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Atualizado: 1 hora 47 minutos atrás

O DESMONTE DO MONTE

qua, 28/10/2020 - 11:54

O DESMONTE DO MONTE, Documentário, Brasil, 85min, 2017, livre
De Sinai Sganzerla

O documentário “O Desmonte do Monte” aborda a história do Morro do Castelo, seu desmonte e arrastamento. O filme aborda a lenda do tesouro armazenado nas entranhas do morro e conta com trechos de “O Subterrâneo do Morro do Castelo”, escrito por Lima Barreto. A narrativa é baseada em iconografias e pinturas de diversos períodos, desde a fundação da cidade até os dias atuais. O filme conta com imagens em movimento da Celebração do Centenário da Independência do Brasil, em 1922, evento realizado com as terras do desmonte do Morro do Castelo, e também com depoimentos de áudios de ex-moradores do Morro do Castelo e dos engenheiros que trabalharam no seu desmonte.

29 de outubro de 2020
Quinta | 19h
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Notícias do fim do mundo

seg, 19/10/2020 - 13:48

Notícias do fim do mundo, Brasil, COR, ficção, 2018, 14 anos, 70´
De Rosemberg Cariry

O ator Alexandre Taylor trabalha coordenando um grupo de dança dramática popular, na periferia da capital Kibuna. O grupo é convidado pelo governador para fazer uma apresentação em uma festa oferecida ao embaixador de um país rico. Alexandre Taylor enxerga no convite o momento propício para o último e grandioso ato da sua vida, com consequências inesperadas, ao assumir o nome de Mestre Jacaúna.

22 de outubro de 2020
Quinta | 19h
Transmissão:
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É preciso reencantar o Brasil

sex, 16/10/2020 - 19:00

#reencantaroBrasil

É preciso reencantar o Brasil

A magia do armorial produz nova centelha cinquenta anos depois de seu lançamento, reencontrando um Brasil exaurido mas combativo na afirmação e defesa de suas culturas. É como se diante do esfacelamento das políticas culturais no contexto de achatamento vigente, pudessem ser escutados novos timbres ou ver-se ecoar de regiões distintas um clamor de reencantamento do país. É a resposta da imaginação que tem de vir dos mais diversos lugares.

Esse é o mote do 10o Interculturalidades que celebra os 50 anos do Movimento Armorial, idealizado e propagado por Ariano Suassuna. A intenção do projeto foi engendrar um acontecimento e se voltar para a força de uma experiência que reverbera a partir de suas bordas, pois, armoriais ou não, outras iniciativas se alimentam do procedimento de aproximação e escavação das manifestações culturais, como um manancial para a recriação da arte brasileira.

Se o Armorial se propôs a olhar para dentro do país reconhecendo expressões e sentidos matriciais da cultura brasileira, a tarefa prossegue reclamando atualidade, pois um futuro potente não pode prescindir dos modos de ser e fazer de que somos portadores.

O adoecimento do Brasil é a negação das diferenças e todo esquecimento incondicional é a perda mais drástica das identidades. Não podemos mais ver escoar o país em passa boi e passa boiada, e coitada da rês, já tão mutilada! Não podemos mais perder o mapa que nos permite amar e trilhar o Brasil com sua diversidade.

O Brasil profundo não é esse país que está aí, tocado por essa máquina de apagamento e invisibilidade!

O Armorial envolve aspectos dessa natureza, como o olhar do protagonista Quaderna em “A Pedra do Reino”, revelando-se como um decifrador aparentemente ingênuo, mas sobrecarregado de astúcia para produzir sua leitura de mundo. Em seu esforço epopeico, aprendeu a ler o Brasil na contraposição de visões de seus dois mestres, o bacharel integralista e galego, Samuel, e o filósofo negro comunista Clemente,  o primeiro reforçando o legado das matrizes ibéricas (e flamengas) e o segundo, contrariamente, proclamando a expressão única das matrizes negro-tapuias que forjam as interioridades profundas.

Quaderna, então, em seu perambular, ensaia um esboço de compreensão em que a tarefa interpretativa não se distancia de um esforço de revisão de processos culturais contraditórios ou excludentes, que traçam a história do país, desde as guerras de extermínio das nações indígenas até as epopeias trágicas de Palmares e Canudos. Há nisso tudo, revisão de olhares, sentidos e atitudes.

Para além de um sentido de tradição como algo que se vincula a um tempo passado, sua apropriação pela arte envolve um contínuo retrabalho das expressões. O artista, nesse contexto, é um intérprete que responde criativamente à trama do mundo, reconhecendo histórias, pessoas, acervos simbólicos e um desejo de futuro calcado na vontade de reafirmar os ciclos da vida, uma vontade de beleza como o expressaria em outro contexto, mestre Darcy Ribeiro. Nada, portanto, se fixa aqui a uma imagem cristalizada, mas se associa a um contínuo deslocamento.

Há uma viragem importante demarcada pelo armorial que nos parece muito atual e recorrente. As insígnias e a heráldica que normalmente expressam os signos da nobreza e das elites passam a distinguir a conformação expressiva das artes do povo, nas representações dos Autos, nos folguedos, nas brincadeiras e encenações populares, todas possibilitando a corporificação de uma realeza transfigurada que inverte sua condição social concreta. Trata-se da potência de um armorial humanizado, que encontra bases no concerto de uma vida seguidamente reencenada, como espaço vivo de expressão que supera em muito as abstrações conceituais de âmbito puramente intelectual. Nesse contexto, o transbordar do popular, para além de um recorte que o contém, arremete contra as conformações institucionais da arte.

