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Ambulatórios da Nutrição oferecem tratamentos para doenças crônicas a adultos e idosos

Com o dia a dia mais corrido e a falta de tempo para se dedicar ao preparo de refeições mais saudáveis, houve, nos últimos anos, um aumento na incidência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) em pessoas mais jovens. Uma preocupação que era predominantemente dos idosos, hoje atinge as pessoas cada vez mais cedo. As DCNT são algumas das principais causas de morte evitável no mundo, influenciadas por dietas ricas em gorduras, tabagismo e baixo nível de atividade física, o que vem aumentando juntamente com a expectativa de vida, e faz de doenças cardiovasculares o principal problema de saúde da população.

Com o objetivo de realizar a avaliação nutricional e metabólica de adultos e idosos que apresentam doenças crônicas, como obesidade, hipertensão e dislipidemia, o projeto de extensão Avaliação e Intervenção Nutricional de Adultos e Idosos, oferecido como uma disciplina na Faculdade de Nutrição, fornece atendimento e tratamento aos pacientes que procuram por auxílio nutricional. Os idosos recebem o atendimento no ambulatório de nutrição do Centro de Referência e Atenção à Saúde do Idoso (CRASI), do Serviço de Geriatria da UFF, e os adultos são atendidos no ambulatório de nutrição da Faculdade de Nutrição. No atendimento são realizadas avaliações antropométrica, composição corporal, exames laboratoriais e aplicação de inquéritos alimentares, para que depois seja aplicada a intervenção necessária a cada caso.

Como surgiu

A ideia de montar o projeto surgiu em 2012, mas o funcionamento iniciou oficialmente em 2013. Anteriormente, os atendimentos com idosos aconteciam no Mequinho e era vinculado apenas à disciplina de Prática Integrada em Unidade Hospitalar, em que os alunos da graduação assistiam como era feito o atendimento ambulatorial. Os idealizadores e coordenadores do projeto de extensão, os professores e nutricionistas Gabrielle Souza, Sérgio Barroso e Sílvia Custódio, decidiram que seria interessante ampliar os atendimentos e o tempo de oferta deles, já que, anteriormente, funcionava apenas durante o período de duração da disciplina e, hoje, atende o ano inteiro. “Os atendimentos eram pequenos e com intervalos grandes entre eles, o que aumentava o número de faltas dos pacientes”, explica Gabrielle.

Professores Gabrielle Rocha e Sérgio Barroso - Foto: Letícia FelippeNo início de 2013, o ambulatório passou a receber alunos residentes, o que facilitou o entendimento durante todo o ano. “ Eu atendia e ficava com os alunos. Pedimos bolsistas, que davam suporte na organização, por exemplo, cuidando das fichas dos pacientes, da confirmação das consultas por telefone, lembrando das consultas pois, como são idosos, eles precisam desse apoio”, descreve. No ano seguinte, a equipe ficou com três atendimentos, professor e residentes, e recebendo ainda os alunos da prática integrada e os bolsistas. “Eu dou assistência às residentes, que estão em processo de aprendizagem, e alunos, orientando como é que eles deveriam fazer avaliação nutricional, como é que poderiam fazer orientação pros pacientes e também pros cuidadores, pois recebemos muitos pacientes que têm déficit cognitivo, alzheimer, então, é interessante que eles também sejam acompanhados. Alguns pacientes vão com os cuidadores, que também são orientados” ilustra Gabrielle.

Os ambulatórios

O projeto de extensão Avaliação e Intervenção Nutricional de Adultos e Idosos é composto por dois ambulatórios, o Ambulatório de Idosos, gerido pelas professoras Gabrielle Souza e Sílvia Custódio, e o Ambulatório de Nutrição e Obesidade, Hipertensão e Dislipidemia, que é voltado aos adultos e o responsável é o professor Sérgio Barroso. O objetivo principal de ambos é atender essa demanda de idosos e adultos obesos.

Os idosos contam com o CRASI, coordenado pela geriatra  e professora Yolanda Boechat, que funciona em um pólo de geriatria no Mequinho. “Os alunos vão pra lá, assistem e participam dos atendimentos”, descreve Gabrielle. Para ela, o ambulatório tem crescido e atualmente é reconhecido. Os profissionais de nutrição conhecem o tipo de trabalho oferecido e o valorizam. Os pacientes também reconhecem a importância do ambulatório. A docente afirma que é fundamental manter o ambulatório funcionando para que os professores envolvidos consigam manter o atendimento à população. “A participação dos alunos é basicamente o pilar da nossa estrutura e do nosso trabalho como professor”, destaca.

