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A Amazônia é nossa: livro de professora da UFF debate a sujeição de ONGs a interesses imperialistasO território brasileiro é rico em biodiversidade e abrange biomas importantes como o cerrado, os pampas, a caatinga e a Amazônia, sendo essa uma das três grandes florestas tropicais do mundo. É de conhecimento geral a existência do desmatamento de áreas da região, que vêm sofrendo com queimadas e outros métodos de degradação das florestas. Com foco nessa realidade, ONGs nacionais e internacionais intervêm na luta da preservação ambiental através de discursos embasados na ideia de sustentabilidade e não agressão à natureza. Refletindo sobre esse contexto, a pesquisadora Nazira Camely, natural de Cruzeiro do Sul (AC), desenvolve desde 1999 pesquisas acerca das relações e conflitos inerentes à região amazônica, principalmente no estado do Acre. Sua dissertação de mestrado abordou as quebradoras de castanha na Usina Chico Mendes, em um estudo das relações de trabalho impostas a essas mulheres. Professora associada do Departamento de Economia do Instituto de Economia da UFF, ela faz parte do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Economia e Sociedade Brasileira e coordena o Laboratório de Geopolítica e Estudos Agrários e Ambientais na Amazônia. A professora apurou que essa usina em Xapuri recebeu no ano de 1994 doações do exterior, via ONGs e outras organizações governamentais, quantias que somavam cerca de $ 1.680.000,00, o que chamou sua atenção. “A questão era entender como essas organizações trabalhavam para os interesses do imperialismo, principalmente o estadunidense”, explica. Dessa inquietação nasceu o tema para sua tese de doutorado intitulada “A geopolítica do ambientalismo ongueiro na Amazônia brasileira: um estudo sobre o estado do Acre”, que posteriormente resultou no livro “Imperialismo, Ambientalismo e ONGs na Amazônia”, lançado dia 1º de outubro na Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR) em Porto Velho. “As duas grandes questões que me moveram em direção a essa pesquisa foram: como as ONGs se tornaram novos agentes do imperialismo e porque o problema agrário não estava resolvido em unidades de conservação, dado que a propaganda era de que essas unidades, como por exemplo no caso a Reserva Extrativista Chico Mendes, eram modelos da dita Reforma Agrária da Amazônia”, explica. Para entender melhor como se desenvolve a pesquisa que deu origem à obra, leia a seguir a entrevista com Nazira Camely: No livro você cita a expressão “onguismo”. Poderia explicar a que se refere o termo, de acordo com seus estudos? O conceito de “onguismo” é de um sociólogo espanhol chamado Andrés Piqueras. Ele tem dois textos extremamente relevantes para essa área nos anos de 2000 e 2001 onde expõe que o marco do aparecimento das ONGs na sociedade em geral é com a reestruturação do capitalismo, imposta pelo neoliberalismo, a partir dos anos 80. Então há uma série de demandas da população que essas ONGs vão assumindo em um contexto onde o Estado Social está cada vez mais mínimo - pois a proposta do liberalismo é tirar do Estado a sua função de ser uma entidade que atende a todos em suas políticas públicas e estatais. A principal crítica nesse campo das ONGs como fenômeno, é que elas não têm - e não podem ter, devido à própria característica do capitalismo - um projeto de mudança estrutural da sociedade, sendo apenas um paliativo. Portanto, essas ONGs assumem reivindicações dos cidadãos, colocando-se como uma organização mais competente que o Estado. Você diz que sua pesquisa é voltada para as relações do imperialismo com as ONGs. Poderia explicar melhor? No livro, existem dois capítulos que abordam a questão de como as ONGs vão se transformando em verdadeiras corporações em relação aos negócios do meio ambiente. Há um estudo que mostra que isso acontece quando, no ano de 1994, há um workshop na cidade de Miami promovido pela Agência de Ajuda e Desenvolvimento dos Estados Unidos (USAID), onde é apresentado o projeto de conservação