Em convergência primeira com o folheto de cordel, transborda também como traço do armorial a referência mítica do circo como imagem do mundo. É o circo errante, extraviado e encarnado pelos andarilhos, ciganos e as personagens pícaras, em tudo traduzindo a imagem precária e descosturada das tendas improvisadas, das cavalgadas sertanejas e suas emboscadas, em cortejos e desfiladas em permanente viagem como a escrita e a literatura. É o circo da Onça Malhada de Dom Pantero.

Essa alusão traduz a dimensão mágica da cultura popular na convergência de forças de criação que reverberam como um reencantamento da vida, como a querer reinstaurar as narrativas e mitologias locais, os saberes advindos da experiência, a coexistência entre os seres, a permeabilidade do cotidiano e do sagrado, as heranças vitais e os vínculos comunitários.

Como a arte pode desencadear esses processos amparada na vontade e desejo de sonhar novamente a terra?

É necessário voltar à integralidade das linguagens e acionar uma efetiva força de criação que dialogue com nossas diferenças e contradições. É preciso reestabelecer no território as mitologias que nos embasam, os marcos sagratórios do vir a ser do povo brasileiro, que se conformam nas “ilumiaras”, neologismo de Ariano para dar conta da súmula da cultura de um povo.

Está inscrita nas Pedras, em santuários, a força de reencantamento que rebrilha no mais profundo da epiderme talhada ao sol. Nelas se lê a sabedoria dos narradores ancestrais e a eloquência de uma terra vivida como “altar iluminado” em que a arte se confraterniza com a existência. Uma arqueologia recolocada em outros termos e que aponta para uma origem ainda mais profunda do Brasil, anterior mesmo ao sentido que dele conhecemos, decorrente da ocupação dos interiores e do projeto de extinção dos povos originários, cujos traços, de alguma forma, ressurgem nessa arqueologia poética do armorial.

Coerente com a ideia de um lugar plural (pois este assim o é em sua origem milenar), os corpos encantados das pedras dessa terra, resistindo há tanto tempo às mais variadas agressões, acabam nos ensinando como lidar com a bruta situação adversa.  Sendo força e humildade, as pedras nos recordam as heranças que devemos vigiar, sem nunca esquecê-las.

É para esse reacender de sentidos que nos orientamos como celebração do mistério da vida, das ancestralidades e da abertura do ser brasileiro frente a todo estreitamento que não é outra imagem senão a redução da potência do que aqui se plasmou.

Contra a visão binária, orientada pelo ódio e o ressentimento, é preciso multiplicar as experiências para expressar o que temos de mais vivo e latente – o muito que somos sendo muitos!

Está escrito na Pedra!!!

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Vídeo-mosaico – Mourão de Guerra Peixe

ter, 29/09/2020 - 15:23

Vídeo-mosaico “Mourão”, de César Guerra-Peixe, com Música Antiga da UFF, Quarteto de Cordas da UFF e Orquestra Sinfônica Nacional UFF

Mourão faz parte das contribuições composicionais de Guerra Peixe ao Movimento Armorial e considerada o hino do Movimento. A peça foi inspirada no som das rabecas do folclore nordestino, com as quais Guerra-Peixe teve contato nos anos 1950 em viagens ao Nordeste do país. Cesar Guerra Peixe. Compositor, arranjador, regente, violinista, professor, pesquisador da música brasileira.

10º Interculturalidades | 50 anos do Movimento Armorial
17 de outubro de 2020
Sábado | 13h
Transmissão via Youtube
https://www.youtube.com/CentrodeArtesUFFOficial

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Vídeo-mosaico Zumbi com Orquestra Sinfônica Nacional

ter, 29/09/2020 - 15:09

Vídeo-mosaico “Zumbi”, de Sérgio Ferraz, com Orquestra Sinfônica Nacional UFF – Solista Ana de Oliveira.

Zumbi é uma peça originalmente composta para violino e violão. Em 2012 o tema foi utilizado para compor o terceiro movimento do Concerto Armorial para violino e orquestra dedicado ao escritor Ariano Suassuna. Zumbi é um Maracatu de baque virado em modo frígio, dedicado ao líder negro Zumbi dos Palmares.

Sergio Ferraz é músico, compositor e instrumentista pernambucano.

A Orquestra Sinfônica Nacional UFF foi criada em 1961 com a missão de fomentar e difundir a música brasileira de concerto. Ao longo dos seus anos de existência, a OSN UFF foi capaz de superar inúmeros desafios e, a partir do esforço e empenho das gerações de músicos, regentes e demais profissionais que fazem parte de sua história, cumprir seu propósito: a OSN UFF é elemento fundamental da história do meio musical brasileiro, tanto quanto da própria musica brasileira.

10º Interculturalidades | 50 anos do Movimento Armorial
15 de outubro de 2020
Quinta | 13h
Transmissão via Youtube
https://www.youtube.com/CentrodeArtesUFFOficial

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Vídeo-mosaico Festa na Aldeia com Quarteto de Cordas da UFF

ter, 29/09/2020 - 14:52

Vídeo-mosaico “Festa na Aldeia”, de Sérgio Ferraz, com Quarteto de Cordas da UFF

Festa na Aldeia é o primeiro movimento do Quarteto Mosaico, originalmente composta para violino e violão, quando foi gravada e apresentada na ocasião com o violonista Antônio Madureira. É uma peça modal, com momentos virtuosos como o cânone sobre a escala pentatônica. Festa na Aldeia é composta em modo dórico e remete às danças medievais e às danças encontradas no Nordeste do Brasil.

Sergio Ferraz é músico, compositor e instrumentista pernambucano.

