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Atléticas da UFF de Niterói se reúnem para criar primeira liga no Rio de Janeiro

Atlética de Artes e Comunicação Social e Atlética de Economia no Super 15 Foto: Thiago Machado

O ambiente universitário oferece uma grande diversidade de atividades estudantis que vão além das salas de aula, sendo uma delas a prática esportiva. Atualmente, mais de 20 cursos da Universidade Federal Fluminense contam com uma atlética, entidade formada e organizada por estudantes, com o objetivo de promover e coordenar o esporte dentro da universidade. Com o propósito de regularizar e fortalecer essas atléticas, foi criada, em dez de outubro de 2014, a Lauff (Liga das Atléticas da UFF), estabelecendo um contexto de união entre elas.

O projeto é pioneiro entre as universidades do Rio de Janeiro e foi inspirado na Liga das Atléticas da Universidade de São Paulo (USP), a mais antiga e próspera do Brasil. “Encontrei uma pesquisa que dizia que o esporte universitário carioca está 15 anos atrasado em relação ao paulista. É lamentável, porque o Rio tem um potencial esportivo enorme, e fica difícil entender esse déficit. Com a Lauff, queremos dar um passo à frente, consolidar o esporte não só dentro da universidade, mas na sociedade em geral”, ressaltou Raísa Skinner, ex-vice-presidente da Atlética de Relações Internacionais.

Unificar o diálogo de dezenas de entidades em prol da legitimidade e maior importância no cenário esportivo universitário é um dos grandes benefícios que a Liga se dispõe a fornecer. “Quando existe um único discurso representando diferentes projetos, atléticas A e B passam a falar a mesma língua, o que potencializa a fala e auxilia no alcance de objetivos. A Lauff nasceu para dar mais força às atléticas como um todo”, relatou Vinícius Sabbadin, vice-presidente de esportes da Atlética de Direito.

O foco principal de um liga de atléticas é a ampliação da prática de esportes dentro de uma determinada instituição de ensino. Na UFF, cada vez mais cursos iniciam seus projetos esportivos e logo se filiam à Liga. As dificuldades são diversas, como falta de infraestrutura e investimento na universidade, mas a aposta é que com muito incentivo e trabalho duro, a Lauff possa assumir um papel fundamental para beneficiar e desenvolver todas as atléticas que a formam.

Todo projeto que envolve o esporte universitário é válido e acrescenta muito na vida pessoal e até profissional dos alunos" - Bruno Barreto

A estrutura da Lauff foi organizada por áreas de função, em duas diretorias distintas, com cargos a serem ocupados nunca pelo mesmo curso. A Diretoria Executiva é subdividida em Presidência, Vice-Presidência Administrativa, Vice-Presidência Esportiva, Tesouraria e Secretaria Geral. Já a Diretoria Funcional abrange setores de Mídia, Marketing, Planejamento de Eventos, Esportes Coletivos e Individuais, entre outros. Para ocupar um cargo dentro da Liga, as atléticas interessadas devem se candidatar e defender sua atuação. Em seguida, uma votação aberta é realizada entre os membros, finalizando o processo de eleição.

Visando facilitar a delegação de tarefas e a cobrança de resultados dentro da entidade, a estruturação da Lauff é, sobretudo, horizontal. “Não acontece de uma atlética mandar em outras dentro da Liga. Se existe um curso diferente responsável por cada área, é para que tudo funcione na mais perfeita ordem. Há um diálogo constante entre os cargos, buscando sempre a integração, a eficiência e a ajuda mútua”, explicou Raísa.

Importante para o desenvolvimento da Lauff, a relação com a Reitoria vem rendendo muitos frutos. “Já tivemos algumas reuniões com o reitor Sidney Mello e foi possível levar nossas demandas para ele, principalmente estruturais, já que falta muito espaço esportivo dentro da UFF. O Sidney apoia o projeto e compartilha da nossa certeza de que o esporte melhora a vida das pessoas”, disse Vinícius. A Lauff é a parte esportiva da universidade montada e gerenciada por estudantes, sendo assim, o trabalho conjunto com a Reitoria e outros setores, como a UFF Ativa, é imprescindível. Recentemente, a Liga iniciou um processo de acordo com o reitor, para que ganhasse um CNPJ, e foi beneficiada pela regulamentação das festas nos campi, já que pretende, em breve, realizar um evento oficial de lançamento do projeto.

