalho permitido nas intervenções orais em sala de aula, seja por professor, seja por aluno, é o idioma estrangeiro oficial da disciplina. Mas pode haver flexibilidade quanto ao idioma para comunicação oral fora do horário regular de aula (ex. para tirar dúvidas de alunos), para comunicação escrita (ex. e-mails), ou mesmo para provas ou trabalhos, a critério do docente;
  • No que tange à presença simultânea de alunos de pós-graduação e de graduação na turma, recomenda-se, em primeiro lugar, admitir a inscrição na disciplina apenas de alunos que estejam em estágio avançado de graduação. E avisá-los que o curso terá nível de pós-graduação. Além disso, sugere-se cobrar um volume de leituras maior e mais denso ou profundo dos alunos de pós- graduação que dos de graduação. E, por fim, modular as exigências nas avaliações ao nível de ensino do aluno;
  • Os mesmos conselhos dados para gerir a presença de alunos de graduação e de pós-graduação valem para a presença de alunos de áreas diferentes;
  • Contar com alunos brasileiros e estrangeiros na turma é algo que pode e deve ser explorado pelo professor da disciplina, por meio do confronto de abordagens teóricas, de metodologias de análise, de experiências e realidades diferentes. Ao contrário de um problema, tal situação é uma oportunidade que se torna mais provável em uma disciplina ministrada em idioma estrangeiro que numa disciplina ministrada em português.

Para que os alunos estrangeiros que vêm à UFF possam validar créditos em seu retorno à universidade de origem, a carga horária ideal de uma disciplina são 60 horas.

Porém, preparar boas aulas sempre é trabalhoso. Em língua estrangeira, mais ainda. Será preciso elaborar ou atualizar programas, resumos, notas de aulas, material para o quadro-negro, slides, provas etc. Além disso, será preciso selecionar referências bibliográficas no idioma em que serão ministradas as aulas. Por isso, recomendamos algumas alternativas para um primeiro momento:

  • Oferecer disciplinas de 60 horas, divididas em duas partes, uma das quais em português, e a outra em língua estrangeira;
  • Se a estrutura curricular do programa abrigar disciplinas de 30 horas, optar por essa carga horária para experiências iniciais em língua estrangeira;
  • Começar com minicursos, de 10 ou 15 horas. Esta alternativa apresenta duas contraindicações: (i) poucos alunos estrangeiros conseguirão validar créditos quando de seu retorno à instituição de origem no exterior; (ii) também é improvável que os departamentos aceitem minicursos como carga horária do docente. Mas pode ser uma forma de dar início à docência em língua estrangeira.

Num segundo momento, depois de ganhar experiência, o professor optaria então por elevar paulatinamente a carga, expandindo até a carga ideal, de 60 horas.

Parte 2: Questões Práticas

Alunos estrangeiros precisam se preparar com antecedência, e também precisam consultar suas universidades de origem para escolher suas disciplinas. Além disso, o ano acadêmico nas universidades do hemisfério Norte é diferente do nosso: em geral, estendem-se de setembro de um ano a junho do ano seguinte.

Idealmente, portanto, por volta de outubro de 2018, a SRI deveria anunciar as disciplinas a serem oferecidas, tanto no segundo semestre de 2019, como no primeiro de 2020.

Mas neste primeiro momento, como muitos docentes talvez ainda não estejam em condições de planejar com tanta antecedência, podem informar a SRI, desde já, as disciplinas a serem ofertadas no primeiro semestre de 2019 mesmo.

A SRI pede ao docente que preencha uma ficha bem simples, contendo apenas:

  • título da disciplina;
  • nome do docente;
  • PPG ao qual está vinculado;
  • carga horária da disciplina;
  • semestre e ano em que será ofertada;
  • breve ementa (um parágrafo); e
  • bibliografia principal.

Essas informações são apresentadas ao público-alvo como diretrizes gerais da disciplina, isto é, apenas como uma versão compacta e preliminar do programa. Ajustes poderão ser feitos ao longo do tempo, até o início das aulas.

A conversão de carga horária para créditos não é tema livre de controvérsias. A SRI sugere que se convencione na UFF a seguinte proporção: cada 15 horas-aula equivalem a 1 crédito. Desta forma, uma disciplina de 30 horas valeria 2 créditos e uma de 60 horas valeria 4 créditos.

Os procedimentos para cadastramento da disciplina, para inscrição dos alunos nas disciplinas em idiomas estrangeiros, e para emissão de declarações, são diferentes da pós-graduação para a graduação, bem como entre alunos brasileiros e estrangeiros. Também pode haver diferenças importantes de programa de pós para programa de pós, em função de especificidades regimentais e curriculares de cada programa.

É importante destacar que a solução mais simples de todas é ministrar em língua estrangeira uma disciplina já existente no ementário e já cadastrada no SisPos.

Outras opções mais sofisticadas envolvem a criação de novas disciplinas. O quadro a seguir contém instruções úteis:

Etapa Aluno de Pós Aluno de Graduação
Cadastramento da disciplina na SRI, visando sua difusão entre universidades parceiras Professor deve preencher ficha fornecida pela SRI (disponível neste link) e enviar para mobilidadeinsri@id.uff.br.
Cadastramento da disciplina nos sistemas da UFF
  • Alguns cursos poderão usar códigos de disciplinas optativas genéricas, já existentes no ementário e no SisPós.
  • O ideal é criar muitos códigos para disciplinas optativas em língua estrangeira. Conforme exemplo do PPG em Economia, no Anexo II.
  • Usar o prefixo “Tópicos em Língua Internacional” e depois completar com o nome da disciplina. Exemplo: “Tópicos em língua internacional: Economics of the Welfare State”
Não se aplica
Inscrição do aluno estrangeiro na disciplina
  • Cada PPG tem sua regra para admitir um aluno numa disciplina: em alguns, a decisão cabe ao coordenador; em outros, ao colegiado; em outros, diretamente ao professor.
  • Em qualquer um dos casos, para fins de registro na SRI, um e-mail da coordenação do PPG à SRI basta para confirmar a inscrição do aluno na disciplina.
Mesmo procedimento que se aplica à inscrição de um aluno de graduação num curso de pós-graduação, conforme regras de cada coordenação de curso de graduação.
Emissão de Declaração de Notas Um e-mail da coordenação do PPG à SRI (mobilidadeinsri@id.uff.br) é suficiente para informar as notas de cada aluno estrangeiro nas disciplinas cursadas.
A SRI prepara uma declaração em um modelo próprio.

Anexo I: Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas (CEFR)
Anexo II: Exemplo de Criação de Disciplinas em Inglês em um PPG

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A atualização mais recente deste conteúdo foi em 16/10/2018 - 11:33