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Projeto da UFF alerta a população sobre os riscos do descarte inadequado de medicamentosNo ano de 2018, o Brasil registrou, segundo o Conselho Federal de Farmácia, 87.794 farmácias privadas e 11.251 drogarias públicas. O número cresce a cada ano e, com ele, o consumo de medicamentos. Mas a discussão sobre o descarte adequado dessas substâncias não parece acompanhar o ritmo da sua produção e distribuição. Pelo contrário. Apesar de já ter sido constatado que o maior impacto ao meio ambiente é causado pelo descarte de consumidores e não pelo processo industrial de fabricação, o Brasil ainda não possui uma regulamentação sobre o recolhimento e o destino adequado de resíduos domiciliares. Na contramão dessa tendência, o projeto de extensão Descartuff, da Faculdade de Biomedicina da UFF, coordenado pela professora de Bacteriologia e Educação Ambiental Júlia Peixoto de Albuquerque, vem trabalhando para conscientizar a população sobre o descarte correto de medicações através de ações nas redes sociais e em eventos científicos abertos à comunidade. O principal objetivo do projeto, segundo ela, é informar a população sobre por que não se pode descartar os medicamentos como lixo comum: “Tem consequências, tem impacto direto na nossa saúde. As pessoas precisam entender que é uma necessidade”, enfatiza. As consequências do descarte incorreto de medicamentos não são poucas e podem ser percebidas não somente na contaminação de solos, lençóis freáticos, águas de rios e oceanos, mas na alteração de algumas formas de vida. De acordo com a professora, “há diversas espécies que estão passando por um processo de seleção. Alguns peixes, por exemplo, estão mudando de comportamento sexual em razão da concentração de hormônio na água”. Além disso, ela reforça, “há o problema das bactérias multirresistentes, que vão se desenvolvendo em grande parte ao descarte incorreto de antibióticos”.  “No cotidiano, com a rotina acelerada em que vivemos, muitas vezes é difícil pensar espontaneamente nos pormenores de algo como ‘jogar remédio no lixo’. Na verdade, existe uma enorme discussão por trás disso” - André Coutinho Apesar de constituir um grave problema de saúde pública, grande parte da população simplesmente parece desconhecê-lo, mesmo nos lugares onde mais se esperaria um cuidado especial com a temática. Júlia relata que ao inaugurar o Descartuff no Instituto Biomédico, por exemplo, chamou sua atenção a falta de informação dos alunos: “as pessoas se assustavam porque não sabiam que não se pode jogar medicamento na pia. Me perguntavam: ‘é sério isso?!’”. O desconhecimento é ainda maior com relação às embalagens dos remédios, que podem necessitar de um descarte especial, dependendo do grau de contato com a medicação. As bisnagas, blísteres e frascos, por exemplo, são as chamadas embalagens “primárias”, que deveriam ter o mesmo destino da medicação propriamente dita. Existem também as secundárias e terciárias, que não foram contaminadas pela medicação. Uma das ações do projeto, inclusive, é a de recolhimento no prédio do Instituto Biomédico de embalagens secundárias. Mas o que fazer, então, com toda a medicação que não é mais utilizada e que se deseja descartar, já que não se pode jogá-la fora no lixo comum ou mesmo atirá-la torneira ou descarga abaixo? Júlia ensina o caminho: “o tratamento adequado que se deve dar a essa medicação é a incineração. Mas não se trata de jogar fogo simplesmente. É uma incineração controlada, serviço que é terceirizado por muitos hospitais e farmácias. Algumas delas são, inclusive, pontos de coleta onde se pode descartar a medicação vencida de uso domiciliar. Existe um site (e-cycle), inclusive, que informa os pontos de coleta da região”. Segundo a professora, esse não é exatamente o cenário ideal: “deveria haver uma rede estruturada de descarte, em que a indústria se disponibilizaria a recolher e receber tudo o que ela joga para a rua, o governo ofereceria um insumo e também uma coleta, e os hospitais trabalhariam como parceiros”, sublinha. Para André Almo de Moraes