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UFF é líder em pesquisas sobre desenvolvimento de jogos eletrônicos

Estudante testa óculos de realidade virtual (HMD) Crédito: Felipe Gelani

A venda de jogos eletrônicos é, hoje, um dos ramos mais dinâmicos da economia mundial. No Brasil, ela cresce a taxas de cerca de 25% a 30% ao ano. O país já é o 11º maior mercado do mundo em termos de faturamento e 4º em número de jogadores. Estima-se que a indústria tenha movimentado mais de US$ 91 bilhões em 2015, no mundo inteiro. Neste contexto, nos últimos anos o curso de Ciência da Computação da UFF vem investindo cada vez mais no ensino de desenvolvimento de jogos, buscando atender uma demanda crescente do mercado brasileiro e mundial.

Com o aumento do interesse pela área de computação e desenvolvimento de jogos, o curso ganhou um novo prédio em 2014, no campus da Praia Vermelha, e um segundo está quase pronto, com entrega prevista para este mês. As novas instalações trazem uma ampla modernização dos laboratórios de informática e mais espaço para as salas de aula. A maior parte do dinheiro para a construção veio do Reuni, que estabeleceu a necessidade de um processo de expansão do Instituto de Computação. Como condição para o financiamento ser realizado, o instituto criou o curso de graduação de Sistemas de Informação, que foi autorizado pelo MEC e recebeu nota máxima no Enade.

Segundo um recente relatório do BNDES, o país já conta com um ecossistema de mais de 130 empresas trabalhando com jogos. Para o professor e vice-diretor do Instituto de Computação da UFF, Esteban Walter Gonzalez Clua, o brasileiro é muito interessado nesta mídia, o que resulta na criação de várias empresas desenvolvedoras de jogos independentes: produtos feitos por equipes pequenas, de baixo investimento e produção rápida, também conhecidos como ‘indie games’. “Eu diria que estamos, sem dúvida, entre os 6 ou 7 países onde há uma maior proliferação dos ‘indies’”, diz Clua. Além disso, o mercado da área não é limitado apenas ao desenvolvimento de jogos. Segundo o professor, um dos maiores projetos do instituto foi a criação de um simulador de navios para a Marinha Mercante do Brasil.

A Nvidia vem investindo na UFF muitos recursos e esforços" - Esteban Clua

Clua também é diretor do Medialab, um espaço interdisciplinar do Instituto de Computação, com laboratórios para o desenvolvimento de projetos de realidade virtual, mídias interativas, entretenimento digital e computação gráfica. O curso de Ciência da Computação conta com disciplinas fundamentais para alunos interessados em criar e desenvolver jogos, como Computação Gráfica, Inteligência Artificial, Interface Homem-Máquina, dentre outras disciplinas indiretamente ligadas ao tema, como Programação de GPUs (placas de processamento gráfico).

Também são disponibilizadas bolsas para os alunos de graduação com a intenção de participar de projetos. “Temos um fluxo relativamente grande na produção de aplicações com o envolvimento de diversas empresas, com editais diferentes. Para os alunos de graduação, que ainda não têm tanta maturidade para participar de uma pesquisa, incentivamos a participação nestes projetos”, explica o diretor do Medialab. O curso também apoia iniciativas de estudantes de mestrado e doutorado, interessados em criar as próprias empresas incubadas na universidade.

A UFF é líder na produção científica nacional no que se refere a jogos. No Simpósio Brasileiro de Games (SBGames), praticamente todos os anos é a instituição que mais apresenta publicações científicas na área. O SBGames é realizado anualmente e é o principal evento sobre pesquisa e desenvolvimento de jogos na América Latina.

Integração com o IACS

O Instituto de Computação também tem projetos em conjunto com o Instituto de Artes e Comunicação Social (IACS) da UFF. “Temos um grupo que está crescendo no IACS, coordenado pelo professor Emmanuel Martins Ferreira. Eles trabalham com a parte de arte, roteiro e conceito”, conta o professor Clua. “Já tivemos alguns projetos com a professora de Cinema Eliane Ivo Barroso e com o professor Antônio Carlos Amâncio da Silva. Dependendo do projeto, a gente busca dar bolsas para estudantes do IACS, principalmente alunos de Artes”. Clua acredita que o mercado está muito aquecido para os interessados em trabalhar com arte digital. “A tendência é precisar cada vez mais de profissionais que trabalhem com arte em vez de programação. Cerca de 60% do processo de desenvolvimento de jogos é arte, dos cenários, dos personagens, das animações.”

Parceria com empresa americana Nvidia traz resultados para a UFF

A UFF é o primeiro centro de excelência, no Brasil e na América Latina, em uma tecnologia criada para aplicações que utilizem o poder de processamento das GPUs, a Compute Unified Device Architecture (Cuda). A universidade possui mais de 15 projetos científicos desenvolvidos baseados nessa tecnologia, alguns envolvendo a participação de empresas e centros de pesquisa, como a Petrobras e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. A empresa proprietária da Cuda é a americana Nvidia, pioneira na área de computação visual e maior fabricante de GPUs do mundo.

Com essa tecnologia é possível solucionar problemas de computação muito complexos. “Além da aplicação para jogos, podemos realizar uma física muito mais acurada, uma computação gráfica em resoluções altíssimas e uma visão computacional extremamente elaborada. Ela será necessária principalmente agora, com o advento dos “head-mounted displays” (HMD), como o Oculus Rift.” Segundo Clua, essa tecnologia será importante, pois os HMDs exigem muito processamento gráfico. “As GPUs estão suprindo uma grande quantidade de processamento pesado que a CPU não dá conta, e a Nvidia vem investindo na UFF muitos recursos e esforços ligados a essa questão”, explica.

Em troca dos resultados gerados pelos pesquisadores da universidade, a Nvidia fornece tecnologias que ainda não chegaram ao mercado, às vezes com seis ou até oito meses de antecedência. Com isso, a UFF ganha uma dianteira tecnológica relevante e estratégica. A empresa viabiliza um financiamento anual que permite compra de equipamentos e envio de alunos para fora do país. Clua explica que essa parceria também cria um canal de acesso direto com os pesquisadores da Nvidia. “A gente consegue falar com o pessoal que trabalha nas instalações da empresa e interagimos diretamente com o que eles estão trabalhando”, conclui.