O Quarteto de Cordas da UFF Iniciou-se na década de 1980 com a criação do Quarteto Bosísio no Rio de Janeiro, formado pelos músicos Paulo Bosísio e Paulo Keuffer (violinos), Nayran Pessanha (viola) e pelo inglês David Chew (violoncelo). Em 1984, por iniciativa do então reitor Raymundo José Martins Romêo, o quarteto foi incorporado à Universidade Federal Fluminense e seu nome foi alterado para Quarteto de Cordas da UFF. Com 35 anos de existência, o quarteto vem pesquisando e divulgando o repertório camerístico brasileiro sem abrir mão dos clássicos
europeus e voltando o olhar para os compositores de gerações mais recentes da América Latina. Dentre os destaques na trajetória do grupo estão: quartas instrumentais do Espaço Cultural BNDES, com um dos concertos sendo gravado pela TV Brasil e exibido no Programa Partituras, em 2018. Vale mencionar ainda os concertos no Projeto Educativo Volta Redonda Cidade da Música (2018 e 2019) e a apresentação no Espaço Guiomar Novaes (2018). Em setembro de 2019, o grupo realizou quatro concertos em Londres, sendo um na Embaixada do Brasil, e dois concertos em igrejas de Colônia, na Alemanha. Nesse período o quarteto contou com atuação de Jessé Máximo Pereira na viola.

10º Interculturalidades | 50 anos do Movimento Armorial
13 de outubro de 2020
Terça | 13h
Transmissão via Youtube
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Vídeo-mosaico Aboio – com Música Antiga da UFF

ter, 29/09/2020 - 14:43

Vídeo-mosaico “Aboio”, de Cussy Almeida, com Música Antiga da UFF

Lançada em 1975 pela Orquestra Armorial. Na língua portuguesa, aboio é o canto monótono do vaqueiro, dirigido à boiada, tão representativo do Sertão brasileiro. Cussy de Almeida foi violinista, compositor e regente brasileiro, integrante do Movimento Armorial e fundador da Orquestra Armorial de Câmara, em 1970. É autor de várias obras criadas a partir de pesquisas na música brasileira de raiz, trabalho iniciado em 1969 ao lado dos compositores Clóvis Pereira, Jarbas Maciel, Guerra Peixe e Capiba. Em 2003, criou a sua terceira orquestra, o Grupo Orange, que mescla instrumentos eruditos como violino, violoncelos, violas e flautas a instrumentos populares como rabecas, violas de 10 e 12 cordas, pífanos, zabumbas, berimbaus, violões, bandolins e outros. Essa feliz associação resultou em uma música de concerto, de origem popular e definida, através de formas e estilos enriquecidos por uma brasileiríssima sonoridade: forte, clara, colorida e bela.

O Música Antiga da UFF busca recriar a sonoridade da Idade Média e do Renascimento, encantando o espectador com as músicas e o fascínio das histórias que compõem seus ricos repertórios, resgatando e transmitindo não apenas a música, mas também o contexto histórico e cultural dessas épocas. O grupo vem atuando há 35 anos na consolidação do ensino, da pesquisa e da extensão, realizando um trabalho de formação de plateia e de conexão da Universidade com a sociedade.

10º Interculturalidades | 50 anos do Movimento Armorial
9 de outubro de 2020
Sexta | 13h
Transmissão via Youtube
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Exposição Das Pedras e dos Reinos

ter, 29/09/2020 - 14:29

Serão apresentados como pontos comuns por toda a mostra os elementos ‘pedra’ e ‘reino’; ambos darão sustentação à exposição ao constantemente se relacionarem com fatos históricos, acolhendo assim temas presentes também na publicação de 1971.

A exposição ‘Das Pedras e dos Reinos’ pretende apresentar, sob mote do acontecimento dos cinquenta anos do Movimento Armorial, imagens que remontam uma possível história da formação do povo brasileiro e que de alguma forma atravessam assuntos relacionados à obra de Ariano Suassuna. O nome da exposição faz alusão ao título ‘Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta’. O título da mostra ganhou pluralidade e um subtítulo: cantaria trata-se do ofício de lidar com o entalhe das pedras, cantoria remete à musicalidade e toda oralidade de nosso povo e encantaria ao acolhimento dos lugares e personagens míticos que circundam as pedras. Não se tratando de uma exposição ilustrativa ao livro, mas sim de uma mostra que pretende proporcionar diálogos através de temas sinalizados na trajetória do Movimento Armorial, a narrativa assume uma condução capaz de assumir imagens também de fora do campo artístico como relevantes para sua construção. Deste modo, imagens de outros campos do conhecimento -como a arqueologia, a antropologia e a biologia- estarão constantemente em conversa com trabalhos de artistas contemporâneos. Imagens ligadas à natureza, esperança, disputas, vida e morte estarão distribuídas pela expografia ativando interesses comuns presentes há 50 anos.

A exposição será dividida em núcleos, sendo que cada espaço será nomeado por uma importante formação rochosa existente no Brasil. Entre esses núcleos estará a ‘Pedra do Reino’, que apresentará trabalhos de artistas que se vinculam mais à estética ou aos temas do Movimento Armorial; a exemplo de obras de Samico, Flávio Tavares, Manuel Dantas Suassuna e seu pai, Ariano Suassuna (fundador do Armorial). Nos outros núcleos, a curadoria assumiu uma narrativa flexível às referências convencionais na intenção de revelar a diversidade da arte brasileira, somando arte contemporânea com imagens de acervos de fora do campo da arte, a exemplo do fotojornalismo. Desse modo, a exposição tanto homenageará o Movimento com peças que ficaram marcadas historicamente como imagens do Armorial, quanto traça uma narrativa com obras de outras características, construindo um panorama da diversidade da arte do povo brasileiro hoje.

A ‘Pedra do Ingá’ e a ancestralidade nascente desde à pré-história, a ‘Pedra de Xangô’ ligando-se à ‘Pedra do Sal’ com suas heranças das diversas nações africanas e as relações com a urbanidade, ‘O Reino das Sempre Vivas e a Morte Caetana’ nos mostrando o caminho pedregoso e mesmo assim cheio de encantos que é viver: são por esses núcleos que a exposição proporcionará ao leitor saber um pouco mais do Movimento Armorial e como ele poder, 50 anos depois, nos aproximar de importantes discussões e de histórias relevantes até hoje em nosso país.