global dessa Agência. Eles alinham o discurso no caminho do desenvolvimento sustentável, levantando que é necessário preservar o planeta. Verificamos, no entanto, que isso é uma estratégia do imperialismo, não só estadunidense mas também europeu. A intenção é fazer uma divisão dos territórios de grandes áreas de floresta tropical do mundo - América Latina, Ásia e África. O intuito é repartir os territórios para obtenção de recursos naturais, ressaltando que esse dado está mapeado e a grande questão é que no Brasil ainda somos exportadores de monocultura, ficando a tecnologia nas mãos dos países imperialistas. É nessa dialética que trabalhamos, mostrando mapas e documentos dessas organizações onde se observa claramente seus interesses geoestratégicos sobre o ecossistema amazônico e todas as outras áreas de floresta tropical. Qual o impacto da atividade dessas ONGs em relação aos povos locais e seu cotidiano? Primeiramente, é importante esclarecer que estamos falando de ONGs como grandes corporações ambientais - as transnacionais da conservação, conforme denomina Antônio Carlos Diegues da USP -, portanto, não estamos falando de todas as ONGs. As ações dessas organizações interferem muito nas comunidades locais, pois mudam seu modo de vida. Muitas comunidades vivem da pesca, da extração vegetal da castanha, do leite da seringueira e dos produtos da floresta em geral. Essas comunidades estão sendo cada vez mais repreendidas por crime ambiental. O pequeno produtor agrícola no Brasil e as populações que vivem do extrativismo nas florestas são altamente criminalizados, enquanto o grande latifúndio não é, mesmo sendo estes os que sempre desmataram a Amazônia e o fazem cada vez mais devido à queda da fiscalização. Isso faz com que a população se sinta oprimida, tanto pelas atividades do imperialismo agindo via latifúndio e via políticas que visam a retirada de recursos naturais da região, quanto por serem taxados de cometerem delitos. Até onde vai a atuação dessas ONGs na ocupação do território amazônico? Para dar um exemplo, eu andei dois dias de barco na Amazônia mais um dia caminhando na floresta e cheguei em um local que tem atividade de ONG. Nas últimas décadas, houve uma reconfiguração do espaço agrário na Amazônia através do estabelecimento de muitas áreas de preservação ambiental sob o discurso de proteger a natureza e sua população. Identificamos, no entanto, que as populações locais estão constantemente ameaçadas pelos grandes latifúndios da pecuária e da monocultura, como no caso dos produtos para fabricar biocombustíveis, por exemplo. Ao passo que a devastação que aconteceu recentemente no Centro-Oeste já está no sul do estado do Amazonas, tanto que os principais municípios amazonenses que tiveram maiores problemas de incêndio atualmente são municípios onde a monocultura de soja já se instalou. Existe alguma relação política que se constitui entre o estado brasileiro e essas ONGs? Se sim, pode nos dizer qual? Sim, existe. Hoje em dia existe menos. Porém não se pode abordar o tema de maneira maniqueísta, dizendo se isso é bom ou ruim pois se tratam de dados científicos. O Estado do Acre, por exemplo, sempre foi visto como um modelo de desenvolvimento sustentável na Amazônia. Isso tem muito a ver com a história da luta dos seringueiros contra a ação dos latifúndios no Acre. Lá, essa articulação das ONGs com o governo foi grande por causa do modelo conhecido como “desenvolvimento sustentável”, feito através de acordos com órgãos multilaterais e cheios de graves contradições, em meu ponto de vista. Os maiores financiadores desses acordos foram órgãos como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o próprio Banco Mundial (BM). Diversas grandes empresas e bancos dizem prezar pela natureza, inclusive as depredadoras ambientais, principais responsáveis por grandes danos a vida da população mundial, como a Vale, responsável pela tragédia do rompimento da barragem em Brumadinho. Na Reserva Extrativista Chico Mendes, por exemplo, uma série de políticas ditas sustentáveis foram