Cerimônia de posse do novo reitor da UFF se transforma em uma grande homenagem à universidade pública

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Reitor Antonio Claudio da Nóbrega e vice-reitor Fábio Passos

Crédito da fotografia: 
Divulgação

O dia 6 de dezembro de 2018 foi histórico para a UFF. Em uma noite emocionante, a universidade celebrou com toda a comunidade a chegada de um novo ciclo de sua gestão, com a transmissão do cargo de reitor para Antonio Claudio Lucas da Nóbrega e o vice Fabio Barboza Passos. A cerimônia ocorreu após a assinatura do termo de posse no Ministério da Educação, em Brasília, no dia 27 de novembro.

Poucos minutos antes das 19h, após uma bela apresentação do Quarteto de Cordas da UFF, Antonio Claudio e Fabio Barboza subiram ao palco do teatro da universidade, acompanhados pelo ministro dos esportes Leandro Cruz Fróes da Silva, o reitor da UERJ Ruy Garcia Marques, representando o governador em exercício do estado do Rio de Janeiro, o prefeito de Niterói Rodrigo Neves e o professor Sidney Luiz de Matos Mello, reitor da universidade de 2014 a 2018. Alunos, pesquisadores da comunidade acadêmica, representantes da política regional e nacional, assim como amigos e familiares dos gestores lotaram o teatro.

As homenagens tiveram início com falas calorosas de representantes do corpo discente, docente e técnico-administrativo da universidade. Um dos pontos altos da noite foi protagonizado pela professora do Instituto Biomédico Rita Paixão, amiga de longa data do atual reitor, que enfatizou ter vislumbrado esse momento em muitas ocasiões anteriores. “O que pode ser dito em tão pouco tempo sobre uma trajetória tão grandiosa?”, questionou ela.

“Tantos projetos, conquistas, aprendizados, mas prefiro lembrar de suas palavras ao ser indagado: por que ser reitor? ‘Porque eu gosto de desafios’, respondeu Antonio Claudio. Cumpre lembrar que não falamos dos desafios somente na universidade, mas da universidade enquanto desafio na sociedade. Isto é: aquela que faz o chamamento, aquela que provoca, aquela que tem a liberdade de questionar o que quer que seja, o direito de dizer publicamente o que julgar necessário. Uma universidade livre de opressões, especialmente comprometida com um mundo mais justo”, enfatizou Rita.

Também ressaltando o papel da universidade pública como lugar da liberdade de pensamento e expressão, o ministro dos esportes narrou um pouco da relação do ministério com a UFF. “Nos dias de hoje muito se fala em estado mínimo. Eu sou daqueles, e não canso de repetir isso, que ouso nadar contra a maré. É muito fácil para quem tem tudo falar de estado mínimo. Difícil é falar de estado mínimo para as crianças que são assistidas pela UFF em 216 núcleos de iniciação esportiva, de transformação de vida, dentro de 100% das unidades do Departamento Geral de Ações Sócio Educativas do estado do Rio de Janeiro”, afirmou Leandro.

Não sabendo que era impossível, a UFF foi lá e fez. Vamos juntos!", Antonio Claudio da Nóbrega.

“Não tenho dúvida, grande parcela da ressocialização se deve ao trabalho que a UFF teve a ousadia de levar adiante. Fazemos aqui o primeiro projeto que é capaz de interagir com uma comunidade de jovens em vulnerabilidade social, que já entraram em conflito com a lei. A instituição teve a coragem de levar a palavra extensão universitária à última instância e teve nesse momento a ousadia de dizer para aqueles que acreditam que o Brasil seria melhor com o estado mínimo que o país só será melhor com o estado máximo. Máximo em educação, máximo em esporte, máximo em cidadania, em solidariedade, em respeito ao servidor público. Aqui se é capaz de democratizar o acesso à educação, à tecnologia e ao conhecimento no Brasil”.

O reitor da UERJ também acenou para a construção e solidificação de parcerias entre as instituições. Ambas as universidades, destacou ele, “têm um grande histórico de cooperação, de trabalho conjunto. Isso é realidade tanto pelo trabalho dos seus pesquisadores, quanto pela relação construída por muitos de seus dirigentes. Tenho certeza de que essa relação será ainda mais consolidada, haja vista a disponibilidade e abertura existente”, comentou.

