Horta Escolar: projeto da UFF integra nutrição e educação ambientalLevar o conhecimento científico ao ambiente escolar é uma marca presente em várias iniciativas da UFF no intuito de aproximar o universo acadêmico e a sociedade. Uma delas é o projeto Horta Escolar, aplicado na Escola Municipal Alberto Francisco Torres, em Niterói, com apoio da Faculdade de Nutrição. O ambiente, em fase de implantação, funcionará como laboratório vivo, permitindo o desenvolvimento de diversas atividades pedagógicas nas áreas de nutrição, biologia e educação ambiental. O projeto Horta Escolar foi idealizado em 2016 pela professora da Escola Municipal Alberto Francisco Torres, em Niterói, Maria José Ribeiro e pela graduanda em Pedagogia, Sandra Butschkau. A iniciativa conta hoje com a participação de estudantes e professores do curso de Nutrição, além de professores do colégio em que o projeto está sendo realizado, da Fundação Municipal de Educação de Niterói (FME) e da UFRJ. Segundo a integrante do projeto e professora do departamento de Nutrição Social, Patrícia Camacho Dias, o objetivo da horta escolar é despertar o interesse e proporcionar aos alunos uma alimentação saudável, livre de agrotóxicos, trabalhando, também, outros valores, como o senso de cooperação e trabalho coletivo nos alunos. “Buscamos aproximar estratégias da Promoção da Alimentação Adequada e Saudável (PAAS) junto a questões ambientais, produzindo novas sociabilidades e significados ao ato de plantar, cuidar e comer”, ressalta. O projeto se ampara no método de pesquisa-ação, possibilitando a construção de novos conhecimentos científicos na universidade a partir do contato com outras realidades sociais e ambientais", Patrícia Henriques. O PAAS é uma diretriz do Ministério da Saúde que tem como objetivo apoiar os estados e municípios brasileiros no desenvolvimento da promoção e proteção à saúde da população, possibilitando um pleno potencial de crescimento e desenvolvimento humano, com qualidade de vida e cidadania, questões fundamentais. Esse trabalho de formação integral no ambiente escolar contribui para a redução da prevalência do sobrepeso e obesidade e das doenças crônicas não transmissíveis entre os alunos. O projeto é planejado para contribuir não só com as expectativas escolares, como também com a construção do conhecimento universitário. “Na fase de preparação, questões como a relevância da estrutura da horta, escolha das mudas a serem plantadas e esboços do próprio espaço foram feitos para alcançar os resultados esperados”, explica a professora do departamento de Nutrição Social e integrante do projeto, Roseane Barbosa. Pelo ponto de vista acadêmico, a Horta Escolar está inserida em um contexto de pesquisa, integrando alimentação saudável com noções de meio ambiente e questões sociais. “O projeto se ampara no método de pesquisa-ação, possibilitando a construção de novos conhecimentos científicos na universidade a partir do contato com outras realidades sociais e ambientais”, enfatiza outra participante da iniciativa, a professora do departamento de Nutrição Social, Patrícia Henriques. Envolvendo alunos de diferentes gerações, do ensino fundamental - a partir dos seis anos de idade - ao Ensino de Jovens e Adultos (EJA) – até os 60 anos –, o trabalho permite que os estudantes assumam um papel ativo, ajudando e lidando diretamente com a horta. “A ideia é que os alunos sejam protagonistas nesse processo. A metodologia utilizada permite que, além de trabalharem na produção, eles também tenham acesso a novos conhecimentos e sejam despertados para hábitos saudáveis de alimentação”, destaca Patrícia Camacho.
Projeto Barco Escola incentiva ingresso de alunos da rede pública nas universidadesPromover educação de qualidade e gerar energia sustentável são tarefas complexas e aparentemente distintas, mas o Projeto Barco Escola, desenvolvido pela Engenharia de Recursos Hídricos e do Meio Ambiente consegue integrá-las com sucesso. Esta é mais uma iniciativa da UFF que foca no ensino e no desenvolvimento tecnológico e científico e reflete a busca por soluções que beneficiem diretamente a sociedade. Com o objetivo de incentivar o ingresso de estudantes da rede pública nas universidades, o projeto teve início em 2013, com a coordenação do professor Márcio Cataldi. Atualmente, o Barco Escola conta com a participação de cerca de 20 alunos da graduação, além de uma parceria de cooperação técnica com o Projeto Grael. A ideia surgiu após a realização de aulas práticas em um veleiro com o uso de medição atmosférica e se tornou uma oportunidade de estímulo ao conhecimento dos envolvidos. “O incentivo ocorre a partir do contato destes alunos da rede pública com uma universidade que pode ser dinâmica, divertida, atraente, com laboratórios itinerantes, a céu aberto, e principalmente, formada por professores e estudantes que são pessoas comuns, assim como eles”, enfatiza Cataldi. A união entre a teoria e a prática permite que os participantes adquiram conhecimento de maneira inovadora e estimulante sobre diversos assuntos. “Entre as temáticas que podem ser desenvolvidas a bordo do veleiro, estão: meio ambiente, instrumentação, energias renováveis, física do ambiente, um pouco de história e matemática, além de tecnologia de baixo custo”, descreve o professor. O projeto apresenta ainda um viés pedagógico desses conceitos também para os estudantes da graduação, permitindo que desenvolvam pesquisas com instrumentação de baixo custo e energias renováveis. Segundo o coordenador, a iniciativa contribui não só para o treinamento de sua capacidade docente nas aulas ministradas pelos graduandos da Engenharia nas escolas, como também para a compreensão da indissociabilidade entre ensino-pesquisa-extensão. A seguir, Márcio Cataldi explica um pouco mais sobre o trabalho coordenado: Como tem sido o desenvolvimento do projeto? No ano de 2016, tivemos a primeira experiência com o Colégio Agrícola da UFF, em Magé, e obtivemos um feedback positivo dos alunos que participaram conosco dessa construção. Além disso, conseguimos publicar um trabalho relatando a vivência no 15° Encontro Nacional dos Estudantes de Engenharia Ambiental (XV ENEEAMB), em Belo Horizonte/MG, no mês de julho de 2017. Hoje, o projeto passa por um momento importante nos sonhos e intenções de seus componentes para com a sociedade fora dos muros da universidade. Estamos com parceria fechada com o Projeto Grael, que compartilha das mesmas visões no que diz respeito às questões educacionais e pedagógicas, e disponibilizou o barco Fuzzaca para ser utilizado por nós como laboratório itinerante. Quais atividades são realizadas com os estudantes que participam do Barco Escola? Antes dos alunos irem para a aula embarcada, são ministradas três aulas na escola, uma sobre instrumentação ambiental, outra sobre energias renováveis e uma terceira sobre conceitos náuticos básicos. Além disso, eles tem uma aula na UFF, no Laboratório de Monitoramento e Modelagem do Sistema Climático (Lammoc), com acesso à confecção de instrumentos de baixo custo, que serão utilizados na embarcação. Para as próximas edições teremos também uma aula de educação ambiental. No barco, eles aprendem a fazer medições atmosféricas e oceânicas, tanto com os equipamentos que eles montam, quanto com os de uma estação automática comercial, visualizam a conversão de energias renováveis e auxiliam, de forma controlada, na condução da embarcação. As medições são feitas em locais diferentes, onde as variáveis possuem grandes alterações e cuja natureza é explicada para eles. Quais equipamentos são utilizados a bordo? Na embarcação, utilizamos equipamentos atmosféricos e oceânicos comerciais de uma estação automática da marca La Crosse, instrumentos para a medição de temperatura e umidade relativa do ar, pressão atmosférica, precipitação e temperatura da água, montados pelos próprios alunos, com sensores de baixo custo e prototipagem Arduino. Qual o impacto do projeto Barco Escola no ensino desses estudantes da rede pública? O principal impacto que nós já percebemos é mesmo na motivação para que eles se esforcem para entrar na universidade. Na nossa última turma, de quase 50 alunos, somente quatro fizeram inscrição no Enem. O que queremos é que eles se encantem pela universidade, que passem por cima das dificuldades e consigam fazer parte do quadro discente das instituições públicas de ensino superior. Percebemos que, ao final do projeto, eles já estão perguntando sobre o nosso curso e também sobre outros cursos da UFF, com um interesse bem maior. Quais são as perspectivas para o projeto a longo prazo? As perspectivas são de aumentar o número de alunos da UFF participantes do projeto e que sejam capacitados para ministrar também as aulas, e com isso atender mais escolas. Pretendemos ainda deixar o veleiro totalmente sustentável, com motor elétrico para quando não tiver vento, alimentado por energia eólica, solar e hidrodinâmica. Isso tudo seria utilizado como material didático.
Mobilidade urbana: projetos da UFF incentivam uso de bicicleta em NiteróiEm todo o mundo o uso da bicicleta como meio de transporte tem sido cada vez mais difundido, não só para lazer, mas também para as atividades cotidianas. No Brasil, entretanto, o planejamento das cidades ainda prioriza os transportes motorizados, causando problemas urbanos como engarrafamentos, poluição e economia. Por considerar urgente que a mobilidade seja repensada pela sociedade, a UFF incentiva ações de sustentabilidade através de diversos projetos na área. A bicicleta é uma modalidade de transporte que pode ser utilizada em conjunto com outras, desafogando o trânsito em alguns trechos, sobretudo para pequenas distâncias, como destaca a professora do departamento de Economia da UFF e pesquisadora na área de mobilidade urbana, Danielle Carusi. “Alguns estudos mostram que o uso de carros em pequenas distâncias pode ser mais poluente do que em longas distâncias. Portanto, o incentivo ao uso da bicicleta para estes casos é interessante pois reduziria a poluição e o tráfego intenso”, destaca. Segundo a mestranda em Economia da UFF e orientanda de Carusi, Thaynara Menezes, cuja monografia aborda o uso desse meio de locomoção, “o uso da bicicleta traz efeitos positivos para a saúde, por aumentar a prática de exercícios físicos, necessários para combater doenças crônicas como obesidade, diabetes e hipertensão. Outra vantagem é que é o meio de transporte mais barato e fácil de aprender e permite maior flexibilidade de trajetos, auxiliando na fuga de um congestionamento”. Além disso, a massificação desse transporte oferece importantes ganhos sociais. “A bicicleta é vantajosa, pois é fabricada com poucos materiais, não utiliza combustível, impactando menos o meio ambiente, pois não polui com a queima de combustíveis fósseis. Ela é silenciosa, o que também implica na redução da poluição sonora nas cidades. As bicicletas também ocupam menos espaço nas ruas e nos estacionamentos e, em grande medida, reduzem a necessidade de expansão urbana”, justifica Thaynara. Niterói, embora ainda tenha um longo caminho no sentido de tornar a cidade propícia para os ciclistas, está seguindo a tendência de outros grandes centros urbanos e realizando investimentos com foco na mobilidade, como, por exemplo, a instalação de ciclofaixas e ciclovias como alternativa sustentável e placas de sinalização para motoristas e ciclistas produzidas pela UFF. “Nossa universidade tem fortalecido várias parcerias com a prefeitura e uma delas é na área de mobilidade urbana através do incentivo ao uso da bicicleta. Interligamos os nossos campi por ciclovias, permitindo acesso mais fácil e seguro à universidade por meio de um veículo sustentável”, afirma o reitor e também ciclista Sidney Mello. Na cidade, a construção do bicicletário ao lado da estação Araribóia representa um avanço, por facilitar a conexão com o transporte aquaviário. “Ainda existem muitas outras ações que podem ser incentivadas, tais como a criação de bicicletários em outros locais de grande circulação, como próximos aos centros comerciais. Apesar da extensão de ciclofaixas, acredito que o mais importante atualmente é conscientizar a população sobre questões relativas à segurança dos ciclistas. Isto envolve não apenas conscientizar ciclistas da necessidade de tomarem determinados cuidados - como o uso de capacete e evitar andar na contramão - mas também os motoristas, que devem proteger os ciclistas e respeitar o espaço urbano destinado a sua movimentação”, analisa a professora Danielle. Com base nessa realidade, a UFF incentiva iniciativas como, por exemplo, a do grupo Filhos de Niterói - Cidadania em Movimento, com evento realizado no final de outubro deste ano, que contou com o apoio da universidade. “O grupo é formado por mães e membros da comunidade de Niterói preocupados com a questão da mobilidade urbana. Nosso movimento teve como objetivo conscientizar a população sobre o uso de bicicleta como meio de transporte e alertar as autoridades para a importância de ações que promovam o bem-estar e a segurança no trânsito”, afirma Alline Brito, nascida e criada na cidade e idealizadora do movimento. Assim, pensando nas demandas da própria população, a UFF apresenta uma série de projetos que buscam explorar as diversas questões relacionadas ao uso da bicicleta como alternativa viável de transporte. Bicicleta e Companhia O Bicicleta e Companhia foi criado em junho de 2017 e é uma produção de mídia sonora mensal, para rádio ou podcast, produzida por estudantes de Comunicação Social da UFF. Canal de informação e conhecimento, o projeto funciona como um laboratório de pensamento sobre as questões da mobilidade da cidade e das pessoas e é veiculado na webradio “Nas ondas do IACS”. As pautas divulgadas servem também como material para grupos ativistas da bicicleta ou como material educativo para ser utilizado em escolas e universidades, como explica o sonoplasta do estúdio de rádio do IACS e integrante da equipe do programa, Marcelo Santos. “As pautas do