Curadoria: Alan Adi

10º Interculturalidades | 50 anos do Movimento Armorial
7 a 18 de outubro de 2020

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Ariano: Ilumiaras

ter, 29/09/2020 - 14:16

Ariano: Ilumiaras, COR, Brasil, 2020, 73 min, Livre
De Claudio Brito

O documentário “Ariano: Ilumiaras” propõe uma reflexão sobre o conceito do neologismo “ilumiara” na obra do escritor Ariano Suassuna. Na década de 1970, ainda com o nome “lumiara”, o termo estava associado às itaquatiaras, conjuntos de lajedos insculpidos ou pintados por nossos antepassados, no Sertão do Nordeste, que, como a Pedra do Ingá, eram locais de culto. Depois, na década de 1990, Ariano adota o termo “ilumiara”, que é estendido para, segundo o professor e escritor Carlos Newton Júnior, identificar “conjuntos artísticos diversos, surgidos a partir da integração de vários gêneros (pintura, escultura, arquitetura etc.) e que pudessem ser compreendidos como locais de celebração da cultura brasileira” e, também, “obras literárias que se tornam sagradas, por muito que dizem de um povo e por indicar um caminho”. Nesse aspecto, a ilumiara – “altar iluminado”, literalmente – pode ser uma obra arquitetônica, escultórica, pictórica ou literária que serviria como marco identificador da cultura de um povo, para que este não esqueça quem realmente é. Assim, o autor do Romance d’A Pedra do Reino e do Romance de Dom Pantero projeta e constrói, como gestor público, as Ilumiaras Zumbi e Pedra do Reino, e concebe, como artista, as Ilumiaras Acauhan, A Coroada e Jaúna, apresentadas, no filme, pelo seu filho, o pintor Manuel Dantas Suassuna. A Ilumiara Zumbi é reverenciada pelo brincante Pedro Salustiano – filho do lendário rabequeiro Mestre Salustiano –, que enaltece o amor de Ariano pela cultura popular. O escritor e compositor Braulio Tavares comenta a importância histórica da Fazenda Acauhan e aborda o conceito de “obra total” em Ariano, que, segundo Carlos Newton Júnior, com base no Romance de Dom Pantero, pode ser representada pela fusão ou integração das artes (Teatro, Romance, Poesia, Música, Cinema, Desenho, Pintura, Dança etc.) dentro de um espaço físico de celebração, compondo, assim, uma ilumiara. O artista gráfico Ricardo Gouveia de Melo comenta o processo de diagramação das obras literárias de Ariano Suassuna editadas pela Nova Fronteira, que, segundo Manuel Dantas Suassuna, busca uma unidade estética que possa representar a “obra total” de seu Pai, também intitulada Ilumiara Ariano Suassuna.

10º Interculturalidades | 50 anos do Movimento Armorial
17 de outubro de 2020
Sábado | 19h
Transmissão via Youtube
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O país de São Saruê

ter, 29/09/2020 - 14:09

O país de São Saruê, Documentário, PB, Brasil, 1971, 80 min, 14 anos
de Vladimir Carvalho

Inspirado no título de um cordel do conhecido autor paraibano Manoel Camilo dos Santos, O País de São Saruê é um filme inspirado nas relações do homem com a natureza no sertão nordestino, onde predomina a luta contra a seca, o latifúndio e a miséria desde os tempos da colônia. É uma tentativa de se resgatar a memória de fatos antigos, os usos e costumes que distinguem essa região das demais. 

Sessão seguida de debate com Vladimir Carvalho e Tetê Mattos

10º Interculturalidades | 50 anos do Movimento Armorial
15 de outubro de 2020
Quinta | 20h
Transmissão via Youtube
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Hotxuá

ter, 29/09/2020 - 14:01

Hotxuá, Documentário, COR, Brasil, 2007, 70 min, livre
De Gringo Cardia e Letícia Sabatella

Registro poético sobre a tribo indígena Krahô, um povo sorridente que designa um sacerdote do riso, o Hotxuá, para fortalecer e unir o grupo através da alegria, do abraço e da conversa. Acompanhando o dia-a-dia da aldeia no norte do Brasil, o filme colhe depoimentos dos índios, em sua língua nativa e em português. Eles falam sobre as crenças e o estilo de vida que sustentam e mantêm essa sociedade feliz, cuja concepção de mundo é o equilíbrio entre forças opostas e o respeito à diversidade.

10º Interculturalidades | 50 anos do Movimento Armorial
12 de outubro de 2020
Segunda | 20h
Transmissão via Youtube
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Jonas e o Circo sem Lona

ter, 29/09/2020 - 13:40

Jonas e o Circo sem Lona, COR, Brasil, 2015, 82 min, Livre
De Paula Gomes
Com Jonas Laborda, Wilma Macedo, Neide Silva, Wanderson Silva, Micael Nunes, Ian Laborda, Gutinho Silva, Mateus Lima, Ana Paula Araújo.

Aos 13 anos de idade, Jonas é filho e neto de artistas de circo. O garoto tem seu próprio circo improvisado, frequentado pelos moradores do pobre bairro onde vive, na Bahia. É ele quem coordena os números, prepara os figurinos, a música e controla os ingressos. Jonas pretende abandonar a escola para se juntar ao tio e viver num circo itinerante, mas a mãe prefere que ele permaneça na escola. No meio desta briga, ele descobre as dificuldades da vida adulta.

Sessão seguida de debate com Paula Gomes e Jonas Laborda.

