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UFF entrega as chaves do novo prédio do Instituto de Biologia à comunidadeProcesso de mudança e de ocupação dos laboratórios será iniciado nessa semana Na manhã do dia 10 de fevereiro, um sonho antigo da comunidade de Biologia da Universidade Federal Fluminense foi concretizado. Em reunião com a direção atual, ex-diretores, docentes e discentes, o reitor da UFF, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, assinou o termo de entrega das chaves do novo prédio do Instituto de Biologia para a comunidade. Foi um momento de realização aguardado com ansiedade há mais de uma década. O novo espaço do Instituto de Biologia é uma moderna instalação com mais de nove mil m² de área construída, cinco pavimentos e sistema de reuso da água e de refrigeração inteligente, que se adapta à demanda de consumo. Localizado no Bloco M do campus do Gragoatá, o espaço atenderá mais de 1600 estudantes do IB, além de Ciências Biológicas, também será local de pesquisa conjunta com Medicina, Farmácia, Enfermagem, entre outros cursos. Ele sediará os programas de pós-graduação de Ciências e Biotecnologia, de Neurociências e de Biologia Marinha, Diversidade e Inclusão e Biotecnologia Marinha, bem como o biotério e laboratórios de pesquisa. O prédio já conta com vigia e zelador e está pronto para os trâmites de mudança. Entrega das chaves De acordo com o reitor da UFF, a entrega do Instituto de Biologia para a comunidade representa um momento histórico de realização e de eficiência da gestão dos recursos públicos. A atual gestão priorizou a finalização do prédio em 2019, dedicando boa parte do recurso de capital para a conclusão das obras. - “Eu fico muito feliz de poder estar fazendo essa entrega das chaves do Instituto de Biologia para toda a comunidade através da direção, com a presença de professores e alunos. É uma alegria muito grande porque dependeu de um esforço de alocar praticamente metade da pequena verba de capital que recebemos de orçamento em 2019 para a conclusão da obra. Então, é com muita satisfação que um sonho de 36 anos esteja sendo concluído com o esforço de toda a comunidade e toda a equipe. A educação e a ciência de alto nível terão muito a ganhar, devolvendo para a sociedade todo o investimento aplicado nesse ambiente”, afirmou o reitor Antonio Claudio. O diretor do Instituto de Biologia, Saulo Cabral Bourguignon, comemorou bastante a realização de um sonho antigo da comunidade. “Tenho certeza que a entrega desse prédio é fruto de um esforço de várias reitorias e, agora, com uma atenção especial do Gabinete e das pró-reitorias que se empenharam em finalizar esse prédio. O Instituto de Biologia está muito feliz e teremos uma nova vida, um novo espaço, bem mais inteligente, onde as pesquisas e as aulas poderão ocorrer de forma otimizada. Quero agradecer ao nosso reitor Antonio Claudio por esse empenho de ter concentrado a verba mesmo nesse momento de escassez de recurso financeiro e ter nos ajudado a finalizar esse prédio”, disse o diretor do IB. A vice-diretora, Helena Castro, enfatizou que o Instituto de Biologia terá um enorme salto de qualidade, com uma infraestrutura de alta qualidade e que aumentará o potencial de pesquisa e a pontuação nas avaliações da Capes. “Agradecemos muito a compreensão e apoio. No caos, o que importa é mostrar trabalho. Prometemos entregar pesquisas de muita qualidade. O clima entre os alunos está muito legal. Essa inauguração promete”. A ex-diretora do IB, Izabel Paixão, resgatou o histórico das dificuldades de construção do prédio e agradeceu a finalização. “Todos da gestão sempre nos atenderam com muito carinho e dedicação. Esperamos isso desde 36 anos. O Instituto de Biologia tem um potencial enorme, trabalhamos muito para fazer uma pesquisa de qualidade e produzimos bastante. Agora, teremos a condição para isso. O prédio foi especificamente desenhado para cada linha de pesquisa com muito respeito. Fico muito feliz”. A atuação da Superintendência de Arquitetura, Engenharia e Patrimônio (SAEP), em conjunto com a Pró-Reitoria de Administração e a Pró-Reitoria de Planejamento, foi essencial para gerir a execução final do contrato e manter o calendário final de entrega, desdobrando os esforços importantes para acompanhar a conclusão do novo prédio.