implementadas, especialmente com as bandeiras das grandes ONGs na questão do manejo dos recursos naturais. Depois de mais de vinte anos dessa política, a pesquisa de campo demonstrou que a vida das pessoas na reserva é de miséria. A propaganda da extração sustentável é, portanto, uma falácia. No atual cenário, a Amazônia está sob olhares do mundo inteiro. Na sua concepção, qual a capacidade do estado brasileiro no sentido de promover sua preservação? A meu ver, é função do Estado e de seus órgãos fiscalizadores serem responsáveis pela preservação ambiental. O Brasil tem importantes órgãos nessa área que deveriam cuidar dessa questão, mas como o estado vai resolver esse problema se atualmente os órgãos que podem fiscalizar a atuação dos grandes latifúndios na Amazônia estão sendo frontalmente desqualificados? Essa é uma questão central. A fiscalização já era pequena e pouco eficiente em momentos anteriores e vem piorando. Não se verifica grande interesse sobre a preservação ambiental nesse momento, mas sim em entregar os recursos amazônicos ao grande capital, mesmo que isso custe sua devastação. Aqui em Rio Branco (AC), 33% das crianças foram parar no hospital em decorrência da fumaça das queimadas recentes. Além do fato de que, mesmo com essas políticas propagadas como desenvolvimento sustentável, no Acre, em particular, 18% das crianças sofrem de desnutrição grave. Em escala amazônica, 80% das crianças Yanomamis também sofrem de desnutrição, segundo pesquisa recente da Fiocruz. É algo muito grave. Quais estratégias considera possíveis para frear o chamado “onguismo imperialista” e fortalecer as políticas ambientais de proteção à Amazônia? É necessário esclarecer que a nossa pesquisa se opõe à ideia de que as ONGs são as responsáveis pelas queimadas na região amazônica. Entendo que os grandes responsáveis são os detentores do capital ligado ao latifúndio, seja ele de mineração, pecuária, soja ou outras monoculturas implementadas na região. A Amazônia existe pois sua população a preservou. Pesquiso uma região do Acre na fronteira com o Peru, o Parque Nacional da Serra do Divisor, que é um belo manto verde. Existem povos que ali residem há mais de 200 anos - destaco que há comprovação científica de que a Amazônia é povoada há 12 mil anos. A depredação da floresta vem da intenção de implantar políticas que beneficiem o latifúndio em nome do chamado “capitalismo verde”. Quem pode defender a região amazônica são os brasileiros como nação. Nossas políticas ambientais não são ditadas pelos nossos governantes. A proteção da floresta e a obtenção de recursos que beneficiem a nossa população só serão alcançadas no dia em que a nação não mais for oprimida e saqueada pelos imperialismos estadunidense e europeu.  
Livro traz análise etnográfica do Quilombo do TamborEm “Tambor dos Pretos: processos sociais e diferenciação étnica no rio Jaú, Amazonas” (Eduff, 2017), o antropólogo João Siqueira traz uma reflexão sobre a formação de unidades sociopolíticas identificadas como quilombo do Tambor e sobre a formação da Associação Quilombola de São Raimundo do Pirativa, no Amapá. A obra chama atenção para as paisagens de territórios desocupados da fronteira amazônica pelos ribeirinhos dos rios Jaú e Paunini, afetados pela criação do Parque Nacional do Jaú (1980). Nessa perspectiva, o Siqueira demonstra que a expansão contínua pelo movimento de interiorização, ao invés de resultar em uma homogeneização social crecente, abriu espaço para variadas noções de “sujeitos históricos”, que eram considerados antes “marginais”. Em sua pesquisa, João Siqueira busca focalizar como os processos sociais resultaram na incorporação de especifidades socioculturais pelos moradores do Tambor, além da criação de esteriótipos.  Para o autor, a naturalização das ideias de “isolado social” e/ou “cultural” exclui, sob descrições etnográficas, processos históricos e sociais diversos que resultam na construção do que ele chama “isolamento consciente”, baseado na memória histórica e genealógica destes grupos. Saiba como comprar.        
