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Parceria entre UFF e Prefeitura de Niterói ampliará acesso de deficientes auditivos às informações de saúdeCom foco na acessibilidade e inclusão, uma parceria entre a UFF e a Prefeitura Municipal de Niterói, através da Fundação Municipal de Saúde (FMS), possibilitará a inovação na criação e confecção dos produtos de divulgação do órgão. Desde 25 de julho, boa parte dos cartazes, folhetos, banners e cartilhas produzidos pelo setor de artes gráficas da FMS passaram a receber um QR Code, que ao ser carregado no smartphone de um usuário com deficiência auditiva, possibilitará a obtenção de outras informações sobre o assunto, além das inseridas no material gráfico. O projeto é coordenado pela professora de Libras do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da UFF, Gildete da Silva Amorim Mendes Francisco. Ela leciona a língua brasileira de sinais para 27 cursos da instituição, bem como para o Instituto de Saúde Coletiva, situado no Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), além da disciplina de Libras em Saúde para os estudantes da Faculdade de Medicina. Torço para que ações como essa possam se multiplicar e que de fato o deficiente auditivo tenha mais visibilidade dentro dos espaços públicos de saúde”, Gildete Francisco. De acordo com Gildete, a ideia surgiu após ouvir o depoimento de uma usuária com surdez, que reclamava de não obter outras informações na língua de sinais. “Eu fiquei com aquela fala na cabeça e questionei como poderia propiciar acessibilidade para ela e outros surdos de forma clara e objetiva”, comentou a professora, ressaltando que pensou muito em aliar a sua prática à questão tecnológica. “Eu passei a gravar vídeos utilizando a libras. Foi assim que nasceu a proposta”, informou. Hoje, de acordo com a especialista, a maioria dos deficientes auditivos usa celular e acessa os conteúdos impressos e visuais em português, ampliando as informações em libras recebidas por meio do aparelho. Com a utilização de um QR Code impresso no produto, o número de informações passadas à população com deficiência auditiva vem sendo ampliado. Sendo assim, a FMS está proporcionando aos usuários uma das diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), a da equidade, que garante a todas as pessoas atendimento e informações confiáveis. Ainda segundo Gildete, a iniciativa vai ao encontro do que está estabelecido pela Lei de Libras. “A iniciativa é inédita não só em Niterói como em todo o estado do Rio de Janeiro. Aliás, acredito que não exista no Brasil nenhum material deste porte. Torço para que ações como essa possam se multiplicar e que de fato o deficiente auditivo tenha mais visibilidade dentro dos espaços públicos de saúde”, afirma a professora. Além disso, o projeto vai ao encontro do que está estabelecido no Direito Linguístico, conforme o Decreto 5.626 de 2005, que a motivou na criação dos vídeos. Os deficientes auditivos, relembra Gildete, encontram-se entre os grupos vulneráveis e desfavorecidos, que sofrem com o que chamamos de “uma barreira linguística”, onde se sentem impedidos de ter uma comunicação ágil e eficaz que permita a eles acessarem os serviços básicos fornecidos pela sociedade. A professora acredita que o material beneficiará não apenas surdos, mas também os profissionais que atuam direta e indiretamente com eles, uma vez que o material é bilíngue, em português e libras. Desde 2017, acrescenta a professora, existe na UFF o projeto de extensão intitulado “Libras em Saúde: um estudo de sinonímia”, realizado por meio da Pró-Reitoria de Extensão (Proex), em parceria com um grupo de pesquisa do Núcleo de Estudos em Diversidade e Inclusão de Surdos (Nuedis). O objetivo é despertar o interesse dos profissionais da saúde para a melhoria no atendimento clínico e hospitalar das pessoas com deficiência auditiva e surdos usuários da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e seus familiares, possibilitando a inclusão social. “O desenvolvimento do projeto prevê também o oferecimento de palestras, cursos e oficinas com foco na acessibilidade dos surdos à saúde, assim como a promoção de campanhas de conscientização destinadas aos surdos no local de trabalho”, conclui.
Centro de Atendimento ao Idoso da UFF é referência nacional no tratamento do AlzheimerO cuidado com os idosos e o investimento no atendimento de quem já chegou à terceira idade vem aumentando em todo mundo. A diminuição no número de nascimentos nos últimos anos está lentamente envelhecendo o planeta. Alguns países, como o Brasil, deixaram de ser conhecidos como nações jovens desde o fim do século passado. Hoje, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o brasileiro já vive, em média, 75,8 anos. As ações de promoção à saúde estão aumentando sua eficácia para corresponder a essa demanda e estão abrangendo não só as novas tecnologias, com tratamentos e exames diagnósticos mais precisos, mas também o aumento da oferta de saneamento básico, diminuição da mortalidade por doenças infectocontagiosas, disseminação de vacinas e de antibióticos. Com foco na melhoria da qualidade de vida de quem chegou à terceira idade, os geriatras da UFF criaram, há mais de 20 anos, o Centro de Referência de Atenção à Saúde do Idoso de Niterói (Crasi), conhecido como Mequinho, no Centro de Niterói, onde está instalado. O local promove ações de prevenção e tratamento de doenças da velhice, em especial, o Mal de Alzheimer. O Serviço de Geriatria, por exemplo, realiza semanalmente oficinas de estimulação e de reabilitação cognitiva. Segundo a coordenadora do Crasi, Yolanda Boechat, estas oficinas são a melhor maneira para  preservar as funções que se encontram íntegras e estimular as funções comprometidas da pessoa. “Através da vivência com o outro, transformamos a realidade interior e expandimos nossas memórias”,  destacou a também geriatra e professora da UFF, que se atraiu pelo assunto há dez anos, após terminar seu doutorado em Neurologia e assumir a coordenação do centro. O interesse em abraçar a causa se deu após perceber o quanto a troca de experiências com os idosos poderia ser benéfica e enriquecedora, a partir do relato de suas histórias de vida cheias de conhecimentos práticos e peculiaridades. O trabalho iniciado anteriormente por Yolanda e pela neurologista Vilma Duarte - ex-coordenadora do Crasi, que mesmo aposentada continua colaborando no espaço como voluntária, foram pioneiros. Em pouco tempo, o atendimento ganhou notoriedade no Sistema Único de Saúde (SUS) de Niterói e se estendeu para todos os municípios da Região Metropolitana II, que reúne também as cidades de São Gonçalo, Maricá, Itaboraí, Tanguá, Rio Bonito e Silva Jardim. Ao trabalhar com o idoso, Yolanda considerou outras especializações da Medicina para dirigir seu trabalho à duas áreas importantes: o envelhecimento e o tratamento do idoso. Doenças, como o Mal de Alzheimer e outras enfermidades, que antes eram vistas apenas como demência e incapacidade e geralmente eram tratadas pela área neurológica da Medicina, ganharam destaque nesse projeto. “Hoje em dia, os idosos continuam a receber os mesmos cuidados, mas ao longo desses anos foram criados diversos grupos de estimulação com várias oficinas”, relembrou.   No Centro de Referência de Atenção à Saúde do Idoso de Niterói, o trabalho vem sendo realizado em duas vertentes importantes e complementares: o cuidado individual e a terapia de grupo. Para isso, as parcerias para a assistência acontecem nos municípios da Região Metropolitana II com atendimentos no Huap, por meio do Sistema de Regulação (Sisreg) e pelo sistema de dispensação de medicações excepcionais do Estado pelas Faculdades de Medicina, Nutrição, Farmácia, Enfermagem, Educação física e de Engenharia da UFF, mobilizando estudantes de residência médica e equipes multiprofissionais, além de alunos da pós-graduação. História do Crasi Tudo começou em 1986, quando a professora Vilma Câmara trabalhava na neurologia do Huap e teve o seu setor subdividido em: comportamental e o de demência. Procurando se atualizar e para uma melhor compreensão profissional, ela começou a estudar novas áreas e, em 1987, criou o atendimento interdisciplinar ao paciente com demência e aos seus familiares no hospital. Após esse período, em 2009, Yolanda recebeu a gestão do Serviço de Geriatria do Crasi no Huap, com uma parcela para atendimento de demências e outro de cuidadores.  “A grande dificuldade da professora Vilma naquela época era estimular um grupo heterogêneo na mesma sala. Então, através de parcerias, hoje temos quatro equipes de estimulação e reabilitação cognitiva com os pacientes divididos por fase de comprometimento cognitivo, o que nos permite dar melhor resolutividade a cada um deles”, ressalta Yolanda. Ainda neste período, segundo a coordenadora, eles passaram a ter dois grupos de cuidadores para dar apoio aos pacientes com demência. Hoje, por meio da Comissão de Residência Multiprofissional em Saúde (Coremu), o serviço conta com um grupo de 17 residentes, o que ampliou as possibilidades de novos trabalhos e de qualificar, ainda mais, as atividades realizadas no setor. Atualmente, a capacitação da equipe multiprofissional envolvida no trabalho com os idosos é feita por meio de cursos de especialização em nível de pós-graduação lato sensu e de residência médica e multiprofissional. De acordo com Yolanda, para atualizar os alunos, são realizados periodicamente encontros de ex-alunos de Geriatria, onde a universidade busca os melhores especialistas para falar de temas fundamentais ao cuidado com o idoso e seu cuidador. “Esses eventos são promovidos em parceria com a Associação dos Professores Inativos da UFF e a SBGG-RJ, no intuito de promover a Liga de Geriatria. Temos atividades comunitárias e mutirões de saúde com temas de interesse dos idosos como osteoporose, hipertensão arterial, câncer de mama e de próstata, entre outros”, informou a professora.  Já o atendimento interdisciplinar ao idoso, no Huap, foi implantado ainda em 1992, e em 1993, foi oficializado o grupo de estudo sobre envelhecimento e o idoso na Pró-Reitoria de Extensão (Proex). Em 1994, teve início a Pós-Graduação em Geriatria e Gerontologia, e em 1996, a UFF abriu a disciplina de Geriatria em seus currículos. Depois de toda essa caminhada, em 1998,  houve a mudança da equipe para o Mequinho, onde além de atendimentos ao idoso, ela promovia também internato, residência, monitoria, cursos de extensão e pós-graduação. “Todas estas atividades ainda acontecem na Faculdade de Medicina”, afirmou Yolanda. A professora estima que já foram atendidas mais de um milhão de pessoas no Programa Interdisciplinar de Geriatria e Gerontologia (PIGG) e no Mequinho, de 1998 até os dias de hoje. Atualmente, o serviço vem atendendo cerca de 350 idosos por mês com diferentes oficinas e consultas individuais. Além disso, por meio da Rede Municipal de Saúde (SUS), são atendidas pessoas nas áreas de psicologia, reabilitação, fisioterapia e terapia ocupacional. Há também atendimentos em grupos de convivências, oficinas e dinâmicas de grupo. Equipe de cuidadores: o idoso em boas mãos Todos os profissionais - funcionários, voluntários ou por ajuda de custo - que trabalham no serviço são treinados exclusivamente na UFF, por meio de cursos de extensão ou especialidade. Atualmente, a maioria dos profissionais concursados foi oriunda da pós-graduação, mesmo os cedidos de outras unidades federais. Os custos operacionais do Mequinho são mantidos pela instituição. Para Yolanda Boechat, o que difere o atendimento do Mequinho de outras iniciativas semelhantes espalhadas pelo Brasil é, justamente, ser um dos poucos locais no país que tem a “expertise da Universidade Federal Fluminense em avaliação neuropsicológica, estimulação cognitiva por fases de comprometimento e a vivência em quantidade de pacientes para os alunos.” Segundo a assistente social, Paula Terra, a divulgação do “Projeto Conhecendo a Rede de Recursos Institucionais de Atendimento ao Idoso” vem obtendo grande sucesso junto aos usuários e pacientes do Mequinho. Ele fornece aos mais velhos amplo conhecimento de todos os seus direitos. “Os acamados, por exemplo, ou com Alzheimer têm direito a 25% de aumento em suas pensões ou aposentadorias, e poucos sabem disso. Para tirar dúvidas e ter maiores esclarecimentos, a Comissão de Assuntos da Criança do Adolescente e do Idoso, criada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), pode ser contatada pelos telefones: 0800-023-9191, 2588-1243, 2588-1669 ou pelo WEhatsapp 98890-4742”. Além disso, Paula se reúne semanalmente com pacientes, cuidadores e familiares para explicar, entre outras coisas, como obter o cartão de gratuidade para o transporte público. Durante as reuniões, ela também tira dúvidas sobre a Lei Estadual 7916/2018, que concede aos cidadãos maiores de 60 anos desconto de 50% no ingresso de cinema e em espetáculos teatrais realizados em salas e teatros estaduais, bem como estabelece prazo máximo de 30 dias para despachos em processos, além de atendimento prioritário em órgãos públicos e agências bancárias, entre outros. Histórias de vida “Gostei de você. Você é um rapaz muito simpático. Obrigado por cuidar de mim”. O Policial Militar reformado e cuidador E.S.M., 81 anos, relembra, com emoção, o bilhete que a esposa, ainda lúcida, escreveu há muitos anos para o médico que a tratava. Morador de Neves, em São Gonçalo, ele acompanha a esposa H.C.S.M., de 82 anos, ao Mequinho para o atendimento semanal. Ele relata que os sintomas do Alzheimer começaram há 11 anos, ocasião em que buscaram atendimento no Hospital da Polícia Militar, em Martins Torres, Niterói. “Numa consulta de rotina ao neurologista e exames posteriores de ressonância magnética e tomografia foi constatada a doença. Hoje ela depende de mim até para comer, tomar banho e trocar de roupa”, relembrou.  Avó de 11 netos e quatro bisnetos, a faxineira aposentada  L.C., 72 anos, moradora do Pita, em São Gonçalo, é articulada, independente e voluntariosa, mas, após uma briga com o neto mais velho, conheceu os primeiros sintomas da depressão. “Fiquei quieta e muito triste. E,  depois que ele decidiu sair de casa, perdi 35 quilos”. A ajuda chegou quando conheceu Yolanda Boechat no Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap). Hoje, acompanhada dos filhos Nilson, 52 anos, Nelson, 51, e da nora Cinthia, 41, ela participa das reuniões semanais com a equipe multiprofissional do Mequinho. Já para as super amigas Z., 82 anos, E., 79, e N., 75, ir ao Mequinho toda segunda e quarta-feira é a oportunidade imperdível de colocar o papo em dia, de participar da sala de espera, onde recebem orientações terapêuticas, e das sessões da oficina “Exercício da Saúde”, que oferece ginástica para a terceira idade. As pessoas interessadas em buscar atendimento devem procurar uma unidade pública municipal de saúde mais próxima de casa ou o próprio Huap, onde, a partir de uma consulta com um médico, será referenciada para o Mequinho por meio do Sistema de Regulação (Sisreg), que coordena o fluxo de consultas, referências e contra referências para a unidade. Serviço Endereço: Avenida Jansen de Melo, nº 174, Centro - Niterói/RJ Telefone: (21) 2629-9608/9606.
Pesquisa da UFF usa inteligência artificial na detecção de doenças mentaisPesquisa desenvolvida pela UFF, em parceria com a University College London, da Inglaterra, e a University of Pittsburgh, dos Estados Unidos, possibilitou a inserção da universidade no cenário internacional, numa relevante área do conhecimento: o uso da inteligência artificial aplicada à clínica. Do ponto de vista social e médico, o estudo representa a possibilidade de se obter parâmetros de avaliação mais objetivos e que auxiliem os psiquiatras e psicólogos nos diagnósticos e encaminhamentos terapêuticos dos mais variados transtornos mentais. A coordenadora do Programa de Pós-graduação em Ciências Biomédicas, Letícia de Oliveira, do Laboratório de Neurofisiologia do Comportamento (Labnec), do Instituto Biomédico da UFF, é a responsável pela pesquisa. Ela exemplifica que um médico cardiologista consegue avaliar o risco de um ataque cardíaco com base em vários parâmetros clínicos mais objetivos, tais como exames laboratoriais, índice de gordura corporal, grau de obstrução dos vasos sanguíneos, etc. Já o psiquiatra, por outro lado, tem um arsenal bem mais limitado para auxiliá-lo, tanto no diagnóstico como na conduta terapêutica, já que exames laboratoriais ou de imagem cerebral mais simples, como ressonância ou tomografia, têm apresentado pouca eficiência nesta área. Portanto, a ideia, segundo ela, é identificar biomarcadores de patologias mentais, iniciativa que se mostra revolucionária na prática clínica da psiquiatria e em outras áreas afins. O estudo é realizado na UFF, e segundo a professora, a parceria internacional vem se consolidando, com visitas bilaterais entre pesquisadores e estudantes das instituições de ensino envolvidas. Recentemente, Letícia foi contemplada com um contrato honorário pela University College London, com o título de “Honorary Senior Research Associate”, o que representa o reconhecimento do estudo do grupo brasileiro e a consolidação da interação internacional. Além de Leticia de Oliveira, o grupo é formado pelas colegas Mirtes Pereira e Isabel Antunes, também coordenadoras do Labnec,  e de Janaína Mourão-Miranda, professora titular na University College London (UCL), na Inglaterra; bem como de Orlando Fernandes Júnior, ex-aluno de doutorado, e atualmente bolsista de pós-doutorado da UFRJ, e de Liana Portugal, pesquisadora de pós-doutorado sob a supervisão de Leticia. Juntos, eles estão aplicando a metodologia também em dados coletados no Brasil.   A pesquisa No início a professora analisou as imagens cerebrais de 32 adolescentes saudáveis, sendo 16 filhos de pacientes com distúrbio bipolar e 16 filhos de pais que não apresentavam distúrbios. O trabalho, segundo a professora, foi feito com uma amostra pequena e, portanto, os resultados foram interpretados com cuidado. Na ocasião, foi observado que o algoritmo de reconhecimento de padrão foi capaz de predizer com 75% de precisão quais adolescentes do estudo tinham pais “saudáveis” - sem nenhuma patologia mental diagnosticada - e quais tinham transtorno bipolar. O algoritmo foi “treinado” com o padrão de atividade cerebral dos jovens enquanto eles visualizavam estímulos de faces humanas com expressão neutra. A professora ressaltou que os pesquisados eram saudáveis, “sem nenhum sintoma de patologia mental, na época da coleta dos dados de neuroimagem e o algoritmo foi capaz de discriminá-los mesmo assim”. O resultado sugere que a nível cerebral já havia uma “assinatura”, uma “marca” capaz de diferenciar os dois grupos. De fato, um acompanhamento de seis meses a um ano depois da coleta da neuroimagem foi realizado, e os pesquisadores observaram que os adolescentes que desenvolveram alguma patologia mental eram aqueles cujo o algoritmo apresentava maior confiança na classificação como filhos de pais com transtorno bipolar. O trabalho está no campo da investigação acadêmica e ainda não se tornou rotina nos postos de saúde, pois de acordo com a coordenadora, ainda há um longo caminho a ser trilhado. Para ela, o estudo ainda vai demorar para ser inserido na rotina clínica. “É preciso muito cuidado com os resultados “falsos positivos”, ou seja, casos em que o algoritmo de reconhecimento de padrões (área de “machine learning” ou aprendizado de máquina) indicaria uma vulnerabilidade a alguma patologia mental, mas isto não seria verdadeiro. Há várias questões éticas que precisam ser discutidas antes de inserir este tipo de abordagem no atendimento ao paciente”, explicou. A metodologia A pesquisa, que utiliza a metodologia de reconhecimento de padrões, área de machine learning - aprendizado de máquina, subárea da inteligência artificial - aplicada a imagens cerebrais, chegou a um algoritmo computacional capaz de ajudar a identificar adolescentes em risco de apresentar em algum momento da vida um transtorno mental. O programa é capaz de aprender características que identificam um determinado estímulo após entrar em contato com ele repetidamente. De acordo com Letícia de Oliveira, a metodologia consiste de duas fases: a primeira é a de treinamento, onde vários exemplos de um determinado estímulo são apresentados ao algoritmo para que ele aprenda as características que definem o estímulo e os diferenciam dos outros. A segunda etapa é a de teste, onde o algoritmo deve discriminar um novo estímulo (nunca apresentado na fase de treino) indicando se pertence ou não à classe daquele que foi treinado. No estudo, por exemplo, os pesquisadores treinam o algoritmo para discriminar, com base em imagens da atividade cerebral, “filhos de pais saudáveis” versus “filhos de pais com transtorno bipolar”. Depois da fase de treinamento, o algoritmo é desafiado com imagens cerebrais “novas” daqueles com pais saudáveis e com transtorno, ou seja, imagens cerebrais de adolescentes que não haviam participado. Os cientistas observaram que o algoritmo acertava 75% das vezes, o que foi considerado alto já que eram jovens sem nenhuma patologia. Entretanto, o treinamento poderia, de alguma maneira, influenciar no resultado final, pois a eficiência da pesquisa depende bastante do algoritmo utilizado. Segundo a professora, há vários disponíveis e a cada dia eles ficam ainda mais eficientes. “Há uma área imensa de pesquisa na computação tentando criá-los cada vez mais eficientes e com baixas taxas de erro”, ressaltou. Fatores causadores de doenças mentais Atualmente, a hipótese mais aceita pelos pesquisadores é a de que a deflagração de uma patologia mental, na maioria dos casos, é essencialmente multifatorial. “Fatores biológicos ou predisposições genéticas ocupam posição de destaque, mas o local onde o indivíduo está inserido é fundamental. Ambientes seguros, com apoio social, e menos estresse representam fatores de proteção. Violência, estresse, traumas (especialmente infantis) são importantes fatores de vulnerabilidade para o desencadeamento de doenças mentais. Em geral, há um sinergismo entre os fatores biológicos e ambientais”, acrescentou Letícia. A professora destacou também que a importância da pesquisa, realizada com financiamento da Capes e do Wellcome Trust, deve-se ao fato de que muitas doenças mentais têm início no fim da adolescência e a detecção precoce e o tratamento podem retardar, amenizar ou mesmo evitar o desenvolvimento da enfermidade. Além disso, há outros trabalhos do grupo e da literatura da área que indicam que o uso da metodologia de aprendizado de máquina pode ajudar para identificar e evitar outras patologias mentais. “Em estudo mais recente, por exemplo, observamos que a metodologia de reconhecimento de padrões pode predizer sintomas de desregulação emocional em adolescentes com algum tipo de transtorno mental. Em outra pesquisa desse mesmo grupo, foi observado que esta metodologia foi capaz de predizer o traço de afeto negativo - que representa o quanto um indivíduo vivencia emoções negativas em seu cotidiano. Este foi um dos primeiros trabalhos na literatura a mostrar que o aprendizado de máquina é capaz de predizer um traço de personalidade também em indivíduos saudáveis”, concluiu Letícia de Oliveira.
UFF inicia 2018 com concurso público para docentesNa contramão do cenário sócio-econômico atual, onde o índice de desemprego permanece crescente no país, a UFF inicia o ano com a abertura de mais um concurso público destinado ao preenchimento de 40 vagas em seu quadro docente. Os profissionais aprovados serão lotados nos campi de Angra dos Reis, Niterói, Nova Friburgo, Rio das Ostras e Volta Redonda, com remuneração mensal que varia de R$ 2.236,30 a R$ 9.585,67, conforme a titulação.  Os candidatos deverão se inscrever pela internet até o dia 28 de fevereiro. A  taxa de recolhimento poderá variar entre R$ 85,00 e R$ 245,00, de acordo com o regime de trabalho escolhido: 20h, 40h ou Dedicação Exclusiva. A seleção será composta por avaliação escrita, curricular e prova didática.  “A UFF permanece na sua trajetória de atuar com responsabilidade, transparência e eficiência na direção de recomposição qualificada do seu quadro de docentes através de uma aproximação da gestão da reitoria com o cotidiano dos departamentos” enfatizou o vice-reitor, Antonio Claudio Nóbrega. “Temos agilizado o trâmite entre a vacância e a realização dos concursos por meio de mecanismos de gestão mais eficientes o que tem nos permitido avançar, apesar das adversidades orçamentárias”. Segundo o pró-reitor de Gestão de Pessoas, Paulo Trales, as novidades não param por aí. Em virtude das aposentadorias ocorridas em 2017, a Coordenação de Pessoal Docente da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progepe) lançará também no final de fevereiro, após aprovação do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepex), um novo edital. O documento inclui a abertura de 39 vagas distribuídas em 35 novos concursos que serão realizados pelos departamentos de ensino e com previsão para maio desse ano. “Além de trazerem energia renovada, esses certames elevarão ainda mais o índice de qualificação do corpo docente da UFF, que atualmente conta com cerca de 90% de doutores no quadro de professores efetivos da instituição”, destacou Trales. Já para a coordenadora de Pessoal Docente da Progepe, Carla Aparecida Florentino Rodrigues, a realização desses concursos em 2018 demonstra que a UFF está empenhada na renovação de seu quadro de professores, necessária à medida que os atuais profissionais finalizam suas atividades na instituição. “Vamos oferecer dois períodos de concursos esse ano para atender não só as demandas dos departamentos como também as necessidades dos nossos estudantes”, explicou. A divulgação da data, local e horário das provas será feita pelo site da Coordenação de Pessoal Docente. A partir da publicação do resultado final homologado, o prazo de validade do concurso será de dois anos e poderá ser prorrogado uma vez, por igual período. De acordo com o Edital nº 21/2018, as vagas são para professor adjunto e auxiliar, da Carreira do Magistério Superior, das áreas de Avaliação Psicológica; Alta Complexidade; Arte, Cultura e Patrimônio; Administração em Enfermagem; Anatomia Patológica Humana; Cirurgia Torácica; Ciências Sociais Aplicadas e Engenharias; Computação Gráfica; Direito Administrativo; Direito Civil; Dentística Restauradora; Estomatologia; Eletroquímica; Ensino de Geografia; Economia Política do Desenvolvimento; Estatística e Pesquisa Operacional; Gestão do Conhecimento, Ergonomia, Trabalho e Inovação; História do Brasil República; História e Desenvolvimento Econômico; Instalações Aplicadas, Instalações Prediais, Eletricidade Aplicada, Prédios Inteligentes e Automação Predial; Linguística; Língua Alemã; Literatura Brasileira; Microeconomia e Economia do Meio Ambiente; Microeconomia; Materiais Compósitos e Novos Materiais; Nutrição Clínica; Química Teórica e/ou Espetroscopia; Segurança, Meio Ambiente e Qualidade na Construção Civil; Trabalho Questão Social e Serviço Social; Termodinâmica; e Química Geral e Ensino de Química.
SEI traz economia, agilidade e transparência aos processos da UFFEm 2017, a UFF deu um importante passo em direção a um futuro mais responsável com a implantação do Sistema Eletrônico de Informação (SEI). A iniciativa trouxe redução significativa de tempo, insumos, mais transparência e agilidade na tramitação eletrônica de processos abertos na instituição, além, claro, do impacto positivo para o meio ambiente. O SEI promove o acesso remoto a documentos e proporciona maior visibilidade das informações, menos custos e maior consciência no uso de papéis. Ainda não são todos os processos que estão tramitando eletronicamente. A comissão de implantação do sistema em breve deverá apresentar outros resultados, por meio de indicadores de utilização, bem como de economia e celeridade com os demais documentos já mapeados e prontos para entrarem no SEI. Ainda assim, e em apenas poucos meses após sua implantação, a medida se mostrou muito positiva. Na tabela a seguir, estão o número de processos abertos e a redução na quantidade de folhas utilizadas: A superintendente de documentação e presidente da comissão de implantação do SEI, Déborah Ambinder de Carvalho, explicou também que a redução não foi apenas de recursos. Um exemplo disso são os processos de pedido de Auxílio Transporte, que tiveram uma queda significativa no tempo de tramitação. “A UFF ampliou a qualidade no desempenho e obteve ganhos significativos. Contudo, com relação aos demais processos, a implantação ainda é recente e as equipes estão em fase de familiarização com o novo ambiente do sistema”, esclarece. Segundo Déborah, a comissão calculou inicialmente a tramitação eletrônica de 1.183 processos, fato que levou à constatação de que a universidade havia economizado 11.830 folhas de papel.  “Esse indicador é bastante importante, se pensarmos no curto espaço de tempo em que o sistema foi implantado, além da celeridade e das consequências positivas para o meio ambiente”, explica. As áreas envolvidas diretamente com os processos já implantados e que mais avançaram até janeiro deste ano foram as Pró-Reitorias de Gestão de Pessoas (Progepe), de Administração (Proad) e a de Graduação (Prograd), além da Superintendência de Arquitetura e Engenharia (Saen). Os demais setores encontram-se nas fases de mapeamento, homologação e implantação. Em relação à adesão ao SEI pela comunidade acadêmica, a aceitação também está sendo positiva. "Todavia, a ruptura da tradicional tramitação do processo físico significa uma quebra de paradigmas e é natural que ocorra certa resistência no início. Porém, com o passar do tempo, os benefícios serão vivenciados e naturalizados. Manter o foco no conjunto de ações para o sucesso desse projeto é essencial e, no que depender da comissão do SEI e da administração central, não vão faltar planejamento e ação com otimismo, motivação e comprometimento. É um momento histórico para a UFF”, enfatiza.   Capacitação de servidores Em 2017, com o objetivo de capacitar os servidores da universidade, foram ofertadas 18 turmas para 254 técnicos administrativos e docentes, sendo 198 pela Escola de Governança em Gestão Pública da UFF (EGGP) e 56 numa parceria com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Além disso, o curso SEI Usar também está sendo oferecido online pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP). Para Déborah, a total implantação do SEI em todos os campi da universidade no Estado vai depender do mapeamento, homologação e digitalização de todos os processos até o final de 2018.  “A comissão está fortemente comprometida para o alcance desta meta. As unidades fora de sede, por sua vez, são as mais beneficiadas com o SEI, que rompe com a barreira geográfica e possibilita a diminuição no tempo de tramitação dos processos”, ressalta. Outro avanço importante é a possibilidade, por meio do SEI, de que um determinado documento tramite entre outras instituições e universidades. Para isso já existe o Processo Eletrônico Nacional (PEN), composto por três grandes ações: SEI, Barramento de Integração do SEI com outras soluções e o Protocolo Integrado. O barramento é uma solução que não depende da UFF, contudo, a comissão de implantação e acompanhamento do SEI na instituição se empenha para tornar possível a tramitação de processos entre os órgãos municipais, estaduais e federais. O sistema representa para a universidade inovação na forma de trabalho na administração pública, um novo modelo de gestão documental, com melhor desempenho dos processos administrativos através de infraestrutura eletrônica. “Sem contar que é desenvolvido em equipe, com a participação de todos. Um exemplo de esforço coletivo e comportamento institucional”, afirma Déborah. A superintendente afirma que a burocracia atual eleva os custos, diminui o engajamento e a produtividade das equipes. “Com o SEI, a morosidade, o extravio de processos, a falta de padronização dos documentos e o retrabalho deixarão de existir”, reforça.   Por que adotar o SEI? A adoção do Sistema Eletrônico de Informações (SEI), escolhido no âmbito do Processo Eletrônico Nacional (PEN), foi uma decisão tomada em conjunto pelo reitor Sidney Mello e vice-reitor Antonio Claudio da Nóbrega, que sempre apoiaram as decisões da comissão e deram autonomia e apoio logístico em todas as necessidades e demandas que lhe foram apresentadas, além do apoio do Comitê de Governança, Comitê de Gestão da Informação, Pró-Reitorias e Superintendências. “A decisão sobre a composição da comissão focou a integração de servidores técnico-administrativos, pois são eles que conhecem e executam os processos. Estamos muito confiantes no sucesso dessa verdadeira revolução por dentro em um dos elementos fundamentais para o aperfeiçoamento da gestão da universidade”, celebra o vice-reitor Antonio Claudio.    A Comissão é formada por representantes das principais áreas da organização. A reunião do conhecimento dos servidores mais antigos da UFF, bem como a capacidade e a vontade de quebrar paradigmas trazida pelo grupo de novos servidores, foram fatores fundamentais para a criação de uma sinergia entre os integrantes e prepará-los para o grande desafio de 2018: a mudança de hábitos e cultura organizacional vinda com a implantação do SEI em toda a universidade. “Em breve, o sistema fará parte da rotina de todos e seus benefícios serão compartilhados com a comunidade acadêmica e com a sociedade”, conclui Déborah. A gestão de documentos eletrônicos na UFF foi motivada pela necessidade de cumprimento do Decreto 8.539/15, que dispõe sobre o uso do meio eletrônico para a realização do processo administrativo no âmbito dos órgãos e das entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional e da Portaria 1.042/15, que dispõe sobre a implantação e o funcionamento do processo eletrônico no âmbito do Ministério da Educação (MEC). Desenvolvimento sustentável Outra palavra que se consolidou no vocabulário da UFF é sustentabilidade. Por isso, é fundamental destacar o expressivo impacto econômico e ambiental que acompanharão a tramitação de documentos exclusivamente por via eletrônica na universidade. Além da preocupação e consciência ambiental, com a redução da quantidade de papel, toners e cartuchos antes utilizados para impressão, a instituição não só reduz suas despesas como ainda evita o desperdício do dinheiro público. O SEI faz parte do Plano de Logística Sustentável da universidade, elaborado com o objetivo de aplicar conceitos de desenvolvimento sustentável em sua gestão administrativa e acadêmica, o que contribui para o desenvolvimento econômico, social e ecologicamente correto no Brasil.  
UFF beneficia população idosa com atendimento focado em qualidade de vidaPesquisa do IBGE aponta que o número de idosos a partir de 60 anos no Brasil subiu de 9,8%, em 2005, para 14,3%, em 2015. Considerando esse aumento e os cuidados especiais exigidos por essa parcela da população, a UFF oferece ao público da terceira idade o Centro de Atenção à Saúde do Idoso e seus Cuidadores (Casic). O centro de atendimento ambulatorial conta com profissionais de enfermagem, cardiologia, nutrição, fisioterapia, serviço social, fonoaudiologia, farmácia, psicologia, acupuntura, auriculoterapia, esparadrapoterapia e massoterapia para consultas individuais. Além disso, também são oferecidas oficinas em grupo para cuidadores, estimulação cognitiva de idosos, informática, música, educação em saúde e diabetes, fisioterapia e psicologia. Situado na área do Mequinho, a estrutura do centro é dividida em quatro consultórios individuais para os idosos e seus cuidadores, uma sala de reuniões e oficina para atendimentos em grupo, além de secretaria e recepção, sala da direção e um pequeno espaço externo para atividades ao ar livre para estimulação cognitiva dos idosos com demências. “Vale destacar que os idosos acamados ou com dificuldades locomoção podem receber visitas em suas casas de enfermeiros, assistentes sociais e nutricionistas do Casic”, ressalta a professora de enfermagem e vice-coordenadora do centro, Mirian Lindolpho. Criado em 1998, o Casic teve início a partir de um Projeto Extensão intitulado “A Enfermagem na Atenção à Saúde do Idoso e Seu Cuidador”. Em 2007, tornou-se um programa de extensão e, em 2014, um centro de referência em extensão que funciona como campo de ensino teórico-prático para alunos do 4º e 8º períodos matriculados nos cursos de graduação em Enfermagem e Farmácia, bem como mestrado e doutorado da Escola de Enfermagem e da Faculdade de Nutrição da UFF. A UFF tem o compromisso de colocar suas competências a serviço da sociedade de forma inter e transdisciplinar. Considerando que o número de idosos aumenta rapidamente, contribuir para que essas pessoas mantenham sua autonomia é uma forma de colaborar para o aumento de sua qualidade de vida e para a saúde da sociedade de um modo mais amplo", Antonio Claudio da Nóbrega. Além do corpo docente, a equipe do Casic é formada por dois enfermeiros, um cardiologista, e uma assistente social da Escola de Enfermagem. Existem outros profissionais voluntários - alunos do curso de mestrado e doutorado em Enfermagem e Nutrição e quatro nutricionistas, três fisioterapeutas, uma farmacêutica, três acupunturistas, uma fonoaudióloga, duas psicólogas e uma educadora física. Para o vice-reitor e médico, Antonio Claudio da Nóbrega, a atenção à saúde integral é essencial, pois aborda o indivíduo de uma forma ampla e considera o conceito de saúde não como somente ausência de doença, mas como o estado de bem-estar bio-psico-social. “A UFF tem o compromisso de colocar suas competências a serviço da sociedade de forma inter e transdisciplinar. Considerando que o número de idosos aumenta rapidamente, contribuir para que essas pessoas mantenham sua autonomia é uma forma de colaborar para o aumento de sua qualidade de vida e para a saúde da sociedade de um modo mais amplo”, pontua. Segundo a vice-coordenadora, cerca de 3200 idosos, entre homens e mulheres, estão cadastrados na unidade, que oferece todos os seus serviços gratuitamente à população. O centro também realiza oficinas informativas para a comunidade com temas de interesse aos cuidadores, como a Oficina de Cuidadores de Idosos, de Demência e de Primeiros Socorros aos Idosos. Mirian destaca a importância do atendimento para a população menos favorecida que, de outra forma, talvez não pudesse ter acesso a um serviço tão integrado e de qualidade. “Uma tese defendida em fevereiro 2017 constatou que a renda média dos cuidadores e dos idosos que buscam a unidade está em torno de três salários mínimos. Além disso, o Departamento de Fundamentos de Enfermagem e Administração (MFE), e a Pró-Reitoria de Extensão (Proex) são parceiros do Casic na manutenção da qualidade da assistência de enfermagem oferecida à população”, explica a professora. De acordo com o enfermeiro Rafael da Silva Soares, para ser atendido no Casic, o interessado deve ser idoso ou cuidador de idosos e apresentar-se na unidade para agendamento, munido de documento de identidade e CPF. “O primeiro atendimento é sempre uma consulta de enfermagem. Os outros serão realizados de acordo com as necessidades de cada indivíduo”, finaliza. Serviço: Dias e horários: segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Email: casic.uff@outlook.com Endereço do serviço: Avenida Jansen de Mello 174, Centro, Niterói, RJ. Campus Mequinho (próximo ao 12º BPM). Outras informações pelo Facebook ou pelos telefones: (21) 36747437 ou 2745-2658.