Filhos com microcefalia: mães são protagonistas na luta contra o Zika Vírus em pesquisa coordenada por professora da UFF  Em 2015 mais de 2 mil casos de microcefalia em recém-nascidos foram identificados em diversas regiões do país, principalmente no Nordeste, após um pico epidêmico do Zika Vírus no início daquele ano. Em função dos impactos devastadores causados nas famílias e nas crianças, no entanto, assim como da proporção com que o fenômeno mobilizou a saúde pública nacional e internacionalmente, ele permanece ainda como um desafio presente. Passados quatro anos, o tema continua sendo investigado por muitas organizações de saúde e pesquisa científica do país e fora dele. A Universidade Federal Fluminense, por exemplo, é uma delas. Através da sua Pós-Graduação em Ciências Médicas e Patologia e da Pós-Graduação em Biologia Parasitária, a instituição integra uma equipe interdisciplinar de pesquisa, constituída por 36 profissionais, entre eles, pesquisadores da Fiocruz e da La Jolla Institute for Allergy and Immunology, da Califórnia. O grupo, que reúne infectologistas, pediatras, neurologistas e radialogistas, entre outras especialidades médicas, tem como objetivo observar se as células de defesa do organismo atuam na proteção contra a infecção ao entrarem em contato com o Zika Vírus. A pesquisa está sendo realizada através da coleta de amostras de sangue de mães que tiveram Zika na gestação e também de seus filhos expostos ao vírus durante a gravidez. Por meio da utilização de diferentes métodos imunológicos de ponta, até o momento foi possível observar nas pesquisas que 100% das mulheres que tiveram bebês assintomáticos e 57% das mulheres que os tiveram com Síndrome da Zika Congênita (SZC) têm células imunes que respondem às proteínas do Zika Vírus. Além disso, com relação às crianças, independentemente de serem acometidas ou não com a SZC, cerca de 70% delas têm células imunes que respondem às proteínas do vírus. Portanto, segundo a coordenadora da pesquisa Claudete Araújo Cardoso, infectologista pediátrica e professora do Departamento Materno-Infantil da UFF, “a maioria das mães e filhos que foram estudados possuem células imunes aptas a responderem ao Zika Vírus, sugerindo assim que desenvolveram boa imunidade ao vírus”.  "As pesquisas são necessárias para esclarecermos as dúvidas e ajudar futuras gerações. Infelizmente, fomos nós as acometidas pela síndrome, ocasionada pela falta de estrutura e política de combate ao mosquito", Mayrielly Wiltgen do Nascimento, mãe de Catarina. De acordo com a coordenadora, “a comunidade científica tem recebido esses resultados com muito otimismo, uma vez que tais achados mostram que se pode desenvolver imunidade contra o Zika Vírus após o contato com ele. Tal resposta tem impacto em nível local e também nacional, pois poderemos orientar as futuras gestantes em relação à proteção conferida por infecção prévia pelo vírus, reduzindo o estresse diante da possibilidade de se ter um bebê com a Síndrome da Zika Congênita”, destaca. Trocando em miúdos, desenvolver imunidade significa que “quando somos infectados pela primeira vez por algum microorganismo que nunca tivemos contato, o corpo reage a ele através do sistema de defesa. Em geral, elimina o microorganismo e, assim, não ficamos doentes. Mas quando esse micro-organismo se multiplica com muita rapidez, não temos tempo de combatê-lo e adoecemos. Sempre há possibilidade de reencontrarmos esse mesmo micro-organismo em algum momento da vida. Portanto, nosso sistema de defesa será capaz