As ambições da Lauff são inúmeras, e a vontade dos envolvidos em realizar cada uma delas é imensa. Querem, além de uma festa de estreia, um site para que conheçam melhor o projeto e seus objetivos, a realização de uma Copa Lauff, que seria uma competição entre as atléticas, e a criação de seleções da Universidade Federal Fluminense, para que fosse possível a participação em campeonatos estaduais e nacionais, com ênfase nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs). “A UFF não participa do JUBs há mais de 20 anos e o problema não está na falta de alunos dedicados ao esporte, mas na ausência de organização. A gente propõe suprir essa carência também”, ressaltou Sabbadin.

Ter o esporte na UFF, da melhor forma possível, tanto de alto rendimento quanto de lazer, sempre será o maior motivo e objetivo da existência das atléticas. Bruno Barreto, vice-presidente da Atlética de Economia, acredita que a criação da Lauff ajudou muitas atléticas a se formarem e crescerem com rapidez. “Minha atlética tem em torno de dois anos, mas foi de um ano para cá que simplesmente deslanchou. Acredito que a Liga tenha a ver com isso, até porque foi um crescimento conjunto. Todo projeto que envolve o esporte universitário é válido e acrescenta muito na vida pessoal e até profissional dos alunos. Tem sido uma experiência enriquecedora para mim”, afirmou.

Esporte ganha espaço na UFF devido ao maior envolvimento de estudantes com atléticas

Nos últimos cinco anos, mais de dez atléticas foram criadas e consolidadas na UFF. A atividade esportiva dentro da universidade está visivelmente mais difundida e sendo levada a sério. Em 2015, cursos como Segurança Pública e Turismo participaram de jogos universitários pela primeira vez, e o InterUFF alcançou número recorde de inscritos. Além disso, a Universidade Federal Fluminense teve representação fortíssima nas Olimpíadas Regionais dos Estudantes de Medicina (Orem), com o êxito de um primeiro lugar inédito na competição. Já nos Jogos Integrados de Engenharia (Intereng) conquistou o segundo lugar geral, nos Jogos Jurídicos obteve o terceiro, entre outros.

As funções básicas de uma atlética consistem na administração, integração e representação de cursos em jogos universitários, cenário que demanda maior burocracia e contato externo à faculdade. Além disso, a entidade é responsável pela formação de equipes esportivas, time de cheerleaders, torcida e bateria, confecção e comercialização de produtos que simbolizam seu curso e organização de festas. Por trás de todo este trabalho, estão estudantes apaixonados, que apesar de não receberem retorno financeiro buscam incansavelmente a fomentação e a valorização do esporte na universidade.

Quando um aluno se interessa em participar de uma atlética, seus motivos podem ser diversos e nem sempre com foco na prática esportiva. Para o presidente da Atlética de Administração, Felipe Marcel, formar um ciclo de amizade era uma das coisas que ele mais buscava. “Vim de São Paulo para estudar em uma cidade que eu mal conhecia, então não tive amigos até começar a jogar handebol pela atlética. Acredito que este projeto é, na faculdade, o que possibilita a maior integração possível entre os estudantes. Todo o amor que recebi e a receptividade que tive quando calouro, também passo para quem está entrando na UFF, e me sinto na obrigação de desenvolver não só o esporte, mas as relações sociais dentro do meu curso”, contou.

Assumir qualquer cargo administrativo dentro de uma atlética é tarefa que requer além de responsabilidade, bom senso na hora de tomar decisões e noção de que o trabalho precisa ser coletivo para dar certo. “A experiência de coordenar esse tipo de projeto é fantástica, mas nada fácil. É preciso muita disposição, se expor, ouvir críticas e, às vezes, fazer escolhas que ninguém mais quer. Ser vice-presidente foi bastante recompensador, me ensinou a ser mais humilde, aceitar minhas falhas e entender que não se assume um projeto por vaidade, mas sim querendo gerar benefícios para toda uma comunidade”, explicou Raísa Skinner.