UFF implanta novas normas para cursos de mestrado e doutoradoO Conselho Nacional de Educação (CNE) publicou em dezembro de 2017 uma resolução que estabelece novas normas para a realização de cursos de mestrado e doutorado nas Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes). Professores reunidos no Fórum de Coordenadores de Pós-Graduação da UFF, realizado no mesmo período, divulgaram algumas novidades trazidas pelo novo documento, tais como a possibilidade de criação de doutorado profissional, com foco nas necessidades do mercado de trabalho, e a concessão de título de doutor mediante defesa direta de tese. Com base na resolução, o Pró-Reitor Vitor Francisco Ferreira, da Proppi, ressalta que está em estudo a implantação de mestrados e doutorados na modalidade à distância. Outra novidade é o ingresso no doutorado sem necessidade de mestrado, bem como a oferta dos cursos a partir da associação entre instituições distintas, em um modelo similar ao Minter (mestrado interinstitucional) e Dinter (doutorado interinstitucional). Além disso, os cursos de pós-graduação stricto sensu em funcionamento que não alcançarem a nota mínima 3 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), poderão ser desativados. “A UFF pretende aplicar as novas normas para o funcionamento da pós-graduação de forma a ampliar a qualidade e não prejudicar o desempenho do que já vem sendo oferecido”, afirmou Ferreira. A professora Andrea Brito Latgé, do Instituto de Física da UFF, é uma das participantes do fórum de coordenadores da Proppi e está acompanhando a implantação das novas normas. Na entrevista a seguir, ela fala sobre a resolução do CNE, que promete ser um avanço nos cursos de pós-graduação. Com a permissão para mestrados e doutorados à distância, como o aluno interessado deverá proceder? Estamos estudando a viabilidade dessa nova modalidade, pois ainda não temos nenhum Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu à distância implantado na UFF, apesar de termos a oferta de alguns cursos de pós-graduação lato sensu e de graduação. Já participamos em cursos de mestrados profissionais de ensino em rede nacional em algumas áreas, como matemática, física, química, história, saúde coletiva e administração pública, que podem ser considerados como um modelo misto de curso presencial e à distância pelo seu caráter de Rede​ Nacional. Ao ingressar no doutorado sem a necessidade do mestrado, ​o​ aluno será avaliado a partir de um projeto ou prova? O CNPq já concede há muito tempo bolsa de doutorado direto, de cinco anos, para alunos ​​graduados. No Programa de Pós-Graduação em Física​, por exemplo, alunos que tiveram um bom rendimento em suas graduações e quase sempre com uma experiência avançada em atividades de pesquisa devido a projetos desenvolvidos em Programas de Iniciação Científica, costumam solicitar a entrada direta no doutorado. Em geral, a prova de ingresso para esse curso segue o procedimento usual dos demais candidatos ao curso de doutorado e a forma como estes candidatos são avaliados pelos colegiados específicos depende muito de cada programa. A oferta de cursos de mestrado e doutorado se dará a partir da associação entre instituições distintas. Como isso irá ocorrer? Na verdade, já existem alguns cursos de mestrado ou doutorado em associação credenciados na Capes. Na UFF, podemos citar os exemplos do curso de doutorado em ​Instrumentação e Óptica Aplicada junto com o Cefet​, mestrado e doutorado em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva com a Fiocruz, UFRJ e UERJ, e ainda o Programa de Mestrado e Doutorado em Biotecnologia Marinha em associação com a Marinha. Esses programas funcionam de forma similar aos programas usuais sendo que os editais têm sido unificados, mas com vagas específicas para cada instituição. As bolsas de estudo da Capes e do CNPq são oferecidas para a Instituição considerada como principal no ato da criação do Programa em Associação. Muitas vezes esses programas são criados como uma boa oportunidade de juntar pesquisadores de diferentes instituições que já colaboram e que não teriam condições de formar um programa com docentes apenas de sua própria instituição. O que vem a ser Minter e Dinter? ​Minter (Mestrado Interinstitucional) e Dinter (Doutorado Interinstitucional) são programas muito antigos da Capes conduzidos por uma instituição promotora nas dependências de uma instituição de ensino e pesquisa receptora, localizada em regiões, no território brasileiro ou no exterior, afastadas de centros consolidados em ensino e pesquisa. As turmas Minter e Dinter têm por objetivo principal viabilizar a formação de mestres e doutores, acadêmicos ou profissionais, além de apoiar a capacitação de docentes para os diferentes níveis de ensino; subsidiar a nucleação e o fortalecimento de grupos de ensino e pesquisa, criando condições para a criação de novos cursos de pós-graduação. E a parceria, como irá acontecer? As turmas estão vinculadas a programas de pós-graduação nacionais  recomendados e reconhecidos com nota igual ou superior a 4. A instituição promotora é responsável por garantir o nível de qualidade das atividades de ensino e pesquisa desenvolvidas por seu programa de pós-graduação na instituição receptora. As instituições interessadas nesta parceria devem elaborar um projeto que será encaminhado à Capes, via Plataforma Sucupira, pela Proppi, ou órgão equivalente, da instituição promotora. O projeto é limitado à formação de uma única turma de alunos de mestrado acadêmico ou doutorado da instituição receptora.   Como será dado o título de doutor a partir da defesa direta da tese? A Resolução do CNE ​em seu Artigo 10 prevê que aos cursos de doutorado regulares é admitido, em caráter excepcional, conceder título de doutor mediante defesa direta de tese. Esta defesa direta só poderá ocorrer em curso de doutorado regular da mesma área de conhecimento da tese apresentada. Entendemos que caberá em primeira análise o entendimento d​a​ ​excepcionalidade  pelo colegiado do curso. A Proppi deverá discutir normas para incluir esta possibilidade de defesa sem créditos e tempo mínimo de matrícula no curso de doutorado em seu Regulamento Geral de Pós-Graduação. Discutiremos a possibilidade, por exemplo, de formação de uma banca especial para a análise da tese.
UFF intensifica atendimento contra HIV em Niterói No mês de comemorações ao 1º de dezembro - Dia Mundial de Luta contra a Aids - dados do Ministério da Saúde (MS), referentes ao período de 1980 a junho de 2015, mostram que o Brasil registrou 798.366 casos de Aids nos últimos 35 anos. Atualmente, estima-se que sejam 734 mil pessoas vivendo com HIV e demais enfermidades decorrentes da doença e 150 mil não sabem que estão com o vírus. No pico da epidemia, em 1995, o país teve cerca de 15 mil óbitos, contra 12.449 em 2014. O número caiu, a epidemia se tornou mais silenciosa, mas continua matando. De acordo com a nova edição do Boletim Epidemiológico de HIV/Aids, lançada no início deste mês, em Curitiba (PR), a taxa de detecção de casos de Aids em 2016 foi de 18,5 casos por 100 mil habitantes - uma redução de 5,2% em relação a 2015, quando foram registrados 19,5 casos. Já quanto à mortalidade, observa-se uma queda de 7,2%, a partir de 2014 (quando foi ampliado o acesso ao tratamento para a população), passando de 5,7 óbitos por 100 mil habitantes para 5,2 óbitos, em 2016. Segundo o chefe do Serviço de Atendimento Especializado aos Pacientes com Aids do Hospital Universitário Antonio Pedro (SAE-Huap), o infectologista Cláudio Palombo, no Brasil, a prevalência da infecção pelo HIV encontra-se em 0,4% na população geral. Envolvido diretamente na assistência a essa parcela da sociedade, o Huap atende atualmente cerca de 600 pessoas infectadas pelo HIV e inscritas na farmácia do hospital para retirada de medicamentos. O perfil dos pacientes, acrescenta o professor, é de qualquer pessoa que faça sexo sem proteção. “Assim, ela está sujeita a se infectar com o vírus HIV, hepatites ou qualquer outra infecção sexualmente transmissível - IST. Não existe perfil ou grupo determinado, para que a pessoa possa se contaminar com vírus da Aids, bem como não há grupo de risco para se infectar”, ressalta. Se não conseguirmos sensibilizar nossos profissionais de saúde e os jovens, (...) teremos ainda muitas pessoas infectadas no Brasil", Cláudio Palombo. Palombo esclarece que as mudanças ocorridas nos últimos anos, no que se refere ao início da terapia antiretroviral, utilizada também no Huap, seguem as orientações do comitê do Ministério da Saúde, para tratamento das pessoas vivendo com HIV/Aids. O que se quer, em outras palavras, explica o médico, é que o tratamento seja logo iniciado em todos, independente do tempo de diagnóstico ou da condição clínica do paciente, “Se uma pessoa descobriu ser portadora de HIV hoje e deseja iniciar a terapia, começa-se hoje mesmo”, afirmou. Segundo o infectologista, o paciente passa por uma avaliação médica, com o intuito de verificar se é portador de outras doenças oportunistas (comorbidades), por exemplo, tuberculose ou outras enfermidades, que mudariam um pouco o esquema na prescrição dos medicamentos. No entanto, a estratégia utilizada atualmente não visa mais retardar o início do tratamento, como era feito no passado, onde os médicos esperavam para avaliar exames de sangue, da quantidade de vírus circulando (carga viral) ou do estado da defesa do organismo (contagem de glóbulos brancos CD4). Para o especialista, outra questão importante que deve ser destacada dentro desse contexto é que os últimos dados epidemiológicos mostram um aumento de infecções em jovens. “Muitas vezes causadas pela falta de abordagem do tema na escola, na família ou pelos próprios profissionais de saúde que não falam sobre sexualidade, num momento de grande vulnerabilidade”, explica. O médico acrescenta que a ausência de campanhas que abordem o tema e métodos preventivos fora dos períodos festivos - Passeata LGBT, 1º de Dezembro, Reveillon e Carnaval - podem influenciar o aumento das infecções entre esse perfil etário. “Se não conseguirmos sensibilizar nossos profissionais de saúde e os jovens, adultos e idosos para conversarem abertamente sobre sexualidade, procurando auxiliar um ao outro na escolha do melhor método de proteção, ao invés de simplesmente impor o uso da camisinha, teremos ainda muitas pessoas infectadas no Brasil”, concluiu Palombo. Na UFF, temos o SAE, que tem o objetivo de organizar as ações de Aids no Huap. Atualmente, o local conta com uma equipe multiprofissional nas áreas de cardiologia, clínica médica, pediatria, obstetrícia, enfermagem, serviço social, farmácia, psicologia, nutrição e odontologia. Os serviços disponibilizados pelo setor incluem consultas individualizadas para pacientes que vêm sendo tratados no próprio hospital universitário e participação de grupos abertos à comunidade interessada. Além disso, o atendimento engloba o acompanhamento de gestantes soropositivas provenientes do ambulatório de pré-natal, crianças nascidas de mães soropositivas, porém não contaminadas, e crianças positivas, além de adultos. Já de acordo com o coordenador do Setor de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST/UFF) e do Laboratório de Virologia do Departamento de Microbiologia e Parasitologia, professor Mauro Romero Leal Passos, a universidade vem nos últimos anos intensificando o acolhimento e o atendimento aos estudantes soropositivos. Como medida de prevenção, houve a vacinação de cerca de 900 alunas contra o HPV, outra IST que pode causar câncer de garganta nos homens e do colo do útero em mulheres, mas que não tem relação direta com os pacientes com Aids. Na entrevista a seguir, Mauro Romero fala sobre a estratégia de prevenção às IST na universidade: Qual o objetivo do setor de DST/UFF e quais as doenças pesquisadas? O setor foi criado há 30 anos e tem a função de ser um pólo de ensino, pesquisa e extensão. Ensino porque tem o envolvimento de alunos de graduação (Liga de Infecções de Doenças Sexualmente Transmissíveis), também dos alunos do curso de especialização, além da pesquisa de vacinação contra HPV para alunos da UFF, até 21 anos, e também com meninos de comunidade do Morro de Estado, de 11 a 17 anos. O setor também realiza a “tipagem” de HPV nessa comunidade de adolescentes e homens, tanto na genital quanto na boca. As doenças mais pesquisadas são infecção por HPV e todas as IST (sífilis, gonorreia, infecções vaginais). Cerca de 800 pessoas foram atendidas pelo setor em 2017, mas o maior volume de atendimento está ligado ao HPV. Muitos desses atendimentos são de pacientes encaminhados pelas unidades municipais e estaduais de saúde. Quais serviços são oferecidos pelo laboratório à comunidade interna e externa? Exame do colo do útero (preventivo e conhecido como Papanicolaou), diagnosticando lesões do HPV, bem como testes rápidos para identificação no sangue, por meio de sorologia, de sífilis, HIV, hepatite B e C. Em parceria com a disciplina de Virologia, pesquisamos também a dosagem e a positividade da vacina contra o HPV que é oferecida aos nossos alunos. Como a comunidade pode ter acesso a esse tipo de serviço? É realizado algum agendamento por telefone ou presencialmente? Quais dias de atendimento? A rede do SUS de Niterói encaminha pacientes para o laboratório do Setor de Doenças Sexualmente Transmissíveis, localizado à Rua Professor Hernani Melo, 71, Ingá. Os atendimentos são diários (manhã até o início da tarde) e podem ser agendados pelo telefone: (21) 2629-2494. Existe algum trabalho ou atividade em relação à prevenção de IST, como distribuição de preservativos, por exemplo? Realizamos atividades de educação e saúde, explicando à população, em especial aos jovens, a importância do uso do preservativo. Recentemente realizamos a Marcha contra Sífilis e sua modalidade congênita, que, por iniciativa nossa, se tornou um dia nacional de combate à doença, por meio da criação da Lei 13.340, de 31 de março deste ano, do Deputado Federal Chico D’Angelo. Promovemos também ações em comunidades, como no Morro do Estado. Distribuímos camisinhas no campus do Valonguinho. Todas as cantinas, inclusive na entrada do Instituto Biomédico, instalamos caixas com preservativos, masculino e feminino. Realizamos em parceria com a Sociedade Brasileira de DST, em julho deste ano, o “HPV in Rio”, evento de conscientização sobre a enfermidade. Mantemos também há 30 anos a edição do Jornal Brasileiro de DST, que pode ser acessado em www.dst.uff.br Para complementar o aprendizado na área, estudantes estão atuando no laboratório? Alunos de graduação participam da Liga de Infecções Sexualmente Transmissíveis. Como a UFF é pioneira nisso, os alunos fazem estágio no laboratório nas áreas de especialização, mestrado e doutorado. Quais são as IST mais comuns? No serviço da UFF, as campeãs são HPV, infecções vaginais e uretrais e um volume razoável de sífilis. Alguma ação específica do laboratório será desenvolvida no Dia Mundial de Luta Contra a Aids? Durante toda a semana, a UFF vai disponibilizar teste rápido para alunos da UFF e comunidade geral, no Setor de DST no Valonguinho. Houve algum aumento do índice de infectados com o vírus da Aids e demais IST no Brasil? Há um recrudescimento da doença principalmente em adolescentes, que iniciam sua vida sexual sem a preocupação com o uso da camisinha. Isso também é verificado em pessoas acima de 45 anos, pois a partir dessa faixa etária podem surgir os primeiros sintomas do diabetes, que causa nos homens a impotência. Daí o uso indiscriminado de medicamentos contra a disfunção eréctil. Que recomendação o senhor daria à população em relação à prevenção das IST? Incentivar o diálogo em família. Certos temas que envolvem a sexualidade não podem continuar sendo tabu entre pais, filhos e familiares. Além disso, o uso de camisinha durante as relações sexuais, principalmente com parceria nova, é de vital importância. As pessoas ao iniciarem uma nova relação, devem procurar saber se o parceiro já se vacinou contra hepatite B, que também é uma IST. O Brasil disponibiliza vacina contra essa doença a toda população nas unidades de saúde. Os próprios profissionais da área de saúde têm que atentar para isso e procurar a vacina, inclusive, na UFF tem a vacina. A Hepatite C, que leva à infecção crônica, tem aumentado na população acima dos 50 anos. Há outras orientações importantes? É muito importante a vacinação contra HPV, a partir dos nove anos de idade. O governo disponibiliza a vacina para meninos e meninas, dos nove aos 26 anos. A partir dessa faixa etária, o aconselhável é buscar uma clínica e vacinar. E atenção aos sintomas: se a pessoa tiver uma ferida na região genital ou na boca, ela deve procurar uma unidade de saúde mais próxima de casa, pois pode ser um sinal de doença. Além disso, há também outros sintomas, como o corrimento ou infecção vaginal e as dores na relação sexual, tudo isso pode ser uma infecção sexualmente transmissível.
UFF inaugura espaço voltado para a qualidade de vida do estudanteA atenção constante ao bem-estar de sua comunidade estudantil levou a UFF, através da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), a criar o Centro de Suporte Acadêmico (CSA). Todas as ações voltadas para a qualidade de vida dos graduandos desenvolvidas na universidade serão concentradas num único espaço físico, instalado no campus do Gragoatá, já no próximo semestre. O objetivo da nova estrutura é oferecer suporte aos alunos de graduação, especialmente, nas questões relacionadas à qualidade de vida, saúde mental e gerenciamento acadêmico. “Nossos estudantes são pessoas com expectativas, angústias e alegrias. Entendemos que é parte da missão da universidade participar do processo de formação integral desses indivíduos, colaborando para que superem as dificuldades e ganhem confiança na construção de sua própria caminhada ao longo da graduação”, destaca o vice-reitor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega. A proposta do CSA, cujas atividades terão início em março de 2018, vai ao encontro dos resultados de pesquisas recentes, nacionais e internacionais, que apontam para questões importantes que afetam negativamente a saúde e o desempenho do estudante universitário. Dentre esses, segundo o pró-reitor de graduação, José Rodrigues, os que mais se destacam são: poucas horas de sono, dificuldades de concentração e assimilação de conteúdos, níveis variados de estresse, prejuízo nos aspectos nutricionais, além do aparecimento de sintomas da ansiedade e depressão. “Nesse sentido, as ações desenvolvidas pelo centro contribuirão para a permanência do aluno de graduação na universidade”, enfatiza. Segundo a assessora de planejamento da Prograd, Cinthia Paes, o CSA, entre outras atribuições, buscará desenvolver políticas institucionais voltadas também para o suporte acadêmico, tendo como ponto de partida a promoção do trabalho conjunto da comunidade universitária, envolvendo servidores, alunos, professores e gestores. Na prática, o centro vai implementar o “Programa de Assessoria e Matriciamento” - metodologia capaz de realizar ações de assessoramento e atenção à saúde de forma compartilhada, integral e resolutiva, por meio do trabalho interdisciplinar, para a comunidade acadêmica, em especial docentes, técnicos e gestores. “Tudo é pensado a partir do acolhimento das demandas trazidas pelos próprios estudantes”, explica Cinthia. O CSA conta também com um ambiente virtual, que tem por objetivo contribuir para a reflexão e o enfrentamento dos problemas vividos pelos alunos, dando maior visibilidade à temática dentro da universidade. “A estrutura virtual da unidade, por sua vez, permitirá que grupos de alunos, professores ou servidores construam suas próprias comunidades, contribuindo para a troca de experiências, adversidades e saberes”, explica a assessora. Nossos estudantes são pessoas com expectativas, angústias e alegrias. Entendemos que é parte da missão da universidade participar do processo de formação integral desses indivíduos", Antonio Claudio da Nóbrega. Cinthia Paes destaca também que a estruturação do CSA ocorrerá em parceria com a comunidade acadêmica. Nesse sentido, o centro contribuirá para o mapeamento das experiências exitosas e para a estruturação de uma ampla rede de suporte e acolhimento, não só na universidade, mas também fora dela, identificando outras instituições que se tornarão parceiras da UFF no mesmo tipo de atendimento, como por exemplo: os setores que lidam diretamente com estudantes dos diferentes cursos oferecidos por outras universidades brasileiras. Como exemplos de ações exitosas priorizadas pelo CSA, Cinthia Paes destacou o acolhimento dos problemas causadores de sofrimento psíquico e demais questões relacionadas à saúde mental, assim como a construção de um protocolo para identificação do sofrimento psicológico. “Há o gerenciamento do tempo de estudo e trabalho do estudante, planejamento de atividades e ações acadêmicas, tutoria para as práticas de cursos, ações voltadas para atividade física, nutrição, cultura e lazer para a promoção da qualidade de vida, bem como a construção de redes de suporte e vínculo. Por fim, destacamos as ações que possam desenvolver a resiliência - capacidade de enfrentar adversidades, resistir à pressão, superar obstáculos e adaptar-se às mudanças - tanto individual quanto institucional”, destaca. Atualmente, o CSA mantém contato com diferentes setores da UFF - administrativos e da área da saúde -, bem como com diversos institutos e cursos de graduação. Os serviços oferecidos pelo centro acontecem também em outras universidades brasileiras, como a UERJ, UFRN e a Faculdade de Medicina da USP. “Nossa proposta, reafirmo, é de construir redes virtuais e presenciais que contribuam para potencializar os resultados das ações que já vêm sendo desenvolvidas nessa área e construir coletivamente uma metodologia que permita o enfrentamento do que ainda é considerado tabu ou lacuna em nossa universidade”, ressaltou José Rodrigues. Na entrevista a seguir, Cinthia Paes traz outras informações sobre o CSA: Onde funcionará o CSA e como será montado? Inicialmente, ele terá sua estrutura física central no Campus do Gragoatá. Acreditamos que, com o estabelecimento das diretrizes, teremos todas as unidades como estruturas efetivas dessa rede. E, além disso, contaremos com uma estrutura virtual para atender alguns casos menos emergenciais. O aluno poderá acessar nossa página e consultar os setores parceiros, além de poder acessar conteúdos diversos voltados à qualidade de vida, gerenciamento acadêmico e saúde mental. Quais serão os dias e horários de atendimento? Ainda estamos trabalhando na construção das diretrizes institucionais e na construção das unidades que farão parte da rede de suporte e ações. No início de 2018, divulgaremos o local, dias e horários de funcionamento. O CSA é fruto de algum projeto ou estudo? A unidade faz parte do Projeto 38 (criação de um centro de suporte acadêmico para apoio aos estudantes de graduação da UFF), que está inserido no Projeto de Desenvolvimento Institucional. Os recursos para investimento no projeto, que resultou no CSA, são oriundos de alguma parceria? Não tenho, no momento, como mensurar o quanto foi investido em recursos financeiros, mas posso afirmar que o CSA é fruto do engajamento de gestores, professores e técnicos sensibilizados com o panorama acadêmico mundial, que reitera a urgência no desenvolvimento de medidas efetivas de enfrentamento das causas do adoecimento dos estudantes no ensino superior. É o nosso compromisso com os princípios da qualidade de vida e do bem-estar. O CSA prestará atendimento com uma equipe multiprofissional? Inicialmente temos um grupo mínimo à frente do CSA composto pela professora Michele Soltosky, do Departamento de Formação Específica em Fonoaudiologia, e do psiquiatra Cláudio Bastos. No entanto, vale destacar que os professores do Instituto de Saúde Coletiva, localizado no Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), e das Faculdades de Medicina e Psicologia, bem como do Serviço de Psicologia Aplicada (SPA), e os servidores da Escola de Enfermagem, da Coordenação de Atenção Integral à Saúde e Qualidade de Vida (Casq), da Divisão de Atenção à Saúde do Estudante (Dase), entre outros órgãos, têm contribuído muito para a formação de uma grande equipe.
Na luta pela igualdade étnico-racial, UFF implanta cotas na pós-graduaçãoO ex-secretário Geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, ao discursar na assembleia da ONU em 2001, afirmou que as “minorias étnicas no mundo continuam a ser desproporcionalmente pobres, (...) afetadas pelo desemprego, (...) menos escolarizadas, (...) sub-representadas nas estruturas políticas e super-representadas nas prisões”. Infelizmente, quase dezessete anos depois, essa ainda é uma realidade a ser combatida. Assim, na busca permanente pela reversão desse quadro no âmbito acadêmico, a UFF, através da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação (Proppi), vem promovendo ações afirmativas que possibilitam aos alunos cotistas superarem barreiras raciais e econômicas e ingressarem também nos programas de pós-graduação. Para o vice-reitor, Antonio Claudio da Nóbrega, um dos pontos centrais da missão institucional da UFF é a contribuição para o desenvolvimento social do Brasil. “Nesse sentido, temos atuado na vanguarda ao implementar ações afirmativas como um dos instrumentos para diminuir a desigualdade étnico-racial no ambiente acadêmico, sobretudo agora com a inclusão do sistema de cotas também nos nossos cursos de mestrado e doutorado”, enfatiza. De acordo com o pró-reitor da Proppi, Vitor Francisco Ferreira, a implantação de políticas de acolhimento na universidade possibilita o acesso desses estudantes aos cursos de pós-graduação. “Atualmente, as ações afirmativas, que incluem o sistema de cotas, estão sendo oferecidas não só nos cursos de graduação, mas também no mestrado e no doutorado dos cursos de Sociologia, Sociologia e Direito, Administração e História”, informou. A importância das cotas na pós stricto sensu e na graduação reside na política de visibilidade, cujo objetivo é aumentar a pluralidade de pessoas e etnias no futuro quadro de professores", Marco Roxo. Já o Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGAd), Eduardo Camilo da Silva, informa que seis alunos cotistas estão inscritos no mestrado em Administração. “Moradores do Rio de Janeiro, Niterói e São Gonçalo, eles trazem na bagagem o desejo de ultrapassar as dificuldades enfrentadas e ampliar o conhecimento obtido durante os anos de graduação”, ressalta. Camilo destaca também que não há um predomínio de homens ou mulheres cotistas nesses cursos, tampouco há qualquer tipo de diferenciação entre os alunos matriculados. “Os cotistas são tratados de igual para igual e possuem desempenho totalmente compatível com os estudantes não cotistas”, afirma. O professor do departamento de Estudos Culturais e Mídia e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFF (PPGCom), Afonso de Albuquerque, destaca que 1/3 das vagas dos cursos de mestrado e doutorado do programa estão destinadas às cotas étnico-raciais. Pluralidade e diversidade O compromisso da UFF em oferecer vagas para alunos cotistas nos cursos de pós-graduação, segundo Albuquerque, faz parte de um longo processo de transformação do corpo docente da universidade. “Queremos dar aos estudantes negros e oriundos das camadas mais pobres da população a oportunidade de se tornarem professores universitários, estratégia que certamente irá garantir num futuro próximo mais pluralidade e diversidade na graduação e, principalmente, na pós-graduação”, enfatiza o professor. O vice-coordenador do PPGCom e editor da revista Contracampo, Marco Antônio Roxo da Silva, comunga do mesmo pensamento. “A importância das cotas na pós stricto sensu e na graduação reside na política de visibilidade, cujo objetivo é aumentar a pluralidade de pessoas e etnias no futuro quadro de professores”, acrescenta. Trata-se de um exercício de audácia por ser uma ação que visa alterar os saberes hegemônicos. Espero que minha presença no PPGAd/UFF estimule outros negros a ingressarem nesse e em outros programas", Geraldo Braz. Ainda segundo Roxo, “a necessidade da implementação dessas cotas reside em dois pontos cruciais: primeiro, somos um país cuja política de democracia racial é uma política de Estado e, segundo, queremos transformar esta política numa realidade, pelo menos na pós-graduação. Por isso, destinamos um percentual de 30% das vagas aos candidatos autodeclarados negros, pardos ou índios. Isto significa o ingresso de seis alunos no mestrado e quatro no doutorado”, enumerou. O vice-coordenador entende ser esta atitude uma contribuição ao fim da hierarquia de cor existente no país. Segundo ele, “não faz sentido o Brasil ter uma população majoritariamente não branca, ainda mais em um estado como o Rio de Janeiro, e ter um quadro docente majoritariamente branco. Portanto, a ideia é contribuir para a reversão desse quadro na próxima década, tendo em vista a formação de um professor durar mais ou menos este período”, justifica. Para Roxo, os gestores públicos devem pensar em termos macro-políticos, o que possibilitaria a criação de políticas públicas mais consistentes, visando ampliar o contingente de negros, pardos e mestiços de toda ordem na graduação, especialmente nos cursos de direito, medicina e engenharia. “Para isto se tornar realidade temos de transformar as cotas na graduação numa política de destinação de 50% das vagas para alunos de escola pública. É a forma de contribuirmos para uma reparação histórica ao nosso passado escravista, cujos ecos se fazem presentes até hoje. Não podemos continuar admitindo que negros e pardos somente tenham espaço nas empresas de vigilância e limpeza responsáveis por atender a UFF. É como se eles fossem estranhos ao ambiente acadêmico. Isto é vergonhoso”, conclui Roxo. Retratos sem retoques: depoimentos de cotistas da pós-graduação A aluna do mestrado em Administração, Maiara Oliveira Marinho, 29 anos, a partir de suas vivências como estudante e candidata a cargos na administração pública, destacou a importância do sistema de cotas para mitigar a história de desigualdades que os negros enfrentam no Brasil. “É nítida a falta de representação negra nos lugares de poder das universidades e nos cargos mais altos da administração, além do embraquecimento que percebemos nas salas de aula e nos espaços de convivência em cursos ditos de “exatas”, ao contrário dos cursos de humanas, através do predomínio da população negra e parda nas faculdades de História, Serviço Social, entre outras”, explica. Maiara é filha de pai negro e mãe branca e, por ter a pele levemente clara, já percebia desde criança certos privilégios por ser “morena”, quando muitas pessoas se referiam a ela com expressões como “morena jambo” ou “moreninha”. Ela afirma que o preconceito sempre ficou claro em determinados contextos, por exemplo, quando precisava frequentar espaços de predomínio branco, como universidades particulares da zona sul do Rio de Janeiro ou em entrevistas de emprego com outros candidatos brancos. Se a cor já era um problema, Maiara ressalta que o gênero também era uma grande questão. Enquanto mulher negra, sempre se percebeu como produto de fantasias de homens brancos e inapta a frequentar certos lugares. Para ela, o racismo sempre operou nos detalhes. “Nós, negras, vivemos estereótipos ambivalentes: a sensualidade é positiva e a hipersexualidade é negativa. O estereótipo tem uma função biológica, mas ela não é a única. Eu diria que essa função deveria ser suprimida em razão da necessidade de sermos mais humanos”, argumenta. Ainda de acordo com a aluna, na cultura brasileira “o preto só é raça porque o branco é referência. O branco não é problematizado”. As cotas, ressalta Maiara, são essenciais porque a questão racial aparece em todas as desigualdades no Brasil, como, por exemplo, na justiça brasileira, onde o “cliente” é sempre negro. “A maior parte da população carcerária e o maior número de homicídios é de negros”, destaca. As mulheres negras, segundo Maiara, também são “clientes”, só que das famílias de classe média-alta. “Minha madrinha, irmã do meu pai, uma mulher negra, de personalidade forte, serviu como doméstica, quando criança, na casa de uma tia. Vinda de uma família pobre, teve que parar de estudar para cuidar dos primos de mesma idade e viveu em condições bastante degradantes. Meu avô a resgatou quando viu o quanto ela trabalhava e onde vivia. E pensar que essa prática era permitida até 2008! Hoje ela é pedagoga aposentada e é a grande referência de persistência da nossa família. Porém, se minha madrinha fosse branca, ou se fosse um homem, teria o mesmo destino?”, questiona. Graças à madrinha, Maiara viveu uma realidade bem diferente: frequentou escola particular e curso de inglês. Por isso, não precisou trabalhar desde menina e pôde se dedicar integralmente para chegar ao mestrado. “Sei que minha trajetória não teve nada de meritocrática, pois foi com muita mão estendida que conquistei alguns espaços”, afirma. Para a estudante, as cotas tornaram possíveis algumas dessas conquistas. Do contrário, não estaria no mestrado em Administração da UFF. Alguns amigos e familiares dela defendem inclusive as cotas por classe social. “O negro só pertence às classes sociais mais baixas porque foi posto lá, num complexo processo histórico que não se desfaz em pouco tempo. Acredito que as cotas hoje são a única alternativa possível para que o país possa corrigir esse erro”, conclui. Já o aluno Geraldo Braz, também cotista do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGAd/UFF), 39 anos, é natural de Aracajú e, segundo ele, herdou o icônico tom basalto de pele. “Durante a minha infância, frequentei bons colégios nas diversas cidades em que morei com meu pai militar e sempre era o único negro da turma. Tive uma sólida base escolar e consegui, sem fazer cursinho pré-vestibular e como aluno de um colégio público, ingressar na Universidade Federal de Juiz de Fora. Fui o primeiro da minha família a realizar tal feito, tanto do lado paterno quanto do materno”, enfatiza. Na opinião de Geraldo, “é importante ressaltar que o racismo brasileiro se baseia no tom da pele. Quanto mais escura a cor de uma pessoa, mais ela é associada a diversas características negativas estereotipadas, como falta de inteligência, comportamento violento, falta de higiene, etc. A partir desse racismo são inseridos e perpetuados diversos tipos de preconceitos no imaginário social”, acrescenta. Sua vida profissional se deu na área de gestão em grandes organizações públicas e privadas. “Nesses ambientes, circulo pelos corredores como um fenótipo “raro”, destoando do plantel “natural” dessas entidades, que têm profissionais majoritariamente brancos em cargos de direção e de técnicos especializados. Ora confundido como faxineiro ou manobrista, ora seguido por seguranças, me lembrando a todo momento que minha pele é escura. Tenho minha individualidade aparada e minha personalidade tolhida pelos estereótipos a que estou submetido, geralmente negativos. Às vezes, minha presença já causa estranhamento, mesmo que sem hostilidade”, admite. Para o estudante, esse insulamento a que é submetido é decorrente da estrutura social brasileira. Segundo ele, o estudo O Desafio da Inclusão, do Instituto de Pesquisa Locomotiva, ouviu 2 mil pessoas em 70 cidades e embora os negros representem 55% da população brasileira, apenas 6% têm curso superior, contra 18% de adultos brancos na mesma. Entre homens com ensino superior, trabalhadores brancos ganham, em média, 29% a mais do que negros, ainda que ambos tenham a mesma formação. Entre as mulheres, essa diferença salarial é de 27%. “Os dados sobre o grau de instrução sugerem que essa lacuna salarial é resultado do racismo crônico da nossa sociedade”, esclarece. Geraldo finaliza sua análise acrescentando que as ações afirmativas em geral e as cotas em particular são uma forma de auxiliar o Brasil no seu compromisso de combate ao racismo institucional. Para ele, a presença de negros nas universidades ajudará o país a se apresentar e se representar como nação multirracial, o que permitirá que pessoas historicamente segregadas possam contribuir para a geração de conhecimento. “Trata-se de um exercício de audácia por ser uma ação que visa alterar os saberes hegemônicos. Espero que minha presença no PPGAd/UFF estimule outros negros a ingressarem nesse e em outros programas. Além disso, pretendo disseminar, para o maior número possível de pessoas, o conhecimento que venho acumulando ao longo do curso. Tenho certeza de que isso contribuirá para a transformação da realidade em que estou inserido e até mesmo da realidade do país”, encerra.