de nos defender de forma mais eficiente e rápida, e assim não adoeceremos mais pela mesma enfermidade porque adquirimos imunidade”, esclarece Claudete. A médica pediatra e pós-doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas da UFF, Renata Artimos Vianna, também integra o grupo multidisciplinar acompanhando as crianças expostas ao vírus Zika durante a gestação. Segundo ela, o Projeto Zika – Huap/UFF vai além da pesquisa, “principalmente pelo caráter de assistência e informação àqueles que sofrem com a angústia de uma doença debilitante. É importante para o aluno, contribuindo no aprendizado de pesquisa científica, para o paciente, que recebe uma assistência multidisciplinar, para o hospital, que incorpora um serviço de referência e para a saúde pública, colaborando no desenvolvimento de políticas públicas de prevenção e controle de epidemias, como a do Zika. Trabalhar com a professora Claudete e sua equipe é uma experiência única para mim”, destaca. Mas outras pessoas também têm sido fundamentais para a existência e o sucesso da pesquisa, além da equipe multiprofissional envolvida. A coordenadora Claudete destaca a importância da participação das mães no projeto: “essas crianças e suas famílias foram vítimas de uma doença muito grave e todas, sem exceção, têm plena consciência do seu papel como produtores de conhecimento acadêmico. Mais do que simplesmente ‘objetos de pesquisa’, as famílias têm se sentido participantes ativas da produção do conhecimento e esse sentimento me enche de orgulho”, comemora. De acordo com a advogada Mayrielly Wiltgen do Nascimento, mãe de Catarina e uma das integrantes da pesquisa, desde os primeiros meses de vida da filha, a experiência tem sido muito proveitosa: “Os profissionais envolvidos estão de parabéns, sempre nos acolhendo e nos ajudando quando possível. As pesquisas são necessárias para esclarecermos as dúvidas e ajudar futuras gerações. Infelizmente, fomos nós as acometidas pela síndrome, ocasionada pela falta de estrutura e política de combate ao mosquito”. Mayrielly, que só ficou sabendo da condição da filha no momento de seu nascimento, apesar de todas as ultrassonografias realizadas durante a gestação, em que o perímetro cefálico apresentou-se dentro do limite da normalidade, levou um grande susto após o parto: “entrei em luto profundo, luto pela perda de um filho idealizado. Levei mais de um ano para aceitar e tentar voltar, na medida do possível, à minha vida antes do nascimento dela. Aos poucos fui retomando minhas atividades, momento em que percebi que poderia ajudar outras mães na mesma situação, não apenas nas trocas de ideias, mas também na esfera jurídica. Abriu-se, então, uma nova área para minha atuação: o direito das pessoas com deficiência”. Essa foi a maneira, segundo ela, que encontrou para aceitar a condição da Catarina: “claro que às vezes dói, sofro e choro em silêncio, mas passa... E ver a evolução dela é uma experiência marcante. Todos os dias minha filha nos surpreende com sua alegria e vontade de viver!” Juliana Louzada, mãe do Théo Louzada, e também participante da pesquisa, teve uma experiência semelhante à de Mayrielly e só soube que teria um bebê com microcefalia três dias antes do parto: “desde então tudo mudou, surgiram dúvidas, medos e muitos desafios que nunca imaginei que conseguiria superar... Meu filho teve perda da deglutição com três meses de idade, daí tivemos que aprender a lidar com isso. Algum tempo se passou e, como já era esperado, ele não conseguiu se desenvolver conforme sua idade. Substituímos o carrinho de bebê por uma cadeira de rodas”, desabafa. Para lidar com toda essa rotina e os desafios de se criar uma criança com as limitações de uma doença debilitante, participar da pesquisa tem sido fundamental: “logo nos primeiros dias de vida do Théo começamos o acompanhamento dele no projeto. Isso foi bem importante porque descobrimos as alterações que ele possui por conta do vírus. Ter uma equipe ótima que nos ajuda e acompanha em várias questões é muito bom”, enfatiza. Segundo a pediatra Renata Vianna, que conheceu a maioria das crianças ainda recém-nascidas e pôde participar de muitos momentos de alegrias e tristezas, “é maravilhoso vê-las alcançar suas pequenas vitórias pessoais. Torço para que a ciência possa solucionar as perguntas ainda sem respostas, oferecendo soluções para o tratamento e a prevenção da infecção pelo vírus Zika”, conclui.
