Professora do ISC-UFF é contemplada com bolsa de pós-doutorado em universidade espanhola

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Aline Bonifácio

A professora do Instituto de Saúde Coletiva, da Universidade Federal Fluminense (UFF), Gabriela Bittencourt Gonzalez Mosegui foi contemplada com uma bolsa de pós-doutorado da Fundação Carolina, em convênio com o Grupo Tordesilhas, para desenvolver pesquisa na Universidade de La Rioja, na Espanha. Mosegui ficará sob supervisão do professor espanhol Fernando Antoñanzas, no Departamento de Economia e Empresa de La Rioja.

O trabalho de pesquisa foi iniciado em 22 de setembro, quando começou a vigorar a bolsa, e tem por objetivo conhecer as políticas de incentivo ao uso de medicamentos biossimilares praticadas no Brasil, México e Espanha.  Mosegui pretende descrever e comparar os marcos regulatórios de fomento aos fármacos, assim como identificar e analisar as bases de dados disponíveis, a fim de categorizar medicamentos, pacientes beneficiados e mensurar o alcance dessas políticas.

De acordo com Mosegui, há também um componente econômico que será investigado. Trata-se da penetração que os biossimilares têm nos sistemas sanitários, no que se refere à proporção, embalagens e diferenciais de preços com relação às fórmulas originais. A estimativa inicial é de que representem 27% do valor total das vendas de medicamentos na Europa. Em 2011, a Espanha totalizou uma despesa de 2,8 milhões de euros com biossimilares, o que representou 30% dos gastos globais com medicamentos por parte do Sistema Nacional de Saúde da Espanha. Igualmente, Brasil e México realizam um montante considerável de despesas com esse tipo de medicamento, mas não há ainda dados suficientes a respeito.

“Estou honrada com a possibilidade de representar a UFF perante a Fundação Carolina e o governo espanhol, criando possibilidades concretas de convênio e oportunidades para docentes e discentes na Universidade de La Rioja. O grupo de Economia da Saúde (de LaRioja) possui uma produção imensa, histórica e respeitável”, declarou Mosegui. A professora destacou que a bibliografia existente sobre o assunto no Brasil e no resto da América Latina ainda é pequena e que a falta de dados consistentes sobre as diferenças, semelhanças e custos dos medicamentos biossimilares resulta em perdas clínicas e econômicas para todos os países da região.

Mosegui concorreu com candidatos de 22 países da América Ibérica por uma das 12 bolsas que estavam sendo oferecidas. O processo seletivo incluiu análise de currículo, indicação da área de interesse (economia, no caso da docente) e a apresentação de um projeto, que Mosegui batizou como “A ascensão do mercado de biossimilares na América Latina e políticas de fomento: comparando as experiências brasileira, espanhola e mexicana”. A bolsa concedida à docente cobrirá despesas com passagem aérea, moradia, alimentação e seguro saúde.

Segundo a Food and Drug Administration (FDA), agência regulatória dos Estados Unidos, medicamento biossimilar é um produto biológico similar a um medicamento de referência. Um biossimilar é desenvolvido depois que a patente de um produto biológico expira, o que permite que outras empresas desenvolvam versões parecidas.

Os biossimilares não podem ser considerados como uma forma de genéricos. Isso porque os genéricos são idênticos aos medicamentos originais. Ao contrário, os biossimilares possuem pequenas diferenças nos componentes e são criados a partir de diferentes linhas celulares e distintos sistemas de cultura, ou seja, não são inteiramente idênticos aos compostos originais.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a semelhança dos biossimilares deve ser demonstrada por testes clínicos detalhados e complexos, que demonstrem a segurança e eficácia dos medicamentos.

 

 

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