Atendimento psicológico da UFF beneficia população de Campos e regiãoO curso de Psicologia da UFF de Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, oferece à população, desde agosto de 2014, atendimento gratuito especializado no Serviço de Psicologia Aplicada Elizabeth Chacur Juliboni (SPA). Nesses pouco mais de três anos, a iniciativa já contemplou cerca de 600 pessoas não só da cidade, como de municípios vizinhos. Segundo as professoras Mayra Silva de Souza e Ana Lúcia Novais Carvalho, respectivamente, coordenadora e vice-coordenadora do SPA, o curso mantém, neste semestre, 17 projetos de estágio, nos quais participam 70 estagiários. Destes alunos, alguns estão inscritos em dois projetos de estágio, com diferentes frentes de atuação. A coordenadora explica que há particularidades na forma como as interações ocorrem no trabalho de campo e isso representa de maneira evidente a diversidade das práticas psicológicas oferecidas. “Cada projeto tem características próprias, de acordo com o embasamento teórico do professor coordenador e da área de atuação, como, por exemplo, paradigmas profissionais, o papel do auxiliar de psicologia na educação, a necessidade de se manter atualizado, a conciliação do trabalho teórico e prático e a constante busca de soluções para problemas que envolvem essas  mesmas questões”, explica Souza. Os projetos focados em saúde mental desenvolvidos pela UFF vêm chamando atenção da população ... que vê nessas iniciativas uma oportunidade de ter acesso a atendimento gratuito e de qualidade", destacou Estácio Neto. “Desde a inauguração do SPA, por exemplo, cerca de mil interessados já procuraram o serviço para realização de cadastramento e somente na última quinzena do mês de setembro foram realizados em torno de 100 novos cadastros”, informa o professor e coordenador do curso de graduação em Psicologia de Campos, Francisco Estácio Neto. Carvalho ressalta que algums procuram o serviço por iniciativa própria e outros através de encaminhamentos de diversos setores e profissionais do município. “Do total de cadastrados, vários já realizaram ou estão realizando acompanhamento no nosso serviço. Atualmente, temos cerca de 400 pessoas aguardando atendimento”, destaca a professora. “O interesse do aluno de psicologia nas atividades do Serviço de Psicologia se deve ao fato de que a teoria está intimamente associada à prática. Os estágios em clínica ou no SPA não são obrigatórios”, ressalta Mayra. Para se inscreverem nos projetos, os interessado passam por um processo seletivo. Inicialmente, eles recebem informações sobre os critérios de inscrição e sobre os projetos disponíveis no semestre. A coordenação de estágio, por sua vez, organiza toda seleção e o procedimento de avaliação, realizado de acordo com normas estabelecidas e previamente divulgadas pelo professor coordenador do projeto. Antes, porém, como pré-requisito o aluno deve, obrigatoriamente, realizar dois projetos de estágio, com duração de dois semestres cada, e ter concluído as disciplinas: Ética e Estágio Básico I e II.   Campos contra a LGBTfobia No dia 17 de maio deste ano, quando foi comemorado o Dia Internacional contra a Homofobia, a cidade realizou o “Campos contra a LGBTfobia: Dignidade e Cidadania”. O evento, uma parceria da prefeitura municipal com a UFF e outras entidades locais, realizou uma série de atividades, entre elas, o aconselhamento sobre DST/HIV, com foco na importância da prevenção, distribuição gratuita de preservativos, aconselhamento jurídico para os que sofrem ou já sofreram algum tipo de violência física ou psicológica. Na ocasião, também foi disponibilizado aos interessados um espaço de acolhimento com profissionais do departamento de psicologia da universidade, com encaminhamento para atendimento no SPA. Ações de promoção de cidadania, igualdade e conscientização são fundamentais, pois muitos membros da comunidade LGBT vivem em situação de vulnerabilidade e sem o apoio familiar e social. De acordo com a coordenadora do Laboratório de Psicanálise, Política, Cultura e Estudos de Gênero (LPPCEG), da UFF de Campos, e também supervisora de estágio, Bárbara Breder, a linha adotada no SPA é a clínica psicanalítica. “Oferecemos atendimento psicológico para pessoas que sofreram violência de gênero - mulheres e/ou pessoas LGBT. Atualmente, a unidade tem 10 estagiários que atendem em média um total de 30 pacientes com esse perfil”, ressalta. Entre as demais iniciativas também realizadas pelo departamento de Psicologia da UFF de Campos. Dentre elas, destaca-se o atendimento no presídio feminino pela equipe do Laboratório de Estudos, Pesquisas e Práticas em Educação, Sexualidade e  Psicanálise (Lepesp), que proporciona atividades ocupacionais e de escuta clínica, dinâmicas de grupo e oficinas diversas às internas. Também ocorrem atividades em abrigos, na Associação de Proteção e Orientação aos Excepcionais (Apoe), no Centro de Referência da Assistência Social (Cras) da região, em hospitais, escolas e universidades, totalizando quinze instituições locais. Segundo o coordenador Estácio Neto, "os projetos focados em saúde mental desenvolvidos pela UFF vêm chamando atenção da população não só de Campos, mas também dos municípios adjacentes, que vê nessas iniciativas uma oportunidade de ter acesso a atendimento gratuito e de qualidade", conclui.
Ciência das ciências: Agenda Acadêmica 2017 desmistifica a MatemáticaA UFF promoverá entre 23 a 29 de outubro a 14ª Agenda Acadêmica, edição de 2017. Com o tema “A matemática está em tudo”, o evento vai mobilizar alunos, professores e servidores técnicos administrativos dos campi de Niterói, Angra dos Reis, Campos dos Goytacazes, Macaé, Nova Friburgo, Rio das Ostras, Santo Antônio de Pádua, Volta Redonda e Petrópolis. A iniciativa está inserida na programação da 14ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), que acontece nesse mesmo período e com a mesma temática em todo o Brasil. A abertura oficial do evento será realizada pelo vice-reitor, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, no Instituto de Matemática e Estatística (IME), na próxima segunda-feira, dia 23, às 9h. Na ocasião, será proferida a palestra “A Matemática está em tudo. Em particular, na alma feminina” com a matemática e docente da UFF, Cecília  de Souza Fernandes. A iniciativa tem o objetivo divulgar o trabalho acadêmico-científico de mulheres do estado do Rio de Janeiro, buscando assim estimular meninas a seguirem a carreira dessa ciência exata. “Nas últimas décadas, as mulheres realizaram muitas conquistas, tanto no campo pessoal quanto no campo profissional. Do direito ao voto e a se candidatar a um cargo público à existência de leis que garantem proteção contra a violência doméstica, muitos foram os avanços. Entretanto, ainda há muito o que alcançar no que diz respeito a produção do saber, em especial, na área de Matemática”, destacou Cecília. O encerramento acontecerá no dia 27, sexta-feira, às 15h, no auditório do Núcleo de Estudos em Biomassa e Gerenciamento de Águas (NAB), na Praia Vermelha, com a palestra "As tessituras matemágicas", ministrada pelo matemático e pró-reitor de Gestão de Pessoas, Paulo Trales. De acordo com ele, a palestra faz parte de um projeto de extensão, criado há cerca de 20 anos no IME, intitulado "A Universidade vai à Escola". A iniciativa tem como objetivo estimular nos jovens o gosto pela disciplina e, consequentemente, no futuro, aumentar a procura pelo curso de graduação da UFF. “No projeto de extensão, focamos especificamente em questões lúdicas e aparentemente triviais, as "matemágicas", com a utilização de alguns dos recursos que só a matemática pode nos oferecer”, explicou Trales. A expectativa é que o evento reúna mais de três mil membros da comunidade universitária, representando superintendências, pró-reitorias e unidades acadêmicas da UFF, e que cerca de 10 mil pessoas visitem os campi. O objetivo é apresentar à sociedade os programas e projetos de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidos na universidade. A programação inclui palestras, oficinas, cursos, workshops, exposições, encontros, feiras, mostras, debates, fóruns, painéis, seminários, além de visitas guiadas e técnicas. A Pró-Reitoria de Extensão, por sua vez, no mesmo período, promoverá a 22ª Semana de Extensão (Semext), que faz parte da programação da Agenda e tem por objetivo promover a extensão e a integração entre alunos, professores e comunidade acadêmica, por meio da divulgação das ações desenvolvidas na instituição. Para o vice-reitor, a agenda acadêmica é um momento muito importante para a universidade. "É uma oportunidade de a própria comunidade interna se conhecer e se identificar na diversidade, elevando a autoestima institucional com diversas atividades desenvolvidas pelos diferentes setores da UFF em um clima de cooperação e sinergia. Além disso, também abrimos as portas da universidade ao público externo como um todo. Essa abertura funciona como uma prestação de contas aos que financiam a universidade pública com seus impostos e também tem o objetivo de trazer a comunidade para dentro da causa da universidade, através da apropriação da nossa missão de produzir conhecimento, formar profissionais-cidadãos e colaborar na busca por uma sociedade mais justa, próspera e solidária", destaca. Programação Dezenas de atividades estão confirmadas na programação da Agenda Acadêmica 2017, com destaque para a Semana de Desenvolvimento Acadêmico e a Oficina de Libras do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão, ambas promovidas pela Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (Proaes). A Divisão de Acessibilidade e Inclusão (DAI / Sensibiliza UFF) participa tradicionalmente do evento. Neste ano, o setor vai oferecer no dia 25, quarta-feira, das 13h às 16h, a oficina “Libras uma Língua a Conhecer”, ministrada pela professora Ludmila Franco, do mestrado profissional de Diversidade e Inclusão da UFF, e membro da sessão de tradutores e intérpretes da divisão. A atividade vai acontecer na sala 401 no bloco A. Ainda sobre Libras, no dia 27, sexta-feira, das 15h às 17h, na sala 201 do mesmo prédio, a professora Luciane Rangel, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, palestrará a respeito de "Libras na educação e na sociedade". De acordo com a coordenadora do Sensibiliza UFF Lucília Machado, as atividades sobre a língua brasileira de sinais dentro da Agenda Acadêmica representam um avanço da instituição na área de acessibilidade comunicacional. “Além da Seção de Tradutores e Intérpretes de Libras - que integra a DAI - também contamos com um corpo de professores de Libras, lotados no Instituto de Letras, inclusive com a participação de docentes surdos formados pela própria universidade”, ressaltou. “A língua brasileira de sinais é considerada a nossa segunda língua e desde 2002 é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a ela associados, através da Lei Nº 10.436, de 24 de Abril de 2002. Em seu artigo 3º, a legislação estabelece que as instituições públicas e o Sistema Educacional Federal, bem como os sistemas estaduais e municipais, além do Distrito Federal, tem a obrigação de garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial o ensino da língua brasileira de sinais, em outras palavras, as universidades são obrigadas a oferecer a disciplina de libras em todas as licenciaturas”, destacou a coordenadora. Ainda segundo Lucília, a acessibilidade comunicacional é a inexistência de barreiras na comunicação interpessoal, escrita e virtual. “Você diferencia as pessoas com e sem deficiência pelo acesso que elas fazem à língua brasileira de sinais e também aos códigos como Braille. Isso se chama acessibilidade comunicacional”, enfatizou. Durante o evento, o projeto Conheça a UFF, da Superintendência de Comunicação Social, convida os interessados para conhecer a “cidade dentro da cidade”, como é vista a universidade pela maioria da população. A Superintendência de Relações Internacionais (SRI), por sua vez, organizará uma Roda de Conversa com alunos de mobilidade brasileiros e estrangeiros. E por fim, os participantes da Agenda poderão conhecer as ações da Superintendência de Documentação (SDC). Segundo Renato, esse ano haverá dois dias de atividades do Conheça. No dia 24, uma edição voltada para os cursos das ciências exatas, incluindo visitas a oficinas e laboratórios dos cursos da Engenharia, Física e Computação. Já, no dia 26, o projeto estará no campus do Gragoatá, apresentando a tradicional palestra sobre diversos cursos, além de promover, entre outras atividades, o Walking Tour (caminho pelos campi da UFF) e visita às demais atividades da agenda. Premiação De acordo com a chefe da Divisão de Prática Discente da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) e professora da Faculdade de Educação, Luciana Maria Almeida de Freitas, a XV Mostra de Iniciação à Docência na Educação Básica - Prêmio Sueli Camargo Ferreira (MID) busca divulgar projetos de iniciação à docência desenvolvidos por bolsistas do Programa Licenciaturas.“Os trabalhos apresentados serão avaliados por bancas constituídas por professores da UFF e convidados das redes públicas de educação básica. Os três trabalhos mais bem avaliados e, ainda, eventuais menções honrosas, receberão a certificação do Prêmio Sueli Camargo Ferreira”, informou Luciana. De acordo com a assessora de comunicação e produção, da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes), Renata Feitoza, durante a V Semana de Desenvolvimento Acadêmico (V SDA), será concedido um prêmio aos três melhores trabalhos apresentados em cada área do CNPq - Ciências Agrárias, Biológicas, da Saúde, Exatas e da Terra, bem como Humanas, Sociais e Aplicadas, Engenharias, Linguística, Letras e Artes. Ela informou também que a iniciativa tem como proposta a apresentação e divulgação dos projetos em desenvolvimento cadastrados no Programa Bolsa de Desenvolvimento Acadêmico (BDA)”, explicou. Além disso, segundo o chefe da Divisão de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (Proppi), Fábio Aquino, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) concederá o prêmio Vasconcellos Torres para os melhores projetos de iniciação científica nas categorias referentes às áreas do CNPq. Ciência das ciências A escolha da Matemática - a “a ciência das ciências” -  como tema desta edição da Agenda se deu em função do Rio de Janeiro ter sediado em julho um dos maiores eventos do mundo nessa área - a 58ª Olimpíada Internacional de Matemática (Imo 2017) (https://www.imo2017.org.br/home-portugues.html), competição que reuniu os melhores estudantes do planeta. Além disso, em 2018, o Congresso Internacional de Matemáticos reunirá também pela primeira vez no país pesquisadores de alto nível. Juntos, os dois megaeventos formam o Biênio da Matemática 2017-2018 e reforçam a SNCT 2017. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), por meio de sua assessoria de imprensa, informou que a Matemática é usada como ferramenta essencial por várias áreas do conhecimento humano, estando presente na Física, Biologia, Química, Engenharia, Economia, Administração de Negócios, Artes, Agricultura e até na Medicina. Além disso, ela é uma das áreas do conhecimento mais fascinantes e antigas, tendo surgido antes mesmo da escrita e suas aplicações concretas impulsionaram o desenvolvimento da humanidade desde as primeiras civilizações por meio do manejo de plantações e medição de terra, registro do tempo e comércio. Outras informações: (21) 2629-5236, e-mail agendaacademica2017@id.uff.br ou pelo site http://www.agendaacademica.uff.br
UFF aperfeiçoa processos com foco em agilidade, eficiência e transparênciaA UFF, por meio da Pró-Reitoria de Planejamento (Proplan), vem aperfeiçoando as práticas de gestão, governança e levantamento de processos na universidade. O objetivo da iniciativa é mapear e otimizar o fluxo dos principais processos de trabalho da instituição, com a finalidade de obter maior eficiência em seu desempenho. A estratégia se destina também ao registro e divulgação do conhecimento institucional, ampliando de uma forma geral, a transparência, agilidade e eficiência nos serviços oferecidos pela instituição neste final de década e principalmente para os anos de 2020. “Estamos trabalhando diuturnamente na transformação da UFF em uma universidade contemporânea, na qual a transparência e eficiência da gestão são conceitos centrais. Desta forma, toda comunidade da UFF se beneficia desde já e passa a fazer parte de uma organização preparada para o futuro”, enfatiza o Vice-Reitor da UFF, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega. De acordo com a coordenadora de Gestão Institucional da Proplan e da Comissão de Mapeamento e Otimização de Processos Administrativos, Maria Leonor Veiga Faria, as ações que estão sendo desenvolvidas são fundamentais. Segundo ela, “num momento em que tantos servidores estão se aposentando, os recém-concursados, que estão entrando agora, irão desempenhar suas funções com base em ações planejadas, evitando desperdícios e economizando tempo. Isso reduz custos, pois padroniza e despersonaliza os procedimentos, eliminando o que ela chama de retrabalho”, ressalta. Todos ganharão com essa nova tecnologia que a UFF está adotando", Fátima Loureiro. O trabalho - cujo relatório final deve ser apresentado em 120 dias - está dividido em três fases distintas: mapeamento dos principais processos de trabalho da instituição, com a identificação de possíveis gargalos e entraves; proposição de melhorias com redesenho e documentação dos processos e, por fim, a divulgação dos resultados alcançados, no site institucional da UFF. “Todas as etapas são realizadas com a participação efetiva dos responsáveis pelos processos de trabalho e, nos casos em que houver sugestões de redesenho, com a participação também das chefias”, explica a coordenadora. Para Leonor, a metodologia sugerida permitirá estruturar a sequência de trabalhos a ser desenvolvida, visando à análise, simplificação e melhoria das atividades realizadas na instituição, como forma de promover a permanente busca da melhoria de desempenho. “Afinal, os processos de trabalho envolvem pessoas e sistemas de informação, que são organizados em áreas de atuação integradas e com o objetivo de concretizar uma determinada estratégia”, acrescenta. A coordenadora explica, por exemplo, que ao mapear o processo de insalubridade e periculosidade, foi identificada a existência de dois fluxos - com idas e vindas do processo -, gerando retrabalho e, consequentemente, demora da concessão do benefício, pois exigia do solicitante do benefício o preenchimento de um requerimento complexo. “Em reunião com o setor, a comissão identificou que já havia o desejo da equipe de simplificar esse processo, faltava a motivação”, destaca. O pró-reitor de planejamento, Jailton Gonçalves, acrescenta que o resultado final dessas melhorias influenciarão positivamente as atividades diárias. “A diminuição do tempo de execução, a eliminação do retrabalho e a maior segurança na realização das nossas atribuições impactarão na melhoria do nosso ambiente de trabalho e, consequentemente, da nossa qualidade de vida, e isso repercute positivamente em como atendemos à população”, ressalta. Atualmente, a Coordenação de Atenção Integral à Saúde e Qualidade de Vida (Casq), da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progepe), está redesenhando toda a metodologia na concessão de benefícios aos servidores da UFF. Isso implica, inclusive, na alteração do fluxo de tramitação de um processo aberto, bem como a simplificação do requerimento e atualização da norma de concessão. Com essas modificações, haverá a inclusão desse processo no Sistema Eletrônico de Informações (SEI). Além disso, ainda este ano, os servidores que requeiram o benefício terão sua solicitação atendida com muito mais agilidade. Assim como PROGEPE, todas as demais Pró-Reitorias e Superintendências estão mapeando e otimizando seus processos, para implantá-los no SEI. A coordenadora e médica Fátima de Azevedo Loureiro destacou que a inclusão de processos no SEI proporcionou uma revisão racional nos fluxos, garantindo mais celeridade e diminuição do retrabalho. “Esperamos uma redução no consumo de material, otimização do trabalho de toda equipe envolvida e redução da ocupação de espaço físico”, informa. Os servidores, na sua opinião, poderão acompanhar os trâmites dos processos com mais transparência e entendimento. Ainda de acordo com Fátima, o SEI vem favorecer a instituição em vários aspectos, como a economicidade de material e adesão à evolução tecnológica. Para ela, os servidores estarão mais capacitados em lidar com o novo cenário, além do impacto ecológico positivo com a redução no consumo de papel. “Todos ganharão com essa nova tecnologia que a UFF está adotando”, concluiu.   Na entrevista a seguir, a coordenadora de Gestão Institucional, Maria Leonor Veiga Faria, destaca outras informações sobre essa iniciativa desenvolvida na UFF: Quem ganha com os resultados desse trabalho? Ganham os servidores, que terão uma melhor organização do trabalho, orientação na execução das tarefas, redução da variabilidade, do tempo de execução e do retrabalho. E ganham também os gestores, com uma maior facilidade no treinamento e capacitação de pessoal, visto que a maior parte dos procedimentos serão padronizados e publicizados, favorecendo a assimilação do conhecimento, além da redução dos recursos utilizados no processo, integração entre as áreas e rapidez na tomada de decisão. De quem foi a iniciativa desse trabalho? A iniciativa foi originada a partir da decisão do reitor Sidney Mello, mais especificamente do Comitê de Governança, que tem como um de seus objetivos contribuir para a modernização administrativa da universidade, e que é coordenado pelo Vice-Reitor Antonio Claudio da Nóbrega. A decisão estratégica de implementar o SEI na UFF também exigiu o mapeamento e aperfeiçoamento dos processos. De qualquer forma, a melhoria dos processos internos de planejamento, execução e controle, por meio do mapeamento de processos das unidades administrativas é um dos objetivos estratégicos do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). A implantação do SEI tem ligação com esse trabalho? Sim. Durante os trabalhos da comissão de implantação do SEI, estabelecemos o mapeamento como um pré-requisito de extrema importância para garantir a tramitação correta dos processos. No entanto, de nada adiantaria se o trabalho continuasse sendo feito no formato atual, visto que vários deles têm gargalos, movimentação excessiva e retrabalho. Para não perpetuar os problemas já existentes, a comissão está aproveitando o momento para atuar junto às áreas responsáveis, no sentido de redesenhar os processos, otimizando e padronizando os procedimentos. Isso criará uma nova maneira de se abrir, tramitar e arquivar um novo processo? Claro! A ideia é projetar o novo processo a partir de uma visão integrada, desde a origem até seu arquivamento já prevendo, de antemão, todos os requisitos e exigências necessários à sua tramitação, nas diversas áreas por onde passa. Desta forma, pretende-se evitar que o processo precise retornar à origem para complementação de informações. A UFF está unida nesse trabalho? A UFF está unida e gostaria de deixar registrado que o desenvolvimento deste projeto só está sendo possível porque todos os servidores envolvidos no mapeamento e o redesenho dos processos, nas diversas áreas da reitoria onde já atuamos, estão mobilizados e dispostos a quebrar paradigmas em busca de melhorias nos seus processos de trabalho.
Inclusão: UFF garante investimento em obras de acessibilidadeCom a intenção de se tornar uma universidade cada vez mais inclusiva, após intensas negociações, a UFF receberá um investimento externo de R$ 619.289,00 destinado a obras de ampliação da acessibilidade em seus campi. A verba é proveniente de emenda parlamentar e vai ao encontro das ações de inclusão planejadas e desenvolvidas pela instituição através do Grupo de Trabalho Acessibilidade (GT). Formado por representantes de diversos setores, o objetivo do grupo é elaborar o programa UFF-Acessível, que fomenta a implantação e consolidação de políticas e ações voltadas para as pessoas com deficiência, garantindo-lhes todas as condições de permanência na universidade. Para dar continuidade às iniciativas do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (Nais), também conhecido como Sensibiliza UFF, o programa insere o tema deficiência/inclusão social em todos os espaços e processos desenvolvidos na instituição. Para o vice-reitor, Antonio Claudio da Nóbrega, a meta desse movimento institucional de articulação e sinergia é fazer da UFF um exemplo de universidade no estrito sentido da palavra, ou seja, um ambiente onde todo o universo de pessoas é acolhido,  circula e pode se desenvolver. “Precisamos quebrar todas as barreiras não somente arquitetônicas, mas também acadêmicas e atitudinais, para avançarmos ainda mais no sentido de sermos a UFF de todos”, ressalta. Segundo a terapeuta ocupacional da Pró-reitoria de Gestão de Pessoas (Progepe), Mariana Seabra da Silva, presidente do GT, no atual cenário, em que as universidades públicas enfrentam dificuldades financeiras ainda maiores, o GT se empenhou na busca de auxílio externo. Assim, através de negociações com a equipe do deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) - que se mostrou bastante sensível à causa - a UFF conseguiu a liberação de recursos para o programa da Progepe voltado ao acompanhamento do servidor com deficiência. “Quando foi sinalizada a aprovação da verba, nosso foco foi aplicá-la na melhoria da qualidade de vida do funcionário com deficiência, mediante todos os levantamentos que já havíamos feito ao longo de cinco anos de trabalho”, explica. Toda a comunidade será beneficiada com esse investimento, não apenas os servidores. Sem um olhar global, multiprofissional e multissetorial, explica Mariana, não há como atingir uma acessibilidade adequada. Nesse sentido, as obras serão realizadas no campus da Praia Vermelha, que possui alunos, técnicos administrativos e docentes cadeirantes e frequentemente recebe eventos abertos ao público externo. “Atualmente, são 35 servidores técnicos-administrativos, dois professores e em torno de 200 alunos que apresentam alguma deficiência e a tendência é que esse número aumente, com mais pessoas podem ser beneficiadas por essas ações”, acrescenta. A Progepe, por meio da Seção de Qualidade de Vida e Saúde do Servidor (SQVS), é parceira desde 2012, da Divisão de Acessibilidade e Inclusão, uma iniciativa bem sucedida da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes). Antes, porém, os setores atuavam isoladamente, a SQVS atendendo aos servidores e o Sensibiliza aos alunos com deficiência. Hoje, cada setor mantém sua especificidade, mas sempre que surgem ações que envolvam toda a comunidade acadêmica, ambos planejam atividades conjuntas. “Essa parceria significou um indiscutível salto de qualidade no trabalho de todos”, afirma Mariana. A coordenadora do Sensibiliza UFF, Lucília Machado atualmente está à frente de um setor que luta incessantemente por verbas para continuar deixando a universidade de portas abertas para a inclusão e mais acessível a todos, em especial às pessoas com deficiência. “Conheço a universidade desde 1978, quando ingressei no curso de Jornalismo. Me formei em 1982 e retornei em 1984 como funcionária. Em 1999, após sofrer um acidente de carro, fiquei tetraplégica e decidi que a solução seria dar a volta por cima e me engajar definitivamente nas questões que envolvem acessibilidade”, relata. Segundo a jornalista, “a chegada desses recursos é um socorro para a UFF. É a certeza da permanência do aluno com deficiência na instituição. Estamos hoje com cerca de 200 estudantes inscritos em cursos de graduação, pós-graduação e ensino à distância, e o orçamento da universidade não dava conta de atender às demandas de todos eles. Os cortes do Governo Federal foram severos e a vinda desse dinheiro ajuda a diminuir a evasão. Por exemplo, temos alunos cegos que precisam de audiolivros ou impressos em Braile, e para que essas e outras tecnologias assistivas sejam produzidas precisamos de verbas. O número de servidores se ampliou com a inclusão no último concurso de cotas para pessoas com deficiência, o que aumenta ainda mais a demanda”, ressalta. Com a criação do programa UFF-Acessível, a ideia é transformar o GT em Comitê Permanente de Acessibilidade e Inclusão (Comitê UFF-Acessível). Através do comitê, as ações transversais de acessibilidade serão discutidas e todos os setores envolvidos terão maior respaldo institucional para resolver questões específicas, fortalecendo os setores já existentes. “A UFF desenvolve muitos projetos de extensão, iniciação científica e de pós-graduação voltados para a acessibilidade, mas isolados em seus departamentos. O comitê promoverá o diálogo entre esses diferentes setores e aperfeiçoará as ações e projetos de acessibilidade. Juntos podemos captar mais recursos, criar soluções criativas e melhorar processos”, acrescenta Lucilia. Acompanhamento e utilização dos recursos Do total da verba obtida com a emenda, R$ 400.289,00 foram destinados à Seção de Qualidade de Vida e Saúde do Servidor (SQVS) e R$ 200 mil ao Instituto de Artes e Comunicação Social (Iacs), que, segundo o diretor Kleber Santos de Mendonça, serão investidos não apenas na reforma de banheiros e rampas de acesso, mas também na construção de uma nova sala multiuso para professores e alunos, com deficiência ou não, equipada com computadores de última geração. “Negociamos a divisão dos recursos com o deputado e com o vice-reitor, informando que a verba não seria usada integralmente em obras de acessibilidade, visto que o instituto tem essas e outras carências. Concluiremos as obras de acessibilidade com a nova emenda parlamentar que está em fase de negociação”, informou Mendonça. O acompanhamento do processo se deu por meio do GT-Acessibilidade. “Com o projeto pronto e com a chegada dos recursos, entra em cena a equipe da Superintendência de Arquitetura e Engenharia (Saen), que por sua vez, planeja, supervisiona, administra, projeta e executa as obras de que a universidade necessita”, acrescenta Mariana. Ainda de acordo com a terapeuta, todos os trâmites burocráticos foram realizados pela Pró-Reitoria de Planejamento (Proplan), com a colaboração dos membros do GT e apoio irrestrito da reitoria, especialmente através do vice-reitor, Antonio Claudio da Nóbrega, que, em conjunto com outros professores e servidores, está em contato permanente com deputados da Frente Parlamentar do RJ, com o objetivo exclusivo de conseguir verbas para a UFF. “Temos encontrado uma excelente receptividade dos parlamentares com a questão da inclusão. Temos nos apresentado como uma universidade que propõe e não apenas pede o apoio através da emenda parlamentar. Apresentamos o compromisso de realizar e como fazemos do ponto de vista da gestão dos recursos, pois é uma postura necessária com o dinheiro público e com nossa responsabilidade social. Temos a expectativa de que, para o próximo ano, muitos parlamentares juntarão forças no apoio à UFF para acelerar nosso plano de acessibilidade global”, conclui o vice-reitor. Dia de luta A UFF participa das comemorações do Dia da Luta da Pessoa com Deficiência, nesse dia 21 de setembro. Em breve, será lançado o site UFF Acessível (http://uffacessivel.sites.uff.br/), que trará um histórico do trabalho de acessibilidade desenvolvido na universidade, bem como a política UFF-Acessível para consulta pública, links para setores da instituição que trabalham na área, notícias atualizadas sobre acessibilidade, entre outras informações. O objetivo é que o site seja um ponto de convergência das ações e informações de acessibilidade na universidade e que nossos servidores técnico-administrativos, professores, alunos e pessoas da comunidade em geral possam acessar tudo o que vem sendo realizado, contribuindo também com críticas e sugestões.
Inteligência Artificial: UFF cria soluções inovadoras para a sociedadeA expressão machine learning ou aprendizado de máquina pode, a princípio, soar estranha. No entanto, para o chefe do Departamento de Engenharia Elétrica da UFF, professor Vitor Hugo Ferreira, essa é uma área da inteligência artificial que muito tem a contribuir para a sociedade. De acordo com o pesquisador, esses sistemas podem ajudar na resolução de diversas questões, tais como: tomada de decisão em ambientes com múltiplas informações incertas e imprecisas, mobilidade urbana e segurança pública; extração de conhecimento de múltiplas bases de dados em benefício da sociedade ou até mesmo a criação de sistemas inteligentes para manutenção em ambientes industriais de alto risco. Segundo Ferreira, algoritmos inteligentes já estão inseridos nas nossas atividades diárias e nem percebemos. “Quando escolhemos um filme no Netflix ou encomendamos um livro numa loja virtual, por trás dessas escolhas há a influência de algoritmos de recomendação. Também são baseadas nesta tecnologia as sugestões de rotas por aplicativos de trânsito, precificação de uma corrida no Uber, aprovações ou negações de créditos no comércio, preços dinâmicos para passagens aéreas e até as rotineiras buscas que fazemos no Google”, exemplifica. “Serviços como o de tradução automática ou de assistente pessoal em dispositivos móveis ainda não são 100% precisos, mas há alguns anos era impensável uma interface dessas no nosso bolso, em um smartphone”, explica o professor. Hoje, devido à evolução dos softwares e dos hardwares ao longo do tempo, temos uma combinação de capacidade computacional, dados e algoritmos que permite aos computadores realizar tarefas impensáveis há uma década. Para Ferreira, a pesquisa com Machine Learning, iniciada na UFF em 2009, contribuirá para o desenvolvimento num futuro próximo de computadores capazes de pensar e aprender a resolver os mais diversos problemas da sociedade a partir da experiência e informações recebidas. Com isso, a própria máquina passará a tomar decisões racionais com base no que já aprendeu na interação com o ambiente, analogamente ao processo decisório dos seres humanos. “O cinema vem explorando o tema há décadas em superproduções como “2001, uma odisseia no espaço”, “O Exterminador do Futuro”, “Eu, Robô”, entre outras, mas o que antes era só ficção está agora perto de se tornar realidade”, afirma. Estamos atentos aos desafios e oportunidades que as rápidas mudanças na sociedade apresentam à UFF", Antonio Claudio da Nóbrega. O principal projeto do grupo, informa Ferreira, foi executado junto a três empresas de transmissão de energia (Cachoeira Paulista Transmissora de Energia, Linhas de Xingu e Linhas de Macapá) com recursos do programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Chamado de Sistema Inteligente para Diagnóstico de Faltas em Linhas de Transmissão, o projeto propõe o desenvolvimento de um ambiente computacional integrado para a gestão técnica de empreendimentos de transmissão, com foco na análise e diagnóstico de perturbações em linhas de transmissão. Utilizando técnicas de inteligência computacional e reconhecimento de padrões, o sistema subsidia o processo de tomada de decisão nos centros de operação da concessionária, por meio da geração de relatórios com a detecção do instante de falta de energia, classificação do tipo de falta e ainda uma estimativa da localização do defeito na linha de transmissão em análise. Além disso, complementa o professor, é capaz de reduzir o tempo de restauração da função em virtude da identificação e localização de uma determinada falha, permitindo direcionar as equipes de campo de forma mais adequada para o restabelecimento do sistema. Os estudos na área, esclarece o professor, surgiram com a intenção de agregar pesquisadores das mais diversas vertentes da Inteligência Artificial (IA), que atuavam de forma independente em pesquisas sobre como representar computacionalmente os mecanismos e processos de aprendizagem utilizados pelos seres vivos para a resolução de problemas. Outros projetos serão utilizados para o desenvolvimento das mais diversas áreas, incluindo sistemas para previsão e apoio à tomada de decisão no mercado financeiro até sistemas computacionais para apoio ao diagnóstico remoto de pacientes, entre outras dezenas de aplicações. Para isso, foi criado um grupo de trabalho, que vem mobilizando diversos professores dos departamentos de Engenharia de Telecomunicações, Engenharia de Produção, Engenharia Elétrica e Instituto de Computação, bem como alunos dos cursos de graduação e pós-graduação. O desenvolvimento de sistemas com capacidade para a tomada de decisão autônoma traz uma série de questionamentos éticos para o futuro. Para coibir excessos, entrará em cena a Ética, o Direito e as legislações vigentes que defendem a cidadania, os direitos humanos e o interesse público.  Segundo um dos estudantes envolvidos no projeto, Douglas Aranil Magalhães Barbosa - do curso de Engenharia Elétrica - o desenvolvimento de pesquisas ligadas ao campo de inteligência artificial tornará a UFF, num futuro breve, uma referência no campo da IA.  “Para a sociedade, este desenvolvimento representará melhorias durante a aplicação dos recursos disponíveis, uma vez que estes métodos podem servir como apoio na tomada de decisões. Em minha pesquisa, trabalho com a utilização da inteligência artificial para auxílio do planejamento do setor elétrico, que quando realizado de forma ideal representa uma economia de recursos econômicos e naturais durante a operação do setor", explicou. Ferreira aprofunda essa questão relembrando uma entrevista concedida por um dos mais importantes pesquisadores na área da IA: Ray Kurzweil. Ele afirmou que os robôs humanoides que vivem entre nós talvez precisem de seu próprio conjunto de leis, uma realidade já prevista para 2029 por ele e outros especialistas. “A inteligência artificial na infância é um bebê fabricado por seres humanos. Assim como as crianças, devemos dar espaço para a inteligência artificial errar, aprender e crescer – mas a quem podemos confiar a educação da próxima geração da nossa humanidade?”, indaga Kurzweil. Interdisciplinaridade A intenção é que os estudos na área de Machine Leaning estreitem as relações entre as disciplinas e os diversos departamentos da universidade. A Escola de Engenharia já possui pesquisadores de diferentes departamentos trabalhando com técnicas de Machine Learning na resolução de problemas dos setores elétrico e também de petróleo e gás. Outro exemplo é a parceria que está em andamento entre as Faculdades de Medicina e Computação, no campo do ensino, pesquisa e extensão. “Temos interesse em estender esses estudos para aplicações também na área da biomedicina e da saúde”, afirmou Vitor Hugo. Para o vice-reitor e médico, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, a integração entre as diferentes áreas da universidade através de pesquisas que envolvam tecnologia é essencial. “Estamos atentos aos desafios e oportunidades que as rápidas mudanças na sociedade apresentam à UFF. Tenho feito um trabalho de aproximação das diversas competências na área de Machine Learning e Inteligência Artificial inicialmente entre a Medicina e a Computação em função de projetos que já existem na área de apoio à decisão clínica e exploração de banco de dados tipo Big Data, mas a intenção é formar uma rede ampla e aberta de cooperação, sem filtros ou restrições, uma verdadeira construção coletiva adisciplinar”, conclui.