Pesquisa da UFF sobre preservação de tubarões é publicada na revista Nature e ganha projeção internacional  Os tubarões são retratados no imaginário popular como verdadeiras máquinas mortíferas - impiedosos e imbatíveis -, porém a realidade é que eles estão sendo dizimados por um predador ainda mais perigoso: o homem. Diversas espécies do animal correm risco de extinção e essa ameaça concreta é um tema que vem afligindo a comunidade científica mundial. Em julho, a capa da tradicional revista Nature foi protagonizada por um trabalho colaborativo na área, realizado por uma pesquisadora da UFF em conjunto com diferentes universidades do Brasil e do mundo. Além disso, o estudo ganhou destaque também na revista Forbes e no canal de notícias norte-americano CNN. O objetivo dos pesquisadores é criar ferramentas para delimitar áreas de preservação de tubarões nos oceanos, utilizando dados de monitoramento por satélite. A pesquisa propõe também uma gestão eficaz dos mares, o que contribui para a conservação de espécies altamente migratórias e busca defendê-las de um grande perigo: a pesca predatória. Segundo a pós-doutora em Biologia Marinha e Ambientes Costeiros da UFF e participante da pesquisa, Fernanda de Oliveira Lana, os dados levantados buscam traçar um mapa global dos deslocamentos dos tubarões, utilizando uma abordagem “big data”, combinando informações sobre o movimento das espécies pelágicas, que habitam o mar aberto, e das frotas de pesca que se deslocam em todo mundo e que são rastreadas por satélites. Cerca de 24% do espaço  marítimo usado pelos tubarões está na rota das embarcações de pesca. Algumas espécies comercialmente valiosas e outras protegidas internacionalmente tiveram perdas significativas no número de animais, chegando a 76% em algumas espécies. “Os tubarões apresentam um papel fundamental nos oceanos e na cadeia alimentar. Eles são o topo da cadeia e a sua redução gera um abalo em toda a vida marinha, pois são responsáveis pelo equilíbrio do ecossistema dos oceanos”, enfatizou a pesquisadora. “A grande mensagem desse artigo é que, por ter sido realizado através de uma ciência colaborativa, mostra o quão esse tipo de cooperação é poderoso, uma vez que foi escrito por mais de 150 pesquisadores e biólogos marinhos de diversas nacionalidades - todos na mesma sintonia, enviando a mesma mensagem”, Fernanda Lana. A pesquisa, destaca Fernanda Lana, é fruto de trabalhos anteriores que realizou em conjunto com o professor Fábio Hissa Vieira Hazin da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), por ocasião de seu mestrado e doutorado. O estudo, que segundo a pesquisadora é “imensamente colaborativo e global”, analisou dados de monitoramento via satélite de diferentes espécies de tubarões. “Trata-se de um estudo pioneiro em abranger os dados de marcação de tubarões de forma ampla, mapeando globalmente os movimentos desses animais”, afirma Fernanda.   