Coutinho, recém-formado em Biomedicina pela UFF, e que colaborou na formulação do projeto em 2018, participar do Descartuff o despertou para a urgência de se pensar sobre educação ambiental: “assim que iniciamos as pesquisas para alimentarmos e fundamentarmos o projeto, me deparei com uma gama de questões – principalmente as referentes aos impactos do descarte inadequado – que chamaram a minha atenção e me surpreenderam, evidenciando a gravidade do assunto. Num segundo momento, senti que, ao informar terceiros sobre todos esses dados, eu estava contribuindo para um futuro melhor”. André narra um episódio que o marcou bastante durante seu período de atuação mais intensa no projeto, quando realizou um trabalho de conscientização sobre a necessidade do descarte adequado de medicações com funcionários da biblioteca do Instituto Biomédico: “por mais que seja um momento pequeno, foi memorável para mim. Informá-los ali, ao vivo, e vendo suas reações de reflexão e surpresa foi incrível”. O biomédico acredita ser essencial esse trabalho de informação da população: “no cotidiano, com a rotina acelerada em que vivemos, muitas vezes é difícil pensar espontaneamente nos pormenores de algo como ‘jogar remédio no lixo’. Na verdade, existe uma enorme discussão por trás disso”. A coordenadora do Dercartuff ressalta o papel da universidade pública na transformação desse cenário de pouco engajamento das pessoas em questões sobre educação ambiental: “quando se fala nisso as pessoas já pensam em verde, árvore, baleia, artesanato, mas é muito mais do que isso”. Segundo ela, “a universidade existe não só para gerar conhecimento, mas para fornecer esse conhecimento para a população como um todo e formar pessoas que sejam futuramente agentes transformadores nesse processo, reproduzindo e multiplicando o que foi aprendido”. O que não falta é disposição e disponibilidade por parte de Júlia: “Sou uma professora pesquisadora e não uma pesquisadora que dá aula. Gosto de servir para fazer bem ao outro, ajudar as pessoas, e não para eu me sentir bem ou para ser melhor. Se eu estiver aqui sem fazer diferença positiva para alguém, o que estou fazendo, afinal? Simplesmente não tem razão de ser”, conclui.
Ciência ao alcance de todos: Veterinária da UFF recebe crianças e adultos em evento aberto à comunidadeVocê sabe como é o dia a dia de um médico veterinário? Ao contrário do que algumas pessoas tendem a imaginar, sua função vai muito além de tratar da saúde de nossos animais de estimação. Esses profissionais atuam em diversas áreas, podendo trabalhar na saúde pública, com pesquisas científicas e até em segmentos voltados para a tecnologia. É isso que o evento “Ações de Extensão de Medicina Veterinária” pretende mostrar para a sociedade no próximo sábado, 28 de setembro. Em sua terceira edição, o projeto, voltado principalmente para o público infantil, consiste em expor para a população, durante todo o dia, os trabalhos de extensão desenvolvidos por professores e alunos da faculdade. Portanto, o objetivo é estreitar o vínculo da UFF com a comunidade externa, além de despertar o interesse das próximas gerações, não apenas pela medicina veterinária, mas também pelo conhecimento científico. Segundo o coordenador da iniciativa, o professor Luciano Antunes Barros, um dos pilares do “Ações de Extensão” é seu caráter inclusivo. O propósito é que o público tenha a oportunidade de conhecer todas as pesquisas desenvolvidas na faculdade. “Não existe nenhum tipo de competição. Não há prêmios para os melhores projetos, melhor aluno ou coisas desse tipo. Todos estão aptos a participar”, destaca. O evento foi realizado pela primeira vez em maio de 2018 e contou com 12 trabalhos. O êxito obtido pelos extensionistas impulsionou o número de participantes, que subiu para 18 em sua segunda edição - também realizada no ano passado, em setembro. De acordo com Luciano, “as duas edições foram um sucesso, ambas contaram com a presença de cerca de 500 pessoas. Sentimos que o projeto se sustenta. Os expositores vão adquirindo experiência de como conversar com a população e essa troca se torna