UFF Volta Redonda: aluna de Direito realizará estágio na OEA A estudante do oitavo período do curso de Direito, Daniele Oliveira Reis Blachi, foi selecionada para estagiar na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), localizada na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington DC, Estados Unidos da América. A experiência inédita entre os estudantes da UFF de Volta Redonda será realizada no período de 6 de setembro a 1º de dezembro deste ano. Criada em 1959, juntamente com a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CorteIDH), a CIDH foi instalada oficialmente 20 anos depois, em 1979, formando o Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos (SIDH). Autônomo na estrutura organizacional da OEA, o órgão se encarrega de promover e proteger os direitos humanos no continente americano. Além disso, segundo Daniela, a corte está integrada a sete outros setores que desempenham funções estratégicas na defesa da cidadania. “Suas atribuições motivaram definitivamente a minha escolha, já que minha paixão sempre foi direito internacional e direitos humanos”, afirmou. Para a aluna, direitos humanos são fundamentais até que todas as pessoas possam ter oportunidades iguais e, consequentemente, uma vida digna.“No cenário atual valores como o cuidado com o próximo têm sido sobrepostos por outros desvalores. De forma que diferenças como a cor da pele, a origem territorial ou cultural, a religião, o gênero, dentre tantas outras, criam barreiras à percepção do próximo como igualmente merecedor de uma vida com dignidade”, ressaltou. Quanto à expectativa em relação ao estágio na OEA, Daniele disse que espera aprender na prática como funciona a organização, bem como realizar estudos de caso para futuros artigos que possa publicar e talvez até mesmo para o seu TCC, além de ter contato com estagiários de outros países e diversas culturas. A professora de Direito Internacional de Volta Redonda e orientadora de Daniele nesse período, Clarissa Brandão, destacou que a estudante já foi bolsista do Programa de Fomento à Pesquisa das Unidades do Interior ou Fora de Sede (Fopin). Além disso, monitorou disciplinas de Direito Internacional do curso e também estagiou na Defensoria Pública da União, seccional de Volta Redonda. A estudante participou também de vários congressos, inclusive no Chile, onde apresentou artigos e outros trabalhos científicos. Foi nesse congresso da Sociedade Latino-Americana de Direito Internacional que conheceu a estudante colombiana Viviana Palácio, que também teve a experiência de estagiar na OEA. “Foi ela quem me deu todas as dicas sobre essa oportunidade de estágio e me orientou sobre o que eu precisava fazer para conseguir o mesmo”, contou Daniele. Segundo o chefe do Departamento de Direito da UFF, professor Marcus Wagner de Seixas, a aluna já vinha desenvolvendo pesquisas na área internacional, focadas em Direitos Humanos, e essa oportunidade veio não só para coroar sua trajetória como certamente será um upgrade em seu currículo. Para a universidade, acrescentou, será sem dúvida um ganho enorme porque leva o nome da instituição para dentro de uma organização muito importante em nosso continente, abrindo portas para futuras parcerias.“Creio, então, que esse pode ser o primeiro de outros estágios na OEA. Devemos pensar em uma nova edição a partir dos contatos que Daniele vai fazer na CIDH. Lá existem vários outros setores, além da Corte, onde ela realizará o estágio, como a Unidade para Promoção da Democracia (UPD), valor tão caro para nossa sociedade”, exemplificou. Para Seixas, a experiência da estudante vai ao encontro da estratégia do curso de Direito de Volta Redonda, que tem procurado se internacionalizar. “Recentemente uma professora concluiu na Itália, o que chamamos comumente de “doutorado sanduíche” (programa de bolsa de estudo no qual o interessado tem a chance de fazer parte, por alguns meses ou até um ano, do seu curso de doutorado em outra instituição brasileira ou internacional). E a pouco tempo outros dois docentes estiveram se aperfeiçoando na França, assim como outros alunos também já foram selecionados para intercâmbio”, relembrou. De acordo com Daniele, o único obstáculo em relação ao estágio foi sobre o financiamento, uma vez que a atividade é voluntária, e não existe nenhuma ajuda de custo da CIDH. “Para conseguir algum auxílio financeiro, estou fazendo rifas e também uma vaquinha online”, esclarece. Já a professora Clarisse acrescentou, que a chefia do departamento está ajudando como pode, inclusive financeiramente com as passagens. Para ela, o mais importante é a valorização do esforço e mérito da aluna, que considera corajosa e muito determinada. A seleção O criterioso processo seletivo do estágio na CIDH abrangeu candidatos do mundo todo, dos quais somente 33 foram aprovados. Em sua primeira fase, além de preencher questionários, a estudante enviou currículo, histórico escolar, uma carta motivacional e duas cartas de recomendação de profissionais da área com quem já havia trabalhado. Já na segunda etapa da seleção, a estudante foi entrevistada em inglês por um representante da OEA, por  telefone. Na opinião de Daniele, vários fatores somaram para sua escolha, entre eles os lugares pelos quais passou e os profissionais que conheceu em sua vida acadêmica, assim como os artigos que escreveu e os projetos voluntários que participou.“Também tive a honra de obter as cartas de recomendação, uma das quais escrita pela professora Clarissa Brandão, professora adjunta da UFF, uma das mulheres mais influentes no Direito Internacional, além da colaboração inestimável da estudante colombiana Viviana”, assinalou. No link a seguir, outras informações sobre a seleção da candidata e as funções que ela vai desempenhar no estágio: http://www.oas.org/es/cidh/empleos/pasantias.asp. Para contribuir com os custos de moradia, alimentação, etc. da Daniele nos EUA durante o estágio, acesse o link https://www.vakinha.com.br/vaquinha/danizinha-na-onu.
Internacionalização: UFF inaugura núcleo de estudos dos países do BricsA UFF será a primeira universidade federal do país a contar com um núcleo de estudos dos países que compõem o Brics, bloco econômico de países considerados "emergentes", atualmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A inauguração será realizada dia 24 de agosto, quinta-feira, às 18h, no Instituto de Ciências Humanas e Filosofia (Ichif), no Campus do Gragoatá. O evento reunirá, além do reitor Sidney Mello e do vice-reitor, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, os cônsules da China, Rússia e África do Sul, bem como pró-reitores, alunos, professores, representantes da comunidade acadêmica e autoridades locais. Para Nóbrega, a criação do Núcleo de Estudos dos Países Brics (NEPB) é uma etapa muito importante no que diz respeito ao planejamento de internacionalização da instituição, com foco na cooperação e reafirmação da identidade universitária. “O núcleo será aberto, inclusivo e proporá pesquisas, estudos técnicos e ações concretas que busquem soluções para os desafios em comum dos países do Brics. Ele funcionará como um laboratório, um observatório e uma plataforma para promover ainda mais a missão da universidade como instituição de vanguarda do conhecimento”, afirma o vice-reitor da UFF. O núcleo tem como objetivo fomentar o ensino, a pesquisa e, em curto prazo, a extensão, reunindo especialistas de um ou mais departamentos de ensino, unidades universitárias ou outros órgãos, em torno de programas de pesquisa de caráter transdisciplinar. A estrutura pretende também ampliar e simplificar a mobilidade acadêmica, desenvolvendo a pesquisa científica entre universidades que fazem parte do Brics. Sendo assim, poderão participar das atividades não só os pesquisadores e integrantes do núcleo, como também os demais professores da UFF, servidores técnico-administrativos e alunos de graduação ou pós-graduação, bem como docentes e pesquisadores vinculados a outras Ifes, instituições de pesquisa e alunos de graduação ou pós-graduação de outras instituições nacionais ou estrangeiras e profissionais portadores de diploma de curso superior, na qualidade de membros temporários da equipe. Um dos coordenadores do NEPB, professor Evandro Menezes de Carvalho, da Faculdade de Direito da UFF, explica que os temas que estão na agenda do Brics são os mais variados, abrangendo as finanças, o combate ao terrorismo, a promoção da inovação, o desenvolvimento sustentável, o comércio internacional, a reforma das instituições internacionais, dentre outros. “Esta diversidade temática no contexto de uma plataforma de diálogo político entre países tão distantes e diferentes, exige um conhecimento interdisciplinar e coletivo. E é isto que a UFF quer estimular com o núcleo”. O NEPB é vinculado à Reitoria, por meio da Superintendência de Relações Internacionais (SRI). Segundo a superintendente de RI, professora Lívia Reis, dezenove professores estão envolvidos nesse projeto, que reúne representantes dos cursos de Estudos Estratégicos, Letras, Ciência Política, Direito, Sociologia, Comunicação Social, História, Economia, Geoquímica, Antropologia e futuramente Medicina. “A UFF mantém convênio com nove universidades russas e quatro chinesas, o que potencializará as atividades do núcleo. Cerca de 300 alunos de graduação e pós-graduação participam de intercâmbios anualmente. A universidade, por sua vez, recebe por ano cerca de 200 alunos em seus cursos”, acrescenta Lívia Reis. De acordo com o também coordenador do núcleo e professor do Departamento de Ciência Política, Eduardo Gomes, a universidade participou da criação da Liga de Excelência das Universidades e da Rede de Universidades durante a cúpula de reitores ocorrida em 2015, em Pequim, da qual também participou o vice-reitor Antonio Claudio da Nóbrega. Na ocasião, algumas instituições divulgaram projetos de pesquisa prioritários, cujos resultados foram importantes para todos os países membros do Brics. Entre eles, por exemplo, trabalhos envolvendo temas como mudanças climáticas, segurança na informática, recursos hídricos e manejo da água, envolvendo áreas prioritárias da economia, desenvolvimento sustentável, meio ambiente, energia e ciências naturais. O que é o Brics? Antes de se falar da relevância do Brics para o ambiente acadêmico global, vale retornar um pouco no passado e revisitar a história recente. O bloco surgiu como uma categoria de investimento em mercados emergentes dentro da lógica neoliberal, com base na ideia de que a hegemonia econômica dos países ocidentais seria desafiada por um grupo de novas futuras potências, com destaque para Brasil, Rússia, Índia e China, o Bric. A reunião desses países se tornou um grupo político de ação no campo internacional e mudou o nome para Brics, com a incorporação da África do Sul (South Africa). Segundo Evandro Menezes, o Brics nasce no contexto da crise econômica de 2008. Naquela ocasião, o então BRIC, sem o “S” da África do Sul, defende o G20 como o fórum político principal para a solução da crise - e não o G7. Defendia-se - e ainda defende-se - uma maior participação das economias em desenvolvimento nos principais processos decisórios internacionais. Não por acaso, um aspecto central da agenda do Brics é a reforma das instituições internacionais, em especial o FMI, o Banco Mundial e a ONU. Os países Brics são reformistas da ordem internacional, e não disruptores. Tendo isto em conta, o NEPB expressa também, ainda que de modo indireto, um comprometimento da universidade com um mundo multipolar, mais justo e equilibrado de nações, a partir de sua contribuição por meio da pesquisa acadêmica.​ Já para o professor do Departamento de Estudos Culturais e Mídia e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFF, também integrante do grupo, Afonso de Albuquerque, a diversidade é uma marca muito evidente dos países que compõem o Brics nos aspectos político, econômico, cultural, entre outros. Entretanto, há algo desafiador que une esses países: uma intenção comum de enfrentar a ordem global unipolar que se constituiu com o fim da União Soviética, na transição para a década de 1990, sob a liderança dos Estados Unidos e com o apoio das grandes instituições financeiras internacionais - principalmente Banco Mundial e  Fundo Monetário Internacional (FMI). “Essa ordem unipolar se refletiu também no meio acadêmico. Desde a década de 1990, um sistema universitário global se constituiu em torno de uma lógica semelhante. Todo o sistema se estrutura em torno de universidades, revistas e rankings que favorecem as perspectivas americanas, britânicas e de alguns outros países ocidentais”, ressaltou Albuquerque. Ainda segundo o professor, os integrantes do Brics procuraram fazer frente a essa situação através de uma série de iniciativas, como a criação de uma Liga das Universidades. A UFF foi uma das primeira universidades do Brasil a reconhecer a relevância dessas iniciativas e participou de reuniões em Moscou e Pequim. A criação do NEPB demonstra inequivocamente o compromisso da UFF com essa agenda que valoriza a multiplicidade de perspectivas no debate internacional. A existência do núcleo mostra claramente as ambições de uma universidade que se apresenta como protagonista do debate internacional. “Em termos práticos, a criação do núcleo permite integrar e dar sentido comum a uma série de iniciativas que já vêm sendo desenvolvidas nesse sentido no âmbito da instituição”, concluiu.
Acolhimento Estudantil completa 10 anos com surpresas para os calouros da UFFDia 25 de agosto, sexta-feira, das 9h às 18h, após o reinício das aulas, a UFF realizará na quadra do Instituto de Educação Física, no Campus do Gragoatá, o seu tradicional evento de recepção aos calouros: o Programa de Acolhimento Estudantil (PAE), promovido pela Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (Proaes). Pioneira neste tipo de recepção aos novos alunos, a iniciativa foi criada em 2007 pelo professor Sidney Mello, hoje reitor da universidade. O PAE, que este ano completa 10 anos, marca o primeiro contato do estudante com o universo acadêmico. E, com o intuito de lhes apresentar um pouco da produção científica de sua comunidade estudantil, o evento conta com a realização da Feira de Informação, que reúne projetos de alunos de diferentes cursos sediados em Niterói e em outros municípios do estado. Para facilitar o acesso dos novos alunos às inúmeras dependências da universidade, há um link no site da UFF que informa os primeiros passos, os bastidores da vida acadêmica, serviços, bolsas e auxílio estudantis e as dicas de cultura e lazer. Para isso, basta acessar: http://www.uff.br/calouros Em 2016, devido ao ano olímpico, a equipe organizadora lançou uma gincana de integração, que mobilizou os cursos para a participação em várias atividades lúdicas que  culminaram na premiação dos três cursos mais pontuados e da melhor torcida. Como parte das atividades da gincana, os estudantes trouxeram alimentos, materiais de higiene e roupas que foram doados para uma instituição beneficente escolhida por eles. Neste ano, a equipe organizadora uniu a gincana e a feira de recepção em um único dia, com diversas atividades, envolvendo também a participação do Projeto Conheça a UFF, que fará a abertura do evento com uma palestra destinada a escolas de ensino médio. Após a palestra, as escolas serão apadrinhadas pelos cursos participantes. Segundo a Diretora do Centro de Apoio Acadêmico (CAA/Proaes) e coordenadora do PAE, Márcia Pinto Ribeiro, “o formato do evento foi decidido em cooperação com outros estudantes durante duas reuniões de planejamento e, para atender às duas demandas, gincana e feira, decidimos reunir tudo em um único evento. A gincana promove a integração dos calouros para além de seus cursos, levando-os a conhecer estudantes de toda a UFF”.   Programação A abertura do PAE será feita pelo coordenador do CAA, Thiago Risso. Logo depois, uma equipe do Projeto Conheça a UFF apresenta aos estudantes das escolas de nível médio os cursos da UFF e as oportunidades que surgem com a vida acadêmica. Cerca de 300 pessoas estarão trabalhando no evento para um público estimado em 500 visitantes interessados em conhecer a universidade. Os cursos inscritos na gincana participarão de cabo de guerra, corrida de saco, circuito, karaokê, quiz e doação de alimentos. Paralela à gincana, nos arredores da quadra, estará acontecendo a Feira de Informação com a participação de diferentes grupos. Além da presença da comunidade acadêmica da UFF, a equipe organizadora conta também com apoio de parceiros e patrocinadores: Agenda Acadêmica e Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, Empresa Niteroiense de Turismo (Neltur), Centro de Artes UFF, Banco Santander, entre outros. Eles oferecerão brindes aos calouros e kits que serão sorteados aos cursos participantes da gincana. Ainda de acordo com Márcia Pinto Ribeiro, alunos de 16 cursos se inscreveram para a gincana: Sociologia, Turismo, Educação Física, Administração, Engenharia Civil, Empreendedorismo, Enfermagem, Relações Internacionais, Engenharia Agrícola e Ambiental, Engenharia de Recursos Hídricos, Estudos de Mídia, Ciências Contábeis, Pedagogia, Hotelaria, Biblioteconomia e Comunicação Social. Eles participarão de cabo de guerra, corrida de saco, circuito, karaokê, quiz e doação de alimentos com contagem de pontos. Além disso, 22 projetos participarão da Feira de Informação, o que proporcionará, segundo os organizadores, uma mistura interessante, num espaço de diversão e informação, não só para o estudante da UFF, como também para o público, que tem no acolhimento estudantil um excelente momento para conhecer a universidade e o que ela oferece à cidade e aos municípios vizinhos. Além disso, após a premiação dos vencedores da gincana, no final da tarde, em comemoração aos 10 anos, haverá um bolo gigante oferecido pelo Restaurante Universitário. Feira de Informação A programação da Feira de Informação do PAE contará com a equipe do Projeto Sensibiliza UFF, que mostrará mostrará aos visitantes o dia a dia dos cadeirantes, com o objetivo de conscientizar o público sobre os desafios cotidianos das pessoas que possuem algum tipo de deficiência. A empresa júnior, Agrha Consultoria, gerida por estudantes de Engenharia Agrícola e Ambiental, Engenharia de Recursos Hídricos e do Meio Ambiente e Ciência Ambiental, fará a apresentação de seus projetos, com foco na sustentabilidade e responsabilidade social. O mesmo acontecerá com a BlackBird Aerodesign, formada por alunos da Faculdade de Engenharia e Desenho Industrial, que apresentará seus protótipos de carro. Já o Projeto Hands-on, traz o “Boldo Mirim em Diferentes Ambientes: Práticas Educacionais, Estímulos Sensoriais e Construção do Conhecimento”: atividade que irá mostrar experimentos com o boldo mirim, planta cultivada comumente no Brasil, cujo plantio vem sendo desenvolvido em estufas localizadas no Campus do Gragoatá. O grupo promoverá atividades de observação e medição da planta, envolvendo percepções visuais, olfativas e táteis. Essas atividades atenderão aos objetivos do ProPET Biofronteiras, do Instituto de Biologia, que vem atuando em conjunto com o PET Farmácia Viva, da Faculdade de Farmácia. O Centro Acadêmico de Desenho Industrial fará a divulgação de suas atividades para os estudantes e o centro itinerante Ciências Sob Tendas levará para o PAE atividades de ciências lúdicas e interativas, como microscopia, anatomia comparada, capacete do cérebro, gravata da língua, além de cérebros de gesso, artrópodes e um tangram dos bichos - quebra-cabeças chinês formado por sete peças, que os visitantes terão que montar em um tempo determinado. O grupo Conhecendo a Escola de Serviço Social apresentará os projetos de pesquisa e extensão que envolvem o curso. Já a comunidade acolhedora Cru UFF receberá os calouros com fotos criativas, além da distribuição de brindes, participação em brincadeiras, interação com veteranos. Também será realizado um varal de fotos, além da exposição do projeto. O Diretório Acadêmico da Faculdade de Administração oferecerá cursos de Excel, VBA e ferramentas de gestão. Já o curso de Desenho Industrial apresentará seus projetos e produtos realizados. O mesmo acontecerá com a empresa júnior Ilumina, Estratégia e Inovação em Segurança Pública. Professores que atuam no Laboratório de Políticas Públicas, Migrações e Refúgio, da Escola de Serviço Social, apresentarão seus trabalhos, reunindo pesquisa e extensão, com o tema dos refugiados. Na ocasião, farão palestra sobre a implementação da Cátedra Sérgio Vieira de Mello, projeto que está sendo submetido ao Alto Comissariado das Nações Unidas (ONU),  e que tem entre outros objetivos intensificar o trabalho de recepção e integração de pessoas refugiadas à UFF. A Liga Acadêmica de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia, associação formada por estudantes da UFF da área da saúde, fará uma exposição de materiais para disseminar o conhecimento e chamar a atenção do público para o assunto. Na ocasião, será realizado um quiz, com distribuição de brindes. A Pastoral Universitária reunirá seus integrantes na apresentação do projeto e suas formas de atuação na instituição. O Programa de Esporte e Lazer da Cidade UFF, núcleo instalado na Faculdade de Direito, acionará alguns integrantes, que promoverão oficinas esportivas durante o evento. Já o Projeto Turismo Social para Servidores e Alunos da UFF divulgará suas atividades, das quais a mais importante é a que proporciona aos alunos, professores e servidores a visita a pontos turísticos do Estado do Rio, disseminando cultura e lazer. O projeto Sociedade e Contabilidade apresentará o seu trabalho para os interessados, e os integrantes da TV Bandejão farão a apresentação do projeto experimental de televisão, mesclando informação e entretenimento. Não deixem de participar!
Valorização profissional: premiação do Servidor Emérito mobiliza a UFFReconhecer o trabalho do servidor técnico-administrativo na Universidade Federal Fluminense é um dos principais motivos pelo qual a instituição promove, desde 1995, a solenidade de outorga do título de Servidor Emérito. Aberto a todas as unidades da instituição, o evento foi todo reformulado e nessa edição será realizado no dia 31 de outubro, às 11h, no Teatro da UFF. Segundo o reitor Sidney Mello, a retomada da outorga do título de servidor emérito é o reconhecimento explícito à dedicação e importância dos técnicos administrativos na construção de uma universidade cada vez mais forte. "A UFF é uma instituição de destaque no Brasil graças também à força de seus servidores. Uma força que vem se renovando com o tempo, proporcionando avanços significativos para uma universidade motivada pelo seu papel social a despeito do momento em que vive o país", afirma. Considerada uma cidade dentro da cidade, a UFF tem cerca de 10 mil funcionários técnico-administrativos distribuídos em nove unidades de ensino localizadas nos municípios de Niterói - sendo em torno de 2 mil profissionais atuando no Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap) - e nos municípios de Angra dos Reis, Campos dos Goytacazes, Macaé, Nova Friburgo, Petrópolis, Rio das Ostras, Santo Antônio de Pádua e Volta Redonda. Além desses pólos, os servidores da instituição também estão alocados em unidades no estado do Pará desde 1972, quando foi criada a Unidade Avançada José Veríssimo (UAJV), no Campus Avançado da Região Amazônica, em Óbidos, estendendo suas ações aos municípios de Oriximiná, Juruti, Terra Santa e Faro. Em sua busca constante rumo à excelência no desempenho de todas as suas funções, a universidade necessita do engajamento de toda sua comunidade acadêmica. Nesse sentido, a instituição reconhece que junto dos professores e alunos, o outro pilar fundamental do processo de ensino, pesquisa e extensão na UFF é composto pelos servidores técnico-administrativos, essenciais para o desenvolvimento, manutenção e bom funcionamento de toda a instituição. Segundo o vice-reitor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, os servidores técnico-administrativos constituem a base do funcionamento da instituição. “A dedicação e comprometimento desses funcionários dão o ritmo do nosso avanço e formam uma parte fundamental de quem somos hoje. Portanto, o prêmio de Servidor Emérito objetiva destacar pessoas que representam esse universo e que merecem nosso reconhecimento público por seu destaque no trabalho e contribuição para a brilhante história da UFF”, ressalta. Na opinião do pró-reitor de Gestão de Pessoas, professor Paulo Trales, o título representa o reconhecimento da UFF quanto à qualidade laborativa dos servidores técnico-administrativos da instituição. “Sem esses servidores, a universidade não cumpriria sua função social, pois são eles que realizam diversas atividades acadêmicas e administrativas essenciais ao pleno funcionamento de todos os setores da universidade”, garante. De acordo com a comissão organizadora, esse tipo de premiação dá visibilidade e valoriza os funcionários que contribuem além das atribuições pertinentes a sua função na instituição. Assim, o reconhecimento do desempenho do servidor pode levá-lo não só a realizar suas tarefas com mais empenho, como motivá-lo a investir em sua capacitação profissional, refletindo substancialmente  na melhoria dos serviços prestados pela universidade à sociedade. Pluralidade A pluralidade de pontos de vista é a marca da atual comissão organizadora do evento, que nessa edição é formada por representantes da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progepe), Faculdade de Educação, Superintendência de Comunicação Social (SCS) e Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), onde se concentra mais de 27,8% da força de trabalho da UFF. Segundo o presidente da comissão organizadora, Eduardo José Bedran, responsável pela comunicação da Progepe e há 34 anos trabalhando na universidade, a reformulação das regras para a premiação dará mais destaque aos que forem agraciados. “O objetivo da premiação é também somar ao desenvolvimento da carreira, como iniciativas de capacitação, qualificação e avaliação de desempenho”, informa. Já, para a integrante da comissão, a auxiliar de nutrição do Huap, Sônia Maria Rodrigues, há 34 anos na UFF, o evento é de suma importância, pois motiva os técnico-administrativos do setor onde trabalha e toda a unidade. “É o reconhecimento de que o servidor contribui com algo importante e que isso é um diferencial para o hospital, melhorando e aprimorando o atendimento aos pacientes e à população”, declara. Categorias Na edição 2017, oito títulos serão entregues para categorias distintas: um de Revelação, cinco de Notória Excelência, um Emérito e um Póstumo. O título de Revelação é concedido ao servidor ativo em efetivo exercício na UFF, com no máximo cinco anos de trabalho, e que tenha obtido destaque em suas atividades, conforme critérios estabelecidos pela Norma de Serviço N°. 648 e sua retificação, a Norma de Serviço Nº. 660. Entre os critérios para que o servidor receba o título, destacam-se: ser indicado pela unidade em que trabalha e apresentar uma lista com 50 assinaturas de representantes da comunidade universitária, incluindo alunos e professores. O título de Notória Excelência, por sua vez, será concedido ao servidor ativo, com no mínimo 20 anos de efetivo exercício na universidade e que tenha obtido destaque em suas atividades ao longo deste período. Já o título de Servidor Emérito será dado ao técnico aposentado, que tenha alcançado uma posição eminente em suas atividades ao longo do período em que trabalhou na instituição. Por fim, o título de servidor emérito Póstumo será repassado aos familiares do servidor falecido que tenha se sobressaído pela excelência de suas atividades realizadas. Cada setor pode submeter uma indicação para cada categoria. Por exemplo, se a unidade possui até cinquenta funcionários, pode submeter um servidor para cada uma das quatro categorias disponíveis. Para saber quantos servidores cada unidade ou órgão pode indicar, consulte a tabela na norma 660/2017. O período para indicação dos profissionais vai até o dia 02 de outubro de 2017. Para isso, é necessário preencher a ficha de inscrição e enviar via protocolo vinculado ao seu setor ou no protocolo geral (GPCA/Reitoria) com encaminhamento à Progepe. A lista de indicados é sigilosa e será divulgada somente os nomes dos ganhadores da premiação. O encaminhamento da documentação pertinente deverá ser feito através de abertura de processo no protocolo referente ao setor que encaminha e deve ser destinado à Progepe. Para outras informações, entre em contato através do e-mail servidoremeritouff2017@gmail.com ou telefone (21) 2629-5328.
Acolhimento a refugiados é destaque em projeto da UFFO último relatório “Tendências Globais” do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) apresentado pela ONU registra que 65,6 milhões de pessoas saíram de seus territórios de origem por perseguições e guerras, sendo mais de 300 mil só no último ano. O documento enfatiza também que uma em cada 113 pessoas em todo o mundo foi forçada a se deslocar - número superior à população do Reino Unido. O Acnur aponta ainda que metade dos refugiados são crianças e que 75 mil delas solicitam refúgio. Na maioria das vezes, elas viajavam sozinhas ou separadas de seus pais. Segundo dados do Comitê Nacional para Refugiados (Conare), o Brasil possui atualmente 8.863 refugiados de 79 nacionalidades diferentes. Além destes, outras 25,2 mil pessoas aguardam julgamento do status de refugiado. Na comparação com dados de 2010, o aumento de refugiados reconhecidos é de 127%. Dentre esses, a nacionalidade com mais representantes é a Síria (2.298), seguida por angolanos (1.420), colombianos (1.100) e congoleses (968). Consciente dessa cruel realidade, no último dia 20 de junho, a Escola de Serviço Social (ESS UFF) celebrou o Dia Mundial do Refugiado. Segundo a coordenadora do Laboratório de Políticas Públicas, Migrações e Refúgio, professora Ângela Magalhães Vasconcelos, a iniciativa teve como objetivo dar visibilidade à coragem e à resiliência de pessoas refugiadas, que foram obrigadas a se deslocarem por diversos motivos: conflitos, guerras, perseguições e graves violações dos direitos humanos. O evento reafirmou a necessidade da elaboração de políticas públicas eficazes que priorizem o acolhimento, a proteção e atendam às múltiplas demandas destas pessoas, qualificando-as como cidadãos autônomos e portadores de direitos civis e políticos. Os refugiados, segundo  Ângela, deixam seus países de origem de várias maneiras que podem incluir, além do pagamento efetuado aos coiotes (pessoas que cobram para atravessar emigrantes irregulares), também a submissão às práticas violentas diversas impostas pelos traficantes humanos, já no novo país. A data também serviu para sensibilizar sobre uma temática real, que envolve pessoas, perdas e traumas, bem como chamar atenção sobre o crescimento dos fluxos migratórios de homens, mulheres e crianças, que apontam para uma endêmica pobreza apátrida, muitas vezes consequência também dos efeitos climáticos. Na entrevista a seguir, a professora Ângela Vasconcelos, fala sobre o laboratório e políticas públicas para os refugiados.   Quando surgiu e quais são os projetos desenvolvidos pelo Laboratório de Políticas Públicas, Migrações e Refúgio? O laboratório foi formalizado como grupo de pesquisa no CNPq em março de 2017, após três anos de estudos. A partir da realização de um evento na ESS, no início de 2014, com  participação de alunos de sociologia e de relações internacionais sobre o Haiti e o refúgio no Brasil. Aproveitei a estada do pesquisador haitiano, Franck Seguy, da Université d'État d'Haïti, para aprofundar estudos sobre as condições de vida de seu povo e a história do país. Daquele momento em diante passei a participar de grupos de estudos sobre migrações e refúgio, legislações específicas do direito internacional, dos refugiados e direitos humanos. De que forma o laboratório articulou seu trabalho? Por meio do projeto “Políticas Públicas, Migrações e Refúgio”, onde contamos com duas linhas de pesquisa: uma ligada à política de assistência social, migrações e refúgio, com pesquisa comparada, em territórios específicos onde se concentram pessoas refugiadas de quatro municípios do Estado (Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e Duque de Caxias) e a outra sobre as políticas públicas para mulheres refugiadas no Brasil e na América Latina. Parte dessas mulheres foge por conta da violência de gênero e ainda assim as enfrentam no caminho e na chegada, em outros países e territórios. Além disso, desenvolvemos ações de ensino, pesquisa e extensão no laboratório com o objetivo de problematizar a temática das migrações e refúgio, gerando processos e produtos que subsidiem, em curto e médio prazos, ações e políticas públicas descentralizadas, singulares e com qualidade, em especial à assistência social. Há programas assistenciais governamentais para refugiados? Existem programas específicos na rede pública. Entre 2012 e 2013 elaborei um projeto de pesquisa sobre os Programas de Transferência de Renda no Brasil, especificamente o Programa Bolsa Família (PBF). Na ocasião, verifiquei que não havia registro específico no CADÚnico (cadastramento de pessoas de baixa renda para serem beneficiadas por programas sociais) sobre os solicitantes de refúgio ou refugiados. Era um momento em que o mundo e o Brasil observavam um aumento nos fluxos migratórios. Essa realidade continua. Para se desenhar políticas são necessários números e apesar de termos dados sobre pessoas refugiadas da Polícia Federal, IBGE, Conare e aqueles repassados por instituições não governamentais, eles não estão refinados e são insuficientes, principalmente nos municípios e suas regiões. O estado do Rio de Janeiro está preparado para atender aos refugiados? Os refugiados vêm sendo atendidos nas redes públicas de saúde, educação, etc. Entretanto, como todos nós, enfrentam também a precarização dos serviços públicos. Isso tudo agravado pelos problemas na comunicação, pois muitos ainda não dominam a língua portuguesa. Há demandas peculiares que apresentam em virtude dos motivos que os trouxeram para cá e pelo fato de muitos funcionários públicos desconhecerem os direitos dessas pessoas. Existem raríssimas prefeituras investindo em processos de qualificação de gestores e servidores para atender aos refugiados. A questão da moradia também é um sério problema pelo alto custo. Muitas pessoas acabam dividindo o aluguel de espaços pequenos, forçando a migrarem cada vez mais para as periferias, onde os aluguéis são mais baratos. Além disso, eles acabam participando de movimentos por moradia. Isto aparece bem claro no filme “Era o Hotel Cambridge”, de Eliane Caffé. Enfim, a vulnerabilidade também gera integração. Como a UFF está lidando com as demandas dos refugiados? A UFF tem docentes de diferentes cursos desenvolvendo estudos e pesquisas com produções muito qualificadas sobre migração, refúgio e direitos humanos ou que incidem direta ou indiretamente sobre o tema. Acredito ser possível, num futuro próximo, a construção de uma política institucional voltada especificamente ao acesso de solicitantes de refúgio, refugiados, portadores de visto humanitário e apátridas. As dificuldades de ingresso de refugiados no ensino superior são enormes, pois eles não possuem recursos financeiros, documentos, passaram por situações traumáticas, mas têm direito à educação, qualificação e trabalho. Como a população vem acompanhando a chegada dos refugiados em solo brasileiro? De um lado se observa uma xenofobia aos muçulmanos, porque há uma ideia de que eles disseminam terrorismo. Também há o preconceito racial em relação aos negros. Não necessariamente à condição de refugiado. Isto demonstra o quanto o negro é rejeitado na sociedade brasileira. De outro, vejo e vivencio o acolhimento e o compromisso da integração com autonomia e respeito aos aspectos multiculturais. Ainda ouço e vivencio situações de (re)vitimização das pessoas em relação aos refugiados, mas eles têm direitos, compromissos e efetivamente são capazes, com acolhimento, proteção e acompanhamento, de seguir em frente e de construir novas histórias. O que pode ser feito efetivamente para mitigar as consequências desse quadro? Acredito na função social e política das universidades, com destaque para as Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes), que devem desenvolver mecanismos de inclusão diferenciados considerando as condições singulares destas pessoas. Creio que na UFF podemos repensar o processo de revalidação de diplomas de graduação e pós-graduação, criar vagas suplementares nas graduações e nas pós-graduações e potencializar os estudos complementares. Podemos oferecer a esses imigrantes vulneráveis, por meio da extensão universitária, entre outros, o curso de português para estrangeiros, apoio psicológico e assessoria e acompanhamento de processos e demandas jurídicas. Através dos projetos e programas já existentes, como o Prolem (curso de línguas), o SPA (assistência psicológica) e o Cajuff (assistência jurídica), isso me parece viável.