O artigo, segundo a pesquisadora, foi composto por estudiosos de todo o mundo e algumas das marcações dos tubarões, no âmbito do Brasil, foram realizadas no Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP), a cerca de 1100 km da costa brasileira (saindo de Natal, RN) e 1800 km (saindo da África). O trabalho contribuiu para ampliar o conhecimento de cinco espécies estudadas respectivamente pela equipe composta por pesquisadores que trabalharam com o professor da UFRPE Fábio Hazin, entre os quais: o tubarão lombo-preto, estudado por Fernanda Lana (UFF); tubarão-baleia, por Bruno Macena (UFRPE); tubarão-tigre, por André Afonso (UFRPE ); tubarão-martelo, por Natália Bezerra (UFPE); tubarão galha-branca, por Mariana Tolott (UFPE), sob orientação do professor da UFRPE e co-autor do estudo, Paulo Travassos. Segundo Fernanda Lana, a maioria dos tubarões migratórios compartilha o alto mar com a frota pesqueira comercial global, que utiliza o espinhel, técnica de pesca responsável pela maior parte das capturas de tubarões - incidentais, a que os pesquisadores chamam de “bycatch”, e também voluntárias. “Para poder quantificar a pesca desses animais em escala global foram realizadas neste estudo 1,804 marcações de tubarões, abrangendo 23 espécies, desde 2002 a 2017, e cujos dados foram levantados em 26 países, o que resultou na elaboração de um importante artigo sobre o impacto da pesca na sustentabilidade de diversas espécies de tubarões”, informa a bióloga. Através dos resultados, os pesquisadores concluíram que cerca de 1/4 dos ‘habitats’ de tubarões estão localizados em zonas de pesca ativa, o que ameaça de forma bem enfática esses animais, cujas populações têm declinado em todo o mundo. Os resultados mostram que as atividades de pesca no alto mar atualmente estão centradas em locais de relevância ecológica para os tubarões, dados que auxiliam, por exemplo, a medidas para delimitar áreas de preservação, bem como as cotas para reduzir as capturas. Os padrões de movimento dos animais marcados indicaram que várias espécies se agregaram dentro das mesmas principais características oceanográficas. “A grande mensagem desse artigo é que, por ter sido realizado através de uma ciência colaborativa, mostra o quão esse tipo de cooperação é poderoso, uma vez que foi escrito por mais de 150 pesquisadores e biólogos marinhos de diversas nacionalidades - todos na mesma sintonia, enviando a mesma mensagem. E o que realmente se destaca dentre os resultados é o quão pequeno é o refúgio dessas espécies de tubarões no ambiente pelágico e oceânico, revelando que ainda há muito trabalho a ser feito”, enfatiza a bióloga. A expectativa dos pesquisadores é que um conjunto de dados tão único não seja ignorado e possa ser usado para o seu maior potencial para influenciar a proteção mais eficaz para as nossas espécies de tubarões migratórios, de acordo com a bióloga, e destacando que é possível fazer combinações de proteção que tragam benefícios de todos os lados. A partir desse estudo, fica evidente que ações imediatas de conservação são necessárias para evitar novos declínios de tubarões no oceano. Ponto Nacional Focal Ao relatar sobre os trabalhos que vem desenvolvendo junto à Organização das Nações Unidas (ONU), Fernanda Lana teve a oportunidade, através do convite que recebeu do Programa de Pós-Graduação em Biologia Marinha e Ambientes Costeiros (PBMAC – UFF), do qual faz parte como Pós-Doc Nota 10 da Faperj, para atuar como membro do Pool of Experts, um grupo de especialistas estabelecido pela Assembleia Geral da ONU. A pesquisadora, durante esse período, foi nomeada pelo Governo Federal, como “National focal point” do Brasil (Ponto Nacional Focal). É um posto designado pelos Ministérios da Ciência e Tecnologia e Inovação dos Oceanos (MCTIC) e de Relações Exteriores (MRE). A indicação tem como objetivo a implementação do programa de trabalho para o período 2017-2020 e o aprimoramento da comunicação entre a comunidade científica, o grupo e demais órgãos e institutos envolvidos. Fernanda explica que o Processo Regular para Avaliação Global do ambiente marinho (“Regular Process for Global Reporting and Assessment of the State of the Marine Environment”) é um mecanismo global estabelecido pela cúpula mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, em 2002, cujo objetivo é revisar regularmente os aspectos ambientais, econômicos e sociais dos oceanos em todo