Bicicleta e Companhia giram em torno de questões sobre mobilidade pela bicicleta e cidades sustentáveis, que nos façam pensar em menos poluição, menos violência no trânsito e uma cidade que seja para todos, de forma humanizada, compartilhada, solidária e que valorize a vida e o relacionamento humano entre as pessoas”, ressalta. A questão da mobilidade urbana pela bicicleta tem gerado debates no mundo inteiro e a participação dos meios de comunicação tem contribuído para o crescimento dessa demanda e para avanços na implantação das propostas. “Representando o Radiojornalismo, o Bicicleta e Companhia deseja se colocar como porta-voz desse movimento, buscando dar voz aos que desejam falar e possuem propostas”, ressalta Marcelo. PedalUFF-Tur Pedal vem de pedaladas e Tur se refere simultaneamente à Faculdade de Turismo e Hotelaria (FTH) e à própria atividade turística. Criado em 2015, o projeto teve início com o objetivo de mapear rotas cicloturísticas na cidade de Niterói e, com o sucesso das pesquisas, desenvolveu estudos sobre o Perfil do Ciclista Brasileiro, destinos cicloturísticos, além de análises voltadas para a cidade de Niterói. O projeto, que começou em sala de aula, em 2014, pela disciplina Turismo e Transportes, lecionada pela professora Fátima Edra, possui hoje parcerias com diversas iniciativas, como o Programa Niterói de Bicicleta, Coletivo Mobilidade por Bicicleta, União de Ciclistas do Brasil (UCB) e o Clube de Cicloturismo do Brasil (CCB), além de participar de uma série de eventos envolvendo a temática. Segundo Fátima, o cicloturismo é uma consequência da ciclomobilidade. “Quanto mais pessoas na rua de bicicleta, mais pessoas passam a ser incentivadas, é um ciclo. Quem pedala no dia a dia quer pedalar no destino turístico e quando uma cidade possui infraestrutura para ciclomobilidade, essa mesma infraestrutura é apropriada pelo cicloturista”, explica. E além de facilitar o transporte, a bicicleta como instrumento turístico proporciona muito mais que deslocamento, trata-se de uma experiência diferenciada. “A bicicleta é única, incomparável. Faz parte da motivação e da prática explorar o espaço, vivenciar o clima, conviver com pessoas locais”, evidencia a professora. Bike UFF Idealizado em 2014 por estudantes da Engenharia Ambiental, o Bike UFF consiste na implementação de transporte por bicicletas entre diferentes campi da UFF e está sob orientação dos professores Gabriel Nascimento e Elson Nascimento dos Departamentos de Engenharia Agrícola e Engenharia Civil, respectivamente. Buscando possibilitar um transporte prático, ágil, seguro e sem custo para os estudantes, técnicos-administrativos e docentes, o projeto propõe a instalação de bicicletários em cada campus, disponibilizando bicicletas para alunos e funcionários e utilizando um sistema prático e funcional, como pondera o professor Gabriel. “Uma possibilidade avaliada para a liberação considera um sistema informatizado, que destravaria cada bicicleta por biometria ou leitura magnética da carteirinha UFF, assim como um sistema gerido pelos próprios alunos, que deverão receber bolsa a partir das verbas de patrocínio”, informa. No caso da localização dos campi da UFF, a geografia da cidade caracteriza-se por distâncias curtas e médias, na maioria planas ou com pequenas elevações, o que pode causar impacto inclusive para a mobilidade da cidade. “O projeto #BikeUFF poderá incorporar, em um curto prazo, um grande número usuário das ciclovias e ciclofaixas, tornando estas vias de acesso cada vez mais respeitadas por motoristas, pedestres e pelos próprios agentes da segurança pública”, ressalta Gabriel. Segundo o professor, na universidade, a implantação do projeto poderá representar uma opção de transporte para os estudantes, inclusive promovendo um significativo ganho social. “O compartilhamento de bicicletas, sem custo para os estudantes, atenderá, principalmente, a um grande contingente de alunos que não tem veículo próprio ou acesso aos meios de transportes regulares, somado à disponibilidade do BusUFF”, salienta.
Huap oferece à população serviço de alergia e imunologia único na regiãoEm sua busca constante por diagnósticos e tratamentos cada vez mais eficazes, o Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), através do Serviço de Alergia e Imunologia Clínica, oferece de forma gratuita para a população diversos procedimentos especializados como os tratamentos de rinite, asma, dermatite atópica, imunodeficiência e urticária crônica. Atualmente, são beneficiados pelo serviço em torno de 2500 pacientes ao ano. Inaugurado na década de 1980, o setor tem o objetivo de dar assistência a adultos e crianças com doenças alérgicas e imunodeficiências primárias. As atividades se dividem em ensino, assistência e pesquisa clínica, que são realizadas nos ambulatórios de alergia geral, dermatite atópica, urticária crônica e reações adversas a drogas e imunodeficiências primárias. Segundo o coordenador do Serviço de Alergia e Imunologia da UFF, José Laerte Boechat, o atendimento multiprofissional, viabilizado pela estrutura do espaço, engloba dermatologia, imunologia clínica, pneumologia, pediatria, hematologia e otorrino, facilitando a integração e o atendimento às necessidades dos pacientes. “A grande vantagem que a gente tem hoje aqui é poder transitar com o paciente de acordo com as necessidades entre todos esses serviços. Isso facilita os tratamentos e os torna mais eficazes”, explica Boechat. Desde sua implantação no Huap, o Ambulatório de Alergia e Imunologia Clínica recebe pacientes de Niterói e municípios vizinhos, como São Gonçalo, Maricá, Itaboraí, Rio Bonito, Silva Jardim, Tanguá e Casimiro de Abreu. “Por mês, são realizadas mais de 200 consultas, além da aplicação de vacinas, testes cutâneos, tratamento regular com aplicação de imunoterapia específica para antígenos, infusão de imunoglobulina para pacientes com imunodeficiências primárias e aplicação de imunobiológicos para tratamento de doenças específicas - por exemplo, anti-IgE para tratamento de casos de urticária crônica espontânea”, descreve o coordenador. O projeto conta com três professores - Beni Olej, José Laerte Boechat e Daniella Moore, do Departamento de Medicina Clínica e duas médicas - Simone Pestana e Rossana Rabelo. Além disso, alunos de graduação em Medicina e de pós-graduação do HUAP/UFF de diversas áreas, tais como Clínica Médica, Pediatria, Neurologia, Geriatria, Otorrinolaringologia e Dermatologia participam das atividades do setor em nível ambulatorial e acadêmico. A integração entre as atividades de ensino e assistência médica possibilita o avanço das linhas de pesquisa atualmente em andamento no Serviço, que são Rinite no idoso, Alergia alimentar, Dermatite atópica, Urticária e Reações adversas a drogas. “A presença de estudantes e pesquisadores no ambiente favorece as análises e o avanço dos tratamentos oferecidos”, ressalta Boechat. Desenvolvimento da área de Urticária Crônica Entre os focos do Serviço de Alergia e Imunologia está o diagnóstico, tratamento e pesquisa a respeito da urticária crônica - caracterizada pelas lesões na pele que persistem por mais de seis semanas, com fator desencadeante identificado ou não (neste caso, sendo conhecida como espontânea). Sem outras opções de tratamento em Niterói e região, os pacientes são encaminhados dos postos de saúde para o Huap, onde contam com o Ambulatório Especializado em Urticária Crônica. Já, que no setor, há um estudo aprofundado da doença, favorecendo o sucesso dos tratamentos oferecidos. Segundo a professora Daniella Moore, o progresso permitido pelo ambulatório se deve a criação de um registro com os pacientes. “Nós estamos montando um registro clínico da área metropolitana desses pacientes, porque em termos médicos, nós só podemos avançar no tratamento de uma doença a partir do que é conhecido e nós só conhecemos o que é registrado. Com isso, poderemos analisar a evolução da doença, como se comporta com o tratamento, obtendo assim um conhecimento de massa”, explica.
Dose de Ciência: UFF propõe democratização do conhecimento científicoBuscando popularizar a ciência, a UFF tem apresentado diferentes projetos que transpõem o conhecimento científico para além dos muros da universidade. A mais recente iniciativa de democratização científica é o Dose de Ciência, evento que terá sua primeira edição realizada pela Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação (Proppi) na próxima quarta-feira, 25 de outubro. A iniciativa terá sua primeira edição no bar Geraldinos e Arquibaldos, com participação do reitor e doutor em geofísica marinha, Sidney Mello, que palestrará sobre o tema “O fantástico mundo do vulcanismo submarino”. O conteúdo da palestra será uma amostra do que foi pesquisado sobre o fundo dos oceanos nos últimos 30 anos, adianta Mello. “Teorias desenvolvidas na segunda metade do século 20 revolucionaram a compreensão sobre os processos geológicos em nosso planeta. Veios hidrotermais, decorrentes de atividade vulcânica nas cordilheiras mesoceânicas, mostram que a vida na Terra pode ter origem nos oceanos”, afirma. O evento da UFF acontecerá no dia em que nacionalmente é comemorado o Dia C da Ciência, 25 de outubro. Essa mobilização envolve as instituições de ensino superior e pesquisa e ocorre durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Para o pró-reitor de Pesquisa e Inovação (Proppi), Vitor Francisco Ferreira, a iniciativa é uma oportunidade de aproximar a ciência da sociedade. “Os resultados globais são constantemente divulgados em diversos artigos científicos de difícil entendimento pelo público em geral, logo, os cientistas e mídia têm o dever de traduzir como a Ciência, Tecnologia e Inovação afetam o seu dia a dia”, argumenta. Já segundo a integrante do comitê de organização do Dose de Ciência e professora do Programa de Pós-graduação em Comunicação (PPGCOM/UFF), Thaiane Oliveira, a iniciativa tem exatamente a mesma proposta do evento nacional. “A ciência é um bem de todos, por isso a relação universidade-sociedade se faz necessária. Precisamos ter esse diálogo para mostrar o quanto estamos envolvidos e como nossas pesquisas são voltadas para beneficiar a própria população”, ressalta. Além da iniciativa de aproximação da universidade com o público externo, considerando a conjuntura nacional, o evento também é um movimento de resistência e luta pela ciência. “É justamente nesses momentos que vemos mais necessidade de mostrar a importância do que temos desenvolvido dentro da UFF e como isso afeta não só a comunidade interna, mas a sociedade como um todo”, defende Thaiane. O local escolhido para a realização do primeiro Dose de Ciência enfatiza a proposta do projeto. O bar terá entrada livre para todos os públicos e idades. Segundo os organizadores, todos são bem-vindos, não só os interessados em saber um pouco mais sobre vulcanismo submarino, como também os que queiram se engajar em um movimento defensor de uma ciência aberta e sem fronteiras. “Optamos este ano por um formato de apresentações em um bar, de modo que os frequentadores tenham oportunidade de ver coisas curiosas mas importantes, e mesmo tirar dúvidas que tenham sobre assuntos variados, pois teremos pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento”, explica o criador do evento e professor do Departamento de Fisiologia e Farmacologia, Pedro Paulo Soares. A ideia do Dose de Ciência foi inspirada no festival mundial Pint of Science, do qual a UFF participará em 2018, reafirmando o compromisso social da universidade. Segundo Ferreira, o evento leva a divulgação científica a locais onde em princípio os avanços da ciência e como ela afeta a vida das pessoas não seriam discutidos. “Em 2018, a UFF colocará Niterói nesse mapa de divulgação internacional. Transformar a dureza intrínseca do saber acadêmico em conhecimento e reconhecimento ao público é a cidadania que se espera do cientista”, enfatiza. Serviço: Palestra: O fantástico mundo do vulcanismo submarino Palestrante: Sidney Mello Data e hora: 25 de outubro, às 19h Local: Bar Geraldinos e Arquibaldos Endereço: Rua Gavião Peixoto, 381, loja 101, Icaraí, Niterói/RJ (esquina da Rua Mariz e Barros)