10º Interculturalidades | 50 anos do Movimento Armorial
8 de outubro de 2020
Quinta | 20h
Transmissão via Youtube
https://www.youtube.com/CentrodeArtesUFFOficial

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10º INTERCULTURALIDADES – 50 ANOS MOVIMENTO ARMORIAL

sab, 26/09/2020 - 12:48

PROGRAMAÇÃO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES

Dia 07/10, quarta-feira

16hPerformance Maracatu
16h40Abertura institucional
Superintendente do CEART – Leonardo Guelman e Reitor da UFF – Antonio Claudio Lucas da Nóbrega.
17h – Performance Maria Eugênia Tita
17h30 – Mesa 1: O armorial como laboratório de brasilidade
A reflexão da mesa passará pelas diferentes áreas da cultura e arte brasileiras, como a literatura, a música e a dança, destacando como o movimento Armorial interpretou o tema da brasilidade por meio de uma releitura da tradição e do popular. Participantes: Carlos Newton Júnior, Leonardo Guelman, Antonio Madureira e Maria Paula Costa Rego. Mediação: Izaura Mariano.
20h – Abertura da exposição Das Pedras e Dos Reinos

Dia 08/10, quinta-feira

17h – Mesa 2: O popular, o erudito e a mediação armorial
A mesa abordará a forma com que o movimento Armorial lida com binômio erudito e popular, ao mesmo tempo em que revê essa relação como um espaço de dupla tradução nos campos estético, político e cultural. Participantes: Daniel Bitter, Ester Suassuna Simões, Astier Basílio. Mediação: Wallace de Deus.
20h – Filme: Jonas e o Circo sem Lona (2015), Direção: Paula Gomes Debate: Paula Gomes e Jonas Laborda.

Dia 09/10, sexta-feira

13h – Vídeo-mosaico – Música Antiga da UFF – “Aboio”
17h – Mesa 3: O circo-mundo armorial
A mesa aborda a referência quase mística do circo como imagem do mundo. É o circo errante e suas imagens, o mundo extraviado e encarnado pelos andarilhos, ciganos e as personagens pícaras, que desdobram o armorial e a obra de Ariano Suassuna. Participantes: Gustavo Moura, Luiz Carlos Vasconcelos, Alice Viveiros de Castro. Mediação: Gilmar Rocha.
20h – Live teatro: Torturas de um coração (Cia Casa Verde)

Dia 10/10, sábado

17h – Live show com a Cia de Arte Popular
19h – Live artística: “O mundo cultural popular”, com Antônio Nóbrega

Dia 11/10, domingo

17h – “Diálogos da dança” – Maria Paula Costa Rego (Balé Grial), Dinda e Martelo
20h – Cochambranças de Quaderna com Cia Omondé

Dia 12/10, segunda-feira

17h –  Em terra de criança brincadeira é tradição com Cia Chirulico, Minha Dupla Cia e Sol sem Dó
20h – Palhaço Xuxu – leitura do Auto da Compadecida

Dia 13/10, terça-feira

11h – Mesa 6: Herança da música Armorial
A mesa abordará o legado da Música Armorial e suas influências sobre as gerações de artistas e compositores no âmbito da música popular e de concerto.
13h – Vídeo-mosaico “Festa na Aldeia”, Quarteto de Cordas da UFF
17h – Mesa 5: Os poetas orgânicos e a linguagem da tradição
A mesa abordará, em versos, cantos e repentes, a longa tradição linguageira que envolve a poesia de bancada e a arte dos cantadores, estabelecendo também uma homenagem ao poeta Rogaciano Leite e ao Congresso dos cantadores de 1948, por ele promovido no Teatro Santa Isabel, no Recife. Participantes: Bráulio Tavares, Isaar França, Vinícius Gregório, Oliveira de Panelas. Mediação: André Dias.
20h – Sarau Virtual: Homenagem a Rogaciano Leite

Dia 14/10, quarta-feira

11h – Mesa 4: A criação na música Armorial
Esta mesa abordará as origens da Música Armorial, seus elementos e principais características como rítmica, escalas e modos, e os processos criativos de compositores expoentes do Movimento. Participantes: Antonio Madureira, Francisco Andrade, Sérgio Ferraz. Mediação: Hudson Lima.
17h – Mesa 7: Dom Quixote e o cordel de J. Borges
Por meio da intertextualidade do livro Don Quijote en cordel, de J. Borges, o diálogo proposto pela mesa estará na relação da personagem Dom Quixote com a armoria, pináculo do movimento criado por Suassuna. Participantes: J. Borges, Livia Reis, Celia Pedrosa. Mediação: Robson Leitão.
20h – Live Artística – Grupo Gesta

Dia 15/10, quinta-feira

11h – Mesa 8: A construção da dramaturgia Armorial
A mesa aborda o gradual processo de criação da dramaturgia armorial, a partir do Teatro do Estudante de Pernambuco (TEP), em 1946, sob a liderança de Hermílio Borba Filho, do qual participaram Ariano Suassuna, Joel Pontes, Aloisio Magalhães e José Laurênio de Melo, entre outros. Participantes: Carlos Newton Júnior, Luis Reis, Romero Andrade Lima. Mediação: Inez Viana.
13h – Vídeo-mosaico “Zumbi” – Orquestra Sinfônica Nacional
17h – Mesa 9: O riso na poética popular
Participantes: Letícia Sabatella, Célia Xakriabá, Izabel Concessa Arrais. Mediação: Alexandre Damascena.
20h – Filme: O país de São Saruê (1971), Dir. de Vladimir Carvalho. Debate: Vladimir Carvalho e Tetê Mattos

Dia 16/10, sexta-feira

11h – Live Música Antiga “Sebastianismo”
17h – Mesa 10: Da estética do sertão à Ilumiara
A mesa estabelece um panorama da recorrência de elementos estéticos do sertão, sob o signo da civilização encourada, para então examinar, a partir da arqueologia poética das pedras riscadas e insculpidas (itaquatiaras), outros signos que ampliam, retrospectivamente, as imagens do sertão. Participantes: Gabriela Martin, Luis Jorge Gonçalves, Carlos Newton Junior, Manuel Dantas Suassuna. Mediação: Leonardo Guelman.
20h – Live Artística – Duo Ana de Oliveira e Sérgio Ferraz

Dia 17/10, sábado

13h – Vídeo-mosaico “Mourão”, Guerra-Peixe – Musica Antiga da UFF
17h – Apresentação da residência artística – Palhaço Xuxu
19h – Filme: “Ariano: Ilumiaras”, Dir. Claudio Brito.