UFF marca presença na Antártica com pesquisa sobre questões climáticasBuscando entender o funcionamento e as consequências das transformações ambientais ligadas a questões climáticas, a professora do Departamento de Geografia, Rosemary Vieira, criou o Laboratório de Processos Sedimentares e Ambientais (LAPSA), que realiza estudos na Península Antártica e nas montanhas Ellsworth, através de expedições realizadas anualmente, além de desenvolver projetos no Brasil, na região amazônica e em lagunas costeiras, como a Baía de Guanabara. Os estudos se fundamentam principalmente na coleta e análise de sedimentos marinhos (dos mares), lacustres (dos lagos) e terrígenos (da terra ou do continente) e de dados geofísicos. Com os sedimentos são feitas análises granulométricas, composição mineralógica, análises biogeoquímicas e datação, entre outras atividades. Já os dados geofísicos geram mapas e visualização em 3D do fundo marinho, além de imagens do subfundo. Com isso, são identificadas e interpretadas as características morfológicas do relevo e também das geleiras mediante imagens de satélites. Com pesquisas baseadas na paleoclimatologia, ou seja, nas variações climáticas ao longo da história da Terra, o grupo analisa a sedimentação, que tem o potencial de construir um arquivo de eventos, registrando a sequência de processos locais. “O exame cuidadoso de sedimentos e das geoformas – submarinas e subaéreas – tem o potencial de revelar variações dos padrões dos processos sobre a superfície em escala temporal e espacial, permitindo a reconstrução de ambientes passados e mudanças ambientais”, explica a professora Rosemary. Para que haja um entendimento amplo dos processos estudados, o LAPSA promove interações com outras unidades da UFF, tais como os institutos de Física e Biologia e os laboratórios da Engenharia Química. Além disso, o laboratório é parte integrante do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que compõe o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera (INCT-Criosfera). As parcerias se estendem ainda para Universidades e Centros de Pesquisa estrangeiros, como a Universidade do Chile e o Instituto Antártico Chileno. Expedição Antártica Considerada um laboratório natural por muitos pesquisadores, a Antártica é um continente extremamente preservado e sensível a variações. O estudo desta região é fundamental para o entendimento das questões climáticas, afinal, o que acontece lá pode influenciar diferentes meios,  incluindo a agricultura e o regime de chuvas do Brasil, por exemplo, como explica o doutorando Fabio José Guedes Magrani. “A América Latina é impactada diretamente pelo que acontece no clima da Antártica. As  massas de ar polar vindas da região ocasionam frentes frias no Brasil e as águas geladas da Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, são correntes Antárticas, por exemplo”. Coordenada pelo professor Arthur Ayres Neto, a expedição Antártica é realizada todos os anos e dura em torno de 30 dias. Com participação ativa dos estudantes de graduação, mestrado e doutorado, os pesquisadores trabalham nos navios da Marinha do Brasil que levam os grupos de pesquisa para a região. “Durante o período em que estamos lá, fazemos principalmente aquisição de dados e processamentos de amostras que tenham que ser feitos imediatamente”, descreve Arthur. A partir do lançamento de tubos que coletam testemunhos – amostras do fundo do mar com, em média, seis metros e que representam aproximadamente 10 mil anos de história – o grupo adquire as informações necessárias para dar andamento à pesquisa quando retorna ao laboratório no Brasil. “Essas informações fornecem pistas importantes sobre a origem, a área fonte, que processos atuaram no transporte e na deposição, entre outras”, explica Rosemary. LAPSA na Amazônia e Baía de Guanabara O laboratório atua também em projetos desenvolvidos em ecossistemas tropicais, coordenados pelo professor Humberto Marotta. Tais projetos realizam análises no interior e na costa do Brasil, por meio do convênio iberoamericano entre Brasil, Chile e Espanha, que formam a rede Laboratório Internacional de Mudanças Globais. A participação em diferentes expedições em lagos no interior da Floresta Amazônica e do Pantanal desde o início das atividades do LAPSA tem buscado a obtenção de dados para um melhor entendimento dos efeitos das mudanças globais sobre a produção e a apreensão de gases que incrementam o aquecimento global pelo denominado efeito estufa. “Ao longo dos últimos anos, estudou-se uma ampla variedade de lagos, os quais recebem águas, por sua vez, de grandes rios amazônicos, como Amazonas, Negro e Tapajós, ou do Pantanal, como Paraguai e Miranda”, relata Humberto. Nas zonas costeiras há inserção em projetos interinstitucionais como o Programa Ecológico de Longa Duração da Baía de Guanabara. O objetivo de tal programa é avaliar o papel da poluição sobre a liberação de gases que contribuem ao aquecimento global, questão essencial no estudo das alterações do clima.      