mundo, além de atualizar e prever novas ações futuras. “É uma contribuição enquanto pesquisadora e ponto focal perante a Assembleia Geral das Nações Unidas para o fortalecimento da avaliação científica periódica de como está o ambiente marinho, a fim de melhorar a base científica para a formulação de políticas públicas que irão contribuir para a manutenção e conservação dos ecossistemas mundiais”, acrescenta a bióloga. Em janeiro deste ano, Fernanda foi convidada a apresentar um trabalho, representando o Brasil e a UFF, como Ponto Nacional Focal, no “The Multi-stakeholder dialogue and capacity-building partnership event”, na Assembleia Geral da ONU, em sua sede em Nova York. Na ocasião, ela ministrou a palestra: “Pesca sustentável e dados sobre as alterações climáticas através de prioridades regionais de cooperação internacional: passado, presente e futuro”. No evento, com transmissão online e ao vivo no site da entidade, foram realizadas palestras com representantes dos países e organizações intergovernamentais globais e regionais, bem como organizações não-governamentais, inclusive acadêmicas. Com isso e sua participação como membro do Pool of Experts (grupo de especialistas), a  pesquisadora representou o Brasil e a UFF junto à ONU na área de meio ambiente, e em conjunto com o grupo, está elaborando o livro da ONU que engloba a Avaliação Mundial do Oceano. “Minha colaboração se estende a diversos capítulos do livro. Eles têm como base as linhas estabelecidas pela 1ª Avaliação Marinha Integrada Global, onde foram identificadas as prioridades regionais. Foram realizados diversos workshops ao longo de vários países, como Palau, Malta, Ucrânia, Indonésia, Equador, dentre outros, para discutir e elaborar os capítulos deste livro”, conclui.
I Simpósio de Biologia e Conservação Marinha O I Simpósio de Biologia e Conservação Marinha (I SBCMar) é um evento idealizado por alunas e alunos do curso de graduação em Ciências Biológicas (UFF) e alunas da Pós Graduação em Dinâmica dos Oceanos e da Terra (DOT). O objetivo do evento é promover conhecimento e o intercâmbio de experiências através de palestras, debates e minicursos sobre a biologia e a conservação do ambiente marinho. Acreditamos e vemos que as mudanças climáticas e as ações antrópicas nos oceanos acarretam diversos problemas no ambiente marinho e queremos convida-los a pensar como solucionaremos esses problemas e o que podemos fazer com o que já foi afetado.
Lançamento da Eduff "abraça" espécies ameaçadas de extinção“O abraço do muriqui” (Eduff, R$25,00), de Sávio Freire Bruno, é uma referência não somente ao abraço do maior primata neotropical, mas a um grande abraço a todas as espécies ameaçadas de extinção. O livro, segundo o autor, pretende ser "um modesto e delicado gesto de compaixão por todas as formas de vida e seus respectivos biomas". O objetivo da obra é divulgar ideias ecologistas e contribuir com a campanha “Abrace essas dez!”, lançada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, em 2012, que visa ao engajamento da sociedade na luta pela preservação das espécies ameaçadas de extinção. Produzido em adição ao conteúdo programático das aulas da disciplina de "Ecologia Avançada" do Programa de Pós-graduação em Engenharia de Biossistemas da UFF, o livro representa o engajamento na luta por uma sociedade mais equilibrada, justa e ecologicamente responsável.