Dia 18/10, domingo

16h – Mesa 11: Homenagem ao Auto da Compadecida – 65 anos
Participantes: Matheus Nachtergaele, Amir Haddad. Mediação: Inez Viana.
19h – Encerramento – Sambada de Maracatu

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7 a 18 de outubro de 2020
Evento Online Gratuito
Transmissão via Youtube
www.youtube.com/centrodeartesuffoficial

10º INTERCULTURALIDADES  – 50 ANOS MOVIMENTO ARMORIAL

Coordenação Geral – Leonardo Guelman
Consultoria em Curadoria Armorial – Carlos Newton Junior
Curadoria em Artes Cênicas – Inêz Viana
Curadoria em Música – Ana de Oliveira e Sérgio Ferraz
Curadoria em Circo – Leticia Gulart
Curadoria em Artes Visuais – Alan Adi
Curadoria em Arte e Pensamento – Leonardo Guelman e Carlos Newton Junior
Acessibilidade – Marianna Kutassy
Designer Gráfico – Pablo Rossi

Categorias: Centro de Artes UFF

Chão da Terra – O Teatro e o Viver: documentário, ancestralidade e território

sex, 25/09/2020 - 14:10

Dentro do projeto Chão da Terra, o encontro virtual “O Teatro e o Viver: documentário, ancestralidade e território”, trará grupos teatrais que falarão sobre espetáculos com elementos identitários e que colocam em evidência questões sociais e culturais de comunidades específicas. Participam do encontro Jaqueline Andrade, representante da Cia Marginal (Rio de Janeiro), Paula González Seguel, representante do grupo mapuche KIMVN Teatro (Chile), Bruno Peixoto, representante do coletivo En La Barca Jornadas Teatrais (Rio de Janeiro), e Robson Leitão (diretor do Teatro da UFF), que fará a mediação. Esta edição do Chão da Terra será no dia 30 de setembro, às 17h, com transmissão pelas redes sociais do Centro de Artes UFF.

A proposta do debate é reconhecer protagonismos e visibilizar experiências comunitárias inovadoras; fortalecer o diálogo e o compartilhamento de saberes; estimular dinâmicas de criação e cooperação; e potencializar ativos econômicos, tendo em conta os agenciamentos das matrizes culturais, sociais e ambientais dos territórios.

Conheça os debatedores:

Jaqueline Andrade (Cia Marginal) – É fundadora da Cia Marginal e atriz do grupo desde 2005, e fundadora do Coletivo Paralelas, em 2015. Pela Cia Marginal produziu e atuou nos espetáculos Qual é a nossa cara?” (2007); Ô, Lili! (2011); In Trânsito (2013); o renomado espetáculo Eles não usam tênis naique (2015); e Hoje não saio daqui (2019), apontado entre os dez melhores espetáculos de 2019 pelo jornal O Globo e indicado ao Prêmio Faz Diferença, de 2019. Pelo Coletivo Paralelas estreou UMDOUM (2014). Em 2018, integrou, como convidada, o elenco na estreia de Corpo Minado, do Grupo Atiro. No cinema, em 2012, fez o curta-metragem A mão que balança o bolso, de Renato Oliveira, como a personagem Josi. Em 2014, integrou a equipe de produção e o elenco do curta-metragem Pele um real, dirigido por Aline Guimarães e Dandara Guerra, interpretando a personagem Marrom Bombom. Na televisão, em 2015, atuou na série Décimo andar, de Caito Mainier, exibida pelo Canal Brasil, encarnando a personagem Maria.

Paula González Seguel (KIMVN Teatro – Chile) – Bisneta da machi (xamã) Rosa Marileo Inglés, autoridade ancestral do povo mapuche, do Chile, Paula González Seguel dedica-se ao resgate da memória, da oralidade, da linguagem, da cosmovisão e da cultura do povo mapuche e da defesa dos direitos humanos indígenas por meio das artes cênicas, da música e do cinema com o trabalho da companhia KIMVN Teatro, criada em 2008, da qual é fundadora e diretora artística. Paula partilhará os desafios de fazer arte no convulsionado Chile atual, cujos casos de violações de direitos humanos têm aumentado de modo assustador, em especial os abusos contra o povo mapuche.

Bruno Peixoto (En La Barca Jornadas Teatrais) – Ator, dramaturgo, diretor e iluminador. Atualmente, integra a Companhia Ensaio Aberto e é um dos coordenadores da En La Barca Jornadas Teatrais. Pela Em La Barca, nos últimos três anos, assinou, com Anna Fernanda, a direção de criação da Trilogia Documental – A voz dos anônimos, com os projetos Antônio de Gastão – Memória é trabalho; Lugar de cabeça lugar de corpo; e A casa e o mundo lá fora – Cartas de Paulo Freire para Nathercinha. Começou sua trajetória teatral em 1998 com o Grupo Bicho de Porco, em Niterói. Em Belo Horizonte (MG), passou por um período de formação no Galpão Cine Horto, centro cultural administrado pelo Grupo Galpão, onde trabalhou como ator e iluminador. Entre 2012 e 2014, integrou o Grupo Moitará e fixou-se no Rio de Janeiro. De 2014 a 2018, fez parte da Companhia Ensaio Aberto, atuando nas montagens de Sacco e Vanzetti; Que tempos são esses? – Um Ano com Brecht; e 10 dias que abalaram o mundo, com direção de Luís Fernando Lobo; além do solo-narrativo Um homem sem importância, apresentado em escolas, associações, espaços culturais. Foi diretor do Teatro Municipal de Cabo Frio e coordenador pedagógico do Curso Livre de Artes Amena Mayall.