Feira Orgânica da UFF une conhecimento científico e saber popularCriada em outubro de 2016, a Feira Orgânica e Agroecológica da Faculdade de Nutrição acontece toda terça-feira, das 8h às 16h, no campus do Valonguinho, e entrou para a programação não só dos alunos da UFF, mas também da população de Niterói. O que começou como um evento durante a Agenda Acadêmica realizada pela universidade, é hoje um ambiente para venda de produtos orgânicos e, principalmente, para troca de conhecimento entre estudantes e produtores. A definição mais comum de alimentos orgânicos é a que os descreve como aqueles produzidos sem agrotóxicos e defensivos, livres de qualquer substância química. Entretanto, a cultura orgânica vai além disso, ela valoriza questões sociais relacionadas ao meio ambiente, incentiva o trabalho humano - considerando as etapas da produção - e foca a saúde com o estímulo da boa alimentação. Segundo a estudante do 4º período de Nutrição e integrante do Grupo de Pesquisa em Nutrição Funcional (GPeNF), Thalita Vicente, é de suma importância para o nutricionista entender a relação harmônica da natureza com o alimento e a saúde do indivíduo. “Na feirinha orgânica podemos conhecer a origem do que comemos e do que iremos prescrever futuramente, sabendo que está livre de veneno e possibilitando que a agricultura familiar cresça cada vez mais”, explica. Para os produtores, a participação na feira também apresenta muitas vantagens, afinal, além de expor seus produtos, eles recebem orientações técnicas para a melhora dos alimentos oferecidos, como ressalta a Diretora da Faculdade de Nutrição, líder do Núcleo de Pesquisa em Alimentação e Consumo-NUPAC e coordenadora da feira, Alexandra Anastácio. “Nossos alunos os auxiliam, por exemplo, em termos de rotulagem para que eles entendam a importância da informação de nutrientes, orientam também em relação à forma de preparo, alertando para a prática da higiene correta e os riscos na manipulação”. Além do evento em si, realizado toda terça-feira, a parceria insere os expositores no ambiente universitário. Eles participam de diversas atividades e até mesmo aulas práticas junto aos alunos do curso de Nutrição, sobre a temática dos alimentos orgânicos e da agroecologia, sobre as propriedades dos alimentos com base no saber popular. “Nós realizamos juntos uma oficina de plantio orgânico no canteiro localizado atrás do Reserva Cultural. Os produtores trouxeram conhecimentos que não são comuns na área acadêmica e que fazem a diferença na formação dos alunos”, relata Alexandra. A interação dos produtores com a Nutrição, também se dá nos eventos anuais que a faculdade realiza. Tanto o Arraiá Saudável como o Natal Saudável contam com a presença da feirinha. “A participação deles nesses momentos é importante não só para difundir conhecimento acerca dos alimentos orgânicos, mas também em função do alcance permitido pela presença de estudantes de diversos cursos, que nem sempre têm contato com nosso projeto”, destaca Alexandra. Para os alunos, a realização desse trabalho no ambiente universitário é uma forma de aproximar a teoria da prática, conhecendo melhor os alimentos e suas propriedades, como ressalta a graduanda do 4º período de Nutrição, Gabriella Vidal. “Na feira, podemos ver o empenho e dedicação dos pequenos produtores para ofertar uma alimentação melhor e de qualidade, livre de agrotóxicos e isso nos incentiva a comer melhor e de forma saudável, e a buscar sempre alimentos que façam bem para o nosso organismo”, afirma. O impacto da feira agroecológica tem ido além dos muros da universidade. Além de incentivar a alimentação orgânica, o projeto tem assumido seu compromisso junto à população de Niterói. Localizada no campus do Valonguinho, no centro de Niterói, a iniciativa recebe como clientes os moradores do entorno e também abre espaço para escolas da região. “Nós temos visitas de alunos do ensino médio da cidade, que vêm conhecer o projeto e participar de exposições que explicam questões como a agroecologia, o consumo orgânico e a importância dos pequenos produtores”, esclarece a coordenadora. A influência da iniciativa pode ser percebida não só no consumo consciente, mas também na atitude dos estudantes, que têm assumido um papel de multiplicadores desses conhecimentos. Alexandra Anastácio ressalta: “o plantio dos próprios temperos em casa com hortas urbanas, o fomento à boa alimentação como promoção de saúde e até o aproveitamento integral dos alimentos, por exemplo, tem sido recorrente nas pesquisas desenvolvidas pelos alunos e também em suas rotinas pessoais”. Em um trabalho de análise sensorial realizado no térreo da Faculdade de Nutrição, a graduanda Thalita buscou demonstrar o benefício da prática de aproveitamento integral. “Quando jogamos a casca do alimento fora, estamos também deixando de consumir diversos nutrientes e nos privando de experimentar receitas maravilhosas. Podemos criar receitas sustentáveis e que ficam deliciosas, como um bolo de aproveitamento integral da banana, por exemplo, em que a massa é constituída também pela casca e foi totalmente aceito nesse evento”, relata. Em função do sucesso do projeto, em breve na Faculdade de Nutrição será inaugurado o Núcleo de Estudos em Agroecologia, que tem o objetivo de desenvolver novas pesquisas com alimentos orgânicos. O espaço será destinado aos estudantes e professores que realizam análises microbiológicas e de composição físico-químicas, por exemplo. Além disso, segundo a coordenadora, também está prevista a ampliação do laboratório de alimentos, contribuindo ainda mais para a expansão desse campo.
Iniciativas da UFF focam a saúde mental de seus alunosSegundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com a maior taxa de transtornos de ansiedade no mundo e o quinto em casos de depressão. Essa realidade também está presente no ambiente universitário, demandando mobilizações efetivas das instituições de ensino superior no auxílio aos seus estudantes. De acordo com o professor de neuropsiquiatria infantil da UFF, Stephan Oliveira, fatores como a cobrança, a competitividade, as relações interpessoais, a dificuldade de conciliar vida acadêmica e social, a ameaça do desemprego e do fracasso profissional e a distância da família podem desencadear transtornos ligados à saúde mental, não sendo raros os casos de alunos que apresentam queda no rendimento ou até abandonam o curso. Para auxiliar na questão, é importante que as instituições de ensino superior compreendam melhor as demandas dos estudantes, como explica o professor do Departamento Materno-Infantil da Faculdade de Medicina e doutor em saúde mental, Jairo Werner. “Observamos no contato com os estudantes que muitos apresentam queixas ligadas a ansiedade e depressão e nem sempre procuram auxílio, alguns, inclusive, optam pelo uso de medicamentos. É necessário que a universidade amplie o trabalho preventivo, de orientação e apoio a esses alunos”, alerta. Segundo o vice-reitor, Antonio Claudio da Nóbrega, é fundamental um olhar focado na direção de uma saúde integral dos estudantes. “Trabalhamos para gerar um ambiente que promova o bem estar, o sentimento de pertencimento e a autonomia dos estudantes. Desta forma, fortalecemos os vínculos institucionais e criamos condições para uma formação integral, promovendo a saúde mental. Nesse contexto, é importante que cada docente considere seus alunos como pessoas em formação com demandas, sonhos e frustrações”, ressalta. Na UFF de Niterói, a Divisão de Atenção à Saúde do Estudante (Dase) - que realizou aproximadamente mil atendimentos em 2016 - oferece serviço de escuta terapêutica com psicólogos, além de projetos que visam à promoção da saúde, como oficinas, tratamentos de auriculoterapia e técnicas de meditação. “Aqui nós buscamos acolher os alunos e oferecer ferramentas para que eles possam administrar seu próprio sofrimento”, explica a psicóloga diretora do Dase, Nathalia Lacerda. Nos campi da UFF em Volta Redonda e Campos dos Goytacazes, os estudantes também encontram auxílio psicológico. O Departamento de Psicologia  e o Serviço de Psicologia Aplicada (SPA) de Campos, em parceria com a Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes), vem desenvolvendo um projeto intitulado "Cuca Legal: educação e saúde" , que tem exatamente o objetivo de promover um espaço para acolhimento e discussão sobre as principais dificuldades emocionais apresentadas pelos alunos, especialmente em seu processo de adaptação à nova condição universitária. “É possível perceber que os estudantes de um modo geral, e os fora da sede em especial, enfrentam um período de "luto" pelo afastamento de casa, da família e dos amigos. Associado à nova vivência estudantil, com as cobranças inerentes a um curso de graduação, alguns deles desenvolvem quadros de maior ansiedade ou depressão”, avalia a coordenadora de estágio do SPA de Campos, Andrea Soutto. Segundo dados da secretaria do SPA de Volta Redonda, lá são recebidos alunos das mais diversas áreas: Física, Química, Matemática, Engenharia, Direito, Administração e Ciências Contábeis. O atendimento é feito por estagiários de Psicologia, sob a orientação de professores do curso. Em atenção a essa questão, o curso de Medicina da UFF criou em 2015 o programa Nossos Futuros Médicos, que desde então oferece atendimento médico-psicológico com foco na saúde mental e no cuidado integral com o aluno. O projeto foi criado devido às demandas dos estudantes com transtornos que poderiam vir a impedi-los de continuar o curso. “Nós entendemos que a faculdade deveria oferecer um trabalho preventivo, de orientação e apoio. Dessa forma, desenvolvemos esse projeto voltado para a saúde mental e o próprio cuidado com o universitário”, explica um dos coordenadores, Jairo Werner. Na opinião de Antonio Claudio da Nóbrega, as competências acadêmicas devem ser aplicadas também no cumprimento da responsabilidade social junto à própria comunidade da UFF, como no caso do projeto Nossos Futuros Médicos. “Os docentes da área de saúde exercem tradicionalmente suas atividades formando profissionais, mas também atendendo a população como ações de extensão e pesquisa. Portanto, iniciativas que promovam saúde podem e devem ser multiplicadas não só para fora, mas também para dentro dos muros da universidade”, conclui. Abaixo, os professores Jairo Werner e Stephan Oliveira, coordenadores do projeto, dão mais detalhes sobre o programa: Como funciona o Nossos Futuros Médicos? Jairo - O projeto é dividido em três níveis. O primeiro é mais geral, formado por oficinas, vídeos, palestras, com temas ligados às necessidades que identificamos entre os alunos, com conteúdo voltado para ansiedade, sexualidade, para a questão de cuidado do corpo e até espiritualidade. Temos um segundo nível voltado para um grupo mais específico, daqueles que buscam se aprofundar nos temas apresentados. Para isso, organizamos o “Clube da Mente”, que no início era uma série de palestras e que agora se transformou em grupos reflexivos e atividades, como oficinas e ações ligadas à comunidade. O terceiro nível é oferecido especificamente para os estudantes que apresentam algum tipo de transtorno. Eles são avaliados pela nossa equipe, principalmente pelos professores psiquiatras e encaminhados para o tratamento. É o ponto mais individual e também sigiloso, que são as consultas. Por que o programa é voltado especificamente para os estudantes de medicina? Stephan - Além desse ideal de cuidar de quem vai cuidar dos outros e das demandas que recebemos, algumas pesquisas mostram dados preocupantes. Por exemplo, um estudo realizado na Faculdade de Medicina de Botucatu mostrou uma prevalência dos transtornos mentais comuns, como depressão, ansiedade, sintomas somatoformes, queixas corporais, ligados a aspectos emocionais - com uma amostra extremamente significativa de 500 alunos - com uma prevalência de 44,7% entre os estudantes de medicina. Enquanto na Universidade Federal do Espírito Santo uma pesquisa com o mesmo enfoque registrou uma prevalência de 37% de casos de transtornos mentais entre os estudantes do curso. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 90% dos suicídios poderiam ser evitados. É possível identificar um comportamento prévio nesses casos? Jairo – Normalmente essas pessoas pedem ajuda de alguma forma. Elas podem ligar sem muito assunto, meio perdidas, podem comentar algo sobre o suicídio como um pensamento recorrente e podem até se isolar.  Então, o que é indicado é que quando esses comportamentos são identificados, seja oferecido um lugar de apoio para essa pessoa, sem preconceito nem julgamentos, entendendo que esses transtornos não são sinal de fraqueza, mas de luta. É importante fazer com que a pessoa se sinta valorizada nesse momento. E, concluindo, em sua opinião, qual a importância das iniciativas de conscientização e prevenção do suicídio, como a campanha “Setembro Amarelo” (http://www.setembroamarelo.org.br/) que ocorre no Brasil desde 2015? Jairo -  Com essas campanhas, é possível conscientizar a sociedade a respeito das diferentes causas, de como auxiliar e até identificar esses transtornos psicológicos que têm graves consequências, como o suicídio, por exemplo. Então eu acredito que essas ações são importantes porque alertam para a existência desses casos, ampliando e aprofundando o conhecimento a respeito do assunto. Serviços de apoio psicológico aos estudantes da UFF: Nossos Futuros Médicos E-mail: nossosfuturosmedicos@gmail.com Local: Geal/Mequinho - UFF, Av. Jansen de Melo, 174, Centro, Niterói. Telefone: (21) 36747437 Divisão de Atenção à Saúde do Estudante (Dase) E-mail: saudedoestudante@proaes.uff.br Local: Rua Miguel de Frias, 09 Fundos - Icaraí - Niterói Telefone: (21) 2629-5320 Departamento de Psicologia de Campos E-mail: pucg@vm.uff.br Local: Rua José do Patrocínio, 71 Centro - Campos dos Goytacazes - RJ Telefone: (22) 2722-0622 Departamento de Psicologia de Volta Redonda E-mail: uff.ichs.psicologia.91@gmail.com Local: Rua Desembargador Ellis Hermydio Figueira, 783 Aterrado - Volta Redonda - RJ Telefone: (24) 3076-8739