O ambulatório atende idosos entre 60 e 90 anos e recebe uma demanda de, aproximadamente, oito a dez atendimentos semanais.  A equipe é composta por, pelo menos, 11 pessoas, entre bolsistas, graduandos de trabalho de conclusão de curso, residentes, nutricionistas, psicólogo, geriatra e terapeuta ocupacional. Gabrielle Souza explica que, no início, era complicado manter a adesão e a assiduidade dos pacientes, mas, hoje, eles têm mais compromisso com o atendimento e com tratamento. “O retorno é bom, pois percebemos a efetividade do tratamento e das orientações que nós damos para os pacientes e como isso tem feito diferença na qualidade de vida deles”, ressalta.

Já o ambulatório voltado aos adultos, atende pacientes com doenças que caracterizam a síndrome metabólica, como, por exemplo, obesidade, hipertensão, dislipidemia e diabetes mellitus tipo 2. O ambulatório atende, semanalmente, de três e quatro pessoas entre 18 e 60 anos. Sua equipe é formada por, pelo menos, dez alunos de graduação e pós-graduação, além de nutricionista. De acordo com Sérgio Barroso, o objetivo do ambulatório é atender essa necessidade dos pacientes e fazer com que os alunos participem desse tipo de atendimento ambulatorial, para exercitar a prática deles e aprimorar sua formação. “Temos muitos alunos interessados, alguns voluntários, inclusive. Às vezes, temos que recusar, pois não tem espaço para inserir mais gente no projeto”, afirma.

Vivemos em uma cultura em que as pessoas precisam ser reeducadas a se alimentar direito, porque é tudo muito prático”, diz Gabrielle Rocha.

O aumento de DCNT se deve ao  estilo de vida, nós vivemos em um ambiente obesogênico. “Somos programados para ganhar peso para que, no futuro improvável, a gente não passe fome. Neste sentido, não tivemos uma evolução. As DCNT matam depois da idade reprodutiva, normalmente, não há seleção natural para isso. Se formos comparar, nossos antepassados alternavam períodos de escassez com abundância, hoje não temos mais isso”, salienta Sérgio. “As pessoas são influenciadas o tempo inteiro a consumir mais, e não é consumo só de bens materiais, mas também de alimentos, principalmente os processados e industrializados. Por isso é interessante ter uma equipe multiprofissional para dar esse estímulo. Vivemos em uma cultura em que as pessoas precisam ser reeducadas a se alimentar direito, porque é tudo muito prático”, corrobora Gabrielle.

A “dietoterapia”, ou reeducação alimentar, é o principal tratamento oferecido pelo programa, mas nem sempre seu foco é na perda de peso, e sim na melhora nos exames, tudo depende da necessidade de cada paciente. “Se eu receber um paciente diabético, o tratamento vai ser de controle glicêmico, se é hipertenso, a gente vai fazer um controle dessa hipertensão. A reeducação, a atividade física e a medicação devem ser feitas em conjunto, mas alguns pacientes não entendem isso, e é preciso desmistificar isso na cabeça do paciente. A orientação é bem específica e individual”, salienta Gabrielle.

O programa realiza a avaliação nutricional dos pacientes, que envolve peso, estatura, circunferência abdominal, cálculo de índice de massa corporal (IMC)  e exame de sangue para que o paciente seja incentivado a retornar. “O paciente fala quando está bem, como se sente feliz porque emagreceu, porque está comendo melhor, porque está mais disposto, nós percebemos isso na consulta”, expõe Gabrielle.

De acordo com os professores, os pacientes não recebem alta do tratamento, mas são direcionados para um grupo de terapia ocupacional. É preciso manter o vínculo com os pacientes de alguma forma, fazendo com que eles tenham sempre contato com a equipe. “Também estamos inseridos no grupo da terapia ocupacional. Levamos os alunos da disciplina de prática integrada para fazer essa exposição, falando sobre alimentação saudável, evitando uma dieta muito rica em gordura e tudo mais”, realça Gabrielle.

O projeto de extensão

A proposta do projeto de extensão é integrar os alunos à pesquisa e dar assistência à comunidade. O projeto, além do atendimento ao público interno e externo à UFF, também suporta programas de pesquisa menores, o que ajuda na formação do aluno. Para Gabrielle, os dois ambulatórios, dentro do programa, devem expandir e incorporar alunos de pós-graduação e manter o de graduação, sempre agregando e incorporando, não substituindo. Para ela, ensino, pesquisa e extensão devem estar juntos. “Pretendemos ampliar para receber mais alunos e mais pacientes. Temos os ambulatórios, mas não temos espaço físico. Com essa expansão, poderemos receber mais alunos para trabalhar e atender mais pacientes”, enfatiza.

Além disso, Gabrielle conta que seria interessante a participação de pessoas da comunidade, como de alguma associação de moradores, para apresentar as reais demandas da sociedade. “Hoje fazemos muito por nossa conta, mas não sabemos a necessidade da população, seria legal ter esse tipo de contato para saber o quanto a gente precisa manter de atendimento, pois, assim, poderíamos otimizar o atendimento”, conclui.

Para saber mais sobre dias e horários das consultas, acesse: Ambulatório de Idosos e Ambulatório de Adultos.

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