Mediação: Robson Leitão, diretor do Teatro da UFF – Centro de Artes UFF

30 de setembro de 2020
Quarta | 17h
Transmissão:
https://www.facebook.com/centrodeartesuff/
https://www.youtube.com/CentrodeArtesUFFOficial/

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Tradição e inovação se encontram na celebração dos 50 anos do Movimento Armorial em evento online

qui, 24/09/2020 - 22:10

Com programação online e gratuita, o 10º Interculturalidades – Movimento Armorial 50 Anos acontece entre os dias 7 e 18 de outubro, no Youtube do Centro de Artes UFF, e conta com debates, lives artísticas, exposições, mostra de cinema e apresentações musicais inspiradas no movimento idealizado por Ariano Suassuna

O erudito e o popular, a tradição como dinâmica e movimento. Um lindo e potente Encontro de Culturas Contemporâneas: assim é o 10º Interculturalidades que, em 2020, celebra os 50 anos do Armorial: serão 12 dias de intensa programação online e gratuita, com imersão em uma jornada de arte, de inovação, com experimentações e releituras que possibilitam novas visões e repertórios. Com estes olhares e narrativas, o Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense (UFF) realiza, entre os dias 7 e 18 de outubro, no Youtube do Centro de Artes UFF, o 10º Interculturalidades – Movimento Armorial 50 Anos que oferta ao público uma programação com mesas de debates, lives artísticas, exposições, mostras de cinema e apresentações musicais inspiradas no movimento lançado por Ariano Suassuna. 

A proposta Armorial, remetendo às insígnias e emblemas da cultura, aparecia como uma arte de conformação erudita, criada a partir de elementos da cultura popular. O movimento teve início em outubro de 1970, no Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco e tinha entre seus propósitos pensar uma produção artística brasileira própria, original e inovadora, seguindo um processo de interlocução com as bases estéticas e culturais do país.

Em sua 10ª edição, o Interculturalidades, um dos projetos mais importantes da UFF e referência no cenário nacional, se reinventa, mais uma vez, para pensar, de modo coletivo e colaborativo, as novas reflexões desse Brasil profundo e real, com diálogos que bebem nas artes do povo, nas matrizes ameríndias, negras e ibéricas. Um convite para decifrar os signos e os encantos do Armorial, que convoca o público para uma experiência lúdica.

Para o reitor da UFF, professor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, “é muito significativo o papel da universidade como espaço de garantia da expressão e da criatividade nesse contexto de necessidade de afirmação da cultura e das identidades. Nos anos 1970, a proposta se constituiu a partir da UFPE, e agora é sintomático que outra universidade, a UFF, se aproxime das contribuições desse movimento”.

Nessa edição do projeto, retomamos a trajetória do Interculturalidades de articular o pensamento contemporâneo com a experiência viva dos processos da arte e da cultura, nesse caso trazendo à tona um leque de questões ligadas ao Movimento Armorial. A proposta é reviver os desafios encarados por esse movimento, produzindo também um balanço das suas proposições nos dias de hoje”, afirma Leonardo Guelman, superintendente do Centro de Artes UFF. 

PROGRAMAÇÃO DIVERSIFICADA UNINDO ARTE E FORMAÇÃO

Um conjunto de atrações com mesas de debates, lives artísticas, exposições, mostra de cinema e apresentações musicais. Assim se apresenta a programação completa do 10º Interculturalidades – Movimento Armorial 50 Anos, que acontecerá de forma online e gratuita no canal do Youtube do Centro de Artes UFF (www.youtube.com/centrodeartesuffoficial).

A intenção do evento não é só recordar uma experiência, mas projetar, sobre o cenário político cultural extremamente achatado e empobrecido no Brasil, a expressão viva da multiplicidade da cultura, calcada na afirmação das diferenças e no reconhecimento profundo das marcas e contradições que produzem este país. Um futuro potente não pode prescindir dos modos de ser e fazer de que somos portadores”, diz Leonardo Guelman, superintendente do Centro de Artes UFF.

O evento traz participações de Maria Eugênia Tita, artista com importante trabalho de releitura das expressões culturais na dança, convidando, em sua performance um reviver dessa potência que dialoga com as suas experiências. Na programação, a presença também de Alice Viveiros de Castro, autora do livro “Elogio da bobagem” em uma mesa sobre “O Circo Mundo Armorial”, que conta também com o ator e diretor Luiz Carlos Vasconcelos e o fotógrafo Gustavo Moura.  

Luiz Carlos Vasconcelos encarna também o seu famoso palhaço Xuxu em leitura de trechos do “Auto da Compadecida”, realizando também uma residência artística em palhaçaria. Destaque também para o riso na poética popular, com a presença da atriz Letícia Sabatella falando de seu trabalho em cinema sobre os índios brincantes e palhaços da etnia krahô.

No teatro, destaque para a mesa “a construção da dramaturgia armorial” e a “homenagem aos 65 anos do Auto da Compadecida”, com as participações de Amir Haddad e Matheus Nachtergaele. Em leituras dramáticas, espetáculos incríveis, a exemplo de “As Cochambranças de Quaderna”, da Cia Omondé, sob a direção de Inez Viana, e “Torturas de um coração”, da Cia Casa Verde, dirigido por Alexandre Damascena – as duas peças de autoria de Suassuna. 