Equipe Arariboia: UFF avança em sustentabilidade com construção de barco solarCom o objetivo de incentivar o uso de fontes alternativas de energia, a Equipe Arariboia trabalha há cinco anos na construção de um barco solar, tecnologia ainda pouco aplicada no Brasil e que pode gerar importantes avanços em sustentabilidade para o país. Criada em 2012, a equipe é composta por 40 estudantes dos cursos de engenharia elétrica, mecânica, de recursos hídricos e do meio ambiente, civil, química, de produção, além de desenho industrial. O grupo, anualmente, representa a UFF no Desafio Solar Brasil (DSB) - principal competição universitária nacional de barcos movidos à energia solar - que oferece espaço para geração de conhecimento prático aos participantes. Segundo o coordenador do projeto e do curso de graduação em Engenharia Elétrica, Daniel Henrique Nogueira Dias, o trabalho desenvolvido pela Arariboia possui grande alcance social, uma vez que as competições são realizadas em locais públicos e de livre acesso para a população. “O objetivo principal destas ações é promover a disseminação da ciência e da tecnologia para a comunidade externa e atrair cada vez mais estudantes para esta área do conhecimento”, ressalta. Dezoito equipes participam do DSB 2017, que é realizado pela UFRJ através do Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social (Nides), em conjunto com o Laboratório de Fontes Alternativas de Energia (Lafae) e a Engenharia Mecânica/Macaé. A iniciativa é inspirada no Frisian Solar Challenge - competição europeia para embarcações solares - organizada a cada dois anos na Holanda. Com planos futuros de integrar o evento náutico holandês, a Arariboia identifica no Desafio Solar uma chance para desenvolver o trabalho em equipe e a formação para o mercado de trabalho, como enfatiza a representante do grupo e estudante do 4º período de Engenharia de Recursos Hídricos e Meio Ambiente, Ana Carolina de  Souza: "A união e o contato com outros profissionais da área são fundamentais para nossa atuação no mercado de trabalho e, participando do desafio, também temos a oportunidade de conhecer as diversas etapas de produção”. O barco solar construído pela UFF é composto por um casco (fruto de uma doação da UFRJ), além de motor, bateria, placas solares e parte da direção produzidos e incorporados ao projeto pelos estudantes, sempre com o foco no melhor rendimento na competição. No laboratório localizado no Campus da Praia Vermelha, a equipe desenvolve ainda alguns sistemas que possam demonstrar no desafio o diferencial do grupo da universidade - dois motores e um tablete para coletar informações dos sensores do barco, como tensão corrente, temperatura e velocidade . Além da tradicional competição de embarcações, a equipe também participa de diversos eventos ligados ao meio ambiente com intuito, não só de divulgar seu trabalho, como de fomentar o uso das energias alternativas. A Regata Ecológica da Escola Naval, a Barqueata de São José e atividades do Projeto Grael, realizados no Rio de Janeiro, contam com a presença da Arariboia. Segundo Ana Carolina, em um momento de incentivo mundial às práticas sustentáveis, o investimento em energias renováveis além de reduzir o impacto no meio ambiente, é economicamente viável por diminuir expressivamente os custos. “Com a ideia do barco solar nós queremos mostrar que a sociedade tem a capacidade de aplicar alternativas sustentáveis no dia a dia. Nossa embarcação tem autonomia para funcionar até oito horas na água. Imagina o impacto positivo ao meio ambiente se essa tecnologia fosse implantada nas barcas que ligam o Rio de Janeiro a Niterói, por exemplo”, destaca. Incentivo às equipes universitárias Nos cursos da UFF ligados à Engenharia, as disciplinas de introdução têm papel motivador, apresentando aos estudantes os projetos, empresas juniores e áreas de atuação no mercado. “Esse incentivo faz com que logo no início da graduação possamos ver qual área queremos conhecer mais a fundo e quem sabe até atuarmos profissionalmente. Quanto mais prática tivermos, profissionais mais bem preparados seremos”, explica Ana Carolina. Para o coordenador do projeto, essas iniciativas se destacam por oferecer aos alunos a oportunidade de colocar em prática os conceitos teóricos que são abordados em sala de aula e que muitas vezes não conseguem visualizar aplicação direta. Além disso, promovem uma familiarização com o cotidiano da profissão. “A cooperação e a capacidade de resolver problemas - função principal do engenheiro -, muitas vezes sob extrema pressão, também contribuem para elevar o nível da formação destes futuros profissionais”, salienta Daniel. O fomento ao desenvolvimento de projetos por parte dos estudantes reflete na responsabilidade e na organização com que as equipes atuam. A Arariboia, por exemplo, é dividida em setores de Elétrica, Mecânica, Marketing, Gestão e Finanças, e oferece capacitações de acordo com a necessidade de cada área de atuação para os novos integrantes. “Quando nós passamos pelo processo seletivo - que é composto por dinâmica de grupo, entrevista individual e projeto final direcionado para a área de interesse - entramos no grupo sem saber muito das especificidades, então é importante para o crescimento da equipe a realização dessas capacitações”, descreve Ana. Além das bolsas oferecidas pela universidade aos projetos desenvolvidos pelos estudantes, que buscam promover o avanço científico e tecnológico na instituição, as equipes trabalham com patrocínios oferecidos por empresas privadas. A Equipe Arariboia conta com a Faperj e o CNPq, e também com empresas de componentes e tecnologias fundamentais ao projeto como a Ronstan, a Starret e a Cogumelo.
LaMAR: tecnologia avançada a serviço do desenvolvimento científico na UFFO avanço científico beneficia não somente estudantes e pesquisadores, mas principalmente a sociedade, já que áreas como a medicina, computação e engenharia, têm impacto direto na vida da população. Para isso, é preciso que as universidades invistam também em infraestrutura, pois a maioria das áreas depende de equipamentos com tecnologia de ponta para desenvolverem seus projetos. Buscando fomentar o progresso científico na UFF, foi inaugurado dia 10 de julho, no Instituto de Física, o Laboratório de Microscopia Eletrônica de Alta Resolução (LaMAR). Equipado com dois microscópios com tecnologia de ponta, o espaço faz parte do Centro de Caracterização Avançado para a Indústria do Petróleo (Caipe), financiado pelo projeto institucional ANP/Petrobrás, que envolve os departamentos de Engenharia Química, Engenharia Mecânica e Física. Segundo o professor do Instituto de Física, Yutao Xing, esses equipamentos de última geração adquiridos pela universidade representam um avanço significativo na tecnologia disponível para a realização das pesquisas. “Um deles é um microscópio eletrônico de varredura (MEV) com canhão a emissão por campo (Modelo: JSM 7100F), equipado com EDXS de SDD (Silicon drift detector - detector de derivação de silício) e detector de STEM (Scanning Transmission Electron Microscope - Microscópio eletrônico de transmissão de varredura). O outro é um microscópio eletrônico de transmissão (MET, Modelo: JEM 2100F), com tensão de aceleração de 200 kV e 80 kV. O MET está equipado com EDXS de SDD, STEM e EELS da Gatan”, descreve. Além dos microscópios, o laboratório inaugurado está equipado com um espectrômetro de fotoelétrons de raios-X e um espectrômetro de Raman - técnica fotônica de alta resolução - com microscópio de força atômica acoplado e outras técnicas de análise de superfície, essenciais para o desenvolvimento tecnológico. Com foco especial em pesquisas na área de nanotecnologia, os equipamentos descritos são fundamentais para o Caipe, conforme explica o Diretor da Escola de Engenharia e Professor Titular do Departamento de Engenharia Química e Petróleo, Fábio Passos. “Os microscópios eletrônicos utilizados são de alta resolução, o que significa que permitem a observação de materiais em escala nanométrica, que não é obtida com qualquer tipo de dispositivo”, explica. A nanotecnologia é a ciência que projeta e desenvolve produtos e processos tecnológicos pela manipulação de partículas minúsculas, na escala de nanômetros. Com seu uso, é possível desenvolver materiais ou componentes associados a diversas áreas como a medicina, eletrônica, ciência da computação, física, química, biologia e engenharia dos materiais. Pensando nesses benefícios, já estão sendo realizadas no laboratório pesquisas em nanomateriais, como nanopartículas, filmes finos, nanotubos de carbono, grafeno e catalisadores, que podem vir a gerar parcerias com empresas de petróleos, da área de energia, de materiais e aplicações na medicina. Os estudos realizados com esses elementos podem favorecer uma série de atividades, facilitando, inclusive, o desempenho de tecnologias que já conhecemos. “Com nanomateriais podemos, por exemplo, fazer com que a bateria dos smartphones carregue mais rápido e que, uma vez carregada, dure mais tempo em uso”, destaca Yutao. Segundo o professor Passos, na ocasião da inauguração do laboratório, foi realizada também a inauguração da I Escola de Microscopia Eletrônica de Alta Resolução da UFF, que contou com a apresentação de duas palestras sobre a funcionalidade dos equipamentos MET e MEV. Além disso, os usuários tiveram dois dias de treinamento avançado sobre a operação dos microscópios. “Foi um momento de aprendizagem que permitiu a capacitação de pesquisadores que serão agentes multiplicadores para a utilização dos dispositivos”, conclui.  
Enade: um compromisso de todos com a educação pública e gratuitaO Exame Nacional de Avaliação do Desempenho dos Estudantes (Enade) é o instrumento que o governo federal utiliza para avaliar o ensino superior e garantir a qualidade e eficiência da educação nos âmbitos público e privado. Ele tem como objetivo analisar o rendimento dos alunos matriculados em relação aos conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares dos cursos de graduação. Além disso, também são observadas as habilidades e as competências necessárias para a compreensão de temas exteriores ao campo específico de sua profissão, ligados à realidade nacional e a demais áreas de conhecimento. As provas são realizadas anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep) com os estudantes concluintes das áreas selecionadas, que são definidas por meio de portarias e avaliam cada curso de três em três anos. “Para o ENADE deste ano, são considerados concluintes aqueles com expectativa de conclusão do curso até julho de 2018 ou os alunos que tenham integralizado 80% para licenciaturas e bacharelados, 75% para Cursos Superiores de Tecnologia (CST) ou mais da carga horária mínima do currículo do curso até 25 de agosto”, explica o diretor da Divisão de Avaliação da UFF, Marcelo Linhares. Nas Instituições Federais de Educação Superior (Ifes) como a UFF, os bons resultados obtidos no Enade, se refletem na média dos conceitos dos cursos. Essa média tem grande representatividade no Conceito Institucional no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), que no caso da UFF, responde por cerca de 40% do Índice Geral de Cursos (IGC), fator que representa um acréscimo de até 20% no orçamento institucional. A boa avaliação no Enade é um elemento importante para que a sociedade tome partido da universidade pública e atue na construção de um argumento contrário à privatização”, afirma o pró-reitor de graduação da UFF. Bons resultados no Enade tendem, portanto, a aumentar significativamente os recursos repassados pelo Ministério da Educação (MEC) às universidades federais para serem empregados em mais e melhores programas acadêmicos, moradias estudantis, restaurantes universitários e instalações físicas em geral. “Quanto maiores os conceitos obtidos no exame por cada curso, mais recursos a universidade federal obterá para garantir, oferecer e sustentar a qualidade dos serviços prestados à comunidade”, analisa Marcelo. Já para o pró-reitor de Graduação José Rodrigues de Farias Filho, a obtenção de boas notas no Enade envolve aspectos que vão desde a atração de novos estudantes até a sinalização de ajustes necessários à melhoria dos projetos pedagógicos dos cursos e da formação acadêmica. Ele destaca, ainda, a valorização do diploma e, consequentemente, o aumento da visibilidade do curso e das possibilidades de empregabilidade dos estudantes de um curso com bom conceito. O Enade também é a base de cálculo do Conceito Preliminar de Curso (CPC), utilizado como parâmetro para diversos fins, dentre eles, a renovação de reconhecimento de cursos de graduação pelo MEC. Todos esses dados são públicos e abertos à sociedade, que por meio deles avalia a qualidade dos cursos oferecidos por uma Instituição de ensino superior pública ou privada. Os resultados adquiridos no exame são usados como parâmetro de avaliação das instituições e cursos de graduação superior no país. E, no caso das universidades públicas de ensino superior, podem ainda verificar a eficiência da aplicação dos recursos provenientes dos impostos. Segundo José Rodrigues: “A boa avaliação da UFF no Enade consolida e fortalece a ideia de uma universidade pública de qualidade. É um elemento importante para que a sociedade tome partido da universidade pública e atue na construção de um argumento contrário à privatização”. Entre os cursos da UFF habilitados ao Enade 2017 estão: O Enade não é apenas uma medida de avaliação externa. A prova é também um mecanismo de “feedback" das condições de formação dos estudantes egressos dos cursos avaliados. Com ele, as instituições de ensino podem avaliar seus projetos pedagógicos, a pertinência das suas matrizes curriculares e, inclusive, através da análise das respostas ao Questionário do Estudante, a percepção destes quanto a diversos aspectos da vida acadêmica. Com isso, o diretor da Divisão de Avaliação da UFF destaca a importância de realizar a prova de maneira responsável. “Responder adequadamente aos questionamentos - especificamente a avaliação contida no Questionário do Estudante - é uma forma de garantir, manter e sustentar uma universidade pública integralmente financiada com recursos públicos e até melhorar o perfil de nosso orçamento e, por conseguinte, dos serviços prestados a comunidade”, garante Linhares. Dessa forma, os “boicotes”, que são ações políticas organizadas pelos estudantes, têm grande impacto negativo para as instituições. “Se os resultados individuais são ruins, seja por incapacidade ou ação política dos estudantes, o curso e a instituições de ensino tendem a ser penalizados administrativamente pelo MEC e principalmente estigmatizados pela sociedade como maus cursos de graduação. No caso de cursos em universidades públicas, passam a ser vistos como um mau investimento, que eventualmente deve ser revisto. Há, portanto, nesse caso um dano de longo prazo, que pode até ser irreversível”, alerta o diretor. Para Linhares, esse tipo de ação diminui o conceito Enade e, por conseguinte, o Indicador de Diferença dentre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD), o Conceito Preliminar de Curso (CPC) e o Índice Geral de Cursos (IGC), interferindo na composição da matriz orçamentária. Assim, a instituição deixa de contar com mais recursos que poderiam ser investidos em melhorias de programas acadêmicos, infraestrutura e outros fatores. A prova do Enade 2017 será realizada no dia 26 de novembro e, além disso, os estudantes concluintes precisam acessar o site do Inep para completar o cadastro e responder ao Questionário do Estudante. Para evitar dúvidas, a Pró-Reitoria de Graduação disponibilizou no site da UFF uma seção dedicada ao Enade, inclusive com diversas perguntas frequentemente elaboradas por toda a comunidade.