Edir Augusto Pereira lança "Ensaios de Amazônia" na Livraria IcaraíA partir da seleção dos ensaios do carioca Euclides da Cunha e dos paraenses José Veríssimo, Leandro Tocantins e Eidorfe Moreira, o professor e geógrafo Edir Augusto Dias Pereira aborda o papel do ensaio brasileiro na construção do espaço amazônico em "Ensaios de Amazônia", que será lançado nesta quinta-feira, 30 de março, a partir das 18h, na Livraria Icaraí, em Niterói. Na obra, o autor pinçou os estudos que considera mais representativos de cada autor sobre a região. De José Veríssimo, escolheu "Estudos amazônicos", livro editado em 1970 e que reúne os ensaios publicados em jornais e revistas do Pará e do Rio de Janeiro, entre 1898 e 1915. De Euclides da Cunha, o livro "À margem da História", lançado após a morte do autor, em 1909. "O rio 23 comanda a vida", a obra mais conhecida de Leandro Tocantins, também está entre os ensaios analisados por Pereira, ao lado do livro "Amazônia: conceito e paisagem", de Eidorfe Moreira, publicado em 1960 pela Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). Marcados pelo paradigma determinista e contemporâneos, os escritores José Veríssimo e Euclides da Cunha se enquadram no primeiro momento do ensaísmo brasileiro de representação espacial da Amazônia, com obras que vão do fim do século XIX até os anos de 1930, período das grandes transformações promovidas pela economia da borracha. Juntos, os dois autores representam um dos grupos mais importantes para a cristalização da ideia de nação no Brasil e, por isso mesmo, suas são pautadas pela busca da brasilidade no "interior". Já num segundo momento estão Leandro Tocantins e Eidorfe Moreira, a partir da década de 1950. Com influência das ciências sociais, seus ensaios se desenham a partir do paradigma da ciência moderna em processo de institucionalização no Brasil e na Amazônia por meio das universidades. É o período em que o Estado começa a pensar nas primeiras políticas para a região e na sua primeira definição e delimitação oficial. E é nesse momento que se apresenta um forte regionalismo definido a partir e dentro de discursos, práticas e políticas defendidas por intelectuais da região. Sobre o autor Doutor em Geografia, Edir Augusto Dias Pereira é diretor da Faculdade de Educação do Campus Universitário do Tocantins/Cametá, da Universidade Federal do Pará (UFPA). Natural de Tocantins, Edir Pereira desenvolve pesquisa na área de estudos da Amazônia, Cultura, Território, Territorialidade e Resistência, com ênfase em Comunidades Ribeirinhas da Amazônia. O autor também integra o Grupo de Pesquisa de Estudo, Pesquisa e Extensão da Região Tocantina (GEPECART) e o Núcleo de Estudos Territoriais, Ação Coletiva e Justiça (NETAJ - UFF), além de coordenar o Grupo de Estudo em Cultura, Território e Resistência da Amazônia Tocantina - SÍTIO. --> Como comprar  
Edir Augusto Pereira lança "Ensaios de Amazônia" no ParáA partir da seleção dos ensaios do carioca Euclides da Cunha e dos paraenses José Veríssimo, Leandro Tocantins e Eidorfe Moreira, o professor e geógrafo Edir Augusto Dias Pereira aborda o papel do ensaio brasileiro na construção do espaço amazônico em "Ensaios de Amazônia", que será lançado no dia 10 de março, a partir das 19h, no Auditório Alberto Mocbel do Campus Universitário do Tocantins/Cametá da Universidade Federal do Pará (Travessa Padre Antônio Franco, 2417, Matinha, Cametá, PA). Na obra, o autor pinçou os estudos que considera mais representativos de cada autor sobre a região. De José Veríssimo, escolheu "Estudos Amazônicos", livro editado em 1970 e que reúne os ensaios publicados em jornais e revistas do Pará e do Rio de Janeiro, entre 1898 e 1915. De Euclides da Cunha, o livro "À margem da História", lançado após a morte do autor, em 1909. "O rio 23 comanda a vida", a obra mais conhecida de Leandro Tocantins, também está entre os ensaios analisados por Pereira, ao lado do livro "Amazônia: conceito e paisagem", de Eidorfe Moreira, publicado em 1960 pela Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). Marcados pelo paradigma determinista e contemporâneos, os escritores José Veríssimo e Euclides da Cunha se enquadram no primeiro momento do ensaismo brasileiro de representação espacial da Amazônia, com obras que vão do fim do século XIX até