Lançamento da reedição do clássico “Flora Fluminensis”No dia 20/06 (quarta-feira), às 16h, haverá o lançamento, pela Eduff e o Arquivo Nacional, da reedição ampliada de “Flora Fluminensis” de frei José Mariano da Conceição Vellozo, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (Solar da Imperatriz). O evento contará com uma mesa redonda, com a presença de Aníbal Bragança (Diretor da Eduff), Renato Crespo (Diretor de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro), Claudia Heynemann e Maria Elizabeth Brea (pesquisadoras do Arquivo Nacional e organizadoras da publicação), Begonha Bediaga e Marcos Gonzalez (pesquisadores do Jardim Botânico do Rio de Janeiro). A mediação do evento será feita por Leonardo Fontes, Coordenador de Pesquisa, Educação e Difusão de Acervo do Arquivo Nacional. José Mariano da Conceição Vellozo, frei franciscano, foi líder de uma equipe pioneira que percorreu a então Província do Rio de Janeiro, entre 1783 a 1790, com o objetivo de conhecer detalhadamente a flora da região. Seu trabalho foi publicado 39 anos mais tarde, “trazendo as descrições e figuras de 1640 vegetais brasileiros e incluindo inúmeros indicações ecológicas, muitos nomes indígenas, etc”. Dessa forma, seu estudo é de grande relevância para o campo da botânica brasileira, principalmente do Rio de Janeiro. Nessa reedição ampliada, a clássica obra é atualizada, possuindo outras floras, como a brasiliensis, além de maiores explicações sobre a divisão dos três reinos - Mineralogia, Botânica e Zoologia -, documentos de relatos dos viajantes, entre outros. Portanto, é um grande complemento para a importante coletânea, agregando mais informações para a área.
UFF Nova Friburgo pesquisa compostos naturais para o combate ao câncer de bocaO câncer de boca é um tipo de neoplasia maligna dos tecidos da cavidade oral, o quinto com maior incidência no mundo, com cerca de 450 mil casos notificados no último ano. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a expectativa de sobrevivência, após cinco anos do diagnóstico, é de 33% em regiões pobres e 63% em regiões ricas. Segundo o pesquisador do Laboratório Multiusuário de Pesquisa Biomédica (LMPB) de Nova Friburgo, Bruno Robbs, no município, há um elevado número de pessoas com diagnóstico de câncer de boca e faringe. Alguns fatores podem ser considerados como as principais causas do câncer de boca: tabagismo, consumo de álcool, infecção pelo vírus HPV e, no caso dos trabalhadores rurais, a exposição contínua a grandes quantidades de agrotóxicos e ao sol. Com foco nos índices locais, um grupo de professores e alunos do Polo Universitário de Nova Friburgo (Punf) em parceria com o Laboratório de Síntese Orgânica Aplicada (LSOA), do Instituto de Química de Niterói, deu início à pesquisa de fabricação de substâncias químicas derivadas de produtos naturais, como o ipê e a hena, produzindo assim substâncias capazes de combater o carcinoma de células escamosas orais. O Pró-Reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, Vitor Francisco Ferreira, ressalta a relevância do trabalho, não somente pelo objeto de estudo, mas pelo fator estratégico que envolve a junção de investimentos e a parceria de outros pesquisadores num mesmo objetivo. “Há profissionais na instituição que têm pesquisas em comum e muitas vezes estão separados por uma parede ou andar. Eles precisam se comunicar, trocar ideias e unir recursos. A UFF, a sociedade, todos saem ganhando”, afirmou. Para Vitor, a colaboração dentro da própria universidade é fundamental. “Existem pesquisadores que estão fora de Niterói, instalados em outros municípios do Estado, desenvolvendo trabalhos de excelência, e aqui não estamos a par. É necessário que os professores saibam o que os colegas estão produzindo, e de alguma forma, contribuam para que as pesquisas avancem”, enfatizou. Com a busca de novos fármacos, estamos agindo na direção de melhorar a qualidade de vida das pessoas e é importante que a sociedade saiba do que desenvolvemos ao seu favor", Fernando de Carvalho da Silva. A pesquisa é realizada desde 2016 por um grupo de quinze professores e alunos bolsistas, liderado pelo coordenador do Laboratório de Análises Clínicas do Instituto de Saúde de Nova Friburgo (ISNF), Bruno Kaufmann Robbs, junto com o professor do Departamento de Química Orgânica, Fernando de Carvalho da Silva e sua equipe. O objetivo é investigar a ação anticancerígena de substâncias orgânicas presentes na natureza, frente