Diversão na sala de espera: projeto da UFF estimula leitura de jovens que aguardam atendimento no Huap

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Crédito da fotografia: 
Divulgação

Esperar por atendimento médico, em clínicas e hospitais, para muitas pessoas é uma experiência de tempo perdido, mas no Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência do ambulatório do Hospital Universitário Antonio Pedro (Huap), esse momento é de tempo aprendido. Desde 2017 funciona no hospital um projeto de extensão de estímulo à leitura de livros literários infanto-juvenis, por meio da implantação de um ponto de leitura no ambulatório. Enquanto aguardam ser atendidas, crianças e jovens são convidados a escolherem livros que sejam de seu interesse, com ou sem a participação de seus pais, para ler ou simplesmente folhear.

De acordo com a chefe do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental e também coordenadora do projeto, Valéria Pagnin, “é visível a satisfação das crianças durante o tempo de espera para as consultas ao se depararem com muitos livros. Manuseiam, brincam, desenham e ouvem histórias com curiosidade e atenção. Quando incentivadas a ler, elas demonstram interesse e gosto pela leitura”.

Segundo ela, o projeto parte do entendimento de que a leitura literária é um direito humano e também um dever a ser defendido pelos serviços de saúde pública, e busca estimular não somente a vontade de ler, mas tudo o que vem a partir dela: a reflexão, a imaginação, a memória, entre outras coisas. “Ler é uma forma de ver e interpretar o mundo, e essa leitura precisa ultrapassar os limites da visão física e auditiva para ocupar também a ótica da fantasia”, ressalta a coordenadora. 

A realidade de vida de grande parte dos jovens que frequentam o ponto de leitura, no entanto, não favorece um livre acesso aos livros. De acordo com a professora, “no município de Niterói, por exemplo, menos de 10% das escolas da Rede Municipal possui bibliotecas, embora a Lei 12.244/2010 obrigue todas as escolas a terem uma”. Esse é mais um motivo para que, segundo a professora, “o conhecimento científico esteja a serviço das demandas sociais”.

Além de todos esses benefícios proporcionados pelo projeto, que encurta as distâncias entre o livro e alguns jovens frequentadores do Huap, levando até eles histórias, memórias e experiências lúdicas, Valéria destaca ainda um outro: “ainda estamos em fase de avaliação formal e sistemática do programa, mas já conseguimos perceber o impacto das ações de estímulo à leitura, como, por exemplo, o fato de alguns médicos do Huap relatarem que as crianças têm entrado menos agitadas para as consultas”.

Colaboradores e parceiros do projeto

Todo esse processo de interação com o livro é ainda mais potencializado quando entram em cena professores voluntários ou mesmo os pais que acompanham os jovens, através das contações de histórias: “a leitura oral e a apresentação do livro, com todos os pormenores da sua edição, como o texto, as ilustrações e como ele é produzido até chegar ao leitor, despertam grande interesse das crianças e jovens. O tom com que as histórias são lidas tocam suas emoções e despertam a imaginação”, enfatiza Valéria.

Professores do Ensino Fundamental vinculados à Rede Municipal de Ensino de Niterói, assim como aqueles que atuam na rede privada de ensino são convidados periodicamente a participarem do projeto, como ledores e contadores de histórias, mas outras pessoas que se sintam tocadas pela iniciativa também são muito bem-vindas, inclusive médicos e funcionários do hospital.

Outro braço do programa, inclusive, é o “Livro Livre no hospital”, destinado aos usuários e servidores que frequentam a recepção do Huap, estendendo-se a alguns setores dos ambulatórios. Alguns exemplares são expostos em mesas e cadeiras de espera, para que sejam abertos, folheados e lidos por aqueles que aguardam atendimento. Além disso, segundo a professora, alunos do curso de medicina também têm demonstrado interesse em participar: “estamos em contato para viabilizar a participação de alguns a partir do próximo semestre como atividade extra-curricular”. 

De acordo com a pedagoga e técnica em assuntos educacionais Lílian Silva, também participante do projeto, é possível se envolver de outras formas com a iniciativa; por exemplo, através de doações de livros. “Contamos com o apoio da Associação dos Colaboradores do Huap, que, por intermédio da sua presidente Rita de Cássia Barros, tem doado mesas, cadeiras, livros e brinquedos, que são muito bem aproveitados. Além disso, muitos exemplares são oriundos das bibliotecas populares municipais de Niterói, que se dispõem a repassar livros duplicados. Também contamos com a contribuição de professores, alunos, funcionários, sindicatos, pais, pacientes, médicos, enfermeiros, além de pessoas que tomam conhecimento do projeto”.

Para quem quiser fazer doações, Lilian faz o convite: “os livros podem ser depositados diretamente nas estantes, entregues no Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Instituto de Saúde Coletiva e também retirados nas casas das pessoas”, finaliza.

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