Pnaes: investimento em bolsas e auxílios estudantis é prioridade na UFFO Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes) apoia a permanência de alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica matriculados em cursos de graduação presencial das instituições federais de ensino superior (Ifes). Criado em 2010 com o objetivo de viabilizar a igualdade de oportunidades entre todos os estudantes, o plano contribui para a melhoria do desempenho acadêmico através de medidas que buscam combater situações de repetência e evasão. O Pró-Reitor de Assuntos Estudantis (Proaes), Leonardo Vargas da Silva, ressalta ainda que o plano é importante para democratizar as condições de permanência dos jovens na universidade pública federal, além de minimizar os efeitos das desigualdades sociais e regionais e reduzir as taxas de retenção e evasão, contribuindo para a promoção da inclusão social através da educação superior. “O Pnaes oferece assistência à moradia estudantil, à saúde, alimentação, transporte, inclusão digital, cultura, esporte, creche e apoio pedagógico. As ações são executadas pela própria Universidade Federal Fluminense, que acompanha e avalia o desenvolvimento dos alunos contemplados”, explica Leonardo Vargas. O quadro abaixo mostra a evolução do número de bolsas e auxílios concedidos aos estudantes da UFF por meio do Pnaes de 2006 até o primeiro semestre deste ano. O benefício se estende a um total de 3.758 alunos de diferentes cursos contra os 554 oferecidos há 11 anos. Segundo Vargas, desde 2013 houve uma evolução no orçamento autorizado e repassado à UFF pelo MEC, por meio do Pnaes, destinado à ação de assistência ao estudante na universidade. No entanto, no quadro a seguir, fica evidenciado que entre todas as outras ações do governo federal, o Pnaes também sofreu com o contingenciamento orçamentário, impactando na execução das despesas com os recursos destinados a esta finalidade. O Pnaes atende estudantes de todos os cursos da UFF. Segundo o pró-reitor, os critérios de seleção levam em conta o perfil socioeconômico dos alunos, independente do curso ou local que esteja instalado, além de requisitos estabelecidos de acordo com a realidade de cada instituição. “Cabe ressaltar que o plano chega a todos os campi da universidade espalhados pelo estado e fora dele, não se concentrando apenas em Niterói. Não há percentual destinado para cada região. Conforme já informado, o critério que determina a vulnerabilidade socioeconômica é a origem dos estudantes - que devem ser oriundos da rede pública básica de educação - ou com renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio”, enfatizou o pró-reitor. Na entrevista a seguir, Leonardo Vargas da Silva esclarece outras questões sobre o Pnaes. Existem outros programas de auxílio oferecidos aos estudantes da UFF? A Proaes possui os seguintes programas de bolsas e auxílios: Programa de Desenvolvimento Acadêmico, Bolsa de Apoio ao Estudante com Deficiência, Bolsa Transporte, Auxílio Saúde, Auxílio Creche, Auxílio Alimentação para estudantes fora de sede e o Auxílio Moradia. Como se dá o processo de seleção dos estudantes que serão atendidos pelo plano? Para que o estudante tenha acesso a estes programas, deverá cumprir com os pré-requisitos de um edital disponibilizado uma vez ao ano. O estudante é reavaliado anualmente. Ele acessa o sistema informatizado de avaliação socioeconômica (Sisbol), responde ao questionário socioeconômico e apresenta documentação exigida no edital. Em outra etapa, um assistente social entrevista o estudante e, se for o caso, realiza uma visita domiciliar para comprovar as informações prestadas pelo aluno. Depois disso, emite parecer concedendo ou não o benefício. O senhor pode detalhar as bolsas oferecidas? Oferecemos, por exemplo, a Bolsa Acolhimento para estudantes que estão ingressando na UFF. Ela é disponibilizada por meio de edital a cada início de semestre. Segue o mesmo sistema de avaliação socioeconômica. Tem também a Bolsa Apoio Emergencial. Esta não possui edital, mas o estudante tem que acessar o programa por meio do Serviço Social, que tem um programa com critérios específicos emergenciais, tais como: morte do principal provedor da família e desemprego recente desse mesmo provedor. A Proaes possui algum programa ou plano para estudantes com deficiência? A pró-reitoria oferece também um programa de tutoria que atende estudantes com algum grau de deficiência (auditiva, visual, motora e intelectual) e necessitam de apoio pedagógico e acompanhamento para executarem suas atividades acadêmicas. Onde são investidos os recursos do Pnaes? Além das bolsas e auxílios já mencionados, os recursos repassados à universidade são investidos na Moradia Estudantil de Niterói, que disponibiliza 298 vagas, bem como na Moradia Estudantil de Rio das Ostras, que tem a capacidade de abrigar 48 residentes e nos Restaurantes Universitários (RU). O Pnaes atende somente alunos da graduação ou se estende aos inscritos em MBAs, Mestrados e Doutorados? O plano visa atender os estudantes regularmente matriculados em cursos de graduação presencial das instituições federais de ensino superior (Ifes). São atendidos prioritariamente, ressalto mais uma vez, os estudantes oriundos da rede pública básica de educação ou com renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio, sem prejuízo de demais requisitos fixados pelas Ifes. No orçamento da UFF, o que representa percentualmente e institucionalmente o Pnaes para a universidade? Apesar da crise enfrentada pelas Ifes, o Pnaes seguramente é um reforço no orçamento. Para este ano, na Lei Orçamentária Anual da UFF, os recursos destinados às despesas de custeio na ação de assistência estudantil representam 18% do total destinado à universidade.
Medicina: UFF oferece mestrado e doutorado simultâneos à graduaçãoA Universidade Federal Fluminense é a quarta instituição federal de ensino superior do Brasil a ter um programa que permitirá ao aluno da Faculdade de Medicina cursar ao mesmo tempo a graduação e a pós-graduação, em nível de mestrado ou doutorado, em Ciências Cardiovasculares. O objetivo, segundo o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Cardiovasculares (PGCVV), cardiologista e médico nuclear, Cláudio Tinoco Mesquita, é reduzir significativamente a média de idade com que os estudantes ingressam no mestrado ou doutorado e assim aumentar o período produtivo desses pesquisadores na área. De acordo com a vice-coordenadora, professora Christianne Bretas, o Programa de Treinamento em Pesquisa Médica (Modalidade MD-PhD) foi aprovado no início de 2017 pelo colegiado da Faculdade de Medicina da UFF e já selecionou dois candidatos no primeiro processo seletivo ocorrido no primeiro semestre. “Em 2018 faremos outro processo para ampliar o número de alunos cursando esse novo modelo de ensino”, garantiu. O pré-requisito fundamental para o interessado se candidatar, ressaltam os coordenadores, é que ele esteja munido de uma grande vontade de ingressar em um curso que transformará a sua carreira. Os cursos simultâneos irão capacitá-lo a percorrer dois caminhos promissores, aperfeiçoando seu desempenho profissional, tanto como pesquisador quanto como professor de nível superior. Para se inscrever no processo de seleção do mestrado e doutorado do PGCCV, o estudante deverá trazer documentos de identificação (RG e CPF), curriculum vitae, diploma e histórico escolar da graduação, bem como anteprojeto de dissertação e carta de aceite do orientador, devendo o candidato ser alocado em uma das áreas de concentração: Cardiologia ou Ciências Biomédicas. O candidato inscrito para a área de concentração em Cardiologia deverá apresentar no ato da inscrição, graduação em Medicina e comprovação de residência médica ou curso de especialização em área médica. Já o aluno inscrito para a área de concentração em Ciências Biomédicas deverá apresentar graduação em uma delas, tais como, Fisioterapia, Odontologia, Farmácia, Nutrição, Enfermagem, Psicologia, Educação Física, Biologia, Biomedicina, dentre outras ou ainda em quaisquer outras áreas que possam contribuir para o avanço das Ciências Cardiovasculares; bem como curso de especialização ou equivalente; além dos documentos de identificação”. A faculdade está de braços abertos para receber todos que se interessam pelas linhas de pesquisa da pós-graduação e querem, com isso, fazer parte desta história”, ressaltou Mesquita. Para o coordenador do curso, o Brasil só se desenvolverá como nação plena se investir maciçamente na educação e na ciência. “É fundamental que os jovens tenham uma percepção mais atrativa da área da pesquisa. Para o Brasil se industrializar, melhorar a sua balança comercial e prosperar, precisamos de mais mestres e doutores no país. Dentro dessa perspectiva, pretendemos alcançar entre 5% a 10% dos alunos do curso médico em um futuro próximo”, concluiu. Um dos aprovados na seleção, estudante Erito Marques de Souza filho, 36 anos, decidiu enfrentar os desafios inerentes à dupla jornada de estudos. Citou Aristóteles ao falar que sempre buscou “encontrar a justa medida para equilibrar a vida particular e acadêmica." Segundo Erito, quatro alunos passaram pelo processo seletivo. O nível de exigência da seleção foi muito alto, afirmou. Além de ter um Coeficiente de Rendimento (CR) acima de 8.8, o aluno tinha que apresentar um extenso conjunto de publicações na área e ter passado com nota acima de 9.0 nas disciplinas de Iniciação Científica. “Dividir o tempo entre o doutorado e o curso de Medicina e ter uma boa base em pesquisa não é tarefa fácil, pois o volume de textos para estudar é extenso. A formação é muito longa: seis anos de graduação, dois de residência médica e quatro de doutorado, totalizando 12 anos de estudos. Nesse aspecto, a UFF inovou e se alinhou aos grandes centros de formação do mundo, encurtando o tempo de graduação do médico. Nesse sentido, vou aliar a pesquisa à clínica cardiológica”, ressaltou. Por fim, Erito afirmou que pretende dar aulas na área médica e trabalhar com pesquisa. “Precisamos mudar o paradigma na formação médica”. Segundo ele, as escolas de medicina no Brasil em muitos aspectos são reféns do que é feito em outros países, pois faltam estudos adaptados à realidade nacional e com pacientes brasileiros. Os cortes no orçamento também dificultam, mas sua expectativa é muito boa em relação aos professores e à estrutura do curso de doutorado, pois o programa do curso de Ciências Cardiovasculares tem um excelente nível. Na entrevista a seguir, os professores Cláudio Tinoco Mesquita e Christianne Bretas falam sobre essa nova modalidade de pós-graduação. Os cursos serão oferecidos somente aos alunos já graduados ou os graduandos também poderão acumular a graduação com os dois, mestrado e doutorado? Cláudio Tinoco: Temos a possibilidade de concomitância com a graduação de Biomedicina há três anos, através do Programa da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (Proppi) de Altos Estudos, e agora temos a possibilidade de um programa conjunto com a graduação de Medicina: o MD/PhD, sendo a UFF uma das quatro universidades pioneiras no país a incorporar esta modalidade de pós-graduação. Mas, por enquanto, o MD/PhD está sendo oferecido na UFF exclusivamente na PGCVV para alunos do curso de Medicina. Qual a expectativa de adesão entre alunos e professores? Cláudio Tinoco: No primeiro processo seletivo tivemos uma excelente procura. Dois alunos foram selecionados e um está desenvolvendo seu projeto. Esperamos que em breve mais estudantes tenham interesse e busquem esta excelente oportunidade de aprimorar suas capacidades. Quanto aos professores, vamos abrir um processo de credenciamento de novos docentes para pós-graduação em Ciências Cardiovasculares nas próximas semanas, aumentando com isso a oferta de disciplinas e de professores em diferentes linhas de pesquisa oferecidas aos estudantes. A carga horária das aulas e tempo dos cursos serão os mesmos ou por serem simultâneos terão uma carga horária e duração menores? Cláudio Tinoco: A duração é a mesma de um doutorado normal: quatro anos após a matrícula no programa. Sendo que os alunos de medicina precisam ficar cientes de que ao final do curso, a residência médica terá que aguardar a conclusão do doutorado. Haverá aumento no número de professores de determinada disciplina? Cláudio Tinoco: Temos 21 professores do PGCCV, mas estamos em processo de expansão, visto que credenciaremos novos docentes até o final deste mês. O que representa para a UFF e para o aluno participar desses dois processos seletivos e cursá-los simultaneamente? Christianne Bretas: Hoje um estudante que começa o curso de Medicina com 17 anos, caso estude ininterruptamente, só termina o doutorado aos 33 anos de idade. Seguindo o roteiro original, são seis anos de graduação, quatro anos de residência médica, mais dois de mestrado e, então, quatro anos de doutorado. Com o PTPM, os participantes poderão concluir o doutorado até em dois anos depois do término curso de Graduação em Medicina. Que outras universidades do Brasil oferecem essa nova modalidade de pós-graduação? Cláudio Tinoco: O Programa MD-PhD já é um sucesso em algumas universidades do Brasil, como a UFRJ, Unicamp e Unifesp; e agora poderemos oferecer na UFF. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) está incentivando formalmente este tipo de iniciativa, a fim de atrair jovens estudantes de Medicina de alto desempenho para a carreira acadêmica. Os alunos que têm ótimo perfil na graduação e com resultados excepcionais na Iniciação Científica poderão ser selecionados para cursarem em concomitância a graduação e parte do doutorado. A criação dessa nova modalidade de pós-graduação vai ampliar a oferta de recursos recebidos pela UFF? Christianne Bretas: Esperamos receber mais bolsas de doutorado especificamente para esta modalidade. A Capes já abriu um edital assim no passado e está incentivando todas as universidades a seguir esta mesma iniciativa. Outras informações para o processo seletivo estão no site do PGCVV: http://poscardio.sites.uff.br/
UFF Angra dos Reis cria rede de educação para redução de desastres socionaturaisAs águas de março fechando o verão - como na canção de Tom Jobim - não são apenas fonte de inspiração para poetas e compositores, mas também trazem preocupação para os moradores das grandes cidades. Os problemas causados pelos temporais, não só no verão, como durante todo o ano, fizeram surgir em 2015 a Rede de Educação para Redução de Desastres (RED). Formada por professores da UFF de Angra dos Reis e profissionais de diversas áreas, a iniciativa reúne diferentes grupos de pesquisa e as secretarias municipais de Educação, Proteção e Defesa Civil, Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade. Nesse sentido, foi criado o “Curso de Capacitação de Educadores para Redução de Desastres”. Considerado um dos maiores projetos de capacitação de profissionais da educação do Brasil na área, o curso se encontra atualmente em sua segunda edição. A RED, formada também pelo Grupo de Pesquisas em Desastres Socionaturais (Gden) e pela Coordenação de Pesquisa, Extensão e Inovação do Instituto de Educação de Angra do Reis (CPEX/Iear), conta desde sua criação com a parceria do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), e a partir de 2016, com o trabalho dos Grupos de Pesquisa em Dinâmicas Ambientais e Geoprocessamento da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Dageop/Uerj), de Estudos Integrados em Ambiente da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (Geia/UFRRJ) e de Estudos da Baía da Ilha Grande (Gebig/UFF). Todas as instituições que compõem a rede se comprometem com o trabalho coletivo. Segundo o professor do Departamento de Geografia e Políticas Públicas da UFF de Angra dos Reis, Anderson Mululo Sato, “a integração interinstitucional e intersetorial dos esforços viabiliza o aprimoramento dos projetos, melhoria de sua eficiência, eficácia e sustentabilidade”, ressalta o especialista. Segundo Sato, a RED trabalha para criar, executar e aprimorar projetos educacionais que visam à redução do risco de desastres ambientais. Além disso, a rede monitora as áreas de risco com pluviômetros e radares de chuva, sensores de nível para medir a oscilação dos rios, sensores geotécnicos para aferir o movimento das encostas, mapeamentos de suscetibilidade, entre outros, integrando as comunidades, moradores e instituições na proteção da sociedade e defesa civil. De acordo com pesquisas realizadas pela rede, mais da metade dos deslizamentos é provocado por ação do homem. Assim, explica o professor, o modelo atual adotado nas áreas de risco para o sistema de alerta e alarme está fadado ao fracasso, pois para a comunidade predomina a ideia de que o mais importante não é a vulnerabilidade dos moradores, mas o aviso emitido pela sirene. “Temos que desconstruir a visão de que os desastres são naturais. Devemos, sim, colocar o homem no centro da discussão e neste aspecto a educação tem papel fundamental”, enfatizou. Na entrevista a seguir, o professor Anderson Sato fala sobre a RED:   A rede se destina apenas para a capacitação de professores? Não, reunimos diferentes profissionais. No entanto, a RED entende que a educação para redução do risco de desastres pode e deve ser trabalhada nas práticas educativas formais e não formais. Nesse processo, o professor é fundamental e certamente nos leva a criar estratégias e metodologias muitas vezes específicas, obviamente adaptadas aos diferentes contextos de ameaças e vulnerabilidades. Daí a necessidade de trazer os educadores das escolas públicas para o debate e torná-los multiplicadores de informações.   Os recursos para criação e implantação da RED vieram unicamente da UFF ou existem também outras instituições envolvidas? O recurso humano, composto por professores, alunos e gestores da universidade, da prefeitura de Angra dos Reis e de outras universidades e centros de pesquisa, foi o principal meio para possibilitar a criação e a manutenção da RED. Devemos valorizar esse capital, pois o tema desastres vai muito além do âmbito institucional. Acima de tudo, é uma questão de cidadania. Vale lembrar que desde a sua criação em 2015 foram investidos R$ 4.800,00 de uma bolsa de iniciação à inovação (Pibinova 2015-2016) da Agência de Inovação (inserir link: http://www.agir.uff.br/) da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (Agir/Proppi) da UFF e aproximadamente 2.500 horas de trabalho da equipe que coordena as ações e projetos. Em 2017, estamos pleiteando bolsas de extensão à Pró-Reitoria de Extensão (Proex). Outras ações e projetos têm se viabilizado pelo apoio de instituições e de empresários que atuam como parceiros. Qual foi a expectativa de investimento? Existe uma clara limitação por parte dos profissionais envolvidos nas ações e projetos, pois eles não possuem como única atribuição sua atuação na RED. Os professores das universidades participantes também fazem parte de outros projetos e têm outras responsabilidades, assim como os gestores municipais. Temos resultados que indicam que o trabalho na rede gera grande satisfação aos seus participantes, aumentando a integração interinstitucional e intersetorial dentro da própria Prefeitura Municipal de Angra dos Reis e do Instituto de Educação do município. O ideal seria investir ainda mais tempo da equipe no desenvolvimento da RED, mas sabemos que há entraves. Atualmente, estamos expandindo nossa atuação por meio do “Projeto Gestão de Risco de Desastres por Eventos Extremos e por Condutas Humanas: Cidades Resilientes – Angra dos Reis”, com coordenação da agência de desenvolvimento alemã GIZ e da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), da Organização das Nações Unidas (ONU). Quais serão as regiões beneficiadas pela RED? O modelo desenvolvido em Angra dos Reis é um exemplo de tecnologia social, que possibilita o diálogo entre a população, educadores e gestores públicos visando à redução do risco de desastres, e que pode ser adaptado aos diversos municípios fluminenses. Na região da Costa Verde, de alguma forma, já existe uma troca entre Angra dos Reis e os municípios vizinhos, por ser a maior cidade da região, o que não impede que sejam pensadas outras ações específicas nesses locais. A RED também já foi consultada por agentes da Defesa Civil de Niterói sobre a possibilidade de adaptar a metodologia do curso à realidade do município. Na região Serrana, mais especificamente em Nova Friburgo, já existe grande intercâmbio entre a Rede de Gestão de Riscos de Desastres (Reger) da bacia hidrográfica do Córrego Dantas com a RED. Cabe ressaltar que a rede foi reconhecida pela Agência de Inovação (Agir) através do Prêmio de Iniciação à Inovação de 2016 e foi uma das representantes da UFF no Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica do CNPq do ano passado e que será divulgado este ano. Além disso, o projeto recentemente recebeu uma moção de aplausos, homenagem prestada pela Câmara de Vereadores de Angra dos Reis. Que legado a RED deixará para a sociedade? A educação para a redução de desastres pode ser analisada sob diferentes perspectivas. A curto prazo, podemos salvar vidas, pois estimular a percepção do risco de desastres na população pode se converter em medidas preventivas imediatamente. Exemplos poderiam ser dados pela correção de sistemas de drenagem e descarte de águas pluviais e esgoto sanitário, que são uns dos principais vilões na iniciação de deslizamentos de terra em encostas, assim como a adoção de medidas de proteção da vida em momentos de chuvas fortes aos moradores de áreas de risco de desastres, ou mesmo na execução de medidas de atendimento pré-hospitalar. A médio prazo, almeja-se desenvolver uma cultura de prevenção de desastres na sociedade, assim como promover uma visão crítica sobre os processos sócio-político-econômicos que são indutores da geração e desenvolvimento desigual do risco no espaço e para os diferentes grupos sociais. Por fim, a longo prazo, busca-se promover a sustentabilidade sócio-ambiental, o que naturalmente não inclui somente os afetados por desastres, mas uma mudança de paradigma sobre o desenvolvimento para a sociedade em geral.
Avaliação institucional: UFF cresce com participação de alunos e docentesA Comissão Própria de Avaliação (CPA) manterá aberto até o próximo dia 30 de abril o acesso ao questionário de autoavaliação institucional de 2017 para professores e alunos da UFF. Para participar, basta entrar no site IdUFF e responder às perguntas dos seguintes formulários: autoavaliação, avaliação institucional e de disciplinas. Criado no período de 2004 a 2007, de acordo com as normas estabelecidas pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), o projeto de autoavaliação tem como objetivos principais sensibilizar a comunidade para a importância da avaliação institucional e sua integração com a missão da UFF: produzir, difundir e aplicar conhecimento e cultura de forma crítica e socialmente referenciada. Segundo a presidente da comissão, professora Virginia Dresch, o dados catalogados servirão de base para estudos que irão aumentar a qualidade dos cursos de graduação oferecidos pela universidade, assim como aprimorar as rotinas de trabalho e desenvolver novas ações por meio do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). “A CPA sistematiza e analisa os dados institucionais, produzindo informação fidedigna capaz de subsidiar o planejamento e a gestão institucional; bem como constrói uma metodologia que sedimenta a cultura da avaliação em todos os segmentos da comunidade; além de dar visibilidade à atuação da universidade, ampliando o diálogo com a sociedade civil”, explicou Virgínia Dresch. Subvalorizar a autoavaliação (...) representa a curto prazo uma baixa nos recursos financeiros que chegam para a universidade e que são tão necessários à nossa atuação", ressalta o diretor da Divisão de Avaliação As pesquisas organizadas e geridas pela CPA mobilizam professores, alunos e técnicos administrativos, que respondem a questionários sobre o projeto pedagógico da UFF, envolvendo as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Em suas respostas, eles avaliam o apoio que recebem dos laboratórios, a infraestrutura que encontram na universidade e o suporte dado pelas bibliotecas. Para isso,  a coleta de dados é realizada periodicamente, no início do semestre posterior ao avaliado, através do preenchimento de formulário eletrônico disponível no IdUFF e beneficia docentes e estudantes, que estão realizando as inscrições nas disciplinas. O sistema permanece aberto por dois meses. Já com os técnicos administrativos, a coleta é realizada anualmente em parceria com a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progepe), no segundo semestre letivo, permanecendo o sistema aberto também por dois meses. Os alunos egressos, a cada dois anos, preenchem o questionário disponibilizado no sistema pelo mesmo período. Os resultados das avaliações estão disponíveis em tempo real no site do Sistema de Avaliação Institucional (SAI), categorizados por unidade, curso ou departamento de ensino. Os resultados obtidos com a avaliação são analisados pela CPA, pelas Comissões de Avaliação Local (CAL) das Unidades Acadêmicas, pelos Departamentos de Ensino e pelas Coordenações de Curso e servem ao processo de reflexão sobre a qualidade do trabalho acadêmico desenvolvido na UFF, gerando informações importantes e necessárias à reformulação dos Projetos Pedagógicos dos Cursos, bem como ao Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). A formação da CAL de cada Unidade, prevista no Projeto de Avaliação Institucional, foi estabelecida pelo Conselho Universitário através da Resolução 223/2013. Atualmente, nos campi de Niterói, estão formadas comissões de avaliação nas escolas de Arquitetura e Urbanismo, Enfermagem, Engenharia, bem como nas faculdades de Administração e Ciências Contábeis, Farmácia, Nutrição, Odontologia, Veterinária e nos institutos Biomédico, Biologia, Ciências Humanas e Filosofia, Computação, Geociências, Letras, Matemática e Estatística, Psicologia, Química e de Saúde Coletiva. No interior, a CAL mantém avaliadores em diversos cursos nos campi de Volta Redonda, Campos do Goytacazes, Rio das Ostras, Macaé, Angra dos Reis, Santo Antônio de Pádua e Nova Friburgo.   Ainda de acordo com a Virgínia Dresch, a CPA se ocupa fundamentalmente dos processos de avaliação interna da universidade. Já a avaliação externa é conduzida pelo MEC, através do INEP (cursos de graduação) e CAPES (cursos de pós-graduação). Na UFF, esclarece a professora, a Divisão de Avaliação da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), dirigida por Marcelo Linhares, acompanha todos os processos de avaliação externa dos cursos de graduação. “O processo de avaliação da qualidade dos cursos de graduação mais importante é o Enade”, concluiu. Na entrevista a seguir, o diretor da Divisão de Avaliação, Marcelo Moreira Linhares, detalha melhor o sistema de avaliação institucional. O MEC investe apenas nas “universidades de ponta”, aquelas que apresentam bons resultados? Não. A matriz orçamentária das Ifes paga às universidades federais, basicamente por número de alunos matriculados e diplomados. Existem políticas que fomentam algumas condições consideradas importantes. Por exemplo, o MEC oferece uma bonificação de 20% para alunos matriculados em cursos noturnos. Ninguém é obrigado a ofertar cursos noturnos, mas quem oferece recebe mais recursos. O mesmo se dá em relação ao Índice Geral de Cursos (IGC). O MEC não diminui o orçamento de quem está com o IGC baixo, mas bonifica quem se destaca. Cabe ressaltar que de modo geral os conceitos das Ifes são pelo menos 4, numa escala de 5. Algumas poucas tem conceito IGC 5 e não necessariamente obtiveram esse indicador por resultados melhores que as demais no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). Um bom resultado no exame pode ajudar já que é um insumo significativo. Ter uma pós-graduação forte e produtiva conta muito também. O que parece óbvio é que o Ministério da Educação pretende dar um incentivo a mais às Ifes para um esforço permanente em alcançar indicadores sempre melhores. Como desenvolver em alunos e professores a cultura de que participar do Enade é importante, já que algumas universidades tentaram boicotá-lo? O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) é bastante complexo. O Enade é apenas um de seus braços. Existem avaliações in loco realizadas por especialistas no âmbito de cursos e da instituição, além da autoavaliação institucional e dos diversos conceitos obtidos a partir inclusive do Enade, como o Conceito Preliminar de Cursos (CPC), o Índice de Desenvolvimento Discente (IDD), e o IGC. Tudo isso compõe o Sinaes. Alguns estudantes consideram o Enade um vilão a ser combatido, mas, na verdade, cabe a nós informá-los que o exame é uma das ferramentas de avaliação, que permite o constante crescimento da instituição. Por que, então, o preconceito? Muitas vezes tememos o que não conhecemos. Precisamos ter mais acesso às informações e estimular a cultura de avaliação. É necessário não só esclarecer o que é verdade é o que é mito em relação a essa temática, mas mostrar resultados tangíveis a partir das observações dos dados fornecidos pelo Sinaes. Além disso, é importante fazer as pessoas perceberem que a avaliação é apenas um meio para alcançar objetivos. Entendemos que se trata de um árduo caminho de esclarecimento e convencimento a partir de exemplos, fatos e dados que comprovem que todos temos mais a ganhar do que a perder aderindo à avaliação. Ao combatê-la, perdemos mais que ganhamos. Quanto a UFF perde em recursos quando seus alunos e professores têm desempenho insatisfatório nas autoavaliações? A UFF deixa de ganhar, na verdade. No caso da autoavaliação, é impossível calcular. Mas se não aderimos suficientemente aos mecanismos de autoavaliação é óbvio que a informação gerada a partir desses dados tende a ser pouco confiável e nos sujeita a erros que podem custar muito caro em termos de decisões acadêmicas e administrativas. Subvalorizar a autoavaliação e não dar a devida atenção aos dados fornecidos representa a curto prazo uma baixa nos recursos financeiros que chegam para a universidade e que são tão necessários à nossa atuação. De alguma forma, o bom ou mau desempenho de alunos e professores interfere nas avaliações externas e internas? Temos duas questões distintas nessa pergunta: uma refere-se ao desempenho de alunos, outra de professores. Esses itens são avaliados por mecanismos e momentos distintos. Os estudantes, por exemplo, são avaliados em termos de competências esperadas conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) e adquiridas a partir das execuções do projeto pedagógico do curso a que se vinculam. O mau desempenho do aluno no Enade reduz a nota bruta e o resultado final em favor do curso. Na avaliação in loco por especialistas esse quesito não é observado. O caso dos professores é diferente. O desempenho deles interfere em tudo. Na formação discente, no resultado do Enade, nos indicadores de produção acadêmica da pós-graduação e de qualificação do CPC (componente do IGC) e até nas respostas dos alunos ao questionário de avaliação respondido por ocasião da realização da prova do Enade e no qual se baseia o CPC. Os docentes também são avaliados in loco por especialistas, sendo umas das três dimensões desse tipo de avaliação. No âmbito da autoavaliação, alunos e professores também se submetem voluntariamente às respostas dos questionários no SAI, abordando questões mútuas. A CPA está localizada no Campus do Gragoatá, Bloco E, 5º andar, Sala 520, em Niterói. Para outras informações, ligue (21) 2629-2726 ou 97657-4824, envie um e-mail para avaliacao@vm.uff.br ou acesse o site www.cpa.sites.uff.br
UFF mapeia tecnologias sociais desenvolvidas por sua comunidadeProfessores, servidores técnico-administrativos e alunos da UFF têm até o dia 30 de abril para realizar inscrição no Mapeamento de Tecnologias Sociais, promovido pela Divisão de Inovação e Tecnologias Sociais da Agência de Inovação (Agir), vinculada à Pró-reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação (Proppi). O levantamento busca identificar, mapear, documentar, catalogar e divulgar soluções inovadoras desenvolvidas em diferentes áreas do ensino, pesquisa e extensão da universidade. As informações levantadas serão utilizadas na elaboração do Catálogo de Tecnologias Sociais da UFF, publicação pioneira em todo o Brasil. O mapeamento, documentação e divulgação dos dados apurados darão visibilidade às experiências de tecnologia social já realizadas pela universidade ou ainda em fase de desenvolvimento, criando o que os organizadores chamam de “Memória da UFF”. Isso se dará a partir das iniciativas registradas e permitirá que os produtos, processos, metodologias, serviços e técnicas mapeadas possam ser objeto de reaplicação e intercâmbio com diferentes áreas da instituição e da sociedade. O diretor da Agir e coordenador do Núcleo de Estudos em Políticas Públicas para a Inovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Thiago Borges Renault, afirma que hoje em dia a transferência de tecnologias tem causado impacto significativo em diferentes áreas como: infraestrutura, biotecnologia e de software, por exemplo, e quase sempre com fins mercadológicos. No entanto, na contramão desse pensamento, a UFF buscou o que ele chama de “desbalanceamento dessa estrutura amadurecida”, ou seja, passou a investir e incentivar pesquisas e trabalhos nas áreas de ciências humanas, sociais e aplicadas, como psicologia, educação, saúde, segurança pública, etc. O catálogo será uma importante fonte de informação e pesquisa na área das tecnologias sociais", garante Luciane Patricio. “A realização de dois fóruns de inovação, em 2015 e 2016, que resultaram em quatro reuniões importantes nesse período, serviram para ampliar nosso programa de bolsas, que teve um crescimento relevante, de 5% há três anos para 25% atualmente, totalizando 105 bolsas oferecidas para os mais diversos campos de pesquisa”, comemorou Thiago Renault. Já para a chefe da Divisão de Inovação e Tecnologias Sociais da Agir, Luciane Patricio, não há exatamente um consenso sobre o conceito de tecnologia social. Para os propósitos do edital, no entanto, pode ser um produto, processo, metodologia, serviço ou técnica reaplicável, construída e desenvolvida com a participação da comunidade e que representa uma solução inovadora voltada para a transformação, desenvolvimento ou inclusão social. O mapeamento e a produção do catálogo buscam, de acordo com Luciane, ampliar o conhecimento e a visibilidade do que a UFF tem produzido na área das tecnologias sociais, valorizando assim as especificidades de cada iniciativa. Com isso, a comunidade acadêmica terá acesso direto ao que está sendo desenvolvido na universidade. Luciane ressaltou ainda a necessidade de mobilizar professores, alunos e servidores a participarem do mapeamento, feito através de uma pesquisa exploratória. “O catálogo será uma importante fonte de informação e pesquisa na área das tecnologias sociais”, garantiu. Chamada pública A Agir fomenta, por meio de bolsas para alunos de graduação, projetos de inovação voltados para o desenvolvimento social. Ao analisar os projetos, a agência verificou a necessidade de lançar uma chamada pública a toda a UFF no sentido de buscar outras iniciativas semelhantes que causem impacto social. A agência também se inspirou no Banco de Tecnologias Sociais da Fundação Banco do Brasil. Luciane esclarece que as experiências poderão ser fruto de projetos de pesquisa, extensão ou inovação e devem responder a demandas sociais nas mais diversas áreas, como educação, energia, alimentação, acesso à justiça, geração de renda, habitação, saúde, recursos hídricos, meio ambiente e segurança. Além disso, serão selecionadas para compor o mapeamento as atividades que atendam, pelo menos, a três dos critérios listados no edital e que serão utilizados para avaliar os projetos de alunos, professores e técnicos. Os interessados em participar deverão preencher uma ficha de inscrição e encaminhá-la para a Agir pelo e-mail: tecnologiasocial.uff@gmail.com Para outras informações, consulta ao edital e ficha de inscrição, acesse: http://www.editais.uff.br/2012
SEI garantirá fim de processos em papel na UFFA Universidade Federal Fluminense está a um passo de entrar em uma nova era na sua rotina de trabalho com a implantação do Sistema Eletrônico de Informações (SEI). Os principais objetivos da plataforma digital são agilizar a tramitação e o desempenho dos processos na UFF, aumentando a celeridade, produtividade, transparência e a satisfação do usuário. O uso do sistema representará não só a ampliação da sustentabilidade ambiental, como também a redução de custos no setor público, uma vez que tem como meta eliminar o papel como suporte físico para documentos institucionais nos diferentes setores da universidade. O sistema será implantado até o próximo mês de outubro, conforme estabelecido pelo Decreto 8539/2015. Desenvolvido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sediado em Porto Alegre (RS), o SEI disponibilizará informações em tempo real e introduzirá práticas inovadoras no setor público. A plataforma engloba um conjunto de módulos e funcionalidades que promovem a eficiência administrativa e a transparência. Além disso, a autoria, a autenticidade e a integridade dos documentos e da assinatura poderão ser obtidas por meio de certificado digital emitido no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. Para a implantação do novo sistema, a UFF criou uma comissão formada por representantes das pró-reitorias, superintendências e Hospital Antônio Pedro. De acordo com a presidente da comissão do SEI, a superintendente de Documentação, Déborah Motta Ambinder, os principais benefícios do sistema para a universidade são a redução do uso de papel nas áreas administrativas da UFF, a otimização das rotinas de trabalho, possibilitando a colaboração entre os setores, a sistematização dos procedimentos e a melhoria da gestão da informação na instituição, a automatização da geração de relatórios e estatísticas sobre os documentos administrativos, facilitando assim a produção de informações e a gestão de processos. Já na opinião do superintendente de Comunicação Social da UFF, João Fanara, também integrante da comissão, o desafio será despertar o interesse do servidor pelo novo sistema e levá-lo a uma mudança de hábito. “O processo em papel ainda é um fetiche. Muitos preferem manuseá-lo, achando que com isso a tramitação se dará de forma mais rápida e segura. Ao contrário, com o passar do tempo, o excesso de papelada acaba atrasando o trabalho e aumentando a burocracia”, explicou. Vantagens A utilização do SEI traz uma série de benefícios: é 100% virtual e pode ser acessado remotamente por meio dos principais navegadores do mercado. O usuário poderá navegar por diferentes tipos de equipamentos, como microcomputadores, notebooks, tablets e smartphones com suporte para diversos sistemas operacionais (Windows, Linux, IOS e Android), possibilitando o trabalho remoto. Para a gerente do Protocolo Geral (Gerência Plena de Comunicações Administrativas - GPCA), Eliana de Oliveira Ramos, a implantação do SEI significa a modernização da gestão e dos fluxos de trabalho, garantindo uma mudança na cultura dos servidores, que em breve substituirão o processo em papel pelo meio digital. Outro benefício é o acesso do usuário externo, gerenciando a navegação e permitindo que ele tome conhecimento dos documentos e, por exemplo, assine remotamente contratos e outros tipos de processos, com absoluta segurança. O SEI também administra a criação e o trâmite de processos e documentos restritos e sigilosos, conferindo o acesso somente às unidades envolvidas ou a usuários específicos. Segundo a gerente financeira da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), Márcia Rainha Isaías Cordeiro, o novo sistema representará não só a economia de recursos, como a agilidade administrativa e confiabilidade na aquisição de produtos e serviços. A implantação do SEI possibilitará que a tramitação dos documentos ocorra em vários setores da UFF ao mesmo tempo, incorporando um novo conceito de processo eletrônico, que rompe com o curso linear tradicional, inerente à limitação física do papel. Assim, vários setores poderão ser mobilizados para tomarem providências e manifestarem-se simultaneamente, trazendo celeridade para os trâmites processuais. Além dessas vantagens, o sistema trará outras funcionalidades específicas que facilitarão a gestão dos processos, como o controle de prazos, histórico de tramitação, pesquisa, acesso externo, entre outros. Para a servidora Sandra Lúcia de Souza Quelhas, há 24 anos no Setor de Registro Escolar da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), a chegada do SEI representa um sonho realizado. “Lidei com papel praticamente a vida inteira, mas antes de me aposentar vou viver um novo tempo”, enfatizou. Já o prestador de serviço Leandro Recuengo e a bolsista Amanda Marinho, ambos do protocolo da Prograd, são unânimes: “É o fim do acúmulo de papel!” De acordo com Déborah Ambinder, a decisão de incorporar o SEI foi tomada pela Administração Central, em conjunto com os Comitês de Governança, Gestão da Informação, Pró-Reitorias e Superintendências, que passarão a adotar o sistema no âmbito do Processo Eletrônico Nacional (PEN) juntamente com todas as unidades da universidade. “Esta, por sua vez, é uma iniciativa conjunta de órgãos e entidades de diversas esferas da administração pública para a construção de uma infraestrutura de processo administrativo eletrônico do governo”, afirmou. O vice-presidente da comissão, coordenador de Desenvolvimento de Sistemas da Superintendência de Tecnologia da Informação, Thiago de Souza Diogo, esclarece que o PEN, coordenado pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), servirá de base para o Projeto UFF Digital. "A medida tem como objetivo a modernização da gestão de documentos e dos fluxos de trabalho na instituição, a conscientização da comunidade universitária para a utilização mínima do papel como documento, bem como reforçar as vantagens do uso do meio eletrônico para o desenvolvimento dos processos no âmbito da administração pública federal", concluiu. A Escola Nacional de Administração Pública (Enap), em parceria com os Correios oferece cursos on-line sobre o SEI, com o objetivo de capacitar servidores públicos do Executivo, Legislativo e Judiciário e de outras esferas de governo para utilizarem o sistema. O próximo módulo à distância ocorrerá de 25 de abril a 15 de maio. Para outras informações, acesse https://goo.gl/qlkCGi.