às células de câncer. “Fizemos uma ampla varredura da toxicidade e seletividade de 21 diferentes compostos em diversas linhagens de células de câncer de boca humana. Demonstramos que um desses compostos apresentava atividade promissora para matar células tumorais seletivamente, sendo quatro vezes mais tóxico para diferentes linhagens de câncer da cavidade oral em relação às células normais do organismo”, explicou Robbs. Já segundo Fernando, a pesquisa visa a criação de novos fármacos. “Nós sintetizamos moléculas de baixo peso molecular, que tradicionalmente possuem funções responsáveis por determinadas atividades farmacológicas. As naftoquinonas, por exemplo, têm propriedades microbicidas, tripanomicidas, viruscidas, antitumorais e inibidoras de sistemas celulares reparadores, processos nos quais atuam de diferentes formas”, exemplificou. Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o projeto já conta com cerca de cem novos compostos sendo avaliados em culturas de células e com alguns alvos interessantes para a continuação em modelos animais. O professor observa que a pesquisa é apenas o embrião de um trabalho maior, cujo objetivo é a descoberta de um novo medicamento. “Neste sentido, a UFF vem disponibilizando a infraestrutura necessária para que trabalhos como este sejam realizados”, avaliou. Além dos benefícios que trazem para a universidade - como a propriedade intelectual em si - explica Fernando, o trabalho serve para mostrar à sociedade que “com a busca de novos fármacos, estamos agindo na direção de melhorar a qualidade de vida das pessoas e é importante que a sociedade saiba do que desenvolvemos ao seu favor.  Por isso a importância também da divulgação aliada ao trabalho que produzimos”. O especialista esclarece que o próximo passo da pesquisa é a ampliação da divulgação das etapas do trabalho junto à comunidade universitária, trazendo a médio e longo prazo, maior visibilidade e novos investimentos, internos e externos. Além disso, há a possibilidade da criação de parcerias com a indústria farmacêutica, o que dará a estrutura necessária aos pesquisadores para formularem os compostos e definirem a forma mais eficaz de sua utilização - na forma injetável, xarope, comprimidos ou diluições - com certificações específicas que referendam a qualidade dos produtos pesquisados. Fernando acrescentou ainda que a pesquisa científica e tecnológica é um dos pilares para soberania nacional de qualquer país, fato que corrobora a necessidade constante de financiamento e investimentos na área. Segundo ele, de acordo com matéria publicada recentemente no jornal A Folha de São Paulo, a produção científica brasileira cresceu de forma expressiva nas últimas duas décadas, mas seu impacto diminuiu. “Em 1998, os cientistas produziram 11.839 artigos, número que colocava o Brasil em 20º lugar no ranking dos que mais publicam. Quase 20 anos depois, com uma produção sete vezes maior, o país saltou para 13º. No entanto, a relevância dos artigos nacionais não acompanhou essa marcha e perdeu terreno, ficando atrás dos vizinhos Argentina, Chile e Colômbia”, relatou. Os pesquisadores Bruno, Fernando e Vitor concordam que a pesquisa, apesar dos poucos recursos disponíveis, vem avançando consideravelmente nos últimos meses, o que possibilitou a identificação de 100 novos compostos, até então não catalogados na literatura química e que foram planejados, sintetizados e estão sendo empregados, ainda na fase de testes, nessa forma específica de câncer. “Esse estudo une áreas totalmente distintas, da Química e da Biologia, com dois grupos de professores e alunos voltados para um único objetivo. Eu não sei nada do universo de pesquisa de Fernando e ele pouco sabe do meu, mas nosso desafio é reunir uma equipe em busca de resultados práticos para uma pesquisa conjunta, que traga bem-estar e qualidade de vida à sociedade. Esse também é o nosso papel”, conclui Bruno Robbs.