Atividade esportiva gera bem-estar e aprendizado para alunos na universidade

Praticar esportes melhora a experiência dos estudantes na faculdade, principalmente por causa de cargas horárias extensas. Ter a possibilidade de dedicar tempo à atividade física pode ser uma válvula de escape, e ainda desenvolver e estimular habilidades nos atletas. Grande parte dos envolvidos direta ou indiretamente com uma atlética acredita que a iniciativa vai além da integração social e esportiva. Comunicabilidade, liderança e senso de responsabilidade são só algumas características potencializadas pelo projeto, e que fazem diferença na vida profissional de qualquer pessoa.

A atleta de handebol da Atlética de Artes e Comunicação Social (AACS), Helene Cordeiro, que cursa Arquitetura e Urbanismo, é uma das que acredita nos vários benefícios oferecidos pelo esporte. “O aprendizado é imenso! Trabalho em equipe, autoconfiança, respeito, disciplina, determinação e comprometimento são só alguns dos exemplos. Além, é claro, de fazer bem à saúde, física e mental. Sou de outro estado e, por algum tempo, não conseguia me sentir em casa no Rio. Poder jogar pela atlética mudou isso porque voltei a praticar o esporte que mais amo, o handebol, e também fiz amizades incríveis. Hoje, sinto que tenho um lar novamente”, declarou.

Dentro de uma atlética, há casos de pessoas tão apaixonadas por determinado esporte que vão além de assumir o papel de atleta. A coordenadora do time de vôlei da AACS, Luiza Fernandes, estudante de Jornalismo, se dedicou durante meses para formar uma equipe competitiva. No último campeonato que disputou, o Super 15, conquistou a medalha de prata, o que foi uma surpresa até para ela. “Sabia que tínhamos formado um grupo forte de meninas, mas não conseguimos treinar tanto antes da competição, então eu não esperava pelo pódio. O foco agora é desenvolver o time para os Jogos Universitários de Comunicação Social (Jucs) e brigar pelo primeiro lugar”, contou.

Cheerleading se populariza na UFF e equipe da universidade é atual campeã brasileira

No início de 2014, Maurício Van Der Linden e Jessyca Marchon, estudantes da Universidade Federal Fluminense, decidiram que a instituição deveria ter um time de cheerleading competitivo. Assim nasceu o UFF Breakers, que mesmo com pouco tempo de existência se consagrou, no ano passado, campeão nacional. “No início foi muito difícil conciliar horários de treinos e a equipe ganhou membros lentamente. Para o Intereng de 2014, fomos convidados a torcer juntamente com a Atlética de Engenharia da UFF, e conquistamos o título de melhor torcida da competição”, contou Maurício, que já foi ginasta premiado e conheceu o mundo do cheerleading por causa da Jessyca.

“Sempre tivemos uma parceria forte com a Engenharia e muitos membros do Breakers são alunos do curso. Em 2015, decidimos participar do Campeonato Brasileiro de Cheerleading e Dança. O compromisso do time fez toda a diferença para que ganhássemos a competição, e também a ajuda do nosso treinador, Leandro Rente, que é técnico da seleção brasileira”, relatou Maurício. Cada vez mais envolvido e apaixonado pelo esporte, ele agora treina as equipes de Economia e Comunicação Social da UFF, além de se preparar para o Campeonato Mundial de Cheerleading, que será realizado na Disney, em abril.

Por muitos não visto como esporte, o cheerleading é a atividade que mais cresce dentro da UFF. É cada vez mais comum atléticas contarem com uma equipe de animadores de torcida que, apesar do nome, fazem muito mais do que simplesmente entreter. “Só depois de entrar para o time de cheerleaders da AACS percebi o quanto é preciso suar a camisa nos jogos e rotinas de treinamento. Precisamos fazer acrobacias, ter força, equilíbrio e preparo físico. Ser 'cheer' não é só balançar pompom e usar um uniforme bonito”, explicou Thamires Oliveira, estudante de Mídia e coordenadora de cheerleading na Atlética de Artes e Comunicação.

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