Escuta e reflexão sobre os desafios da maternagem na quarentena

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A pandemia é um desafio que pode se apresentar ainda mais complexo para diversos grupos de vulnerabilidade. Um dos grupos nessa condição é o das mães. Trata-se de uma categoria já submetida a diversas opressões sociais, como exemplo, a ideia de que “ser mãe é se anular individualmente em prol do bem-estar da família”. Durante a pandemia, esses processos se intensificaram, impondo ainda mais responsabilidades e tarefas às mães. A expectativa social a respeito do lugar que as mães devem assumir no mundo acaba por conduzi-las à exaustão, a quadros de adoecimento, ao acúmulo de sofrimento mental e físico, dentre outras condições típicas de uma violência muitas vezes silenciosa: a violência psicológica, muitas vezes naturalizada na sociedade.

Ao observar depoimentos de mães angustiadas com a sobrecarga que estão vivendo, as professoras Jacqueline de Souza Gomes e Fernanda Fochi Nogueira Insfran, do Departamento de Ciências Humanas do Instituto do Noroeste Fluminense de Educação Superior (Infes), e as psicólogas Cristiane Lima, Débora Souza e Ana Muniz, criaram o Grupo de Escuta e Reflexão “Maternagem na Quarentena”. O objetivo é compreender os sentidos da experiência da maternagem em tempos de pandemia por meio da “escuta empática”. Segundo Jacqueline, trata-se um exercício para todas as participantes, pois parte da premissa do não-julgamento, de forma que se torna necessário também abrir mão de valores e preconceitos existentes: “É um ato de acolhimento das narrativas do outro, sem juízo de valor. Longe de ser fácil, é um exercício gradual e de generosidade consigo e com o próximo”.

Com isso, espera-se que as próprias mães possam repensar as condições que as colocam nesses lugares. O isolamento social é um fator que, por si, impõe reflexões e redimensionamentos sobre conceitos básicos como família, maternidade, maternagem, casa, relação conjugal, dentre outros; a possibilidade de compartilhar as impressões a partir do exercício da escuta empática abre caminhos para o questionamento de temas enraizados na sociedade, colocando a maternagem em reconstrução e desconstrução das expectativas de anulação pessoal e perfeição: “um primeiro passo que buscamos é o olhar generoso da mãe sobre si mesma. A maternidade e a maternagem não precisam ser um ideal inatingível e angustiante. É fundamental que a mãe se entenda como uma pessoa, passível de erros e acertos, e que se permita observar a maternidade e a maternagem como campos de possibilidades. Portanto, campos em construção e reconstrução”, ressalta Jacqueline.

A professora destaca ainda que já tinha interesse em criar um grupo de escuta de mães que funcionasse presencialmente na UFF, mas a interrupção das atividades para início do isolamento a levou à articulação, junto às demais organizadoras, do início das atividades de forma virtual, já em março, em reuniões por meio do aplicativo Jitsi Meet e conversas via WhatsApp. A ação foi aprovada como projeto de extensão vinculado ao Observatório da Inclusão Educacional e Direitos Humanos, coordenado por Jacqueline, na reunião de maio do colegiado do Departamento de Ciências Humanas do Infes. A cada reunião é proposto um tema de debate acerca da maternagem e das mudanças impostas pela quarentena, escolhido pelas mães no grupo de WhatsApp; as reuniões também podem ser realizadas sob livre demanda. As inscrições podem ser feitas por meio do e-mail jsgomes@id.uff.br.

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A atualização mais recente deste conteúdo foi em 18/05/2020 - 12:46