Acolhimento Estudantil comemora 10 anos e promete surpresas para calouros da UFFA UFF realizará nesta sexta-feira, dia 24, a partir das 9h, na quadra do Instituto de Educação Física, no Campus do Gragoatá, o seu tradicional evento de recepção aos calouros: o Programa de Acolhimento Estudantil (PAE), que completa 10 anos. Pioneira neste tipo de recepção aos novos alunos, a iniciativa foi criada em 2007 pelo então pró-reitor de Assuntos Acadêmicos, professor Sidney Mello, hoje reitor da universidade. A abertura contará com uma apresentação do UFF Breakers Cheerleading, grupo de alunos que fazem ginástica, acrobacias e dança. A prática anima torcidas de alguns esportes como futebol, basquete e vôlei. O PAE é o momento do primeiro contato do estudante com o universo acadêmico, renovando-se a cada ano. Para os organizadores, esta edição promete ser a mais acalorada dos últimos tempos. O evento se tornou um marco na UFF com a realização da Feira de Informação, que reúne projetos e representações estudantis de diferentes faculdades e campi sediados em Niterói e em outros municípios do estado. A estudante de Arquitetura e Urbanismo, Juliana Alves, coordena o Movimento Correnteza, grupo que faz parte de uma iniciativa nacional de estudantes universitários para o fortalecimento do movimento estudantil do Brasil. Para ela, participar do Acolhimento na UFF é uma oportunidade para fazer cultura e debater questões referentes à melhoria de condições na nossa universidade. Já Tiago Veneza de Souza, veterano da UFF do curso de Química, afirma que eventos como o PAE “promovem o crescimento pessoal, o aprendizado de novos conhecimentos e a formação profissional”. Na edição anterior, em homenagem às Olimpíadas, a equipe organizadora propôs que o acolhimento fosse uma gincana que mobilizou os cursos para a participação em várias atividades lúdicas que culminaram na premiação dos três cursos com maior pontuação, além da melhor torcida. Como parte dessa ação, os estudantes trouxeram alimentos, materiais de higiene e roupas que foram doados para uma instituição beneficente escolhida por eles. Segundo Márcia Pinto, uma das organizadoras, “a gincana promove a integração dos calouros de diversos cursos, levando-os a conhecer universitários de toda a UFF. Neste semestre, decidimos com os alunos que além da gincana retomaremos a Feira de Informação”. Acessibilidade e Inclusão no Acolhimento Dentre as atrações propostas para a Feira de Informação do PAE, a equipe do Divisão de Acessibilidade e Inclusão - Sensibiliza-UFF (DAI) realizará uma série de demonstrações envolvendo as dificuldades na rotina das pessoas com deficiência. A divisão apresentará uma exposição, além de um quiz inclusivo e a exibição de vídeo. Segundo Lucília Machado, uma das coordenadoras do Sensibiliza-UFF, essa é a décima vez que a divisão organiza atividades de vivência inclusiva, nas quais os calouros, seus familiares e visitantes da universidade têm a oportunidade de experimentar por instantes o cotidiano da pessoa com deficiência. "Eles serão convidados a andar em cadeira de rodas e usar bengala com os olhos vendados”, conta. Atualmente a universidade tem mais de 100 alunos com deficiência na graduação, pós-graduação e educação à distância. Dentre eles, deficiência física, auditiva, visual, com transtornos globais do desenvolvimentos, altas habilidades e superdotação. De acordo com Lucília Machado, esses alunos são recebidos e acompanhados pela Divisão de Acessibilidade e Inclusão, que tem a missão de implantar e efetivar a política de acessibilidade e inclusão da UFF. Já a equipe do SensiLibras organizou uma atividade prática com os alunos para divulgar a Língua Brasileira de Sinais (Libras). A atividade apresentará o alfabeto manual e fará uma brincadeira de caça-palavras, com tema de animais marinhos, para que todos os participantes do PAE tenham a oportunidade de ter contato com a linguagem de sinais. Os organizadores do PAE contam mais uma vez com a parceria do Projeto Conheça a UFF, que nesta edição recepcionará cerca de 400 alunos de escolas do ensino médio não só de Niterói, como de outras cidades do Estado do Rio de Janeiro. Conheça a UFF De acordo com o coordenador do Projeto Conheça a UFF, Renato Resende Vasconcellos, a iniciativa atende anualmente cerca de 60 unidades de ensino e 3.200 estudantes da rede pública e privada de escolas de Niterói, interessados em conhecer a universidade. “A instituição existe para o ensino, pesquisa e extensão e o estudante é uma das bases desses pilares”, afirma, ressaltando que o foco do projeto é desenvolver um relacionamento com o aluno antes mesmo da divulgação dos resultados no Enem. Nos últimos três anos o projeto investiu na apresentação da UFF para estudantes, indo além das visitas guiadas e da participação em feiras nas escolas. Eventos semestrais especiais foram promovidos, nos quais veteranos compartilham experiências e expõem as inúmeras possibilidades de seus cursos, além de outras atividades que promovem uma imersão do aluno do ensino médio no ambiente universitário. O coordenador ressalta que o projeto também possui uma fanpage com assuntos de interesse aos futuros calouros da universidade, que vão de entrevistas com universitários à apresentação de serviços - cursinhos sociais, serviço de psicologia aplicada, divulgação das chamadas do SIS, entre outros. Além disso, reconhecendo a dificuldade de algumas escolas de virem até a universidade, o Conheça a UFF também vai até elas, levando informações gerais sobre o funcionamento da instituição e sua diversidade. Programação Os cursos inscritos na gincana participarão de cabo de guerra, corrida de saco, circuito, karaokê, quiz e doação de alimentos. “Temos nove cursos inscritos na gincana e 21 projetos para a feira. Vai ser realmente uma mistura interessante, num espaço de diversão e informação, não só para a comunidade estudantil como também para o público de fora, que tem no Acolhimento Estudantil um excelente momento para conhecer a UFF e o que ela oferece à cidade e aos municípios vizinhos”, informa uma das organizadoras do evento, Renata Feitoza. Após a premiação dos vencedores da gincana, no final da tarde, em comemoração aos 10 anos do evento, será realizado um show de encerramento com a Banda Sabiazes, formada por universitários, além de DJ e uma atração surpresa. Veja a programação detalhada em http://bit.ly/2nKzX4r.
Rio Paraíba do Sul é tema de documentário premiado da UFF Volta RedondaAs questões ambientais que envolvem o rio Paraíba do Sul, que banha os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, despertaram o interesse de alunos e professores da Faculdade de Direito da UFF de Volta Redonda. O trabalho rendeu uma pesquisa e a produção de um documentário premiado pelo Canal Futura. A iniciativa teve a parceria do grupo de pesquisa Direitos Humanos, Comunicação e Mídia (DHC Mídia), da TV Universitária de Volta Redonda (TVR) e do Grupo de Estudos em Meio Ambiente e Direito (Gemadi). Com 14 minutos de duração, “Nas Águas do Rio Paraíba do Sul” foi produzido pelo então estudante de Direito Alexandre Ferreira Valente, sob a orientação da professora Ana Alice Di Carli. O vídeo foi uma das 20 produções selecionadas na terceira edição do Projeto Curtas Universitários, parceria do Canal Futura com a Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU), que contou com o apoio do projeto Globo Universidade da TV Globo. O evento reuniu audiovisuais de todo o país. O chefe do Departamento de Direito da UFF e coordenador da TV Universitária de Volta Redonda (TVR), professor Marcus Wagner de Seixas, explica que o documentário continua chamando a atenção para os problemas enfrentados pela maior bacia hidrográfica do Estado do Rio de Janeiro. A produção ouviu técnicos ambientais, trabalhadores que tiram seu sustento das águas do rio e a população ribeirinha. O objetivo foi alertar para os problemas que o rio Paraíba do Sul vem enfrentando, como a poluição, a destruição da mata ciliar, o assoreamento e a diminuição dos níveis de suas águas (...)”, destaca Alexandre Valente. “O documentário abriu as portas para todos os alunos de graduação da UFF em fase de redação dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) para a produção de obras audiovisuais de curta-metragem. Foi uma oportunidade incrível de levar o debate de determinadas questões sociais com viés jurídico para milhões de brasileiros”, revela Marcus Seixas. “Foi uma pesquisa importante porque chamou a atenção para um tema de grande relevância para o país”, destaca Alexandre Valente. Segundo ele, foram seis meses de muito trabalho até conseguir o certificado da Agência Nacional do Cinema (Ancine) para ser exibido. “Pesquisei e estudei muito, mas ao mesmo tempo tive a sorte de encontrar bons personagens e contar com a colaboração de algumas pessoas”, ressalta. Para Marcus Seixas, a produção do curta representou um grande desafio, sobretudo por ter sido proposto na época por um estudante de Direito e não de Comunicação. Mesmo com as dificuldades encontradas durante a produção, houve muito empenho e aprendizado, aliando as duas áreas e abordando a temática ambiental. Grupo de pesquisa De acordo com o professor Marcus Seixas, o grupo DHC Mídia, criado há seis anos, surgiu justamente para pesquisar, entre outros temas, a relação entre o Direito e as novas mídias, com o objetivo de discutir assuntos relacionados aos direitos humanos de forma mais abrangente possível. O meio ambiente, inserido nessa temática, também motivou a criação do grupo de pesquisa, que até então não tinha conhecimento dos editais de curta-metragem. Decidido a pesquisar e trabalhar com comunicação e suas interrelações, o grupo obteve recursos externos à UFF para, dois anos depois, montar o Laboratório da TV Universitária de Volta Redonda, criando um estúdio nas dependências do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da UFF (ICHS) e adquirindo equipamentos audiovisuais de ponta. O laboratório transformou-se num programa de extensão, trabalhando em conjunto com o DHC Mídia e as atividades de ensino, especialmente com as videoaulas, em parceria com o curso semipresencial em Administração Pública. A professora Ana Alice vem pesquisando a temática da água já há alguns anos. Segundo ela, Alexandre sempre demonstrou interesse em assuntos ligados ao meio ambiente, como também associar a educação ambiental à tecnologia, fato que a levou a orientar seu TCC. O aluno, inclusive, foi um dos integrantes do grupo de estudos Gemadi, liderado por ela e pelo professor Pedro Curvello Avazaradel. Quando o professor Marcus Seixas informou sobre o edital do Canal Futura, Alexandre abraçou a ideia de desenvolver um projeto de documentário sobre o Rio Paraíba do Sul. A seguir, um pouco mais sobre a pesquisa e o vídeo. O que motivou o estudante a pesquisar o Rio Paraíba do Sul? Alexandre Valente: Quando surgiu a oportunidade no edital do Canal Futura, a orientadora Ana Alice e eu enxergamos a possibilidade de promover e divulgar as questões ambientais em rede nacional, falando sobre a importância vital da água e utilizando o Rio Paraíba do Sul como personagem central, devido a sua importância na região Sudeste. Dessa forma, a grande motivação para mim, na época no 8º período de Direito, foi exatamente a oportunidade de abordar e difundir o tema para a sociedade, alertando a todos, num sentido mais amplo, sobre o valor da água e de se proteger os nossos rios. Como surgiu a parceria com o Canal Futura? Marcus Seixas: Foi justamente em 2013 que iniciamos os diálogos com o pessoal do Canal Futura, que culminaram com a assinatura de um convênio em 2014, e renovado no início de 2016. Portanto, foi com muita satisfação que tivemos conhecimento do resultado da seleção do edital Curtas Universitários, com o projeto da professora Ana Alice, em conjunto com seu orientando e nosso ex-bolsista de extensão, Alexandre Valente. Importante registrar que o aluno integrou dois grupos de pesquisa, como pode ser observado no diretório do CNPq. A pesquisa foi solicitada pela professora Ana Alice com que objetivo? Alexandre Valente: A sugestão da temática para a produção do vídeo foi sugerida pela professora Ana Alice, em decorrência do tema que escolhi para o meu TCC se adequar às exigências do edital do Canal Futura. O objetivo foi alertar para os problemas que o rio Paraíba do Sul vem enfrentando, como a poluição, a destruição da mata ciliar, o assoreamento e a diminuição dos níveis de suas águas, com a finalidade de sensibilizar a população para a preservação e proteção dos nossos recursos naturais, sobretudo a água, em rede nacional. A pesquisa abordou que aspectos do Paraíba do Sul? Alexandre Valente: Em virtude desse rio cortar três grandes estados de importância nacional - Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais - foram explorados no documentário os aspectos históricos, econômicos, sociais e, principalmente, ambientais. O documentário teve instituições parceiras e patrocinadoras aliadas à pesquisa? Marcus Seixas: A TV Universitária possui um técnico-administrativo e tem somente alunos na sua parte técnica (captação audiovisual e edição). Alguns desses, receberam bolsa de extensão, como o próprio Alexandre Valente (por três anos consecutivos). Portanto, considero que a primeira “patrocinadora” foi a própria UFF por intermédio da Pró-Reitoria de Extensão (Proex), além de recursos provenientes do Proext. Já os grupos de pesquisa Gemadi e DHC Mídia têm trabalhado em conjunto, na medida do possível, em várias vertentes, especialmente nos eventos acadêmicos desenvolvidos no espaço do ICHS. Além dos R$ 6 mil disponibilizados diretamente a Alexandre pelo Canal Futura, que possibilitou o pagamento de gasolina para deslocamento às locações externas, alimentação e custos de registro da obra na Ancine, o DHC Mídia comprou com recursos próprios um gravador profissional (Zoom H5), conforme especificações fornecidas pela emissora. Também merece destaque a parceria com a produtora PRO Filmes, que colaborou gratuitamente na captação, edição e pós-edição das imagens, especialmente as tomadas aéreas, pois a TVR não possui Drone.   A pesquisa e a produção do vídeo duraram quanto tempo?  Alexandre Valente: A pesquisa inicial durou aproximadamente dois meses. Nesse período criei o roteiro final do documentário, entrei em contato com os entrevistados, confirmando e agendando a participação no trabalho, e fiz o planejamento financeiro e logístico necessários. A fase de produção, com captação de imagens, sons e entrevistas, ocorreu em aproximadamente três meses. Por fim, a edição final se deu em cerca de um mês. No total, a produção levou de seis a sete meses, incluindo todas as etapas: pré-produção, produção e pós-produção. Quantos alunos estiveram envolvidos com a pesquisa em si e a produção do documentário? Alexandre Valente: Na época, eu e mais dois alunos estivemos envolvidos diretamente na produção do documentário, todos do curso de Direito da UFF de Volta Redonda. Ana Patrícia Rodrigues, na época no 6º período, e também membro do Gemadi, e Douglas de Mello, assim como eu, também pertencente ao grupo DHC Mídia. As imagens foram captadas por qual câmera? Alexandre Valente: As imagens foram captadas por uma câmera NX5N, emprestada pela TVR e por uma Canon 60D, da produtora “contratada” por mim para auxiliar na produção. Também foram utilizados os microfones de lapela da Sony e o boom da TVR; além do Drone da ProFilmes, para as tomadas aéreas e uma câmera GoPro para as gravações subaquáticas. O edital de seleção do Canal Futura era direcionado a estudantes de cursos ligados às quais áreas? Alexandre Valente: Apesar de estar relacionado diretamente às áreas que envolvem o produto audiovisual (jornalismo, cinema, produção de vídeo, etc.), o edital Curtas Universitários do Canal Futura, não era direcionado para algum curso específico. Qualquer aluno que estivesse próximo de concluir a graduação, poderia participar. A única exigência do edital era que o tema do TCC do estudante se comunicasse diretamente com o seu projeto de documentário. Vale destacar que dos 20 selecionados nesse edital, apenas eu era de um curso que tecnicamente não tem nenhuma relação direta com o meio audiovisual. Qual a importância do documentário para a UFF e para a sociedade? Alexandre Valente: Para a UFF, o importante é a visibilidade nacional que o documentário pode atingir. Além disso, acho que pode ser um estímulo para que outros estudantes participem de futuros editais como esse. Quanto à sociedade, os benefícios e resultados do vídeo são bem mais amplos, uma vez que se trata de um tema de importância vital. A grande ideia do documentário é tentar educar e alertar as pessoas para que despertem a consciência ecológica e passem a ter mais respeito aos nossos recursos naturais, contribuindo, assim, para a tutela de nossas águas. Ao fazer isso, todos somos automaticamente beneficiados, pois nossas águas são nossa fonte de vida. Atualmente, o Canal Futura conta com a participação de 31 universidades de diferentes regiões do Brasil em sua programação. Desde o ano passado, o documentário “Nas Águas do Rio Paraíba do Sul” pode ser assistido no site do Canal Futura, no site Globo Universidade e, também, no YouTube.
Repositório Institucional da UFF facilita acesso a pesquisas Com o objetivo de reunir, preservar, disseminar, promover e dar acesso à produção técnico-científica da instituição, a Universidade Federal Fluminense institui política para depósito no seu Repositório Institucional, o RIUFF. Artigos científicos, teses de doutorado, dissertações, bem como outros tipos de documentos eletrônicos podem ser consultados, via internet, de forma livre e gratuita. A Comissão de Criação de Políticas de Preservação, Divulgação e Disponibilização de Produção Científica do RIUFF elaborou a política publicada pela universidade, através da Norma de Serviço nº 655 de 3 de janeiro de 2017, e contou com o acompanhamento dos comitês de Governança e de Gestão da Informação da UFF. De acordo com a superintendente de Documentação e presidente do Comitê de Gestão da Informação, Déborah Motta Ambinder de Carvalho, e a bibliotecária e documentalista Jane Alice de Souza Teixeira, a UFF, alinhada a outras importantes instituições brasileiras e estrangeiras que mantêm seus repositórios institucionais, contará com as coordenações dos cursos de graduação e programas de pós-graduação, mestrado e doutorado, como parceiros fundamentais para o sucesso do repositório. A ideia da criação do RIUFF, segundo Déborah Ambinder, surgiu em 2009, por meio de um edital do Ibict/Finep, que previa a distribuição de kits tecnológicos, treinamento dos recursos humanos da instituição, além do suporte de informática e de equipamentos. Neste contexto, sua gestão ficou sob a responsabilidade das superintendências de Documentação (SDC) e de Tecnologia da Informação (STI). O RIUFF vai garantir à sociedade o acesso livre e gratuito à informação, a difusão do conhecimento, a retroalimentação da investigação, o estímulo econômico, a responsabilidade ambiental, a ação de sustentabilidade e desenvolvimento social. Disponibilizado atualmente aos internautas na versão 3.2, e com a perspectiva de migrar nos próximos meses para a versão 5.3, o repositório reúne exclusivamente a produção da comunidade universitária da UFF. Outra iniciativa semelhante, ainda em fase experimental e na versão beta, é a “Questões em Rede”, um repositório temático, voltado para publicações do Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (Enancib), que ocorre anualmente, no qual estão sendo depositados trabalhos de várias comunidades científicas e instituições de ensino. Déborah Ambinder e Jane Teixeira destacam que a produção científica e administrativa disponível no RIUFF foi estabelecida em conformidade com a Lei 12.527/2011, que regulamenta o direito constitucional de acesso às informações públicas em vigor desde 16 de maio de 2012. A lei criou mecanismos que possibilitam a qualquer pessoa, física ou jurídica, sem necessidade de apresentação de motivo, o recebimento de informações públicas dos órgãos e entidades.   “O uso do repositório como local virtual da produção científica e institucional traz grandes benefícios para a UFF”, afirma Déborah Ambinder, dentre estes, a maximização do impacto dos resultados da produção adêmica, ampliando sua visibilidade e disseminação, através do livre acesso à informação; a facilitação da gestão da informação disponível em meio digital, reunindo num único local a produção intelectual da universidade; a preservação da memória institucional e a produção técnico-científica da UFF, por meio do armazenamento de longo prazo de documentos digitais; a ampliação da visibilidade e o uso da produção intelectual desenvolvida na universidade. A superintendente ressalta, ainda, que o RIUFF é um instrumento para subsidiar a gestão de investimentos em pesquisas na instituição e apoiar a formação e desenvolvimento de pesquisadores, educadores, acadêmicos, gestores, alunos de graduação e pós-graduação, bem como a sociedade, a promoção da participação social e o exercício da cidadania. Os procedimentos para criação de comunidade/coleção no RIUFF estão disponíveis na página do Repositório: http://www.repositorio.uff.br/jspui.
Laboratório de Brinquedos da UFF capacita educadores e estudantes da MedicinaO ato de brincar ou até mesmo de produzir seus próprios brinquedos não se restringe às crianças. Criar, construir e promover jogos e atividades lúdicas pode fazer parte do universo de pessoas de qualquer faixa etária. Interessadas neste tema, as professoras Mônica Ledo Silvestri e Andrea Serpa, do Departamento Sociedade, Educação e Conhecimento, criaram há 12 anos o grupo Centro de Aprendizagens, Pesquisa e Extensão: Cultura, Arte e Brinquedo em Educação (Cabe). Desde então, compreender como a imaginação e a brincadeira podem ser utilizadas na capacitação de professores e de profissionais da saúde é um dos principais intuitos do grupo. As pesquisas desenvolvidas no local visam entender o universo infantil e criar metodologias de ensino e aprendizagem para crianças, jovens e adultos, com o objetivo de potencializar os estudos e investigações na área, além de promover a formação inicial e continuada de educadores e futuros médicos. O Cabe integra o Laboratório de Brinquedos, Jogos e Brincadeiras (LAB) (www.lab.uff.br), localizado na Faculdade de Educação. “Todo o processo desenvolvido está alicerçado em projetos de ensino, pesquisa e extensão voltados à compreensão dos usos e sentidos que diferentes grupos infantis dão aos brinquedos”, ressalta Monica Silvestri. Duas latas de conserva e um pedaço de barbante se transformam num telefone sem fio” - Mônica Silvestri De acordo com Andrea Serpa, o trabalho realizado pelas equipes do LAB estimula um diálogo com princípios que se voltam à autoria infantil, com suas lógicas, saberes, experiências, memórias e formas singulares de aprender brincando. Ao promover isso, explica a professora, a experimentação e a investigação a respeito da especificidade dos brinquedos, jogos e brincadeiras na educação das crianças, bem como as reflexões encontradas nos diversos projetos e atividades, estão presentes em suas relações com os brinquedos e na forma como elas constroem seus conhecimentos. As docentes afirmam que a ação de transformar o mundo por meio de jogos e brincadeiras ocorre quando dois princípios interagem de forma positiva: a sustentabilidade e a diversidade cultural. Segundo elas, esses princípios são indissociáveis e têm norteado não só as atividades desenvolvidas por elas até agora, como os futuros projetos na batizada Estação Brinquedo (LAB). Sustentabilidade e Reciclagem A sustentabilidade direciona todas as atividades elaboradas pelo grupo envolvido no projeto. São reaproveitados diversos materiais, como tampinhas de garrafas plásticas, papelão, retalhos de pano, entre outros. Produtos industrializados também são reutilizados, pois para brincar não é necessário que o brinquedo acabe de vir da loja. O intuito é estimular o espírito de reinvenção, de criação e a vontade de imaginar novas possibilidades. Este é um aspecto criado coletivamente e que caracteriza o “fazer-pensar” na Estação Brinquedo. A professora Mônica Silvestri afirma que no laboratório não há o compartilhamento de uma concepção estética dominante, baseada na lógica de materiais prontos para o consumo. Para ela, essa visão política é a que fundamenta as brinquedotecas de restaurantes, condomínios, clubes e de algumas escolas, mas nem sempre abre espaço para a criação, o pensar e o repensar o mundo, dominado pelo consumo rápido e de descarte de material e da criatividade. “Em nosso projeto buscamos promover a estética, que interage com a ética, tramando uma perspectiva lúdica que busca a manutenção da vida com inteligência afetiva, social e política”, acrescenta. As crianças, jovens e adultos se educam por meio da ação, da convivência e da partilha, e, preferencialmente, em um espaço fluido, vivo, que se cria e recria na intervenção das próprias pessoas. “Elas vão deixando suas marcas no lugar, propositalmente”, relata Mônica Silvestri. O LAB é também um lugar de encontro, partilha, parcerias, desenvolvimento e produção, fato esse, que, segundo as professoras, nortearia outro princípio, o da autoria. “Compreendemos a Estação Brinquedo não apenas como um lugar onde se colecionam, guardam e emprestam brinquedos, mas um espaço produzido pelas mãos, mentes e corações dos indivíduos que nele escrevem suas histórias, sejam crianças, jovens ou adultos”, explica Andrea Serpa. Reutilizar objetos que originalmente possuíam outro destino e função é um convite para que professores, alunos e todas as pessoas envolvidas olhem para cada uma das formas, cores e texturas, imaginando não apenas a determinação da indústria ou de quem o fez originalmente, mas as diferentes possibilidades de transformação, de reutilização e de alegria que essas descobertas apontam. A Estação Brinquedo coloca em movimento o processo de imaginação, ferramenta que permite aos usuários do laboratório projetar mundos e torná-los possíveis. “Duas latas de conserva e um pedaço de barbante se transformam num telefone sem fio”, ressalta Mônica Silvestri. Parceria com a Medicina Alunos do curso de Medicina da UFF, por meio do Instituto de Saúde Coletiva (ISC), vêm participando das atividades do LAB há cinco semestres consecutivos, na disciplina Trabalho de Campo Supervisionado I/Infâncias. A ação interdisciplinar entre o laboratório e o instituto proporciona a troca de experiências e a formação dos futuros médicos. Além disso, contribui para o processo de ensino-aprendizagem baseado no diálogo, na afetividade e no reconhecimento do brincar como traço da cultura infantil, questões fundamentais de humanização dos cuidados pediátricos e da educação das crianças e dos profissionais de saúde. Nas oficinas, os estudantes exploram situações nas quais se conectam às crianças. As trocas e brincadeiras motivadas nos encontros, bem como os materiais utilizados, permitem, por exemplo, a construção de ambulâncias feitas com papelão, fantoches que representam germes, cenários lúdicos que retratam situações reais da medicina. Em seus relatórios, os futuros médicos enfatizam as percepções sobre as crianças, não apenas como pacientes, mas como seres ativos que sabem, inclusive, comunicar suas dores.
Mudanças climáticas: pesquisadores da UFF realizam expedição científica na costa brasileiraA bordo do navio de pesquisa oceanográfica RV Meteor, de bandeira alemã, uma equipe do departamento de Geoquímica da Universidade Federal Fluminense, coordenada pela pesquisadora Ana Luiza Spadano Albuquerque, participou de uma expedição científica sobre clima. Nos meses de março e abril a embarcação percorreu o litoral brasileiro, partindo do porto do Rio de Janeiro indo até Fortaleza. Foram 26 dias de viagem, na qual participaram pesquisadores da UFF, da Universidade de São Paulo (USP) e universidades da Alemanha, Inglaterra e Itália. Eles fizeram um levantamento de dados e amostras com o objetivo de subsidiar os estudos sobre mudanças climáticas. Intitulado UFF-USP South American Climate Change: from the past to the future (Mudanças Climáticas na América do Sul: do passado ao futuro), o projeto integra universidades que atuam na área de registro do passado geológico visando perspectivas para o futuro. A UFF, em consórcio com a USP, obteve aprovação para a implantação do Programa de Pós-Graduação Internacional na área de Mudanças Climáticas. O programa será custeado pelo fundo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e será inteiramente voltado para a capacitação de recursos humanos em níveis de mestrados e doutorados internacionais. O projeto possibilitará a UFF consolidar uma posição de liderança nas pesquisas sobre mudanças climáticas no Brasil. Na entrevista a seguir, a pesquisadora Ana Luiza Albuquerque fala sobre as duas iniciativas: Em que período ocorreu a pesquisa oceanográfica? Ana Luiza: Embarcamos num cruzeiro oceanográfico para realizar o Projeto Samba, cujo principal tema de estudo foi fazer um Balanço Hidrológico e de Paleoceanografia no Sudoeste do Atlântico durante o Pleistoceno Tardio e Holoceno. A cooperação internacional, firmada entre a UFF e a Universidade de Heidelberg, na Alemanha, possibilitou que a viagem ocorresse entre os dias 21 de março e 15 de abril, entre os portos do Rio de Janeiro e Fortaleza. Quem participou da viagem? Ana Luiza: A equipe embarcada no RV Meteor foi formada por 28 cientistas de quatro países (Brasil, Alemanha, Inglaterra e Itália), que durante 26 dias participaram de intenso trabalho de coleta de dados e amostras, que serão objeto do estudo de inúmeras dissertações de mestrado e teses de doutorado nos diferentes países participantes. Todos os dados levantados durante o cruzeiro foram integralmente compartilhados pelos pesquisadores envolvidos, enquanto que as amostras coletadas foram partilhadas, sendo 30% do material, o que correspondeu a uma tonelada de sedimentos, transportado e armazenado na UFF, e o restante armazenado no repositório do Instituto de Pesquisa Marinha da Universidade de Kiel (Geomar), na Alemanha. E quanto aos objetivos? Ana Luiza: o principal objetivo do cruzeiro foi coletar material (água do mar e sedimento marinho) nas regiões da costa brasileira sob influência dos rios Paraíba do Sul, Doce, Jequitinhonha e São Francisco, com o objetivo de subsidiar as pesquisas sobre as mudanças climáticas ocorridas no Brasil ao longo dos últimos 180 mil anos. Considerando que o Painel Internacional Mudanças Climáticas (International Painel for Climate Change - IPCC) admite em seu último relatório que a Terra está, de fato, atravessando um período de mudanças climáticas, a busca pela previsibilidade do clima no futuro passou a ser considerado como estratégico para o desenvolvimento dos países. Como surgiu a ideia do projeto? Ana Luiza: eu e uma equipe de professores propusemos a elaboração de um Programa de Pós-Graduação Internacional, para os países integrantes do bloco BRICS, por meio da parceria entre o Laboratório Oceanografia Operacional e Paleoceanografia (LOOP - http://www.loop.uff.br) e da Rede Interinstitucional de Paleoceanografia e Oceanografia (grupo de pesquisa da UFF apoiado pelo CNPQ). Afinal, o clima está mesmo mudando? Ana Luiza: De fato, essa é uma pergunta que o mundo todo está se fazendo, e acho um tanto forte afirmar que eu tenho a resposta. No máximo, opino com base nas evidências de nossos estudos. E para esta questão a resposta é sim. O próprio IPCC, em seu último relatório, afirma também que sim. Dessa forma, a Terra está atravessando alterações no seu balanço de energia, o qual está relacionado com as mudanças climáticas. Como os pesquisadores de mudanças climáticas do passado (paleoclima) chegam a um modelo de previsão do clima futuro? Ana Luiza:  As medidas instrumentais do clima são bastante curtas, não ultrapassam cerca de 350 anos. No entanto, muitos eventos e mecanismos do clima que atuam em frequência mais baixa nunca foram registrados instrumentalmente. Dessa forma, a paleoclimatologia,; ou seja,  a recuperação da variabilidade do clima em larga escala temporal, permite o entendimento das respostas da Terra frente à condições climáticas ainda não registradas (instrumentalmente). Nesse sentido, a interação entre a paleoclimatologia e os modelos preditivos do clima é fundamental, pois é a única forma de validar os modelos climáticos, considerando a variabilidade do passado. Assim, se um modelo climático reconstitui bem o clima do passado, certamente simulará bem o clima do futuro. E como esse tema se integra com a proposta da Universidade em Rede no âmbito do BRICS? Ana Luiza: Em novembro de 2015, a presidência da república assinou com os países do bloco econômico BRICS acordo de cooperação internacional para a criação de uma Universidade em Rede (Brics-Network University). Para tanto, foram elencadas seis áreas estratégicas, dentre as quais as mudanças climáticas, visando à formatação de Programas de Pós-Graduação Internacionais (PPGs). Baseado nisso, a Fundação Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) abriu o Edital Brics-NU em dezembro de 2015, com o objetivo de selecionar duas PPGs em cada um dos temas estratégicos selecionados. Apenas PPGs classificadas pela Capes como de excelência (nível 6 ou 7) puderam participar dessa chamada. As PPGs da UFF com linhas de pesquisa ligadas às Mudanças Climáticas (Geoquímica, Geografia e Física), lideradas por mim se uniram a duas outras da USP (Geoquímica e Geotectônica, e Meteorologia) para elaborar uma proposta focada na reconstituição do clima na América do Sul, modelagem climática e impactos das mudanças climáticas (UFF-USP South American Climate Change: from the past to the future), a qual foi uma das selecionadas nesse Edital. Há outros projetos brasileiros selecionados nesse tema? Ana Luiza: A UFF e a USP, junto com a PPG em Ecologia e Mudanças Climáticas do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), que foi o segundo projeto selecionado, formarão um consórcio com os demais grupos selecionados nos diversos países do Brics para consolidar essas PPGs. Além disso, uma reunião de direcionamento nacional com os coordenadores das propostas selecionadas foi realizada no último dia 31 de março no MEC, em Brasília. Depois desse encontro, ocorreu a primeira reunião do Brics-NU, que aconteceu entre os dias 6 e 8 de Abril, em Ecaterimburgo, na Rússia. Nessa primeira reunião, os diversos países apresentaram seus grupos em cada um dos seis temas estratégicos, e teve início a discussão de propostas pedagógicas, de mobilidade estudantil, pesquisa em cooperação multilateral, os quais constituirão a base das PPGs da Universidade em Rede do Brics. A segunda reunião está agendada para setembro na Índia, quando se espera avançar significativamente com a proposição de um calendário para início das atividades, pretendido para o segundo semestre de 2017. O trabalho terá continuidade? Ana Luiza: As entidades parceiras que estão à frente do trabalho seguem um cronograma de trabalho, que integra a UFF e USP. Sendo que o grupo UFF é formado por pesquisadores dos Programas de Pós-Graduação em Geoquímica, Geografia e Física, enquanto que a USP integrará a equipe com pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Geoquímica e Geotectônica (IGC) e de Astronomia e Geofísica (IAG). Que benefícios os resultados do trabalho trarão para a UFF e para a sociedade? Ana Luiza: Ele será um marco na formação de recursos humanos e no desenvolvimento de pesquisa científica sobre o clima. Considero que o tema Mudanças Climáticas faz parte, como assunto prioritário, das agendas governamentais em todo planeta, e a cada dia mais, está identificado como uma preocupação da sociedade. E o envolvimento da UFF na vanguarda da pesquisa e educação nessa área será um marco institucional.