os anos de 1930, período das grandes transformações promovidas pela economia da borracha. Juntos, os dois autores representam um dos grupos mais importantes para a cristalização da ideia de nação no Brasil e, por isso mesmo, suas são pautadas pela busca da brasilidade no "interior". Já num segundo momento estão Leandro Tocantins e Eidorfe Moreira, a partir da década de 1950. Com influência das ciências sociais, seus ensaios se desenham a partir do paradigma da ciência moderna em processo de institucionalização no Brasil e na Amazônia por meio das universidades. É o período em que o Estado começa a pensar nas primeiras políticas para a região e na sua primeira definição e delimitação oficial e é nesse momento que se apresenta um forte regionalismo definido a partir e dentro de discursos, práticas e políticas defendidas por intelectuais da região. Sobre o autor Doutor em Geografia, Edir Augusto Dias Pereira é diretor da Faculdade de Educação do Campus Universitário do Tocantins/Cametá, da Universidade Federal do Pará (UFPA). Natural de Tocantins, Edir Pereira desenvolve pesquisa na área de estudos da Amazônia, Cultura, Território, Territorialidade e Resistência, com ênfase em Comunidades Ribeirinhas da Amazônia. O autor também integra o Grupo de Pesquisa de Estudo, Pesquisa e Extensão da Região Tocantina (GEPECART) e o Núcleo de Estudos Territoriais, Ação Coletiva e Justiça (NETAJ - UFF), além de coordenar o Grupo de Estudo em Cultura, Território e Resistência da Amazônia Tocantina - SÍTIO.   --> Como comprar  
Lançamento da Eduff resgata ensaísmo brasileiro sobre a AmazôniaEm "Ensaios de Amazônia", o professor e geógrafo Edir Augusto Dias Pereira aborda o papel do ensaio brasileiro na construção do espaço amazônico a partir da seleção dos ensaios do carioca Euclides da Cunha e dos paraenses José Veríssimo, Leandro Tocantins e Eidorfe Moreira. Na obra, o autor pinçou os estudos que considera mais representativos de cada autor sobre a região. De José Veríssimo, escolheu "Estudos amazônicos", livro editado em 1970 e que reúne os ensaios publicados em jornais e revistas do Pará e do Rio de Janeiro, entre 1898 e 1915. De Euclides da Cunha, o livro "À margem da História", lançado após a morte do autor, em 1909. "O rio 23 comanda a vida", a obra mais conhecida de Leandro Tocantins, também está entre os ensaios analisados por Pereira, ao lado do livro "Amazônia: conceito e paisagem", de Eidorfe Moreira, publicado em 1960 pela Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). Marcados pelo paradigma determinista e contemporâneos, os escritores José Veríssimo e Euclides da Cunha se enquadram no primeiro momento do ensaísmo brasileiro de representação espacial da Amazônia, com obras que vão do fim do século XIX até os anos de 1930, período das grandes transformações promovidas pela economia da borracha. Juntos, os dois autores representam um dos grupos mais importantes para a cristalização da ideia de nação no Brasil e, por isso mesmo, suas são pautadas pela busca da brasilidade no "interior". Já num segundo momento estão Leandro Tocantins e Eidorfe Moreira, a partir da década de 1950. Com influência das ciências sociais, seus ensaios se desenham a partir do paradigma da ciência moderna em processo de institucionalização no Brasil e na Amazônia por meio das universidades. É o período em que o Estado começa a pensar nas primeiras políticas para a região e na sua primeira definição e delimitação oficial. E é nesse momento que se apresenta um forte regionalismo definido a partir e dentro de discursos, práticas e políticas defendidas por intelectuais da região. Sobre o autor Doutor em Geografia, Edir Augusto Dias Pereira é diretor da Faculdade de Educação do Campus Universitário do Tocantins/Cametá, da Universidade Federal do Pará (UFPA). Natural de Tocantins, Edir Pereira desenvolve pesquisa na área de estudos da Amazônia, Cultura, Território, Territorialidade e Resistência, com ênfase em Comunidades Ribeirinhas da Amazônia. O autor também integra o Grupo de Pesquisa de Estudo, Pesquisa e Extensão da Região Tocantina (GEPECART) e o Núcleo de Estudos Territoriais, Ação Coletiva e Justiça (NETAJ - UFF), além de coordenar o Grupo de Estudo em Cultura, Território e Resistência da Amazônia Tocantina - SÍTIO.   --> Como comprar