PDI: participação da comunidade é essencial para avanços na UFFO Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) consiste em um documento no qual é definida a missão da universidade, para atingir as metas e objetivos institucionais para os próximos cinco anos (2018-2022). Essas propostas são estabelecidas por meio dos resultados de uma consulta pública à comunidade da UFF, da qual todos são convidados a participar – docentes, técnicos administrativos e discentes, além de moradores dos municípios onde a UFF está instalada. A colaboração da comunidade universitária é fundamental para que o PDI tenha as ferramentas realmente necessárias para atender às necessidades dos diversos públicos que compõem a universidade. Além disso, o caráter democrático da consulta pública dá voz a todos os grupos que são beneficiados pelo programa.   É fundamental que o PDI esteja intimamente articulado com a prática e os resultados da avaliação institucional realizada, tanto como procedimento autoavaliativo, como externo. Os resultados destas avaliações balizarão as ações para sanar deficiências que tenham sido identificadas nas etapas do questionário. A Comissão Própria de Avaliação (CPA/UFF) é responsável pela avaliação interna, enquanto a Divisão de Avaliação (DAV) da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) realiza a avaliação externa. Com o objetivo de propor um planejamento a longo prazo para a instituição, o PDI vai além de qualquer gestão administrativa e reflete a política de estado da UFF, orientando os gestores atuais e futuros no fomento a programas e projetos que possam contribuir para o desenvolvimento da comunidade universitária. Segundo a representante da CPA/UFF, Virginia Dresch, a Comissão de Orçamento e Metas é a responsável pela condução do processo de elaboração e acompanhamento do projeto. Anualmente, um relatório contendo a evolução dos indicadores avaliados é produzido e submetido à aprovação do Conselho Universitário (CUV). Este documento, bem como o trabalho da Comissão, é publicado no site do PDI. Após a elaboração do PDI, os gestores preparam um Plano de Gestão Anual com iniciativas destinadas ao alcance das metas propostas. Um dos indicativos acompanhados, a Taxa de Sucesso na Graduação (TSG), se refere à quantidade de estudantes de graduação diplomados e suas variações demonstram algumas necessidades da instituição. “Desde 2012, por exemplo, a TSG da UFF está decrescendo, de 59%, em 2012, à 38,44%, em 2016. As principais variáveis que incidem sobre a TSG são a evasão e retenção dos estudantes. Para elevar esse índice, todos – Conselhos Superiores, Gestão, Docentes, Técnico/as, Discentes e Comunidade Externa – precisam se engajar em ações organizadas neste sentido”, afirma Virginia. Realizado desde 2003, o atual Plano de Desenvolvimento Institucional terá a consulta pública no período de 20 de julho a 20 de setembro e definirá as metas e projetos da UFF até 2022. Projetos beneficiados no último PDI Os programas aprovados e acompanhados pelo último PDI abrangem diversas segmentos da universidade. O investimento em assistência estudantil, pesquisa, extensão, comunicação social, documentação, tecnologia da informação, arquitetura e engenharia, além de cultura, é condição essencial para o desenvolvimento e a melhoria dos serviços oferecidos pela instituição. Dentre as iniciativas beneficiadas no plano, destacam-se, por exemplo, projetos voltados à divulgação científica, capacitação, inclusão social, incentivo à inovação, mobilidade internacional e ensino de idiomas, tais como: Sensibiliza Projeto que tem como objetivo fomentar a implantação e consolidação de políticas inclusivas na UFF, o Sensibiliza, buscar eliminar as barreiras arquitetônicas, comunicacionais, metodológicas, instrumentais, programáticas e atitudinais enfrentadas pela comunidade. Desde 2008, a iniciativa vem sendo beneficiada pelo PDI, como explica a coordenadora, Lucília Machado. “Recebemos apoio para a compra de equipamentos, pagamento de bolsas aos alunos que auxiliam estudantes com deficiência, além do incentivo a projetos como as bibliotecas acessíveis, a UFF sem barreiras - destinado aos servidores - e avanços em inovação em parceria com a Agir para a produção de equipamentos”, esclarece. Incentivo à inovação Segundo o diretor da Agência de Inovação (Agir), Thiago Renaut, as bolsas de iniciação à inovação são de grande importância para uma universidade com perfil inovador como a UFF, pois através deste programa torna-se possível adotar uma postura pró-ativa em relação às tecnologias que possuem potencial de aplicabilidade, encaminhando-as para o escritório de transferência de tecnologia e para a incubadora de empresas. “Os alunos que participam destes projetos apresentam uma formação mais sólida podendo ser aproveitados em futuras pesquisas de inovação eventualmente desenvolvidas pela instituição e seus parceiros”, destaca. Bits Ciência A Bits Ciência é a revista eletrônica de Divulgação Científica, Inovação e Tecnologia da UFF, que é produzida pelos alunos do curso de Comunicação Social, coordenada pelas professoras Denise Tavares e Renata Rezende e conta com o apoio da Unitevê, canal universitário, e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Segundo Denise, o projeto foi criado com o objetivo de divulgar os trabalhos produzidos pela comunidade universitária. “A publicação permite uma visão maior da UFF como produtora de conhecimento e, além disso, integra os alunos despertando o interesse por esse novo campo de  trabalho ligado à divulgação científica”, enfatiza. Pule O Programa de Universalização das Línguas Estrangeiras (Pule) tem como objetivo possibilitar aos alunos da Universidade Federal Fluminense a oportunidade de aprendizagem de outros idiomas, agregando valor à formação acadêmica e profissional do estudante. Ao todo, são oferecidos cinco cursos gratuitos - espanhol, inglês, francês, alemão e italiano - com duração de seis semestres e material didático fornecido pelo programa. Segundo a estudante de Comunicação Social que cursa espanhol no PULE, Dayane Alves, o projeto é uma grande oportunidade para os estudantes. “Se não fosse pelo programa, provavelmente eu não poderia fazer um curso de língua estrangeira, devido aos custos. Além disso, os professores são atenciosos e o material didático é bem completo”, ressalta a aluna. Já para a doutoranda em Estudos de Linguagem e aluna de inglês do Pule, Carla Mota, o programa foi essencial para sua formação. "O Pule foi extremamente importante para mim, pois além de possibilitar o entendimento dos textos acadêmicos ao longo do mestrado, também me preparou para a prova instrumental de inglês do processo seletivo para o doutorado", conclui. 
Corrida para o sucesso: Equipe Buffalo representa a UFF na Fórmula SAEA Fórmula SAE acontece nos EUA desde 1981, entretanto, sua primeira competição no Brasil ocorreu apenas em 2004. Neste mesmo ano, através de dois ex-membros do Baja – outra competição automotiva estudantil –, a UFF iniciou sua participação no projeto com a Equipe Buffalo de Fórmula SAE.  Desde sua criação, diversos alunos passaram pela equipe, composta por estudantes de graduação de variados cursos da Escola de Engenharia da UFF, entre eles, profissionais que atuam em importantes áreas do automobilismo nacional e internacional. Seus dois fundadores, por exemplo, são hoje um engenheiro da Fórmula 1, Robert Sattler, e uma engenheira da StockCar Brasil, Rachel Lho. Outro destaque, Eduardo Malhano, está na Equipe Renault de F1 e considera sua participação no projeto um diferencial para a carreira. “Só me dei conta do quão importante a Equipe Buffalo foi depois que cheguei à F1. A entrevista que me garantiu meu primeiro emprego, na Manor Racing, foi basicamente um bate-papo de uma hora e meia onde conversamos apenas sobre Formula SAE”, comenta o engenheiro. Para o capitão da equipe, Yuri Herisson, o ambiente descontraído e amigável, mas com cobranças e metas profissionais, é fundamental para o futuro dos integrantes. “Aprendemos a trabalhar em equipe, com prazos, metas e sob pressão, tudo que um engenheiro ou qualquer outro profissional enfrenta em seu dia a dia. Além disso, é importante ressaltar que esses projetos ajudam na consolidação e no aprimoramento dos conhecimentos aprendidos, promovendo experiências nas áreas de atuação”, descreve o capitão. Só me dei conta do quão importante a Equipe Buffalo foi depois que cheguei à Fórmula 1", comenta Eduardo.  A participação em iniciativas como a Fórmula SAE é cada vez mais importante para os estudantes. O contato direto com o desenvolvimento e a concepção de protótipos representa um diferencial profissional. “Muitos dos engenheiros mais jovens que estão entrando nas equipes de Fórmula 1 participaram ativamente de projetos durante a vida acadêmica”, enfatiza Eduardo Malhano. Na Fórmula SAE Brasil, os carros são avaliados em diferentes aspectos. Durante três dias de evento, as equipes são desafiadas a apresentar suas ideias para profissionais do ramo automotivo, sendo avaliada a qualidade juntamente com sua viabilidade econômica dentro do mercado. Os carros passam por provas estáticas e dinâmicas, analisando cada performance na pista, assim como a parte técnica, que inclui planejamento, custo e uma apresentação de marketing. O processo seletivo costuma acontecer semestralmente e possui quatro etapas que se assemelham ao mercado profissional. As provas cobram desde conhecimento sobre a equipe até raciocínio lógico e redação. A dinâmica de grupo avalia o perfil comportamental. Nas entrevistas, busca-se conhecer melhor as reais intenções de cada candidato, além de suas qualificações. E, por fim, o treinamento pretende capacitar os futuros integrantes e avaliar questões como desempenho e dedicação. Os treinamentos, aliás, representam uma troca de conhecimentos entre a equipe. “Os membros mais experientes passam uma aula geral sobre os projetos com suas funções, seu funcionamento e os objetivos. Além disso, a experiência da equipe com diversos softwares é passada aos novos integrantes, indo desde os mais básicos, como editores de planilhas, até programas complexos muito utilizados nas grandes indústrias”, explica Yuri. A participação em diversas áreas do projeto proporciona um amplo aprendizado do conhecimento de engenharia. Os membros trabalham em diferentes setores de produção dos carros, como exemplifica Eduardo Malhano. “No primeiro ano, eu ajudava na fabricação e na montagem de todas as áreas, que é mais ou menos como todos começam. No segundo ano, entrei para a equipe de suspensão e ganhei um pouco de experiência de projetos juntamente com mais responsabilidade. Em 2012, com a renovação da equipe que acontece praticamente em todos os anos, virei chefe do grupo de suspensão”. A equipe conta com 30 parcerias atualmente, que envolvem principalmente empresas associadas ao setor automobilístico, além de outros projetos desenvolvidos na universidade, como o Blackbird Aerodesign UFF , Equipe Araribóia , Equipe Tuffão Baja SAE e o Faraday Racing.