O professor Sidney de Mello, que participou da cerimônia transmitindo o cargo para Antonio Claudio, agradeceu aos colaboradores e parceiros de sua gestão e destacou marcos importantes desse período, atravessado por incertezas no campo político, manifestações populares permanentes e escassez de recursos. Segundo ele, “a universidade venceu cada desafio no período e mostra uma curva positiva de crescimento em ensino e pesquisa”.

“Nossos cursos estão melhores e acolhemos o maior número de estudantes ingressantes nas universidades federais no país. O Huap é um dos melhores hospitais públicos do Brasil e conta com quadros de altíssima competência acadêmica e técnica, tendo inaugurado no período um moderno ambulatório e também se modernizado tecnologicamente. O prédio da Computação foi entregue em definitivo à comunidade e, logo, serão entregues mais três prédios, dos Institutos Biomédico, de Biologia e de Geociências. Sou muito grato a todos que se alinharam comigo neste período de redobrado trabalho, muita motivação, criatividade e inteligência política”, destacou.

Por fim, Sidney encerrou sua fala fazendo uma homenagem ao futuro reitor, seu vice na gestão anterior, a quem fez muitos elogios por suas qualidades humanas e competência profissional: “Antonio Claudio tem a minha admiração e amizade. Ele tem sido excepcional companheiro nos últimos doze anos e tenho certeza de que será o melhor reitor da UFF. Ele possui um currículo acadêmico irretocável, uma inteligência privilegiada, uma motivação de vencedor e a liderança necessária para levar a instituição a patamares acadêmicos ainda mais elevados”.

Também realçando em sua fala a palavra desafio, uma das mais repetidas ao longo das homenagens, Fabio Barboza afirmou não achar uma coincidência a comunidade ter escolhido dois pesquisadores para essa nova gestão. “Somos o símbolo de uma maturidade institucional. Para gerir a UFF atual vamos precisar aliar criatividade, conhecimento, responsabilidade e visão de futuro, baseando-nos em experiências anteriores, mas aprimorando os métodos de gestão. Um dos nossos principais desafios é demonstrar para a sociedade como um todo a importância da universidade. Temos o desafio de maior inclusão e acesso às instituições de ensino superior pelas camadas menos favorecidas. Devemos também divulgar os nossos trabalhos para uma audiência mais ampla. Vamos trabalhar para manter a UFF com um alto grau de qualidade acadêmica, inclusiva, plural e democrática e que contribua para o desenvolvimento do Brasil”.

Encerrando a noite, Antonio Claudio destacou também o papel da universidade pública, em especial o da UFF, que atualmente, no rol das federais, é a que tem o maior número de alunos matriculados no Brasil. “Aqui, dois terços dos alunos têm origem em famílias com renda média de até um salário mínimo e meio, ainda que no imaginário social exista o discurso de que a universidade pública seja elitizada. É extremamente relevante o papel social da universidade do ponto de vista do empoderamento dessas pessoas na própria vida. Ela não só forma, mas também transforma. E, vejam, inclusão não é antítese de excelência. Ao mesmo tempo em que crescemos e incluímos, a qualidade acadêmica da universidade cresceu”.

Segundo o atual reitor, a plataforma de decisões de sua gestão será baseada nos princípios básicos da democracia, como liberdade e respeito à diversidade. E isso irá se materializar, entre outras coisas, numa valorização dos técnicos administrativos e das mulheres ao longo de sua administração. “O exercício do contraditório, do embate saudável de ideias não será apenas garantido, mas incentivado, para que ocorra de forma respeitosa e dialética a construção dos consensos possíveis. Somente com diálogo é possível construir esses consensos numa sociedade livre. Portanto, seremos sempre orientados pela liberdade e responsabilidade. Continuaremos a ser uma universidade pública, gratuita, de alta qualidade, laica, socialmente reverenciada e cada vez mais inovadora”. Antonio Claudio salientou que o desafio no momento é grande. “Mas não sabendo que era impossível, a UFF foi lá e fez. Vamos juntos!”

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