Faculdade de Turismo e Hotelaria produz inventário turístico do Estado do Rio de JaneiroA Faculdade de Turismo e Hotelaria da UFF foi selecionada pela Secretaria de Estado de Turismo para realizar o Inventário de Oferta Turística do Rio de Janeiro (IOT-RJ). A proposta é fazer um amplo levantamento dos atrativos turístico-culturais e equipamentos do Estado, com o apoio financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A pesquisa incluirá diversos nichos relacionados à gastronomia, hotelaria, atrativos históricos (museus, monumentos, etc.) e naturais (lagoas, rios, praias e cachoeiras, etc.) bem como aqueles vinculados à infraestrutura, como aeroportos, rodoviárias, ciclovias e comércio local. A base de dados, devidamente mapeada e georeferenciada, será elaborada por uma equipe de professores e técnicos e cerca de 70 alunos que atuarão como turismólogos no período de seis meses. O inventário subsidiará futuras ações de políticas públicas relacionadas ao turismo no Estado do Rio. Segundo Carlos Alberto Lidizia Soares, coordenador do projeto, o IOT-RJ teve início no mês de janeiro deste ano, na cidade de Niterói, e percorrerá 23 municípios de seis regiões contempladas pelo Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur):  Agulhas Negras, Costa do Sol, Costa Verde, Metropolitana do Grande Rio, Serra Verde Imperial e Vale do Café. Conheça os aspectos turísticos de cada região e municípios. A metodologia utilizada para desenvolver o projeto é baseada nos princípios formulados pelo Centro Interamericano de Capacitación Turística (Cicatur), da Organização dos Estados Americanos (OEA-Washington).  Ela foi adotada e adaptada pelo Instituto Brasileiro de Turismo, da Embratur, e reformulada pelo Ministério do Turismo, tornando-se a metodologia oficial vigente no Brasil.  De acordo com o coordenador, esse sistema possibilita a realização de análises qualitativas e quantitativas de informações e de uma base cartográfica digital necessárias para a criação do banco de dados. O acesso será garantido pelos portais públicos de entidades regionais de planejamento e desenvolvimento turístico do Rio de Janeiro, pelos centros de atendimento aos turistas, por aplicativos de aparelhos móveis de comunicação, no Global Distributions Service (GDS), entre outros. O coordenador da pós-graduação e MBA em Gestão de Serviços e do Núcleo de Projetos em Turismo, Hotelaria e Serviços da UFF, Carlos Alberto Lidizia Soares, fala sobre a importância dessa pesquisa para o turismo do Estado do Rio. Como surgiu a ideia do inventário? Carlos Lidizia: O projeto surgiu a partir de uma licitação pública internacional realizada pela Secretaria de Estado de Turismo do Rio de Janeiro (Setur-RJ) da qual a Faculdade de Turismo e Hotelaria da UFF participou e saiu vencedora. Neste contexto, o projeto segue todas as regras estabelecidas pelo contrato junto à Setur-RJ. Qual a metodologia utilizada no projeto? Carlos Lidizia: Teremos diferentes etapas e formas de levantamento de informações, inclusive a pesquisa de campo. Na primeira fase do Inventário serão levantados os dados que serão inseridos em um banco de dados constituido de mapas e fotos das regiões e seus pontos turísticos.Após esta etapa, faremos encontros regionais com todos os municípios objetivando convalidar estes dados. Posteriormente, já com uma relação previa de todos os atrativos existentes e convalidados pela governança pública e pelo trade local, iniciaremos as pesquisas de campo. Qual é a abrangência da pesquisa? Carlos Lidizia: A pesquisa visa fazer um “censo” de todos os atrativos turísticos dos municípios fluminenses contemplados, independentemente do tamanho, porte, relevância, sendo público ou privado. Não constarão do projeto aqueles que não tiverem interesse em participar da pesquisa. A pesquisa identifica áreas para uma futura expansão turística no Estado? Carlos Lidizia: Sim. Um dos objetivos do projeto é servir como alicerce para futuras ações de políticas públicas relacionadas ao turismo no Estado do Rio de Janeiro. No entanto, para isso acontecer é necessário que o conhecimento do que possuímos hoje, para que possamos planejar ações futuras. Um empreendedor do ramo poderá utilizar os dados levantados como base para o seu negócio? Carlos Lidizia: Com certeza. O projeto IOT-RJ visa não só auxiliar futuras ações do poder público, mas também dar apoio aos empreendedores do ramo turístico. O projeto vai auxiliar bastante, porque se conhecendo o que existe em termos de atrativos no estado é possível vislumbrar oportunidades de negócios. Quais as entidades que participam e patrocinam esta pesquisa? Carlos Lidizia: O IOT-RJ é um projeto financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O projeto também é apoiado por diversos órgãos públicos, como a Companhia de Turismo do Estado do Rio de Janeiro (TurisRio), Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (RioTur) e a Niterói Empresas de Lazer e Turismo (Neltur). Além disso, o projeto também possui apoio de outras universidades parceiras, como a UniRio e a UFFRJ. Que tipo de tecnologia será utilizada no desenvolvimento da projeto? Carlos Lidizia: O projeto terá todas as abordagens de registro e armazenagem das informações realizadas digitalmente através do uso de tablets. Esta é a primeira vez que um projeto completo de oferta turística usa esse tipo de tecnologia no Brasil. Isso também visa estabelecer uma maior fidedignidade às informações, fundamentalmente em relação a real situação dos atrativos pesquisados. Em relação às zonas de risco nas áreas turísticas, haverá algum tipo de mapeamento? Carlos Lidizia: A priori, o IOT-RJ não terá informações diretamente relacionadas em alertar as zonas de risco dos municípios contemplados pelo projeto. No entanto, as informações contidas no inventário podem e devem ser usadas para mapear regiões inseguras, visando futuramente ações relacionadas à segurança dos locais.
Instituto de Física da UFF inaugura laboratório pioneiro na América LatinaRecém-inaugurado, o Laboratório de Espectrometria de Massa com Aceleradores (LAMS), do Instituto de Física da UFF, é o único na América do Sul a utilizar a nova técnica de datação com carbono-14 (14C-AMS). De acordo com coordenador, Paulo Roberto Silveira Gomes, o novo método radiométrico de determinação da idade de amostras utiliza o elemento radioativo, permitindo atribuir a idade correta de qualquer objeto em um curto espaço de tempo. “As datações e rastreamentos de materiais com dezenas de milhares de anos agora se tornaram mais modernas e eficientes”, ressalta o professor. O projeto contou com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que concedeu cerca de US$ 2 milhões e da Federação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), que participou com cerca de US$ 100 mil. A UFF foi responsável pela execução de toda a obra de instalação do laboratório,  além de oferecer bolsas de trabalho aos estudantes envolvidos.  Segundo o coordenador, o LAMS e o Laboratório de Radiocarbono da UFF (LAC-UFF) vêm proporcionando a alunos, professores e técnicos uma estrutura capaz de realizar integralmente projetos utilizando a metodologia, já utilizada com sucesso em outros laboratórios do mundo. As pesquisas desenvolvidas no laboratório, segundo Gomes, envolvem diversas áreas da ciência e da tecnologia, como a Física, Geociências, Geoquímica, Biologia, Química, Geoquímica, Arqueologia, Arqueometria, Biologia Marinha, Geologia, Oceanografia, Solo e Mudanças Climáticas. Há perspectivas de realização de pesquisas com Farmacologia e Biomedicina. Nova tecnologia O coordenador explica que a inovação está na forma como o 14C é aplicado e não na técnica em si. O elemento já é utilizado em outras datações. O importante, enfatiza, “é que o novo laboratório permite a diversos grupos de pesquisa, brasileiros e estrangeiros, o desenvolvimento de projetos que seriam inviáveis pelo alto custo que apresentavam”. Anteriormente as amostras só podiam ser analisadas por 14C-AMS em laboratórios do exterior. Na estratosfera (camada da atmosfera terrestre situada aproximadamente entre 11 e 50 quilômetros de altitude), explica o professor, ocorrem reações que produzem núcleos radioativos que se transformam naturalmente em outros núcleos. Este processo pode variar de ínfimas frações de segundo a milhões de anos, e o 14C é um destes núcleos. Usualmente chamado de radiocarbono, ele leva em media cerca de seis mil anos para que metade dos núcleos produzidos se transformem em outro núcleo estável, o que os cientistas chamam de decaimento radioativo. O gás carbônico (CO2) que existe na natureza possui uma fração muito pequena de carbono radioativo (14C). Isto permite que os pesquisadores determinem as idades de materiais de centenas de anos até cerca de 50 mil anos, através da detecção das partículas emitidas quando o 14C decai. O processo é chamado método convencional de datação por 14C. Mas, para ser utilizado é preciso que o material a ser datado tenha uma massa de ao menos alguns gramas, e o tempo necessário para datação pode ser de muitos dias. No entanto, segundo Paulo Gomes, a técnica do AMS é uma alternativa mais recente e muito mais eficaz, e precisa ser utilizada com o auxílio de um acelerador de partículas, como o instalado na UFF. Neste caso, somente são necessárias miligramas do material a ser datado, o que os cientistas chamam de técnica não destrutiva, e os resultados saem em alguns minutos. Então, esclarece o professor, pode-se estudar e determinar idades de quantidades ínfimas de materiais, sem destruí-los. O exemplo mais famoso foi a datação do Manto Sagrado, o Santo Sudário (Turin Shroud), supostamente o manto que cobriu Jesus Cristo. O Vaticano liberou a retirada de miligramas do manto para ser estudado. Pela técnica convencional, relembra Paulo Gomes, seria preciso destruir um pedaço razoável do manto, o que seria muito complicado. O tempo determinado apontou que o tecido foi produzido na Idade Média, o que desapontou o pontifício. No exterior, o sistema de AMS da UFF faz trabalhos conjuntos com as universidades da Califórnia e de Oxford", relata o professor Paulo Roberto Silveira Gomes. De acordo com Paulo Gomes, além do Instituto de Física, interessados de outros cursos da instituição também vem utilizando as novas instalações do AMS na realização de pesquisas, como por exemplo, alunos e professores do Departamento de Geoquímica, do curso de Biologia Marinha, e do Laboratório de Geologia Marinha (Lagemar), ligado ao Instituto de Geociências. As equipes de pesquisa da UFF que utilizam o novo laboratório fazem diversas datações de sítios arqueológicos, de materiais ligados a incêndios na Amazônia, deslocamentos de glaciares da Antártica, sedimentação de solos e da plataforma continental. São inúmeras as aplicações das determinações de idade por 14C, principalmente se forem feitas pelo método 14C-AMS. Pesquisadores de todo Brasil e de outros países já estão usufruindo da infraestrutura do novo laboratório de espectrometria. Do estado do Rio de Janeiro, já utilizam a tecnologia do laboratório, a UERJ, UFRJ e Museu Nacional. De São Paulo, o Instituto de Física recebe pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) e da USP de Piracicaba. Do sul do Brasil, o LAMS recebe técnicos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), de Santa Maria (UFSM), Federal do Rio Grande (FURG) e Universidade Estadual de Londrina (UEL). Técnicos da Petrobras, do Instituto Tecnológico Vale e da Braskem, além das indústrias de plástico e combustíveis, também contam com a nova infraestrutura do LAMS. “ No exterior, o sistema de AMS da UFF faz trabalhos conjuntos com as universidades da Califórnia e de Oxford. E estamos auxiliando na implantação de um laboratório com a mesma tecnologia na Universidade de Akdeniz, na Turquia”, enfatizou o professor. Em 2014, durante uma conferência de física nuclear na Universidade Akdeniz, em Antalya, Turquia, o professor Paulo Gomes foi informado do desejo de se ter uma equipe de pesquisadores, cientistas e técnicos turcos que queriam começar a trabalhar em datações com 14C com a técnica convencional. Para eles, a compra de um acelerador que permitisse o uso da técnica do 14C-AMS era inviável financeiramente. O professor então explicou que “aquela técnica era ultrapassada e que o acelerador mais moderno existente para datações com o elemento não era tão caro”. Segundo o coordenador do AMS, após o esclarecimento, os pesquisadores turcos resolveram investir na compra de um acelerador igual ao instalado no Instituto de Física e, desde então, ele presta consultoria à universidade turca, no que diz respeito, por exemplo, a modelos de equipamentos e ao preparo de amostras para datação. A UFF, brevemente, realizará curso de capacitação para pesquisadores e técnicos da universidade da Turquia. Até que os pesquisadores turcos dominem a técnica, as amostras de suas pesquisas serão enviadas para a datação ao laboratório de Espectrometria da UFF. Em junho, o pesquisador Paulo Roberto Silveira Gomes retornará à universidade de Akdeniz para proferir palestras sobre a utilização da nova técnica de datação.
Professora da UFF defende política de cotas do Brasil em HarvardA política de cotas nas universidades públicas brasileiras é o tema da tese de doutorado da professora Teresa Olinda Caminha Bezerra, da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da UFF. A pesquisa realizada nos anos 2005 e 2006 já resultou em diversos artigos e num convite para a palestra na 2ª edição do Brazil Conference 2016. Recentemente, sua tese, com o título “A Política de Cotas em Universidades e Inclusão Social: Desempenho de Alunos Cotistas e sua Aceitação no Grupo Acadêmico” foi apresentada no painel “História e avaliação de impacto de ações afirmativas na democratização do ensino superior brasileiro”, que ocorreu no último dia 22 de abril, na Universidade de Harvard. O evento se estendeu até o dia seguinte, no Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Boston, Estados Unidos. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), uma das pioneiras do Brasil a implantar a política de cotas para acesso ao Ensino Superior, foi a universidade escolhida para campo de pesquisa, tanto na sua sede no Rio de Janeiro quanto na regional da Faculdade de Formação de Professores (FFP), em São Gonçalo.  Foram entrevistados 740 estudantes de várias áreas, e mais de 10% desse total – 126 alunos responderam ao questionário. Desses, 23 eram alunos de Administração, 37 de Direito, nove de Engenharia Química, 11 de Medicina, 20 de Odontologia e 26 de Pedagogia. A política de cotas é um fato inédito e inovador na história brasileira de reconhecimento das desigualdades", afirma a professora Teresa Olinda Caminha Bezerra. Para a pesquisa quantitativa, os dados foram obtidos junto aos arquivos acadêmicos da UERJ. A professora buscou informações sobre o desempenho, rendimento, formandos e evasão mapeando alunos das áreas de Educação, Administração, Medicina, Odontologia, Direito, Engenharia Química e Pedagogia. A política de cotas raciais foi implantada pela primeira vez nos Estados Unidos, afirma a professora Teresa, que menciona o cientista político e dissidente cubano Charles George Moore Wedderburn: “Os EUA figuram como o primeiro país a programar ações includentes, em função da pressão exercida pelos negros norte-americanos na luta por seus direitos civis. Uniram-se a esta causa os negros, índios, mulheres, idosos, deficientes físicos, homossexuais e transexuais, como também, os imigrantes do Terceiro Mundo – os latino-americanos e asiáticos”. Acrescenta que o movimento negro americano expandiu sua luta a todos os países do Primeiro Mundo, impulsionou o movimento feminista europeu nos anos 70. O interesse despertado pela inclusão social ampliou seu entendimento sobre a importância da educação em um país marcado por grandes diferenças políticas, econômicas e sociais: “A educação é a mola mestra para conduzir nossa sociedade a uma condição de maior justiça social, e por consequência, reduzir suas desigualdades sociais”, conclui Tereza. Na entrevista abaixo, a especialista aprofunda o debate sobre a política de cotas no Brasil. Seu trabalho abre uma nova visão sobre a política de cotas? Teresa Caminha: A Brazil Conference visou elevar a agenda brasileira em Harvard, no MIT e na comunidade internacional, estimulando referências globais em diversas áreas do conhecimento a debaterem desafios comuns ao Brasil e ao restante do mundo. Quanto à nova visão, ela trouxe resultados positivos sobre o desempenho dos alunos cotistas em diferentes cursos, das áreas social e humana, bem como da tecnológica, saúde, engenharia, medicina e odontologia. A pesquisa aponta para uma evolução dos alunos cotistas? Teresa Caminha: Trata-se de uma pesquisa cujo tema já fora abordado em diversos estudos, sem que, no entanto, tenha sido estudado com as características atualmente propostas: contemplar não só o desempenho, como também a aceitação acadêmica nos grupos envolvidos na pesquisa. Assim, o presente trabalho vai além da análise dos elementos quantitativos, abrangendo, igualmente, uma análise socioambiental, de aceitação do aluno cotista na comunidade acadêmica. Além disso, eu parti de suas notas no vestibular, até seus últimos anos de graduação. A pesquisa na UERJ me ajudou a analisar diferentes assuntos, dentre os quais o acolhimento estudantil. O resultado surpreendeu a todos que supunham haver conflitos entre cotistas e não cotistas. Na verdade, muitos chegam do ensino médio público bastante fracos no aspecto intelectual, mas os colegas de sala mais preparados, em alguns casos oriundos de escolas privadas, auxiliados por professores engajados, tratam de reverter a situação, colaborando na diminuição de suas dificuldades. No Brasil, o sistema de cotas raciais, sociais e para outras minorias pode ser considerado um avanço? Teresa Caminha: Em um país tão desigual como o Brasil, a necessidade de adoção de políticas públicas direcionadas à promoção da igualdade, oferecendo compensações para os grupos discriminados e excluídos no passado, torna-se vital para o estabelecimento de condições de competição verdadeiramente igualitárias. Daí se extrai, segundo o ensinamento de Rawls (filósofo americano John Bordley Rawls, falecido em 2002), que todas as pessoas com habilidades, talentos e disposições similares devem ter as mesmas oportunidades, relativamente à educação, cultura, esportes, dentre outras, para que possam fazer jus às mesmas realizações profissionais, independentemente de sua classe social. Quando podemos dizer que existe inclusão? Teresa Caminha: Entende-se que a inclusão ocorre, efetivamente, quando todos participam de um mesmo grupo, com total receptividade, respeito mútuo e obtendo oportunidades iguais na vida, e que, somente através da igualdade de condições sociais e econômicas e de oportunidades de vida para todos, chegar-se-á à formação de uma sociedade realmente próspera, em que o respeito permeará os atos e as decisões de todos os seus cidadãos. Para tal, enquanto a igualdade no que toca à oportunidade não se fizer presente, de direito e de fato, no Estado brasileiro, a política de cotas constituir-se-á em um caminho includente, minorando esta distorção, a fim de que não se desperdicem tantos talentos, até que se façam investimentos maciços na educação de base, de maneira a formar cidadãos, por direito e não por concessão. Há outros países que praticam a política de cotas? Teresa Caminha: Munanga (antropólogo e professor congolês naturalizado brasileiro, Kabengele Munanga) afirma que as políticas de ação afirmativa são recentes na história da ideologia antirracista. Comenta, também, que, nos Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Índia, Alemanha, Austrália, Nova Zelândia e Malásia foram estabelecidas com o objetivo de proporcionar aos grupos discriminados e excluídos um tratamento diferenciado, como medida compensatória das desvantagens resultantes do racismo. Qual o significado dessa iniciativa para o país, em especial para os estudantes negros, índios e pobres, oriundos das escolas públicas? Teresa Caminha: A política de cotas é um fato inédito e inovador na história brasileira de reconhecimento das desigualdades. Mesmo que os cotistas não cheguem a ocupar postos de prestígio e poder, podem começar a influenciar os membros das elites estatais a pensarem em mudanças nas políticas públicas brasileiras. Os dois segmentos, ao conviverem no mesmo grupo, tendem a gerar um ambiente universitário mais criativo e mais solidário. A Política de Cotas na UFF Com a implantação da Política de Assistência Estudantil (PAS), em 2007, e com o Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), em 2008, que estabelecia a concessão de Bolsas Alimentação, Apoio Emergencial, Treinamento, Creche, Moradia e Restaurante Universitário aos alunos, a UFF dava sinais claros que pretendia ampliar o número de estudantes beneficiados pelos seus programas sociais: de 10% em 2009 a 50% em 2016. E isso ocorreu a partir da publicação da Lei 12.711, de 29 de agosto de 2012, a “Lei das Cotas”, regulamentada pelo decreto 7.824, de 11 de outubro de 2012. O objetivo era democratizar o acesso ao ensino superior. Com a aprovação da lei, que alterou a forma de ingresso nos cursos superiores dos institutos federais de ensino, ficou garantida a reserva de 50% das matrículas, por curso e turno, nas 59 universidades federais, a alunos oriundos, integralmente, do ensino médio público. Os demais 50% das vagas ainda permanecem destinados à ampla concorrência. O critério de seleção ainda é feito de acordo com o resultado dos estudantes no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). De acordo com dados da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes), o sistema de cotas na UFF dividiu o número de vagas da seguinte forma: 50% permanecem para ampla concorrência e 50% para estudantes com renda familiar bruta igual ou inferior a 1/5 do salário-mínimo por membro familiar, o que representa atualmente R$ 1.320,00. E ainda: a proporção de vagas foi reservada de acordo com os dados referentes à raça (preto, pardo ou indígena) do último censo demográfico divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010; porém, os candidatos desses três grupos vêm disputando entre si um número de vagas equivalente à soma das três populações. Há, ainda, as vagas reservadas para estudantes que tenham cursado, integralmente, o ensino médio em escolas públicas: 50%, no mínimo, das vagas são reservadas para estudantes que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas, inclusive nas escolas de educação profissional técnica.
UFF realiza décimo "Sabadão do Leão"O "Sabadão do Leão" existe há uma década e nesse período já foram atendidos gratuitamente mais de mil contribuintes. A cada edição são mobilizados cerca de 30 alunos de graduação da UFF, totalizando, ao longo desses anos, mais de 300 estudantes, envolvidos em treinamentos, palestras e no próprio evento. Segundo o coordenador da atividade, professor José Geraldo Abunahman, a importância da ação está no fato da sociedade poder ver de perto a qualidade da formação desses alunos ao assumirem um compromisso social de tamanha relevância. O projeto acadêmico é realizado, de forma voluntária, por alunos do curso de Ciências Contábeis, que recebem treinamento supervisionado. Este ano a orientação será do professor Marcelo Adriano Silva, especialista na área de contabilidade e tributação. A iniciativa tem como objetivo atender, a custo zero, uma parcela da comunidade, que apresenta restrições de ordem técnica e material no preenchimento e envio da Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). O atendimento é realizado no Laboratório de Informática da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis e o contribuinte recebe, após o envio, uma cópia em papel da sua declaração. A relação de confiança, estabelecida com a comunidade, estimula a produção acadêmica...", José Geraldo A atividade é oferecida, anualmente, pela coordenação do MBA em Gestão Empresarial, em Tributação e Contabilidade e será realizada em duas etapas, nos dias 19 de março e 16 de abril, das 9h às 15h, no Campus do Valonguinho, Centro, Niterói. Segundo Abunahman, a propaganda é feita informalmente no âmbito da faculdade, com o intuito de atingir não só os alunos como também seus familiares e a comunidade externa. Os participantes, principalmente os mais velhos, que já foram beneficiados pelo projeto sempre retornam no ano seguinte. Já os alunos voluntários, que prestam esclarecimentos ao público, são os que estão inscritos na disciplina de Contabilidade Tributária. Portanto, há uma renovação anual dos estudantes. Com isso, acrescenta o professor, a cadeia de conhecimento do assunto se amplia com novos alunos orientadores e contribuintes assíduos e novatos. Para o coordenador, ao direcionar recursos humanos e materiais de forma eficiente na busca de saídas técnicas, a UFF contribui para a solução de problemas complexos, enfrentados por cidadãos que não possuem recursos tecnológicos e financeiros adequados para lidar com as questões tributárias desse tipo. "A relação de confiança, estabelecida com a comunidade, estimula a produção acadêmica e o desenvolvimento de técnicos, alunos e professores da universidade", destaca o professor José Geraldo.
UFF é centro de referência nacional no tratamento de síndromes decorrentes do Zika vírusO Hospital Universitário Antonio Pedro (Huap), por meio da Unidade de Neurologia, Neurociência e Pesquisa Clínica da Faculdade de Medicina da UFF e a Unidade de Neurologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em Ribeirão Preto, são os dois únicos locais no Brasil que se tornaram referência nacional no atendimento e tratamento de neuropatias periféricas graves e de Síndrome de Guillian-Barré.  De acordo com o neurologista e professor da UFF, Osvaldo Nascimento, esses danos interferem no sistema nervoso periférico, que são responsáveis por transmitir impulsos do sistema nervoso central para o resto do corpo. Os primeiros casos da doença surgiram no final do ano passado, junto com o aumento incomum de casos de bebês com microcefalia em regiões do Nordeste. Até o momento 12 pessoas com Síndrome de Guillian-Barré foram internadas e submetidas ao tratamento no Huap, apenas uma delas ainda permanece no CTI, afirma o especialista. Os dois centros – Niterói e Ribeirão Preto – formam uma rede de neurologistas e pesquisadores, que até o dia desta entrevista, já havia notificado e atendido mais de 40 pacientes de várias regiões do país. A rede é formada por 18 profissionais entre técnicos de imagem, neurologistas e pesquisadores que, segundo o professor Nascimento, vem buscando aprimorar o diagnóstico, orientados pela classificação internacional da Síndrome de Guillian-Barré,  com o principal objetivo de evitar possíveis erros. Hoje, são mais de 30 condições e sintomas semelhantes aos da síndrome. Os casos de microcefalia, no Rio e na cidade do Recife, em Pernambuco, chamam a atenção das autoridades, mas a quantidade de bebês com microcefalia nos Estados Unidos é muito maior", Osvaldo Nascimento Um exemplo disso é o caso de Leonardo Pizutti, químico, de 23 anos, que ficou internado por nove dias no Huap, sob os cuidados do médico Osvaldo Nascimento e sua equipe, formada pelas médicas Ana Carolina Andorinha, Pâmela Passos e outros residentes.  Depois do carnaval, ele procurou uma UPA quando começou a sentir os sintomas da Síndrome de Miller-Fisher, uma das variantes mais frequentes da Síndrome de Guillain-Barré. Na ocasião, ele apresentava tonteira, visão turva e dificuldade de locomoção. Na entrevista a seguir, o professor Osvaldo Nascimento dá mais detalhes sobre a infecção por Zika, Síndrome de Guillian-Barré e pede à população que evite as falsas notícias e o alarmismo. - De que forma a parceria entre a UFF e o poder público municipal podem orientar as gestantes durante o surto de Zika no Rio de Janeiro e o que elas devem fazer para se prevenir? Osvaldo Nascimento: É mais fácil a gente fazer ciência do que entender os políticos. A imprensa vem divulgando nosso trabalho diariamente, desde o surgimento dos primeiros casos da Síndrome de Guillian-Barré associados à “zikavirose”, mas, por incrível que pareça, nenhum secretário dos municípios da Região Metropolitana do Grande Rio me procurou para obter mais detalhes e outras informações sobre o tratamento dessas doenças, com exceção do secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, o médico sanitarista, professor e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, Daniel Soranz. - Quantas doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti a população está enfrentando? Osvaldo Nascimento: boa parte do território brasileiro é endêmica em febre amarela e dengue. E agora temos a febre Chikungunia e a Zika. Todos esses vírus são transmitidos pelo Aedes aegypti. Nos Estados Unidos, a Febre do Oeste do Nilo, que causa encefalite (inflamação do cérebro), afeta o sistema imunológico e acaba deflagrando sintomas associados à Síndrome de Guillain-Barré, que, por sua vez, afetam a nuca, o cérebro e a medula do paciente. Todas essas doenças tem o mesmo vetor em comum. No caso da Zika, pelo fato de originar uma reação muito grande do sistema imunológico, acaba afetando o sistema nervoso central. A saída é não ter o mosquito. O cientista Oswaldo Cruz mobilizou o Poder Público e a população e conseguiu eliminar o Aedes aegypti há 100 anos. Mas, ao longo desses anos, o homem desrespeitou a ecologia, sujou a natureza e agrediu o meio ambiente com pesticidas.   - A diminuição do diâmetro da cabeça e do cérebro do bebê (microcefalia) afeta diretamente o desenvolvimento da criança em quais aspectos? Osvaldo Nascimento: essas relações ainda não estão bem definidas. Os casos de microcefalia, no Rio e na cidade do Recife, em Pernambuco, chamam a atenção das autoridades, mas a quantidade de bebês com microcefalia nos Estados Unidos é muito maior.  Talvez, o nosso maior problema seja a subnotificação. Médicos mal treinados e a falta da obrigatoriedade da notificação podem subestimar o real número de casos, que podem estar sendo causados pelo vírus da Zika, mas ainda não se tem uma prova contundente que diga que a Síndrome de Guillain-Barré esteja associada ao vírus da Zika. - Qual o percentual de brasileiros contaminados com o Zika vírus atualmente? Osvaldo Nascimento: No Brasil, nos meses de janeiro e fevereiro, para cada grupo de 100 mil habitantes, quatro a cinco indivíduos, em fase produtiva, apresentavam sintomas de infecção por Zika vírus. Para os pesquisadores da UFF, o número era expressivo naquele momento. Mas, com a proximidade do fim do verão e o consequente declínio das temperaturas, provavelmente o número de casos notificados tenda a baixar. - A mãe ou o bebê, depois de recuperados da Zika, poderão desenvolver a síndrome de Guillain-Barré? Os estudos estão em curso, mas ainda não podemos comprovar que isso possa ocorrer. O que sabemos é que o cérebro não cresce. A microcefalia inibe o desenvolvimento natural do encéfalo durante a gestação. Há também um parasitismo das células nervosas, que não se desenvolvem. E o cérebro não crescendo vai interferir no raciocínio, movimentos, e assim por diante, gerando um ser que terá sérias limitações sociais. - Quais os sintomas da síndrome de Guillain-Barré e quais problemas neurológicos futuros que um paciente pode desenvolver depois de recuperado desta doença? Osvaldo Nascimento: a Síndrome de Guillian-Barré (SGB) foi descrita há 100 anos, por três médicos parisienses: Georges Guillain, Jean Alexandre Barré e André Strohl, que descobriram uma anormalidade no liquor dos pacientes que tinham a doença. Desde então, a enfermidade é caracterizada por uma fraqueza ascendente. Os sintomas começam pelos pés, sobem para as pernas, coxas, musculatura da face, e por fim paralisam a face e nos casos graves o sistema respiratório. No entanto, 80% dos pacientes reagem bem, 20% apresentam outras complicações, sendo que destes, 5% necessitam de maiores cuidados no estágio grave da doença. - O que está sendo feito para reverter este quadro? Osvaldo Nascimento: para reverter este quadro e estudar os mecanismos originários da SGB, mobilizamos neurologistas, biomédicos e pesquisadores da UFF, Fundação Oswaldo Cruz e UFRJ, para que possamos fazer um levantamento pormenorizado de cada paciente. Queremos saber quem tem o organismo predisposto a desenvolver a síndrome, após ter enfrentado a Zika. A boa notícia é que já isolamos o RNA Viral, que irá permitir desenvolver o antiviral e a vacina, evitando que novos casos aconteçam. - Que objetivos e benefícios a campanha de combate ao Aedes aegypti trará para a UFF e para a sociedade? Osvaldo Nascimento: Eu quero ação! A parceria entre o Poder Público e a UFF é de extrema importância, mas, como afirmei, os nossos profissionais não estão sendo procurados. Precisamos aumentar a oferta de leitos, promover concurso de novos profissionais, verba para comprar medicamentos e a imunoglobulina (substância utilizada no tratamento), além de melhorar o diagnóstico, e em curto prazo, produzir uma cartilha para orientação e capacitação da equipe médica e de todos os profissionais de saúde envolvidos nas ações de prevenção e tratamento. - Que mensagem o senhor deixa para a população: (assista no vídeo o esclarecimento do especialista a toda  a população) Osvaldo Nascimento: estamos em estado de atenção, não de alarme. A síndrome é rara, mas tem na maioria dos casos uma evolução favorável.  A sociedade e o Poder Público precisam se organizar para que tenhamos uma estrutura eficaz de atendimento, mas vale ressaltar: nem tudo é Zika, nem tudo é Síndrome de Guillain-Barré. 