UFF marca presença na Antártica com pesquisa sobre questões climáticasBuscando entender o funcionamento e as consequências das transformações ambientais ligadas a questões climáticas, a professora do Departamento de Geografia, Rosemary Vieira, criou o Laboratório de Processos Sedimentares e Ambientais (LAPSA), que realiza estudos na Península Antártica e nas montanhas Ellsworth, através de expedições realizadas anualmente, além de desenvolver projetos no Brasil, na região amazônica e em lagunas costeiras, como a Baía de Guanabara. Os estudos se fundamentam principalmente na coleta e análise de sedimentos marinhos (dos mares), lacustres (dos lagos) e terrígenos (da terra ou do continente) e de dados geofísicos. Com os sedimentos são feitas análises granulométricas, composição mineralógica, análises biogeoquímicas e datação, entre outras atividades. Já os dados geofísicos geram mapas e visualização em 3D do fundo marinho, além de imagens do subfundo. Com isso, são identificadas e interpretadas as características morfológicas do relevo e também das geleiras mediante imagens de satélites. Com pesquisas baseadas na paleoclimatologia, ou seja, nas variações climáticas ao longo da história da Terra, o grupo analisa a sedimentação, que tem o potencial de construir um arquivo de eventos, registrando a sequência de processos locais. “O exame cuidadoso de sedimentos e das geoformas – submarinas e subaéreas – tem o potencial de revelar variações dos padrões dos processos sobre a superfície em escala temporal e espacial, permitindo a reconstrução de ambientes passados e mudanças ambientais”, explica a professora Rosemary. Para que haja um entendimento amplo dos processos estudados, o LAPSA promove interações com outras unidades da UFF, tais como os institutos de Física e Biologia e os laboratórios da Engenharia Química. Além disso, o laboratório é parte integrante do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que compõe o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera (INCT-Criosfera). As parcerias se estendem ainda para Universidades e Centros de Pesquisa estrangeiros, como a Universidade do Chile e o Instituto Antártico Chileno. Expedição Antártica Considerada um laboratório natural por muitos pesquisadores, a Antártica é um continente extremamente preservado e sensível a variações. O estudo desta região é fundamental para o entendimento das questões climáticas, afinal, o que acontece lá pode influenciar diferentes meios,  incluindo a agricultura e o regime de chuvas do Brasil, por exemplo, como explica o doutorando Fabio José Guedes Magrani. “A América Latina é impactada diretamente pelo que acontece no clima da Antártica. As  massas de ar polar vindas da região ocasionam frentes frias no Brasil e as águas geladas da Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, são correntes Antárticas, por exemplo”. Coordenada pelo professor Arthur Ayres Neto, a expedição Antártica é realizada todos os anos e dura em torno de 30 dias. Com participação ativa dos estudantes de graduação, mestrado e doutorado, os pesquisadores trabalham nos navios da Marinha do Brasil que levam os grupos de pesquisa para a região. “Durante o período em que estamos lá, fazemos principalmente aquisição de dados e processamentos de amostras que tenham que ser feitos imediatamente”, descreve Arthur. A partir do lançamento de tubos que coletam testemunhos – amostras do fundo do mar com, em média, seis metros e que representam aproximadamente 10 mil anos de história – o grupo adquire as informações necessárias para dar andamento à pesquisa quando retorna ao laboratório no Brasil. “Essas informações fornecem pistas importantes sobre a origem, a área fonte, que processos atuaram no transporte e na deposição, entre outras”, explica Rosemary. LAPSA na Amazônia e Baía de Guanabara O laboratório atua também em projetos desenvolvidos em ecossistemas tropicais, coordenados pelo professor Humberto Marotta. Tais projetos realizam análises no interior e na costa do Brasil, por meio do convênio iberoamericano entre Brasil, Chile e Espanha, que formam a rede Laboratório Internacional de Mudanças Globais. A participação em diferentes expedições em lagos no interior da Floresta Amazônica e do Pantanal desde o início das atividades do LAPSA tem buscado a obtenção de dados para um melhor entendimento dos efeitos das mudanças globais sobre a produção e a apreensão de gases que incrementam o aquecimento global pelo denominado efeito estufa. “Ao longo dos últimos anos, estudou-se uma ampla variedade de lagos, os quais recebem águas, por sua vez, de grandes rios amazônicos, como Amazonas, Negro e Tapajós, ou do Pantanal, como Paraguai e Miranda”, relata Humberto. Nas zonas costeiras há inserção em projetos interinstitucionais como o Programa Ecológico de Longa Duração da Baía de Guanabara. O objetivo de tal programa é avaliar o papel da poluição sobre a liberação de gases que contribuem ao aquecimento global, questão essencial no estudo das alterações do clima.      
Reafro: projeto da UFF Campos debate liberdade religiosa nas escolasA partir do interesse em estabelecer debates sobre a questão da liberdade religiosa na sociedade – principalmente através das escolas –, os docentes do departamento de História da UFF Campos, Erika Arantes e Rodrigo de Castro, fundaram o grupo de pesquisa denominado Relações Étnico-raciais e Religiões Afro-brasileiras (Reafro). Como parte da iniciativa, foi criado, também, o curso sobre intolerância religiosa, que almeja expandir os questionamentos acerca do tema nas instituições de ensino, considerando a importância da inclusão dos professores da educação básica nas atividades. O projeto busca conscientizar principalmente os educadores, que são os que lidam cotidianamente com situações de preconceito em sala de aula, levando em conta a importância do ensino pautado no respeito e na inclusão. “Acreditamos que cada professor e futuro professor levará esse debate para sua escola, objetivando uma educação que não discrimine, mas que acolha”, reflete Erika. É preciso que escolas e professores se engajem na luta antirracismo”, enfatiza Erika. Fruto de um edital lançado pela Pró-Reitoria de Extensão UFF (Proex) em parceria com a Fundação Palmares, voltado para a temática da Liberdade Religiosa, o curso – que teve início em 25 de maio de 2017 –, propõe debates sem hierarquias de saber, ou seja, um local onde todos aprendem e ensinam a partir dos encontros. Nessa perspectiva, o curso conta com convidados que, além de desenvolverem estudos relacionadas à questão das religiões afro-brasileiras, também são educadores da rede pública e/ou possuem uma militância em torno dessa questão, como os pesquisadores Fernando Sousa, Pedro Castanheira de Freitas, Mannu Ramos, Luiz Rufino, Pauline Idelfonso, Clé Almeida e Rosa Maria Moreira Salles. Apesar da grande procura - cerca de 500 inscritos - o fato é  que ainda existe resistência quando se trata de Religiões Afro-brasileiras. Críticas, exclusão dos praticantes e até mesmo agressões são, infelizmente, recorrentes no país. Na universidade também existe rejeição à temática, no entanto, alunos de diversas religiões participam do curso de extensão, o que pode refletir, no futuro, em avanços no respeito às diferenças. E no que depender do Reafro, a desconstrução de preconceitos referentes às diversas religiões será cada dia mais presente na sociedade brasileira. “Ao final do curso, como fruto das discussões, elaboraremos um documento, a ser levado ao poder público, com propostas de contribuições para a erradicação da intolerância religiosa nas escolas”, informa a professora Erika. A seguir, Erika Arantes explica um pouco mais sobre a relação entre racismo e educação no Brasil. Como está a situação atual da intolerância religiosa nas escolas? Infelizmente, estamos bem longe do ideal. Os relatos que chegam para nós, e minha própria experiência de quase dez anos como professora de escola básica, mostram como as religiões afro-brasileiras ainda são alvo de preconceito e discriminação. Devemos lembrar que essa situação se relaciona diretamente com o racismo estrutural presente em nossa sociedade e a escola reflete o comportamento racista. Esse racismo, traduzido em atos discriminatórios, ocorre entre os próprios alunos – com violência e exclusão dos adeptos dessas religiões –, mas também vem dos próprios educadores e direção, que reproduzem esse processo violento  e exclusivo. Como a discriminação pode ser combatida? Para combatermos a discriminação às religiões afro-brasileiras, é preciso combater não só o racismo, mas também os mecanismos sociais e econômicos que garantem a sua reprodução. E nisso, a educação tem um papel fundamental. É preciso que escolas e professores se engajem na luta antirracismo. Os educadores não podem fechar os olhos para a questão, não podem achar que "é brincadeira normal de criança". Qual o papel da escola no combate à discriminação? A escola precisa intervir em casos de discriminação e promover atividades que visem o combate a ações discriminatórias. Além disso, é preciso discutir os currículos escolares, ainda muito pautados em uma visão eurocêntrica e excluindo outros saberes e temporalidades. Para tanto, é preciso que as licenciaturas, cursos de formação de professores, contribuam para que esses educadores sejam formados numa perspectiva educacional não racista, que leve em conta todas as diferenças - raciais, culturais, sociais, entre outras -, e que explicite as relações de poder que estão por trás da produção das desigualdades. Qual a importância de iniciativas como o curso sobre intolerância religiosa para a sociedade em geral? Acho que a importância é trazer o debate e espalhar a reflexão. Esperamos que os professores e também nossos alunos (a maioria futuros educadores) saiam desse curso mais instrumentalizados para tratar a questão da intolerância em suas escolas. Também acho fundamental a democratização do espaço da universidade, estreitando o diálogo entre esta, os professores e os movimentos sociais de luta contra a discriminação.
UFF Volta Redonda avança em estudos sobre sustentabilidadeCriado em abril de 2016, o Centro de Estudos para Sistemas Sustentáveis (Cess), da Escola de Engenharia Industrial Metalúrgica do campus de Volta Redonda, tem como objetivo desenvolver projetos que fomentem a sustentabilidade dos serviços urbanos, industriais e logísticos, em âmbito nacional e internacional. Coordenado pelo professor do departamento de Engenharia de Produção Newton Narciso, o projeto possui quatro linhas de pesquisa principais, que são: Logística Humanitária, Portos Sustentáveis, Energia Renovável e um sistema de Gestão e Controle de água de lastro de navios, além de projetos na área de Logística e Transporte. Os temas abordados representam campos de estudo novos ou pouco difundidos para a sociedade brasileira. A reciclagem de navios, por exemplo, que é parte de um dos estudos do Cess, tem pouco destaque no Brasil, enquanto países como Índia, Paquistão e Bangladesh já adotaram a prática desde a década de 70, apesar de não ser de maneira sustentável. Já na Comunidade Europeia existem, inclusive, leis para o desmonte de navios que atendem a normas de sustentabilidade - iniciativa que o grupo de pesquisadores da UFF busca impulsionar na indústria nacional. Para o Cess, é fundamental ampliar os estudos a respeito dessa temática, visando promover o retorno econômico e garantir também que os recursos disponíveis hoje sejam acessíveis para as gerações futuras, afinal, o Brasil atualmente, rico em energia solar, eólica, das ondas e marés, é um dos países que menos utiliza esse seu potencial. “Baseado na pesquisa que estamos realizando sobre sustentabilidade portuária, a estimativa é que os portos brasileiros percam 500 megawatts por ano por não utilizar energia solar”, afirma o professor Newton. Segundo o coordenador do projeto, existem alguns entraves culturais e de conhecimento que dificultam a utilização de toda capacidade energética nacional. “Quando se trata de sustentabilidade e energias alternativas é comum o choque no primeiro momento, de olhar e falar ‘nossa, nós estamos desperdiçando tudo isso?’, mas depois já vem a pergunta ‘quanto custa?’, e o questionamento não deveria ser esse, mas sim ‘como podemos aplicar isso?’. O valor é bem relativo, afinal, hoje pode ser caro, mas se você fizer uma estimativa para daqui a 30 anos, haverá um retorno significativo sobre o investimento naquela tecnologia”, ressalta. Além do incentivo ao desenvolvimento sustentável, o Cess possui outra importante diretriz. Uma de suas linhas de pesquisa, a Logística Humanitária, tem como foco assistir populações vitimadas por desastres naturais. “Estamos estudando as consequências das últimas tragédias acontecidas nas cidades de Teresópolis, Petrópolis e Angra dos Reis - por conta das chuvas - na busca de criar soluções inovadoras que ajudem a identificar e mensurar os impactos socioeconômicos nesses locais”, relata Narciso. Devido à relevância das pesquisas, o centro de estudos firmou importantes parcerias internacionais. Desde agosto de 2016, os pesquisadores participam do Network for Business Sustainability, instituição canadense composta por especialistas acadêmicos mundiais e líderes empresariais que desenvolvem trabalhos na área de sustentabilidade. O grupo brasileiro se destaca frente às outras instituições participantes por atuar com questões sociais e logísticas. Como proposta acadêmica, o Cess busca criar na UFF um espaço de fomento ao pensamento sustentável, permitindo que os alunos conheçam e tenham contato mais estreito com a comunidade externa. Segundo o professor Newton, os questionamentos acerca do mundo que se deseja são valores transmitidos no laboratório. “Eu acredito que nós, da engenharia, precisamos tocar o lado humano, porque, nessa área, fazer conta todos nós sabemos. Mas que engenheiros nós formaremos? Afinal, são as pessoas que vão resolver os problemas da sociedade. Elas devem olhar para o próximo e não apenas se preocupar em ganhar dinheiro”. Para os alunos que fazem parte do projeto, são muitas as oportunidades de conhecimento e prática. “O Cess gera valor agregado em diferentes áreas relacionadas aos interesses profissionais e acadêmicos, com destaque para a sustentabilidade, que é considerada um dos pilares da pesquisa social e científica do próximo século”, enfatiza o mestrando da UFF, formado em Engenharia de Produção, Euler Sanchez. Já para o graduando em Engenharia Elétrica, Caio Mariano, conciliar tecnologia e sustentabilidade é um diferencial. “As pesquisas dão enfoque na modernização ou no melhor aproveitamento sem que isso agrida ou prejudique o meio em que vivemos”, acrescenta o estudante. Universidade Sustentável A principal iniciativa de fomento ao desenvolvimento de projetos na área da sustentabilidade na Universidade Federal Fluminense é o Plano de Logística Sustentável (PLS). O projeto, que se encontra em fase de elaboração, baseia-se em um processo de coordenação do fluxo de materiais, serviços e informações, do fornecimento ao desfazimento, que considera a proteção ambiental, a justiça social e o equilíbrio dos desenvolvimentos sustentável e econômico. Segundo a presidente da comissão de implantação, Deise Faria, o PLS deve promover interações entre cursos e unidades, fomentando assim, avanços em práticas sustentáveis na UFF. “O objetivo do plano é unificar as ações de sustentabilidade na instituição, divulgando o que está sendo realizado nos diferentes campi e permitindo também uma troca de experiências positivas entre todas as unidades da universidade”, explica Deise. A comissão gestora é composta por um membro de cada pró-reitoria e de cada superintendência da UFF e a expectativa é de que o Plano de Logística Sustentável entre em vigor no final de julho de 2017.
