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Empresas juniores ganham espaço na UFF e criam oportunidades para estudantes

Matheus Dassie e Érica Costa segurando bandeira da Pacto Consultoria Foto: Gabriella Balestrero

O aluno de Administração Matheus Dassie tem apenas 20 anos. Érica Costa, que cursa Ciências Atuariais, tem 21. Juntos, ocupam os cargos mais altos de uma empresa: presidência e vice-presidência, respectivamente. É provável que esses dois jovens não estivessem à frente de uma organização, caso não se tratasse de uma empresa júnior.

Os dois graduandos da Universidade Federal Fluminense fazem parte da Pacto Consultoria, uma empresa júnior de Gestão de Negócios, que abrange os cursos de Administração, Ciências Contábeis, Ciências Atuariais e Processos Gerenciais. Fundado em 1995, o projeto completará 20 anos de atuação neste mês, e está em constante crescimento.

A maior missão da empresa júnior é melhorar a capacidade do graduando", Matheus Dassie

Empresas juniores são geridas e constituídas por alunos. Apesar de poderem contar com a orientação de professores e profissionais especializados, todas as decisões são tomadas por estudantes. “A maior missão da empresa júnior é melhorar a capacidade do graduando, oferecendo uma experiência que ele não vai ter em sala de aula ou estágios”, disse Matheus.

A prestação de serviços e desenvolvimento de projetos para empresas, entidades e sociedade são vertentes seguidas por inúmeras instituições com áreas de aplicação distintas. As juniores caminham dessa mesma forma, mas contam com um importante diferencial: preço de custo. Assim, a contratação destas ocorre com 10% ou menos do valor cobrado por uma empresa sênior, resultando em um trabalho de qualidade por preço acessível.

A Pacto Consultoria, que tem sede no Campus do Valonguinho, Centro de Niterói, aposta no auxílio a pequenos e microempreendedores, que buscam expandir, aprimorar ou até mesmo dar início a um negócio. Dividida em seis áreas — presidência, vice-presidência, marketing, projetos, gestão de pessoas e financeira —, a Pacto conta com 31 participantes ativos, escolhidos a partir de processo seletivo e separados por equipes.

Iniciado no Acolhimento Estudantil do segundo semestre da UFF, o Águia, processo seletivo da Pacto Consultoria, está com as inscrições em andamento. Qualquer estudante dos quatro cursos que formam a empresa podem se inscrever pelo site oficial até o início do mês de dezembro. O Águia é dividido em duas partes: Processo Seletivo e Águia Trainee. A primeira é constituída por quatro fases: painel de personalidade, dinâmica de grupo, entrevistas individuais e painel com os gestores da empresa. Sendo aprovado, o candidato segue para a segunda parte, o Trainee, onde passa por uma série de capacitações e treinamentos que o preparam para gerenciar projetos.

A assessora de Networking da Pacto e estudante do curso de Ciências Atuariais, Layssa Viana, 19 anos, ressalta a importância da inscrição também para a Open For Business, evento realizado pela empresa júnior. Caminhando agora para sua terceira edição com o tema “Abrindo as Portas para o Seu Desenvolvimento”, será realizada nos dias 1º, 2 e 3 de dezembro, e as inscrições começam nesta segunda-feira, 23 de novembro. “Contaremos com um ciclo de palestras visando fazer com que os congressistas pensem ‘fora da caixa’ e se inspirem para imaginar o impacto que querem causar na sociedade”, explicou Layssa, que também é coordenadora de conteúdo da Open.

Érica Costa, que participa da Pacto há mais de dois anos, acredita que trabalhar em uma empresa júnior é uma experiência engrandecedora e auxilia diretamente, tanto na formação de um aluno quanto de um profissional melhor. “Estudantes que fazem parte desses projetos conseguem ter um debate muito mais rico com professores em sala de aula, porque não apenas tiveram contato com a teoria ensinada, mas puderam colocá-la em prática”, afirmou.

Experiência em empresa júnior motiva estudante a iniciar negócio próprio

O aprendizado adquirido por graduandos ao fazerem parte de empresas juniores é imensurável. Além de enriquecer os currículos dos estudantes, quem participa desses projetos desenvolve capacidade de liderança, trabalho em equipe, oratória e negociação. É comum que a experiência também motive o jovem a tentar algo novo, como iniciar seu próprio negócio.

Natália Cantarino, 22 anos, se prepara para cursar o último período de Administração na UFF. Em 2012, foi presidente da Pacto Consultoria, experiência que a estudante considera como a melhor que teve na faculdade e uma das mais marcantes em sua vida.

Hoje, Natália é proprietária e fundadora da Catavento, que confecciona produtos manufaturados exclusivos para escritórios. “O que vivi na Pacto me deixou com muita vontade de empreender, já que tive a experiência de ser responsável pelo meu trabalho. Isso me fez saber que poderia gerenciar um negócio próprio e confiar em mim mesma”, ressaltou a graduanda.

“Quando você é responsável por uma organização, é obrigado a desenvolver um senso de responsabilidade que dificilmente um estudante terá ao estagiar dentro de alguma corporação”, explica Natália, que acredita ter crescido muito no aspecto pessoal, profissional e acadêmico com a oportunidade de gerenciar e representar a Pacto com clientes, estudantes e a universidade.

Movimento Empresa Júnior é cada vez mais forte no Brasil e conta com parceria importante no Rio de Janeiro

Iniciado na França, o Movimento Empresa Júnior (MEJ) surgiu, na década de 1960, como um projeto do governo para combater a recessão. Chegou ao Brasil em 1988, introduzido pela Câmara de Comércio e Indústria Franco-Brasileira, e a primeira empresa foi a da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. O Brasil é, na atualidade, o país com o maior número de empresas juniores do mundo. São cerca de 1,2 mil organizações que contam com mais de 27 mil universitários envolvidos.

A Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior) é a instância que as representa, proporcionando vivência empresarial e legitimidade social. Já a Federação das Empresas Juniores do Estado do Rio de Janeiro (RioJunior) tem a finalidade de representar essas organizações do estado. Com a função de auxiliar na qualificação e desenvolvimento das entidades geridas por estudantes, a federação promove o fortalecimento do MEJ.

“Trabalhamos auxiliando as empresas juniores a se regulamentarem e se desenvolverem, expandindo o movimento em todo o Rio de Janeiro, integrando e alinhando os empresários juniores e representando-os perante o estado”, explicou o presidente da RioJunior, Henri de Paiva Souza.

Atualmente, a RioJunior tem 25 empresas juniores federadas, com sete delas da UFF (Agrha, Focus, Meta, Opção, P&Q, Pacto e Pulso). A maioria presta consultoria nos cursos de Administração e Engenharia, mas também são comuns projetos que englobam Direito e Economia.

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