cada vez mais produtiva”. Pesquisa, extensão e criatividade Os trabalhos são distribuídos por toda a Faculdade de Veterinária - em tendas, salas de aula ou laboratórios -, e professores e alunos ficam à disposição dos visitantes para apresentar, explicar e tirar dúvidas acerca de suas pesquisas. “A experiência que temos como professor, pesquisador e extensionista é de às vezes usar uma linguagem muito técnica. Então quando o público chega, precisamos adequar essa linguagem para que as pessoas que não estão aqui no nosso dia a dia - como as crianças que vêm participar - entendam o que está sendo explicado. Esse exercício de adequação da linguagem é muito produtivo para nós”, ressalta Luciano. Para incentivar o público infantil - que compõe 80% do total de visitantes - a passar por todos os projetos, os organizadores pensaram em uma dinâmica para estimular seu imaginário: transformar o evento em um exercício lúdico, simulando um processo de formação de um médico veterinário. Para colocar a ideia em prática são distribuídas  cartilhas, onde cada página representa um dos trabalhos expostos. As crianças recebem um carimbo por estande visitado e, ao completarem todo o caderno, ganham um certificado de “Veterinário Mirim”.                                          O cunho educativo é a marca das atividades exibidas pelos alunos, que têm a oportunidade de unir os conhecimentos adquiridos em sala de aula e nas pesquisas, com a experiência prática. Na visão da técnica de laboratório e organizadora do evento, Raquel de Oliveira, esta indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão é essencial na formação dos estudantes. “Sem as atividades de extensão, ficamos com uma formação meramente teórica, voltada apenas para o mundo acadêmico. Ao organizar este tipo de projeto, o estudante tem a noção do impacto de divulgar para a população tudo que está sendo feito aqui. É importantíssimo para o aluno ter a sensação de que está realmente sendo útil para a comunidade”. Nesse sentido, a iniciativa exerce uma relevante função social: derrubar as barreiras entre a UFF e a população. O contato com os visitantes ajuda na compreensão do papel que a universidade pode e deve assumir sobre os indivíduos. É o que diz Shihane Mohamad, também técnica de laboratório e uma das organizadoras do projeto, “o objetivo da extensão é levar para a sociedade o que acontece dentro da UFF. Mas como decidir o que oferecer para a sociedade se não se sabe qual a necessidade dessas pessoas? Acredito que percebemos isso através dessa interação. Dessa forma, conseguimos mostrar que qualquer pessoa pode ter acesso ao que fazemos aqui”. Laboratório Aberto Conduzido pela chefe do Laboratório de Patologia Clínica do Huvet/UFF, Aline Moreira de Souza, o Laboratório Aberto é um dos projetos que marcou presença em ambas as edições do “Ações de Extensão”. A docente, que sempre conta com a colaboração de no mínimo 15 estudantes, não escondeu o entusiasmo. “Foi uma experiência enriquecedora e muito gratificante! A interação com a comunidade confirmou minha percepção da carência de iniciativas de divulgação da ciência no nosso cotidiano. E a receptividade com que crianças, jovens, adultos e idosos abraçaram o projeto é animadora. Estamos preparando com muito carinho nosso laboratório para receber não só os cientistas mirins como todos aqueles que tiverem curiosidade no coração”. Através de atividades lúdicas, o objetivo é ensinar um pouco para as crianças sobre  patologia clínica. Aline explica que eles mostram o “lado detetive do diagnóstico” ao examinar particularidades do sangue de aves e mamíferos nos microscópios - apontando suas diferenças -, além de também usar o aparelho para analisar parasitas, como a Babesia e a Filária. A pesquisadora afirma que a ideia é mostrar que o Hospital Veterinário da UFF é capaz de ir além de suas funções tradicionais e despertar vocações para futuros cientistas. Segundo ela, uma de suas pretensões é “trazer a ciência ao alcance de todos”. Aline explica que, com o intuito de ilustrar os ensinamentos que são passados no laboratório, os extensionistas produziram uma história em quadrinhos chamada “Super Leucócitos do mundo cão”. Para facilitar ainda mais o aprendizado, eles também produziram um pequeno filme baseado nesta obra. “Mostramos um vídeo baseado em uma HQ que criamos, que conta a história de um cachorro que é picado por carrapatos e adquire um parasita chamado “Babesia”, que é o vilão da história. Ele destrói as células vermelhas do sangue do cãozinho, causa anemia e pode matá-lo. E, para resolver essa situação, o ‘Super Veterinário’ diagnostica a doença através de exames”.    