Alunos da UFF integram equipe premiada em concurso de Robótica na NasaA participação de uma equipe brasileira de estudantes em uma competição da NASA ganhou destaque nos veículos de comunicação não só pela dedicação desses jovens, mas pelo ineditismo da empreitada. O grupo denominado SpaceTroopers foi o primeiro a representar o Brasil no NASA Human Exploration Rover Challenge, evento que em março de 2017 teve sua 24º edição, reunindo estudantes de vários países. O grupo é formado pelos alunos de Engenharia Química da UFF Nathalia Pires e Fellipe Franco, além de Yago Dutra, Larissa Ferreira, Rafaela Bastos e Alexandre Rodrigues, que cursam o ensino médio em escolas de São Gonçalo e Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Juntos, os seis colecionam mais de 50 medalhas em competições científicas regionais, nacionais e até internacionais. Para participar do concurso, os jovens construíram seu próprio Rover – veículo de exploração espacial – que concorreu em Huntsville, no Alabama. “O projeto se desenvolveu superando desafios com a construção, os materiais, a funcionalidade do equipamento e até a inscrição, já que o Brasil não aparecia entre os países na lista de inscritos”, relembra a aluna da UFF e integrante dos Spaces, Nathalia. Entre os prêmios conquistados pelos brasileiros, estão o “Jesco von Puttkamer International Team Award”, destinado à melhor equipe internacional  e o “Pit Crew Award”, voltado ao grupo que melhor solucionou as questões que envolveram a atuação do rover durante a competição, considerando critérios como a criatividade e a dedicação destinadas ao projeto. Segundo o professor e chefe de Departamento de Engenharia de Telecomunicações da UFF, João Marcos, a presença de uma equipe brasileira no NASA Human Exploration Rover Challenge é de grande importância para o futuro da robótica nacional. “O Brasil precisa cada vez mais formar pessoas com habilidades e criatividade nessa área. Não podemos ficar de fora dessa nova onda para que não sejamos, mais uma vez, um mero importador de tecnologia”, enfatiza. Acredito que abrimos uma porta para diversos alunos e que a nossa participação em uma competição da NASA servirá de estímulo para muitos jovens", destaca Nathalia. O investimento no país, entretanto, é limitado. Quando se fala em robótica, ainda se tem em mente robôs em linhas de montagem e submarinos que auxiliam na exploração de petróleo e gás. Contudo, há muitos outros usos em campos que somente agora estão ganhando destaque no mundo, tais como auxílio a cirurgias, veículos autônomos (terrestre, aquático e aéreo), sondas de exploração, vendas diretas ao consumidor e em substituição a um ser humano em operações industriais de grandes riscos, além da nanorobótica. Felizmente, o interesse por esse campo de conhecimento vem crescendo entre crianças e jovens. “Seja pela interação através de filmes e jogos, pelas tecnologias em geral que a cada dia se tornam mais disponíveis ou até mesmo por um primeiro contato com a área em algumas escolas que tomaram a bela iniciativa de incluí-la em seus currículos”, explica, entusiasmado, João Marcos. Incentivando o desenvolvimento da pesquisa e da aplicação da robótica, a UFF contribui para projetos dentro da universidade. Entre as iniciativas estão o UFFight e o PET-Elétrica, que além de produzirem tecnologias, promovem o avanço de estudos na área. UFFight Robótica O projeto de extensão, que realiza suas atividades na Escola de Engenharia Industrial de Volta Redonda, busca incentivar o estudo de novas tecnologias introduzindo os estudantes à robótica através da produção de robôs – sejam eles completamente autônomos ou controlados por membros da equipe – para competições latino-americanas. Para os participantes, a aplicação da robótica faz toda diferença na formação como profissionais. “Acreditamos que, em um mundo cada vez mais tecnológico e automatizado, é fundamental para a formação de um engenheiro ter conhecimento na área. No UFFight, o aluno realiza os projetos mecânico e eletrônico, além da programação, ou seja, aprende tudo que envolve o processo de projetar e construir um robô”, explica Sérgio Ribeiro, capitão da equipe. Nos últimos anos, o UFFight conquistou os prêmios de 1º lugar no Torneio de Robótica do IFRJ na categoria Seguidor de Linha, 2º lugar no Summer Challenge 2015 (RoboCore) na categoria Sumô 3kg Rádio Controlador e 2º e 3º lugar nas categorias Seguidor de Linha e Mini Sumô Autônomo 500g, respectivamente, da 1º Copa Serrana de Robótica. Com os bons resultados conquistados, a equipe tornou-se referência nos quesitos programação, eletrônica e robótica em geral na região sul fluminense. PET-Elétrica O PET-Elétrica é um grupo do programa de educação tutorial institucional da UFF (Propet), formado por alunos que, sob orientação de um tutor, desenvolvem atividades que articulam ensino, pesquisa e extensão voltados para a iniciação científica. Entre as propostas desenvolvidas está o projeto “Robótica Educacional”, que visa apresentar o uso dessas tecnologias como ferramenta de difusão da Engenharia no ensino fundamental e médio. “Organizamos competições na Escola de Engenharia envolvendo alunos de alguns colégios – dentre eles o Colégio Universitário Geraldo Reis (COLUNI) –, e produzimos materiais didáticos para professores aplicando a robótica nas disciplinas de Física e Matemática”, explica o tutor e professor, Vitor Hugo. Além de incentivar o conhecimento da área entre os jovens, o programa desenvolve tecnologias e materiais voltados, entre outros assuntos, à inteligência computacional, fontes renováveis de energia, empreendedorismo e criação de aplicativos, oferecendo ainda materiais de estudo e minicursos para aproveitamento científico. Conhecimento que gera desenvolvimento Projetos como esses são de extrema importância para o posicionamento nacional em relação aos avanços tecnológicos. Segundo o professor João Marcos, os resultados deste investimento intelectual podem gerar vantagens para o país. “O maior resultado a longo prazo será o domínio da tecnologia em si, principalmente na parte dos algoritmos que fazem os equipamentos funcionarem, considerada de maior valor agregado”, afirma. Dentre os integrantes do PET-Elétrica, é consenso que as tecnologias devem fazer parte do ensino brasileiro. “É necessário um rompimento com o paradigma tradicional das salas de aula, migrando de um modelo em que o estudante é passivo no processo de aprendizagem para uma relação onde ele participa ativamente. Neste sentido, o uso de tecnologia pode contribuir para atração e motivação dos estudantes na busca do conhecimento, ao integrá-los efetivamente no processo de construção do aprendizado”, enfatiza Vitor Hugo. Com o exemplo dos SpaceTroopers, fica a inspiração para que se fomente o estudo, as competições e a participação brasileira em projetos envolvendo robótica e tecnologias, possibilitando, assim,  o desenvolvimento científico nacional. “Acredito que abrimos uma porta para diversos alunos e que a nossa participação em uma competição da NASA servirá de estímulo para muitos jovens que se interessam por esse campo de conhecimento”, conclui a integrante dos Spaces, Nathalia Pires.
Educação e cultura traduzidas em esporte na UFFNos últimos anos, o Brasil sediou dois grandes eventos esportivos, a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016, que além de estimularem o gosto pela prática esportiva, fomentaram o surgimento de projetos sociais com essa temática. A UFF, conhecida não só pelo ensino e pela pesquisa de alto nível, mas também pelo apoio ao esporte universitário, vem desenvolvendo, em parceria com o Ministério dos Esportes, projetos de incentivo a essas atividades como ferramenta de inclusão social, instrumento pedagógico e lazer. Segundo o reitor da Universidade Federal Fluminense, Sidney Mello, o investimento no esporte é fruto do caráter construído pela instituição. “A UFF é uma universidade jovem e vibrante, que fervilha com a criação de atléticas, campeonato interno anual e atividades em nível nacional. Além disso, aqui já foram criados projetos como o UFFEsporte e a UFFAtiva, voltados à sociedade acadêmica”, destaca. Desde 2014, quando a parceria com o Ministério dos Esportes teve início, a UFF se comprometeu a estimular atividades esportivas em seus campi e entornos, abrangendo várias cidades do Estado do Rio de Janeiro. Com isso, foram criadas uma série de iniciativas na área que já fazem parte da agenda de toda comunidade e visam unir esporte, cultura e lazer. Corrida e Caminhada UFF O primeiro evento realizado, intitulado Corrida e Caminhada UFF, já teve uma edição em Niterói, duas em São Gonçalo e uma em Itaboraí. Caracterizadas por circuitos que ocorrem nas ruas dessas cidades, as corridas contam com a participação de atletas profissionais e amadores e de toda a população interessada. De acordo com o Coordenador de Projetos de Esporte da UFF, Leonardo Perdigão, o foco desta corrida é promover eventos voltados ao lazer para a comunidade. “As corridas buscam mostrar que a universidade é mais que uma produtora de conhecimento, ela está preocupada com a sociedade na qual se insere, com a inclusão, com a oferta de atividades lúdicas e com o estímulo à prática do exercício físico”, ressalta. Programa Esporte e Lazer nas Cidades (Pelc) Destinado a crianças e adolescentes, o Programa Esporte e Lazer nas Cidades (Pelc), visa atender comunidades carentes com atividades esportivas, de lazer e culturais. Com um total de 15 núcleos, sendo 11 em São Gonçalo e 4 dentro da UFF, o Pelc oferece práticas esportivas gratuitas como futebol, voleibol, ginástica, dança, xadrez, contação de histórias, cinemateca e skate. “O projeto conta com material fornecido pelo Ministério dos Esportes e apresenta esse viés comunitário, de forma a disponibilizar o acesso não só a práticas esportivas, mas também a uma nova e divertida forma de educação”, explica Leonardo. Coordenadora de um dos núcleos do projeto inserido na Faculdade de Direito da UFF, Nelma Cezáreo descreve sua experiência. “No início da implantação, fomos à Comunidade do Morro do Palácio e fizemos em torno de 100 inscrições, tendo uma excelente receptividade por parte da população. Temos alcançado o objetivo de difundir a iniciativa extramuros com resultados que contribuem cada vez mais para solidificar a formação da educação cidadã nesta região”, enfatiza. Brincando com Esporte Outro projeto voltado para os jovens, o Brincando com Esporte, apresenta os mesmos moldes do Pelc, mas sua implantação no período de férias escolares oferece atividades que funcionam como colônias de férias em 50 municípios do Rio de Janeiro, proporcionando, assim, atividades de lazer e cultura que promovem a inclusão social. Entre os polos que sediaram o projeto estão unidades escolares, centros esportivos, parques, clubes, praças e quadras esportivas e outras instituições com condições adequadas para o desenvolvimento das atividades. Projeto Alto Rendimento – Circuito UFF- Rio Triathlon Além da vasta experiência com a realização de eventos esportivos, a Universidade Federal Fluminense, em nova parceria com o Ministério dos Esportes e a Federação de Triathlon do Rio de Janeiro, está em processo de expansão da sua atuação no fomento aos esportes. O Circuito UFF – Rio Triathlon é a mais nova empreitada da universidade na gestão de eventos também de caráter competitivo. Com o sucesso das duas provas de Triathlon, realizadas em março e maio de 2017 na Pedra do Pontal, do Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro, a expectativa é grande para os próximos eventos da competição. No dia 21 de maio, a Praia de Itaipu, em Niterói, sediará o Aquathlon. Já no dia 04 de junho, na Enseada de Botafogo será palco do Duathlon. Entusiasmado com a participação da universidade, Sidney Mello enfatiza o foco do projeto no legado olímpico. “Com esse projeto, a UFF almeja garantir competições de alto nível, criar base para competidores amadores e de elite, mostrando o Estado do Rio de Janeiro como importante cenário desportivo nacional. A UFF tem atletas competitivos em sua comunidade e pode despertar muitos outros, já que está presente em todo o Estado e tem, portanto, capilaridade em muitas cidades fluminenses”, acrescenta o reitor, também atleta amador de triathlon. Além disso, Sidney destaca o valor da parceria e do investimento nessas práticas para a sociedade. “Esporte é vida e representa elemento importante de inclusão social, educação, saúde e integração entre os povos. O Ministério dos Esportes e a UFF, em conjunto, sublinham o caráter social educativo do esporte e sua importância para a população brasileira”, conclui.