Especialista em Saúde Pública da UFF chama atenção para ações conjuntas no combate ao Aedes A situação atual do país é muito grave em relação às viroses transmitidas por insetos (arboviroses). O alerta é do professor Flávio Moutinho, do departamento de Saúde Coletiva Veterinária e Saúde Pública da Faculdade de Veterinária da UFF. Com um vasto conhecimento dos problemas relacionados às zoonoses, o especialista utiliza a epidemiologia como ferramenta de investigação imprescindível ao controle da dengue, zika e da febre Chikungunya. Moutinho participa também das ações de controle do mosquito Aedes aegypti, na campanha que a universidade promove junto à Prefeitura de Niterói. A parceria visa orientar a comunidade acadêmica e transformá-la em multiplicadores das informações que chegarão naturalmente à população, em especial às gestantes, durante a epidemia de dengue e zika que aflige a região metropolitana do Grande Rio. Segundo o especialista, nesse contexto, as atividades multissetoriais são essenciais, pois somente uma ação conjunta e integrada proporcionará a cooperação necessária para o enfrentamento dessas enfermidades. Assim sendo, “a parceria da UFF com o poder público pode ser de grande valia na sensibilização da população em geral e, em especial, das gestantes”. A seguir o professor Flávio Moutinho esclarece algumas questões fundamentais sobre as ações de controle ao Aedes aegypti. Além do "Fumacê" e dos larvicidas, a educação e informação são armas eficazes no combate ao vetor, mas por que não vencemos de uma vez por todas a batalha contra o “Aedes aegypti”? Flávio Moutinho: A questão do combate ao “Aedes” é muito complexa, e todas as ferramentas devem ser utilizadas para o controle dos mosquitos, cada uma desenvolvendo sua função. Na minha visão, o principal item nesse controle não é o larvicida e nem o “Fumacê”. O principal objetivo deve ser sempre evitar o acúmulo de água que permita que as fêmeas do mosquito coloquem seus ovos e perpetuem o ciclo biológico do inseto. E para isso é fundamental a educação em saúde e a informação adequada. De que forma a educação da população pode contribuir no combate ao inseto? Flávio Moutinho: A simples transmissão da informação teórica para a população não resolve o problema. A população tem que, de posse daquela informação, perceber aquilo como prioritário e mudar seus hábitos no intuito de não facilitar a vida do mosquito. Ao mesmo tempo, não podemos culpar somente o paciente, jogando toda a responsabilidade do controle sobre a população. Qual o papel do Poder Público na guerra contra o mosquito? Flávio Moutinho: Há necessidade de ações contundentes de saneamento por parte do Poder Público em todas as suas esferas, envolvendo especialmente a questão do fornecimento de água e da coleta e destinação adequada dos resíduos sólidos (lixo). Ainda que boa parte dos focos seja encontrada no interior das residências, há a questão dos macrofocos, que são capazes de ininterruptamente fornecer condições para que o ciclo do mosquito se complete. O uso de larvicida deve se dar com parcimônia, quando há impossibilidade de eliminar aquele acúmulo de água. Se voltarmos o foco para a prevenção, a rede de saúde vai ser menos impactada e pressionada." - Flávio Moutinho  Qualquer pessoa pode usar o carro “Fumacê”? Flávio Moutinho: Não! O uso do "Fumacê" deve se dar somente com base estritamente técnica e com muita responsabilidade, pois além de atuar somente sobre a fase de vida alada do mosquito (adulto), ainda pode afetar muitas outras espécies de animais onde for utilizado, matando principalmente os predadores naturais do mosquito, como pequenos pássaros, outros insetos e causando danos significativos no meio-ambiente. As redes pública e privada de saúde estão realmente preparadas para atender essas diferentes doenças? Flávio Moutinho: Apesar de não ser profundo conhecedor das redes de saúde acredito que, sem dúvida, há deficiências, especialmente pela alta procura em relação à capacidade instalada em tempos de epidemia. Além disso, a zikavirose é um desafio maior e mais recente. Ainda precisamos de muitos estudos para conhecer melhor seus impactos sobre a saúde humana. Mas se voltarmos o foco para a prevenção, a rede de saúde vai ser menos impactada e pressionada, reduzindo esse problema. O objetivo primaz deve ser sempre evitar o adoecimento. Os alunos da Veterinária da UFF recebem orientações frequentes sobre essas doenças? Flávio Moutinho: Na Faculdade de Veterinária as arboviroses são abordadas direta ou indiretamente em, pelo menos, três disciplinas ao longo do curso. Além disso, os alunos têm à disposição como disciplina não obrigatória, uma que aborda a questão da educação em saúde e que pode ser muito útil na formação dos futuros veterinários que atuarão no controle dessas e de outras enfermidades. Que benefícios a campanha trará para a UFF e para a sociedade? Flávio Moutinho: A campanha poderá sensibilizar a população para a responsabilidade de todos no combate às arboviroses, especialmente municiando a sociedade com informação de qualidade. Deve-se atentar para a necessidade e a importância de divulgação de informações com base técnica, já que com o advento das redes sociais, apesar da facilitação do processo de comunicação entre as pessoas, estreitando tempo e espaço, muita informação de baixa qualidade ou equivocada vem sendo divulgada e compartilhada, o que, na minha visão, é um grande perigo para a saúde coletiva.
UFF promove Encontro da Rede de Divulgação CientíficaA programação comemorativa dos 55 anos da UFF teve início nesta segunda-feira, 14 de dezembro, às 9h, com a realização do 1º Encontro da Rede UFF de Divulgação Científica. A comissão organizadora, formada pelos professores Daisy Maria Luz, Erica Cristina Nogueira, Luiz Mors Cabral, Lucianne Fragel, Carlos Roberto Alves Augusto, Cary Cassiano Cavalcanti Filho e Wanda da Conceição de Oliveira, participou do evento que foi promovido no Campus da Praia Vermelha, auditório do Instituto de Física, 2º andar da Torre Nova, São Domingos, Niterói. O objetivo principal é promover o encontro dos diversos grupos da universidade, que atuam na área da popularização do conhecimento científico. A formação de uma rede, como consequência do evento, explica a coordenadora da Casa da Descoberta, Daisy Maria Luz, “manterá a independência de cada um dos projetos e irá possibilitar a realização de ações interdisciplinares voltadas para o público em geral”. Segundo Daisy, a Casa da Descoberta, vinculada à Pró-Reitoria de Extensão (Proex), vinha buscando estabelecer parcerias a fim de formar uma rede de divulgação científica, fato que levou uma equipe de professores a manter contato com coordenadores de projetos do CNPq e da Faperj, o que possibilitou a organização do seminário. Se você trabalha ou conhece um colega que atua na área de divulgação científica, entre em contato com a Casa da Descoberta pelo e-mail descubra@if.uff.br”, orientou a professora. Dentre as instituições parceiras e patrocinadoras dos trabalhos, destacam-se o MEC, CNPq, Proex e a própria UFF. Os interessados poderão se inscrever ou obter outras informações pelos telefones 2629-5826, 2629-5874 e 2629-5875 ou pelo e-mail divulgacaocientificauff@gmail.com. As vagas são limitadas. Quem somos? O primeiro encontro da Rede UFF de Divulgação Científica terá como tema central “Quem Somos?” Na programação, além de seis palestras, haverá uma exposição de pôsteres e apresentação de oficinas, jogos e experimentos interativos. Programação 9h às 9h30 – Mesa de abertura 9h30h às 10h – Palestra: A Formação da Rede UFF de DC 10h às 10h30 – Palestra: A Rede de Museus da UFRJ 10h30 às 11h – Intervalo 11h às 12h30 – Palestra: A Divulgação Científica e as Escolas 12h30 às 14h – Almoço 14h às 15h – Palestra: A Divulgação Científica e os Centros de Ciência 15h às 15h40 – Palestra: A Divulgação Científica e os Grupos PET 15h10 às 16h10 – Intervalo 16h10 às 17h10 – Palestra: A Divulgação Científica e as Mídias 17h10 às 17h30 – Encerramento
Exame da OAB: Direito da UFF de Volta Redonda é o primeiro do estadoO curso da Faculdade de Direito da UFF, sediado no Campus de Volta Redonda, foi a primeira do Estado do Rio de Janeiro, e o terceiro do Brasil, ficando atrás somente da USP de Ribeirão Preto e da Unesp de Franca, em São Paulo, no ranking do 17º Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Foram 37 alunos inscritos e 33 aprovados, o que gerou o percentual de 89,19%. Segundo o professor Marcus Wagner de Seixas, a divulgação do resultado, além de motivar e estimular estudantes, professores e técnicos, marca uma importante conquista para a universidade. O curso de Niterói ficou em quinto lugar, com 82,64%. “Ano passado, tivemos a maior nota de corte dentre todos os cursos participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no Brasil, sendo o fato também destaque nacional”, enfatizou o professor. No Enem, que tem abrangência nacional, a relação candidato/vaga sempre foi alta, mesmo na época do vestibular, afirmou Marcus de Seixas. Outro fato que merece destaque é que hoje os alunos são oriundos de diversos estados, e não só do Rio, São Paulo e Minas Gerais. Atualmente, 45 alunos ingressam no curso por semestre, “o que representa um interesse de 90%”. Além disso, eles apontam como fatores preponderantes para escolha do curso a tradição da UFF e a segurança, pois a cidade está mais afastada da Região Metropolitana do Grande Rio. E, ainda, os projetos desenvolvidos pelos professores e as pesquisas prévias feitas pelos próprios alunos e amplamente divulgadas pelas redes sociais também são condições importantes na escolha do curso e da cidade. Cabe ressaltar também que os relatórios estatísticos da OAB só levam em consideração as instituições com no mínimo 30 alunos inscritos. “Ocorre que algumas instituições só têm um estudante inscrito”, explicou Seixas. “Logo, se esse único inscrito for aprovado, a instituição terá 100% de aproveitamento, portanto, tal critério é justamente para não mascarar esse resultado.” Marcus de Seixas ressalta também que o curso ainda não formou a primeira turma, pelo fato de ter iniciado em março de 2011. “Isso é possível”, esclareceu, “porque a OAB permite que os alunos no último ano da faculdade já possam prestar o exame, condicionando a entrega da carteira à colação do grau.” Marcus de Seixas também acredita que o êxito do curso seja uma soma de outros fatores, com destaque para turmas com no máximo 45 alunos por sala, permitindo um diálogo mais próximo com cada um individualmente; salas novas e bem equipadas, com areação natural e ar-condicionado, data show, etc. Além disso, a direção da unidade mantém uma boa estrutura para os professores. “Divido a sala com outros cinco colegas, mas cada um tem sua mesa com computador e ramal de telefone. Isso estimula a formulação e a dedicação aos projetos de pesquisa e extensão, permitindo fácil acesso dos estudantes aos professores e dedicação destes no ambiente de trabalho”, disse. Assistência estudantil Uma ampla rede de assistência estudantil foi criada a partir de projetos de ensino, pesquisa e extensão, que foram apresentados por professores, todos doutores ou em fase final de conclusão de seus doutorados. Segundo Marcus de Seixas, o trabalho recebeu apoio das monitorias, o que permitiu uma considerável captação de bolsas para os alunos. Levantamento realizado pela faculdade indicou que cerca de 40% dos alunos aprovados no exame da OAB receberam durante o curso ao menos uma bolsa. “Esse fato trouxe certamente uma maior tranquilidade para que eles se dedicassem exclusivamente aos estudos”, concluiu. Ranking nacional do exame da OAB 1 - USP de Ribeirão Preto, com 94,44% de aprovação (SP) 2 - Unesp de Franca, com 91,03% (SP) 3 - UFF de Volta Redonda, com 89,19% (RJ) 4 - UFPB de João Pessoa, com 85,37% (PB) 5 - UFF de Niterói, com 82,64% (RJ) 6 - UFRJ, com 80,51% (RJ) 7 - UFMT, com 80,36% (MT) 8 - UFPR, com 80,20%, (PR) 9 - USP, com 80,10% (SP) 10 - UFJF de Juiz de Fora, com 75,38% (MG)
Faculdade de Odontologia dispõe de microscópio de última geraçãoCom capacidade de trabalhar em alto e baixo vácuo e realizar análises do tipo EDS (energia dispersiva de raios-x), o Microscópio Eletrônico de Varredura (MEV) foi adquirido pelo Laboratório de Microscopia da Faculdade de Odontologia, do Polo de Nova Friburgo. O recurso, proveniente da Finep, no valor de R$850.000,00, foi investido na compra do equipamento e em obras de infra estrutura e montagem de novos aparelhos do laboratório.  O novo microscópio funcionará como equipamento multiusuário de alta tecnologia e poderá ser utilizado pelo Instituto Politécnico da UERJ, em Nova Friburgo e dará apoio a projetos de pesquisa da região serrana, fomentando o trabalho cientifico e tecnológico, e o desenvolvimento de inovações como materiais para a indústria de próteses e de engenharia. Esta é mais uma ação de consolidação acadêmica dos campi fora de sede", Antônio Cláudio Nóbrega. Segundo o responsável pelo laboratório, professor Marcos Barceleiro, o MEV é um aparelho de última geração que, além da capacidade de trabalhar em alto e baixo vácuo e realizar análises do tipo EDS (energia dispersiva de raios-x), permite análises de superfícies de diferentes estruturas como material biológico (dentes, próteses dentarias, etc.), madeira e concreto, por microanálise química por raios. O laboratório, informou Barceleiro, conta com dispositivos como metalizador, acessório de carbono e secador em ponto crítico, sendo o único laboratório de microscopia eletrônica instalado na região serrana do Estado do Rio de Janeiro. Ele atenderá a toda comunidade acadêmica do Campus de Nova Friburgo, em especial os cursos de Odontologia, Biomedicina e Fonoaudiologia, tanto na graduação quanto na pós-graduação. Servirá também a pesquisadores de outros centros da região serrana, como professores e alunos do campus da UERJ, sediado em Nova Friburgo. O aporte financeiro para aquisição do microscópio se deu  por meio de um projeto institucional, coordenado pela Pró-reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação (Proppi - UFF) há cerca de 5 anos. O processo de aquisição e instalação dependeu de diversos acordos institucionais que envolveram desde o aperfeiçoamento da gestão dos projetos da Finep para aquisição de grandes equipamentos até um extenso processo de importação e a execução de uma obra de modernização e ampliação da carga elétrica de todo o campus de Nova Friburgo. Segundo o vice-reitor, professor Antônio Cláudio Lucas da Nóbrega, esta é mais uma ação de consolidação acadêmica dos campi fora de sede. A esta se somam outras reformas e ações acadêmicas como a construção do projeto do mestrado nesse campus, aprovado recentemente pela CAPES, e do edital de apoio acadêmico específico para os campi fora de sede. A inauguração do novo laboratório ocorreu em setembro e contou com a participação do reitor, Sidney Mello, vice-reitor, Antônio Carlos da Nóbrega, pró-reitora da PROPPI, Ana Paula Mendes de Miranda, diretor e vice-diretora do PUNF, respectivamente, professores Amauri Favieri e Fernanda Volpe, o coordenador de pós-graduação do campus e responsável pelo laboratório, professor Marcos Barceleiro, bem como o professor Vinícius D'Avila Bittencourt, responsável pelo laboratório multiusuário, o professor Cresus Vinícius, assessor do Reitor, além de alunos, professores e outras autoridades locais.
Laboratório Horto-Viveiro: 20 anos de preservação e sustentabilidadeO Laboratório Horto-viveiro (LAHVI), do Instituto de Biologia da UFF, criado por meio de um projeto lançado em 7 de junho de 1995, comemorou 20 anos durante a Semana do Meio Ambiente. A programação contou com palestras, trilhas ecológicas para alunos da escola municipal Anísio Teixeira, debate aberto ao público e desenvolvimento de projetos integrados, como o “Interações”, voltado para a educação; “O Olhar do Artista sobre o Meio Ambiente”, que reúne pinturas e esculturas, e o de “Recuperação de Áreas Degradadas e de Preservação Permanente no Morro do Gragoatá”, que recebeu apoio de R$ 700 mil do Ministério do Meio Ambiente. Segundo a bióloga e coordenadora do LAHVI, professora Janie Garcia da Silva, o laboratório oferece infraestrutura de ensino, pesquisa e extensão em botânica aplicada para o departamento de Biologia Geral e a diversos cursos oferecidos pela universidade, como arquitetura, geografia, engenharia agrícola, veterinária, além de mestrado em Ciência Ambiental. O laboratório atua também em projetos de conscientização ambiental dirigidos a alunos de escolas públicas e privadas dos ensinos fundamental e médio, como também em eventos culturais diversos, sempre buscando ressaltar a importância da preservação da natureza. O trabalho conta a participação de alunos bolsistas dos cursos de pedagogia, engenharia agrícola, produção cultural, estudos de mídia e engenharia do petróleo, entre outros. O adubo e as mudas produzidas no LAHVI são utilizados na recuperação de áreas degradadas como, por exemplo, o Morro do Gragoatá, que foi alvo de grande devastação nos anos 1970 e 1980." Janie Garcia O LAHVI, que ocupa um terreno com cerca de mil metros quadrados no Campus do Gragoatá, na Avenida Litorânea, em Niterói, surgiu do projeto "Implantação de um Horto-viveiro na UFF", formando um jardim botânico, com o plantio de árvores nobres da Mata Atlântica: pitanga, cássia, sapucaia, ingá, pau-pombo, vinhático, angico, canela, jenipapo, pau-de-viola, cedro, pau-ferro, entre outras espécies. “Oferecemos espaço acadêmico para as atividades de ensino, pesquisa e extensão. A implantação durou dois anos e foi realizada em parceria com a Federação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e a Empresa Municipal de Urbanismo, Moradia e Saneamento (Emusa) da Prefeitura de Niterói, durante a gestão do reitor Pedro Antunes”, informou Janie. Produção e sustentabilidade O LAHVI produz mudas para reflorestamento e compostos orgânicos a partir de resíduos coletados pelas equipes de limpeza nos campi da UFF, em Niterói. Por meio de ações sustentáveis, o material é descartado em “leiras de compostagem”, onde o lixo orgânico urbano é colocado em fileiras ou valas de até um metro de largura por cinco metros de comprimento. A partir daí ocorre a decomposição da matéria orgânica por processo aeróbio, por meio do revolvimento periódico da massa de compostagem. Depois de sofrer a ação do tempo e de microorganismos, o material se transforma em adubo natural, onde não há uso de agrotóxicos. Segundo a coordenadora Janie, o adubo e as mudas produzidas no LAHVI são utilizados na recuperação de áreas degradas como, por exemplo, o Morro do Gragoatá, que foi alvo de grande devastação nos anos 1970 e 1980. Monta Carga Nos próximos dias terão início as obras de construção de um “Monta Carga”, um teleférico com capacidade para transportar até 150 quilos, que será utilizado para levar material, adubo e mudas até o topo do Morro do Gragoatá, que vem sendo reflorestado. Os trabalhos são acompanhados pelo engenheiro civil, James Hall.
UFF implantará sistema de gestão eletrônica de documentos com assinatura digitalA Superintendência de Tecnologia da Informação (STI) está implantando o Sistema de Gestão Eletrônica de Documentos (Sigadoc), tecnologia que permite dar garantia de integridade e autenticidade a arquivos eletrônicos dentro e fora da universidade. A iniciativa é um conjunto de operações criptográficas aplicadas a um determinado arquivo, tendo como resultado o que se convencionou chamar de assinatura digital.  O documento assinado será identificado por um código de barras, um QR Code e uma frase no rodapé informando que é válido. Segundo o analista de TI e diretor da Coordenação de Desenvolvimento de Sistemas da STI, Thiago de Souza Diogo, o Sigadoc teve início em 2013, após contato com a professora de Direito da UFF e juíza federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro Helena Elias Pinto, que acompanhou o desenvolvimento do sistema e depois o disponibilizou em código livre para a UFF. Na universidade, informa Diogo, o trabalho de customização do sistema e de emissão de certificados digitais começou a ser colocado em prática com a implantação da Carteirinha UFF, que passou a ser utilizada como chave de criptografia e identificação de documentos por alunos, professores e técnico-administrativos. As equipes que participaram da customização e implantação do Sigadoc foram financiadas pelo Programa de Desenvolvimento Institucional da UFF, em 2014. Como projeto de destaque, o sistema custou R$ 420 mil e contou com a parceria da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), na emissão dos certificados, e com a Seção Judiciária do Rio de Janeiro (SJRJ). Para Thiago Diogo, dentre os benefícios que o Sigadoc trará para a universidade, destacam-se a redução de custos com a minimização do uso de papel na impressão de documentos, a agilidade na tramitação de documentos e processos, a facilidade da comunicação interna, que será beneficiada com a simplificação do envio e recepção de documentos, bem como sua padronização, pois todos serão emitidos pelo sistema utilizarão o mesmo modelo. O Sigadoc será um marco para a gestão mais eficiente da universidade, tornando mais simples e efetiva a comunicação da UFF. - Thiago Diogo. A segurança também está garantida. Segundo o diretor, a Carteirinha UFF é um cartão inteligente (SmartCard), “capaz de carregar certificados digitais de forma inviolável e não fraudável”. A assinatura digital usada será baseada em certificados com chaves de 2.048 bits e com chaves privadas geradas pelo próprio cartão. Assim, é impossível ter acesso a estas chaves, exclusivas de cada usuário da universidade. Por outro lado, o Sigadoc vai funcionar no datacenter da STI, estando sob as normas da Política de Segurança da Informação da UFF. Além disso, a nossa assinatura digital segue o padrão recomendado pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileiras (ICP-Brasil), órgão federal que emite certificados digitais. A assinatura digital poderá utilizada por alunos, professores e técnico-administrativos que possuem uma Carteirinha UFF. Antes, porém, haverá uma pesquisa pública para criação do status dos processos e validação dos documentos emitidos pelo Sigadoc. O projeto utilizado na UFF poderá ser estendido a outras entidades públicas. A STI, segundo Diogo, está avançando com a RNP na disponibilização da solução da UFF para outras universidades públicas, com as quais mantém algum tipo de relação institucional.  Além disso, o objetivo é tornar a UFF referência em assinatura digital de documentos e cartões inteligentes no cenário local e nacional. "O Sigadoc será um marco para a gestão mais eficiente da universidade, tornando mais simples e efetiva a comunicação da UFF. Por outro lado, a partir de agora, toda Carteirinha UFF pode carregar um certificado digital, fato que abre novas fronteiras e possibilidades para a instituição continuar inovando, como o lançamento de notas utilizando-se o certificado digital do professor, assim como a votação do Conselho Universitário, que poderá ser feita de qualquer lugar do mundo, de forma segura e inviolável pelos conselheiros”, explicou Diogo. A equipe da STI que vem trabalhando no projeto Sigadoc conta com a participação dos técnicos Leandro De Cicco, Thiago Nazareth de Oliveira e Matheus Bersot, além da professora Helena Elias; o analista da SJRJ, Renato Crivano; o professor Jean Everson Martina, do Laboratório de Segurança em Computação (LabSEC), da Universidade Federal de Santa Catarina; e o gerente de Serviços da RNP, Leandro Guimarães. O sistema Sigadoc entrará em funcionamento em junho, e até o fim do ano a meta é incluir os principais documentos da UFF na solução, além de realizar treinamentos e emitir certificados para os servidores técnico-administrativos.
UFF e Ministério da Justiça publicam pesquisa inédita sobre sistema carcerário brasileiroUma pesquisa transformada no livro “Excesso de prisão provisória no Brasil: um estudo empírico sobre a duração da prisão nos crimes de furto, roubo e tráfico” foi lançada pela UFF. O retrato sem retoques de um sistema há muito falimentar é fruto do trabalho dos professores Rogerio Dultra dos Santos e Douglas Guimarães Leite, ligados ao curso de Segurança Pública, ao Departamento de Direito Público e ao Instituto de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos (INCT-InEAC). O relatório de pesquisa, publicado no Projeto Pensando o Direito da Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça (SAL/MJ), é fruto de edital público conjunto do MJ, em parceria com o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). O trabalho durou nove meses e recolheu dados, mobilizando para isso uma equipe multidisciplinar, composta por juristas, cientistas políticos, historiador, sociólogo e estatísticos. Segundo Dultra, o trabalho foi financiado com verba de custeio para viagens e com bolsas para uma equipe que contou também com a participação de quatro alunos da graduação em Direito da UFF, que foram capacitados para pesquisa em arquivo: Bruno Damasco, Helena Matos, Maíza Benace e Nathália Bouças. Eles participaram de todas as fases da pesquisa, viajando pelo país e conhecendo bem de perto a realidade variada do sistema de Justiça. A pesquisa examinou as medidas de prisão cautelar no Brasil. Pelos dados recolhidos na Bahia e em Santa Catarina, onde centenas de processos tramitados entre 2008 e 2012 foram analisados, foi possível visualizar uma regularidade institucional na prática da aplicação das medidas cautelares de prisão, do tempo gasto em cada fase do processo, desde a prisão ou a denúncia do crime realizado até o trânsito em julgado do processo. “A equipe fez uma amostragem dos crimes de furto, roubo e tráfico, crimes que determinam a maioria dos que estão presos no Brasil hoje”, afirmou Dultra. Ele explica ainda que a prisão cautelar, por exemplo, quando aplicada, se mostra excessiva em vários aspectos: uma parcela significativa dos indivíduos registrados no sistema carcerário não somente permanece presa sem julgamento por períodos não razoáveis, como a manutenção dessas prisões se dá sem motivações processuais consistentes. Sistema carcerário A pesquisa demonstra também, estatisticamente, que no Brasil se prende em larga escala. Hoje, as projeções dão conta de que temos mais de 600 mil pessoas presas, o que faz do Brasil o quarto maior sistema carcerário do mundo, perdendo apenas para a China, Rússia e EUA. A prisão em flagrante efetuada pela autoridade policial figura nos dados recolhidos como a forma quase exclusiva de repressão a delitos, aparecendo como garantia para o funcionamento do próprio sistema criminal. A manutenção da prisão em flagrante e a sua protelação temporal figuram nesses dados como instrumentos de legitimação do sistema de Justiça. Sem as prisões em flagrante, praticamente não haveria processos criminais, pois na Bahia o número de réus nessa situação é de 89,6%, e em Santa Catarina, de 77,5%. No crime de tráfico, o quadro indica que a quase totalidade dos réus foi alvo do flagrante: 98,3% na Bahia e 93,8% em Santa Catarina. A pesquisa, de acordo com Dultra, evidenciou longos períodos efetivos de cumprimento da medida de prisão nos estados estudados. A partir dessa informação, foi possível reunir um conjunto de indicadores orientados a demonstrar que as razões dessa longa duração estão mais ligadas a problemas da administração do sistema criminal – incluídas as condições de defesa – do que mais bem justificadas por razões de cunho exclusivamente processual. Um dos números mais estarrecedores da pesquisa indica a tendência de que a maioria dos réus presos cumpriu a quase totalidade do tempo de prisão durante o processo – portanto, antes mesmo da formação da culpa por uma sentença condenatória. A duração da prisão cautelar em ambos os estados, aquela cumprida do início ao fim do processo, é extensa e aberrante. São 275,96 dias em Santa Catarina e 682,9 dias na Bahia. Nessas condições, explica o professor, para que se figure o sistema criminal sob ares de legalidade, é preciso imaginar que durante todo esse tempo os diversos indivíduos presos à espera de julgamento estiveram a pôr em risco a coleta de provas ou ameaçando frustrar a aplicação da lei penal, riscos e ameaças que, quando existentes, só persistem porque a prova não é logo produzida e o julgamento custa a acontecer. Além disso, a maioria dos crimes examinados era de pouca complexidade e sem violência à pessoa. Na Bahia ou em Santa Catarina, por exemplo, menos da metade dos processos examinados terminam em condenação, respectivamente, 36,1% e 44,3%. Isso significa que a maioria dos processos redunda em absolvição, prescrição, extinção de punibilidade, extinção do processo, exclusão de crime ou isenção de pena (no conjunto, o equivalente a 63,9% dos processos na Bahia e 55,7% em Santa Catarina), e que a maioria de indivíduos que esperou em média seis meses, na Bahia, e um ano em Santa Catarina, presos, não foram condenados ao final do processo. Os dados indicam que, ao lado da Justiça, a Polícia Judiciária e o próprio Ministério Público são instituições que respondem amplamente pelo atraso do procedimento criminal e que, assim, contribuem decisivamente para um aumento excessivo do tempo da prisão antes do julgamento e mesmo da prisão antes do processo. A comparação de duas realidades populacionais, culturais e institucionais relativamente distintas, afirma Dultra, permitiu que se avaliasse de que modo um ordenamento jurídico único pode ser aplicado por meio de práticas e ritos aparentemente diversos, mas com resultados por vezes muito aproximados. Na opinião de Rogério Dultra, no Poder Judiciário, os juízes de primeiro grau sentem-se pressionados a “dar uma resposta” a uma opinião pública artificialmente alimentada pelos meios de comunicação hegemônicos. O resultado é que, na maioria dos casos, decidem manter a prisão antes mesmo da condenação – que é a prisão cautelar – sem um fundamento específico ou contundente o suficiente. E isso ocorre, geralmente, em relação a uma maioria de crimes com pouca complexidade e a cidadãos sem muita condição social e econômica de defesa processual. Mutirões Carcerários De acordo com professor Douglas Leite, um caso relevante para a pesquisa os Mutirões Carcerários, medida criada pelo CNJ para, a um só tempo, aprofundar o conhecimento da realidade do sistema carcerário nos estados brasileiros, como também qualificar, na prática do mutirão, o controle judicial sobre a situação dos presos condenados e provisórios. Os resultados gerais deste mutirão demonstraram uma administração semiprofissional dos sistemas de informação pelos tribunais. “Há erros graves sobre número e localização de presos no sistema”, exemplificou o professor. Ainda de acordo com ele, o quadro indica uma grave ilegalidade no respeito aos prazos de penas cumpridas pelos internos do sistema. Outra informação importante a respeito é a de que os mutirões sofreram interrupção nos últimos quatro anos em razão dos empecilhos impostos pelos tribunais estaduais em colaborar com a sua realização. Douglas Leite afirma que é possível dizer que, apesar de a pesquisa empírica no Direito ser retoricamente saudada pela maioria dos juristas como uma prática valiosa da produção científica, ela é pouco estimulada porque, no fundo, a compreensão da sua relevância e da sua "praticidade" não está no DNA de sua formação. Por outro lado, a resistência a ela algumas vezes oposta pelas instituições públicas mais centrais do sistema jurídico está também ligada ao potencial supostamente ameaçador dos seus resultados. Por fim, a pesquisa permitiu avaliar o excesso de prisão provisória e seus significados não somente jurídicos e constitucionais, mas também institucionais e políticos. “Os dados colhidos na Justiça criminal indicaram que a prisão cautelar, longe de ser utilizada como “ultima ratio” (último recurso), derradeiro e excepcional, é de fato a resposta usual, recorrente e normal do sistema”, concluiu Rogerio Dultra.
Mais de 1,5 mil bebês são registrados no cartório da Maternidade do HuapO posto avançado de registro civil do Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap) completou quatro anos com dois bons motivos para comemorar: registrou nesse período mais de 1,5 mil bebês, e as mães, que têm seus filhos na Maternidade do hospital, recebem gratuitamente a certidão de nascimento, o que representa um avanço para as famílias. A instalação de um cartório de registro civil na Maternidade do Huap possibilitou diminuir o sub-registro civil, que no Estado do Rio de Janeiro chega a 5%. Muitas crianças acabam ficando sem o registro ou passando um longo período da vida sem o ter, levando um grande número de pessoas a não ter seus direitos civis garantidos por lei, dentre os quais, o direito à cidadania. Para o diretor-geral do Huap, Tarcísio Rivello, a falta de registro de recém-nascidos prejudica a vida do futuro cidadão, que fica muitas vezes alijado de seus direitos constitucionais, de criança à vida adulta. Durante os preparativos de instalação do posto, lembrou-se de uma mãe, cujo filho de cinco anos ainda não havia sido registrado. Para o médico, “isso mostra que o posto instalado aqui no Huap é um resgate da cidadania". De acordo com a titular do cartório, Ana Paula Caldeira, a instalação do posto no interior do hospital representa um grande auxílio para as pessoas de baixa renda. "O Huap é um dos pioneiros desse projeto no estado, o que propicia à população dar o primeiro passo no exercício pleno de sua cidadania”. A iniciativa da implantação do cartório foi da presidente da Associação dos Colaboradores do Hospital Universitário Antonio Pedro (Achuap), Rita Rivello. No ano de 2011, o primeiro bebê registrado foi uma menina chamada Ana Clara, hoje com quatro anos de idade. A mãe da criança, Sílvia Crespo, ressaltou a importância de a filha já ter sido registrada no hospital. A emissão da certidão de nascimento é gratuita. O horário de funcionamento do cartório no Huap é das 9h às 12h, de segunda a sexta-feira.
Sustentabilidade: UFF realiza primeiro ato de eliminação de documentos destinados à reciclagemA Pró-Reitoria de Extensão (Proex), em parceria com a Coordenação de Arquivos da Superintendência de Documentação (CAR/SDC), nesta terça-feira, 26 de maio, às 10h30, no Centro de Reciclagem Rio (CRR), Rua Barão de São Gonçalo, 311, Neves, São Gonçalo, promove o primeiro ato de eliminação física de documentos constantes das listagens aprovadas pela Comissão Permanente de Avaliação de Documentos. O ato será aberto ao público e contará com a presença do pró-reitor de Extensão, Wainer da Silveira e Silva; da superintendente de Documentação, bibliotecária e mestre em Ciência da Informação, Déborah Motta Ambinder de Carvalho, responsável pelo Sistema de Bibliotecas e Arquivos da UFF; das coordenadoras do programa Maria Lucia Melo Teixeira de Souza e Anna Silvana Cavalieri, ambas da Proex; e do coordenador de Arquivos, arquivista e mestrando em Gestão de Documentos e Arquivos, Igor José de Jesus Garcez. Trata-se de uma atividade do Programa Ações Sustentáveis Junto à Comunidade da UFF, que teve inicio em 2011, obedecendo ao Decreto Presidencial nº 5.940/2006. O programa busca desenvolver na comunidade acadêmica, que reúne professores, alunos, servidores técnico-administrativos e profissionais terceirizados, a sensibilização ambiental, divulgando a importância da reciclagem e da preservação do meio ambiente. Além disso, visa à criação de projetos que adotem estratégias ecologicamente corretas (econômicas, ambientais e sociais), a fim de aumentar a eficiência no uso da matéria-prima por meio da não geração, minimização ou reciclagem de resíduos gerados num determinado processo, disse a coordenadora adjunta do programa, Anna Silvana Cavalieri. Segundo a coordenadora do programa, coordenadora de Difusão e Fomento à Extensão e substituta do pró-reitor de Extensão, Maria Lucia Melo Teixeira de Souza, o fato de que, apesar do grande desenvolvimento tecnológico que possibilita inegavelmente um direcionamento de melhores condições de vida para o homem, pouco se faz e até se discute na área de tratamento dos resíduos sólidos produzidos pela população mundial. “Sabemos da existência de algumas ações brasileiras de excelente qualidade apontando nessa direção”, disse. O número delas, entretanto, torna-se apenas bons modelos que, infelizmente, deixam de ser reproduzidos, devido às grandes barreiras a serem ultrapassadas. “Assim, na certeza de que a dívida é também nossa, tanto por sentir-nos capazes de reconhecer as omissões, quanto por estarmos inseridos em um espaço ideal às realizações – quer como docentes, discentes, técnicos e prestadores de uma instituição de ensino superior, quer como membros de uma sociedade que visa ao bem-estar do cidadão – fomos levados a elaborar uma proposta que consideramos capaz de atender de forma consciente à comunidade da Universidade Federal Fluminense em Niterói e nas demais cidades onde atua”, explicou Maria Lúcia. Ainda segundo a coordenadora, nesse panorama de importância ambiental criado na universidade, surgem diversos projetos que buscam melhores formas de proteção ao meio ambiente. Dentro desses se incluem o Projeto de Descarte de Documentos do Sistema de Bibliotecas e Arquivos da Superintendência de Documentação da UFF. Recentemente, a UFF, por iniciativa da Proex, assinou convênio com a Cooperativa de Catadores de Niterói (Coopcanit), e dentre as várias ações dessa parceria está o descarte de material do Arquivo Central da UFF. Cabe destacar que, por se tratar de uma cooperativa, o valor do material processado será dividido entre os cooperativados, já que é proibida a venda de papéis adquiridos com recursos públicos. Neste sentido, a UFF contribui para a redução do impacto no acúmulo de papéis que não têm mais valor administrativo ou legal para a instituição, e por serem considerados resíduos, devem ser tratados de forma sustentável para que não sejam jogados no meio ambiente sem o devido cuidado. Por isso, há a preocupação de se renovar estes resíduos (reciclagem) para que sejam reutilizados, evitando a possibilidade de um esgotamento de nossos recursos naturais. A universidade se preocupa com o desenvolvimento sustentável de seus recursos e a produção de documentos está inserida nesse processo, acrescentou a superintendente de documentação, Déborah de Carvalho. A eliminação física dos documentos já destituídos de valor, de acordo com os instrumentos legais disponíveis, é uma das ações sustentáveis realizadas no âmbito do Sistema de Bibliotecas e Arquivos da Superintendência de Documentação. A responsabilidade ambiental se dá a partir do momento em que existe a preocupação com a sustentabilidade, e a conscientização do modo com que devemos cuidar do meio ambiente. No caso da eliminação física dos documentos da UFF, a CAR/SDC se preocupa em não atingir o meio ambiente fragmentando mecanicamente os papéis. Assim, não há impacto negativo com relação à poluição do ar, das águas e de outros recursos naturais. Déborah de Carvalho destaca que os documentos produzidos e recebidos pela universidade são contínuos e que, após cumprirem os trâmites administrativos nas unidades, são transferidos para a CAR/SDC, onde são avaliados e submetidos à aprovação da Comissão Permanente de Avaliação de Documentos (CPAD) da UFF. Portanto, não há como estimar quantos atos como esse serão realizados anualmente pela CAR/SDC. Embora o evento seja realizado na cidade de São Gonçalo, a CAR/SDC recebe documentos de todas as unidades da UFF mediante solicitação de assessoria técnica, às quais a equipe do arquivo vai para realizar um diagnóstico e orientações técnicas quanto à organização e tratamento dos documentos.