Projeto Narizinho Outro trabalho que ganhou destaque nas edições anteriores foi o Projeto Narizinho. Comandado pelo professores Aguinaldo Mendes Júnior e Ana Maria Barros Soares, a iniciativa criada em 2014 age especificamente para melhorar a qualidade de vida de cachorros que sofrem com a Síndrome Braquicefálica e já atendeu mais de 400 animais. Os extensionistas realizam uma intervenção cirúrgica (rinoplastia) no focinho, para abrir as narinas e ampliar sua capacidade respiratória. “O Projeto Narizinho nasceu do desejo de proporcionar bem-estar aos cães braquicefálicos, e consequentemente, também aos seus tutores. Os resultados são muito gratificantes, pois influenciam diretamente sua qualidade de vida, gerando maior conforto e alegria para eles”, explicou o docente. Aguinaldo destacou ainda o enorme apelo do público infantil no evento, já que, segundo ele, a forma como as atividades são apresentadas “buscam incentivar a curiosidade e o interesse das crianças sobre diversos assuntos da medicina veterinária”. Além disso, as ótimas experiências vivenciadas no ano passado geram boas expectativas para a edição que acontecerá agora, “espero que seja tão positivo para o público participante quanto é para os alunos e espero também que informações importantes sejam passadas adiante, para que assim cada vez mais animais possam ser ajudados”, concluiu.                                                                                                      Serviço: Endereço: Av. Alm. Ary Parreiras, 503 - Icaraí, Niterói - Faculdade de Veterinária Data: 28/09/2019 Horário: 9h às 15h
Projeto de Extensão - Natação Adaptada A PROEX registrou o Projeto de Extensão - Natação Adaptada, coordenado pelo Prof. Aurélio Pitanga Vianna. O objetivo do projeto é  trabalhar a reabilitação de crianças e adolescentes com deficiência através de atividades aquáticas. As atividades realizadas ajudam não somente o desenvolvimento físico dos alunos, como também psicológico. A melhora dos alunos é facilitada pelas atividades na piscina e essa é uma experiência que promove a saúde e o bem-estar da família como um todo. O projeto funciona as quartas e sextas-feiras das 13h às 14h, na piscina do prédio da Educação Física - Campus do Gragoatá - São Domingos - Niterói. Telefone: (021) 2629 - 2810
PROEX produz programa de TV com o tema "Vacinação para adultos"A PROEX, em parceria com o projeto de extensão "Espaço Aberto para a Saúde", produziu o programa de TV com o tema "Vacinação para adultos". O coordenador da ação extensionista, Prof. Jorge Luiz Lima da Silva, da Escola de Enfermagem da Universidade Federal Fluminense, entrevistou a especialista no assunto e integrante da Fundação Municipal de Saúde de Niterói, Andréia Palmeira Aloi, para conversar sobre o tema. A entrevista completa pode ser acessada no link: https://www.youtube.com/watch?v=UvjeC_U0EPM
Projeto de extensão "Direito e Cinema Latino-Americano" apresenta o filme chileno "Machuca"Na próxima quarta-feira, dia 05, o projeto de extensão "Direito e Cinema Latino-Americano" apresenta o filme chileno "Machuca", seguido de debate com especialistas da área.  No evento, serão discutidas as condições socioculturais e econômicas do Chile e da América Latina na época ditatorial, de acordo com o contexto do filme.  Sobre o projeto O projeto de extensão "Direito e Cinema Latino-Americano" é uma iniciativa da Faculdade de Direito e tem como objetivo aproximar e expandir o acesso das questões relacionadas ao direito à comunidade, com sessões mensais de cinema e debate.