Doença renal crônica: mais de 500 pessoas atendidas em projeto da NutriçãoQuando se trata de problemas renais é comum pensar de imediato nos conhecidos cálculos e infecções, entretanto, disfunções relacionadas aos rins podem ser graves e gerar até falência do órgão, como é o caso da doença renal crônica (DRC). Caracterizada pela perda progressiva e irreversível das funções dos rins, a doença tem como principais causas no Brasil a hipertensão e a diabetes, seguidas de obesidade e glomerulopatia. Um dado agravante é que devido à demora em apresentar sintomas, cerca de 70% dos pacientes descobrem tardiamente o desenvolvimento da enfermidade, aumentando assim os casos com necessidade de diálise e transplantes. A incidência de casos é tão preocupante que a DRC é considerada hoje em dia uma questão de saúde pública, principalmente pela falta de conhecimento por parte da população. Pensando nisso, a Sociedade Brasileira de Nefrologia realiza anualmente uma campanha pelo Dia Mundial do Rim – comemorado em 2017 no dia 9 de março –, com o intuito de conscientizar a sociedade a respeito dos riscos e das formas de prevenção. Buscando oferecer tratamentos nutricionais a doentes renais crônicos e desenvolver pesquisas sobre a disfunção, a UFF conta com um ambulatório de nutrição renal coordenado pela professora Denise Mafra. Os pacientes encaminhados ao ambulatório passam por uma reeducação alimentar baseada em dietas hipoproteicas e são acompanhados para que a função renal se estabilize. O projeto conta com a participação de estudantes de Nutrição, da graduação ao pós-doutorado, o que permite resultados práticos, estudos aprofundados e, consequentemente, avanços no tratamento. Uma vida saudável com dieta equilibrada, prática de exercícios e tratamento adequado de doenças como hipertensão e diabetes, pode prevenir o desenvolvimento da doença renal crônica”, enfatiza Denise Mafra. De acordo com a coordenadora do projeto, informações a respeito da doença são um grande passo para a redução dos casos. Ainda que seja uma enfermidade silenciosa, existem formas de prevenir e acompanhar o funcionamento renal por meio dos exames de rotina. “Assim como o colesterol e a glicose são verificados, a creatinina é um marcador importante para a função dos rins, principalmente nos pacientes diabéticos e hipertensos, e deve ser acompanhada. Além disso, uma vida saudável com dieta equilibrada, prática de exercícios e tratamento adequado de doenças como hipertensão e diabetes, pode prevenir o desenvolvimento da disfunção renal crônica”, enfatiza a professora. A seguir, Denise Mafra, explica um pouco mais sobre o projeto: Como surgiu o ambulatório? O ambulatório surgiu em 2009, motivado pelas pessoas que perguntavam se eu atendia pacientes com doença renal crônica. Na época eu tinha uma aluna da iniciação científica e em 2010 iniciamos o projeto de extensão do Ambulatório de Nutrição Renal. Com o tempo, a proposta foi tomando uma grande proporção devido à divulgação nos postos de saúde, com os nefrologistas do Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap) e da rede básica de saúde, que passaram a encaminhar pacientes para cá. Hoje em dia nós temos mais de 350 pacientes sendo atendidos por mim e pelas mestrandas, doutorandas e pós-doutorandas que trabalham comigo. Como é feito o tratamento no ambulatório? Quando o paciente chega ao ambulatório, pedimos que ele já traga o exame bioquímico apresentando os níveis de creatinina, porque aqui é feito um cálculo através de um aplicativo que mede a função renal. O normal é que essa função esteja em média 100 ml/min., mas nos casos de doença renal crônica os níveis vão diminuindo e quando marcam 10 ml/min., esse paciente precisa ser encaminhado para a diálise. Dessa forma, quando ele chega com os exames, fazemos esse cálculo, seguido de uma avaliação antropométrica para verificar as medidas e um questionário alimentar para saber quais os hábitos do paciente. A partir daí o tratamento se inicia com base em uma dieta hipoproteica, ou seja, uma dieta com quantidades diminuídas de proteína. Para que essa dieta seja seguida corretamente e gere bons resultados, realizamos aqui uma educação nutricional com o paciente, orientando quanto ao sal e quanto às quantidades e os alimentos ingeridos, por exemplo. Quais pesquisas são desenvolvidas no ambulatório atualmente? Todas as pesquisas realizadas aqui contam com a participação dos pacientes. Nós aprovamos no comitê de ética e os que aceitam contribuir assinam um termo de consentimento. Dessa forma, nós temos duas pesquisas de doutorado, uma que avalia se essa dieta hipoproteica que é prescrita aqui diminui os níveis de inflamação e outra a respeito da modulação da microbiota intestinal por essa dieta, além de uma pesquisa de mestrado avaliando os efeitos da dieta hipoproteica em alguns marcadores cardiovasculares. Nesse sentido, já realizamos oficina de culinária com a participação dos pacientes de forma a apresentar a dieta e motivar uma maior adesão e publicamos artigos mostrando que essa microbiota intestinal se altera em pacientes com doença renal crônica, levantando a hipótese de que a ingestão de grande quantidade de proteína pode gerar toxinas urêmicas que não são adequadamente administradas pelo rim do paciente renal crônico. Os alunos do curso de Nutrição participam ativamente do projeto? Sim, o ambulatório é muito divulgado na minha disciplina. Além das mestrandas, doutorandas e pós-doutorandas já citadas, eu conto com alunos do curso de Nutrição atuando no estágio interno e no desenvolvimento acadêmico. Esses alunos de graduação acompanham os atendimentos e realizam a avaliação nutricional dos pacientes. Assim, o projeto passa pela pesquisa, pelo ensino e pela extensão, criando uma ligação interessante e necessária entre as mais diversas áreas da Nutrição. SERVIÇO: Telefone: 2629-9862 E-mail: nutricaorenal@gmail.com Endereço: Faculdade de Nutrição - UFF - Rua Mário Santos Braga, N°30, 4° andar, Valonguinho - Niterói RJ. Horários de atendimento: Terça das 8h às 12h e das 14h às 17h / Quinta das 14h às 17h / Sexta das 8h às 12h.
UFF inaugura primeiro Museu de Memes do BrasilA Universidade Federal Fluminense, através do Departamento de Estudos Culturais e Mídia, surpreendeu com sua criatividade ao inaugurar um museu virtual que, além de fornecer amplo acervo, propõe o estudo dos memes - fenômeno cultural típico da internet - como objeto de pesquisa. Quem pensa que memes são apenas uma nova forma de gerar humor nas redes sociais, pode segurar esse forninho. Com o intuito de explicar a origem e o contexto desse tipo de publicação, o #MUSEUdeMEMES se constitui como plataforma de divulgação científica voltada ao grande público e base de referências acadêmicas sobre o tema, congregando diferentes pesquisadores de todo o país. O projeto, criado e coordenado pelo professor de Estudos de Mídia, Viktor Chagas, reúne estudantes e docentes do curso e alunos da pós-graduação em Comunicação da UERJ. Apresentando seu atual formato desde junho de 2015, quando foi lançado o website que o abriga, o acervo funciona como segmento virtual de um conjunto de atividades que são desenvolvidas pela equipe do projeto desde meados de 2011, tais como reuniões do grupo de pesquisa coLAB, (meta)laboratório de comunicação, culturas políticas e economia da colaboração e eventos abertos ao público. Apelidados de #memeclubes, os encontros periódicos são compostos de projeções de memes – semelhantes a cineclubes –, seguidas de debates. Ao longo dos anos, temas como a cultura LGBT, as pessoas que se transformam em celebridades do dia para a noite por causa de memes, eleições, olimpíadas e muitos outros já foram apresentados nos eventos, que com o tempo se transformaram em uma pequena exposição temática, que deu origem, então, à criação do #MUSEU. Mas, afinal, o que são memes? Criado na década de 1970, o conceito de meme surgiu ainda muito antes da internet, através do biólogo Richard Dawkins, em seu livro “The Selfish Gene”. Dawkins utilizou a palavra fazendo um paralelo com o termo “gene”, para expressar a ideia de replicação e evolucionismo cultural. Com o tempo, muitos outros pesquisadores de campos tão diversos quanto a Psicologia, a Filosofia e a Sociologia estudaram o tema, mas só em fins da década de 1990, com a popularização da internet, algumas comunidades virtuais se apropriaram do termo, que passou então a ser compreendido como um conteúdo que circula pelas redes digitais. A ressignificação da palavra meme motivou o crescimento dessa nova forma de cultura digital, fazendo com que pesquisadores da Comunicação e da Ciência da Informação também se interessassem pelo tema, criando uma comunidade efervescente de produção de conhecimento em todo o mundo. Não há, entretanto, uma fórmula precisa para o surgimento dos memes e nem para a sua popularização, afinal, a espontaneidade é uma de suas principais características. Propondo conexões entre os mais diversos conteúdos, os memes são complexos informacionais que só significam em conjunto, ou seja, são contextuais, como explica a pesquisadora da área, Limor Shifman. Importância social Consenso entre pesquisadores de todo o mundo, os memes são um novo gênero midiático nativo da internet e compõem um nicho comunicativo inédito, sendo necessário, portanto, seu estudo científico. Com diversas camadas semânticas sobrepostas, além de muita intertextualidade envolvida, trazer o debate da internet para a academia é importante para entender como e por que as pessoas pensam e se comunicam da forma atual. Os memes exigem uma experiência de letramento completamente diferente da habitual, pois é preciso saber ler as referências culturais ali embutidas. As gerações atuais, que já nascem imersas na internet e nas redes sociais, possuem domínio não só da compreensão, mas também da criação dessas mídias, que são inseridas nos mais diversos contextos comunicativos. Com temáticas que vão do entretenimento à política, essas novas publicações já servem de base para informação, mesmo que de forma superficial. Com isso, além de permitir que notícias circulem e alcancem novos públicos, há um favorecimento da disseminação de informações de modo raso, que pode prejudicar o aprofundamento e contribuir para radicalismos. O meme como objeto de estudo científico Pioneiro em toda América Latina, o curso de Estudos de Mídia é um bacharelado oferecido pela UFF com o objetivo de formar profissionais com visão abrangente e integrada acerca dos meios de comunicação. A proposta é que ao final da graduação, o aluno seja capaz de entender o complexo sistema midiático como um todo, acompanhando as transformações e atuando na produção, distribuição e análise de conteúdos. Interagindo com a proposta do curso, o #MUSEUdeMEMES surgiu de um interesse em discutir o fenômeno de forma aprofundada, promovendo, além disso, reflexões sobre o tema. Segundo Viktor Chagas, é essencial acompanharmos as mudanças na comunicação, principalmente na era da internet, na qual a rapidez e a variedade são características marcantes. “Conjugando pesquisa e extensão no âmbito da universidade, a proposta é ser também uma provocação sobre o lugar da cultura popular de internet, um questionamento sobre o papel dos museus e da memória popular e, claro, uma plataforma lúdica”, explica o professor que também desenvolve pesquisas nas áreas de Mídia e Política, Economia Política da Informação e Sociologia da Cooperação. Olha ela, a diferentona que fez um TCC sobre memes! Graduada em Estudos de Mídia pela UFF, Tsai Yi Jing, realizou em 2011 um trabalho de conclusão de curso (TCC) abordando a temática dos memes. A pesquisa buscou analisar essa forma de cultura participativa na internet – em especial do meme LOLcat –, e entender as motivações pelas quais um usuário se engaja criando e compartilhando esses conteúdos. Motivada pela carência de estudos na área e pela curiosidade em torno do sucesso destes materiais, a estudante constatou que os memes não são usados apenas para divertir, mas são também formas de integração entre os usuários. “Por mais irrelevantes que alguns conteúdos possam parecer, há um grande potencial de transmitir uma mensagem e também de socializar”, afirma Tsai. Estas novas práticas de comunicação, como memes, GIFs e emojis, são novos campos para pesquisa e podem ajudar a entender como a cultura da internet está influenciando o modo como nos comunicamos. Análises mais aprofundadas, inclusive, são úteis não só para fins acadêmicos, mas também de marketing, no que diz respeito à comunicação e interações com clientes na internet e de transmissão de mensagens que chamam atenção a causas sociais e políticas, por exemplo, como ferramenta de persuasão. E no que depender do #MUSEUdeMEMES, essa área de pesquisa tende a crescer. “No futuro, pensamos que podemos transformar a experiência virtual do #MUSEU em uma exposição física num centro cultural. Do lado da pesquisa, temos recebido cada vez mais novos interessados em se unir ao projeto, jovens pesquisadores, mestrandos e doutorandos. A ideia é expandir nossas linhas de atuação para outros universos temáticos relacionados ao fenômeno dos memes de internet”, planeja com entusiasmo o criador do projeto.