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NeuroUPC: tecnologia de ponta no estudo da dor

Equipe do NeuroUPC formada por médicos, pesquisadores e alunos Foto: Gabriella Balestrero

A Unidade de Pesquisa Clínica em Neurologia e Neurociências (NeuroUPC) da UFF, financiada pelos ministérios de Ciência e Tecnologia e da Saúde e pela Finep, será inaugurada, no próximo dia 12 de agosto, no 5º andar do Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap). Com tecnologia de ponta na área de saúde, o laboratório tem como objetivo tornar-se referência em pesquisa neurológica para todo o Brasil ao gerar novas formas de diagnósticos em tratamentos de neuropatias.

Desenvolvido, inicialmente, na Unidade de Pesquisa Clínica, o projeto sobre dor em pessoas com hanseníase, responsável pela viabilização do Neuro UPC, é realizado há seis anos. Os resultados preliminares do estudo apontam para uma nova forma de tratamento da doença na qual o uso de corticoides é reduzido para evitar efeitos colaterais como a hipertensão, diabetes, ganho de peso ou retenção de líquidos.

A pesquisa integra a Rede Nacional de Pesquisa Clínica (RNPC) em Hospitais de Ensino do Ministério da Saúde e tem a participação de docentes e alunos do programa de pós-graduação de Neurologia e Neurociências da Faculdade de Medicina. O projeto é coordenado pelos professores Osvaldo Nascimento e Pedro Moreira Filho, ambos vinculados ao departamento de Neurologia.

Acho que é função do professor universitário, principalmente da área de saúde, produzir conhecimento também - pesquisadora Camila Pupe

De acordo com os coordenadores, o êxito do estudo “Segurança e Eficácia do Controle da Dor em Pacientes com Hanseníase e Novos Esquemas Terapêuticos”, destaque na Academia Americana de Neurologia (AAN), atraiu investimentos e possibilitou a construção da unidade específica em neurologia na universidade.

Para estudos clínicos, a unidade dispõe de 16 salas: três para atendimento, uma sala de arquivo, uma de conservação de medicamentos e outra de procedimentos invasivos  - biópsias de nervo, músculo e pele, punção lombar, aplicação de toxina botulínica. As 11 restantes são laboratórios para estudos específicos. Laboratórios com alta tecnologia, espaço para armazenamento de amostras biológicas e setores de biologia molecular e analítico integram o Neuro UPC.

Os aparelhos recentemente adquiridos complementam a estrutura da unidade de pesquisa clínica. Pioneiro em seu uso no Brasil, o CHEPS auxilia no estudo das diferentes modalidades da dor e neuropatias de fibras finas. A ferramenta é capaz de medir a dor a partir de estímulos sensitivos e avaliar se as vias da dor estão alteradas, independente da sensibilidade individual do examinado.

O Neuro UPC é voltado exclusivamente para a pesquisa acadêmica e  recebe voluntários de acordo com a necessidade do estudo. Para o coordenador, as atividades desenvolvidas no laboratório buscam resultados satisfatórios no tratamento de doenças. “A importância do Núcleo no Brasil é a sua produção de conhecimento e isso certamente vai gerar resultado de pesquisas que devem ser publicadas em outros países e, também, orientar condutas terapêuticas no próprio estado e em âmbito nacional”, afirma.

Produzir ciência é papel essencial da Universidade. Para isso, segundo Osvaldo, é necessário fortalecer a “cultura da pesquisa”. Camila Pupe, pesquisadora do Neuro UPC e colaboradora do projeto sobre Hanseníase, acredita que a Faculdade de Medicina deve estar na fronteira do conhecimento. “Acho que é função do professor universitário, principalmente da área de saúde, produzir conhecimento também. Tem que passar, obviamente, o já conhecido, mas você tem, inclusive, que inspirar  seus alunos a produzir conhecimento. Acho que essa é a diferença da área acadêmica”, ressaltou.

A forma como a clínica utiliza a Microscopia Confocal de Córnea (CCM)  também tem um diferencial, explica Camila. “Começou-se a usar microscopia confocal de córnea na avaliação pós transplante de córnea para ver se a nova córnea não era rejeitada pelo organismo. Depois disso, foi observado que podíamos ver a enervação da córnea em alguns pacientes que apresentavam neuropatias diversas”, conclui. 

Tarcísio Rivello, diretor do Huap, destaca a contribuição do núcleo de investigação avançada para a instituição. "A neurociência como área abrangente da neurologia tem uma grande importância na atualidade das pesquisas tanto na origem como no tratamento das doenças. Parte dos núcleos de pesquisa que constituem a Unidade de Pesquisa Clínica (UPC) institucionalizam a pesquisa desta área no hospital".

Os projetos da unidade contam com patrocínios públicos e privados, aceitam doações e contribuição de pessoas e instituições interessadas em investir nas pesquisas.

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