Outro ponto alto da programação é a presença de Antônio Nóbrega, em um encontro em que ele retoma e desdobra seus caminhos na arte a partir de uma primeira influência armorial. Destaque também para a participação de Maria Paula Costa Rego, bailarina que se une ao palhaço Martelo, do Cavalo Marinho (o mais antigo palhaço Mateus de Pernambuco em atividade) e Dinda em um espetáculo/live produzido para o evento.

São 50 anos do Armorial, mas também serão celebrados os 100 anos do poeta e cantador Rogaciano Leite, no encontro da cantora Isaar França, do cantador Oliveira de Panelas e do poeta Vinícius Gregório. No sarau virtual, a presença de mulheres poetas se contrapõe a um ofício marcadamente masculino.

Na arte da gravura, destaque importante para a participação de um dos mais importantes xilógrafos do país, J. Borges falando de seu Dom Quixote em cordel.

O evento conta também com a participação de Antônio Madureira na mesa “A criação na música armorial”, contando também com o pesquisador Francisco Andrade e o músico compositor Sérgio Ferraz. Participam ainda os pesquisadores Sérgio Barza e Marília Paula dos Santos, abordando as heranças da música armorial.

Na música, destacam-se, ainda, as apresentações dos vídeos mosaicos do Grupo de Música Antiga, do Quarteto de Cordas da UFF e da Orquestra Sinfônica Nacional, além da apresentação do Grupo Gesta e do Duo Ana de Oliveira e Sérgio Ferraz. 

A exposição Das Pedras e dos Reinos, sob a curadoria de Alan Adi, estabelece um diálogo contemporâneo com a riqueza visual da produção armorial, desdobrando a concepção das “Ilumiaras”, termo criado por Suassuna em referência aos santuários de pedra em consagração ao povo brasileiro (tema que será desdobrado também em mesa e filme no evento). A exposição será apresentada também em conteúdo acessível, utilizando recursos de áudio-descrição, libras e linguagem simples.

Festejar os 50 anos do Movimento Armorial e suas reinvenções é experimentar esse laboratório de brasilidades, é sentir a cultura pulsar viva no corpo, o pé bater forte no chão do terreiro, celebrar as encantarias da cultura popular, um convite para desbravar as tradições e as memórias. 

“O Movimento Armorial completa meio século de existência com uma contribuição inegável para a cultura brasileira, materializada em obras de arte de grande valor e espraiadas por diversos gêneros artísticos – literatura, teatro, dança, música, pintura, escultura, entre outros. Refiro-me a meio século de existência porque o Movimento, a meu ver, permanece vivo e atual, na medida em que sua poética continua inspirando artistas por todo o Brasil. Mais importante do que a teorização, era a criação, e nesse sentido ela conduziu as ações do Movimento”, afirma Carlos Newton Júnior, pesquisador e professor da UFPE. 

SOBRE O MOVIMENTO ARMORIAL

O Movimento Armorial lançado em 1970 difundiu-se, articulando produções artísticas no âmbito da música, das artes plásticas, da literatura, do teatro e das poéticas do corpo, desdobrando também os caminhos que Ariano empreendia em sua trajetória de dramaturgo, em especial pelo sucesso crescente de “O Auto da Compadecida”, desde 1955. O aparecimento do Romance d’A Pedra do Reino, em 1971, e o êxito novamente alcançado, impulsionou a força do Movimento que se expandiu a partir do polo cultural do Recife, semeando experiências pelo país. Artistas como Antonio Madureira, Antonio Nóbrega, Capiba, Cussy de Almeida, Clóvis Pereira, Guerra Peixe, Gilvan Samico, Fernando Lopes, Raimundo Carrero, Janice Japiassu, entre outros, são expoentes de uma primeira cena armorial, acompanhando a linha inicialmente traçada por seu idealizador.

 

SERVIÇO
10º Interculturalidades / 50 anos do Movimento Armorial
Realização: Universidade Federal Fluminense / Centro de Artes UFF
De 07 a 18 de outubro de 2020 
Evento gratuito, aberto ao público 
Online no Youtube do Centro de Artes UFF: youtube.com/CentrodeArtesUFFOficial

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OSN em foco – com RONILDO ALVES

qui, 24/09/2020 - 15:24

Esta série de LIVES tem como proposta inicial apresentar ao público um pouco mais sobre os músicos da OSN, suas pesquisas e evidenciar sua relação acadêmica e institucional com a Universidade Federal Fluminense.

Esta edição conta com a participação do violoncelista Ronildo Alves e a apresentação de Waleska Beltrami.

Ronildo Candido Alves é violoncelista da Orquestra Sinfônica Nacional UFF e iniciou seus estudos com Milton Cunha na Scolla Cantorun da fundação Clóvis Salgado e Watson Clis na Universidade de Minas Gerais. É Mestre em Música, bacharel e técnico em Violoncelo pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro na classe do professor Alceu Reis. Como bolsista do governo japonês, estudou na Tokyo University of Music and Fine Arts, assim como na The Talent Education of Method Suzuki, com o professor Yoshino Terada. Participou de encontros internacionais para professores de Método Suzuki em Matsumoto, onde estudou com a professora Tanya Carey. Especializou-se em “Técnicas dos Instrumentos de Arco” (2008) e “Métodos de ensino do violoncelo” (2010) na Barratt Due Music Institute, Noruega. No Festival de Música em Valdres, Noruega (2011), aprimorou-se em “Pedagogia e metodologia do ensino do violoncelo para crianças”. Atualmente é professor do projeto Cidade da Música de Volta Redonda, onde leciona desde 1995, do projeto Aprendiz de Niterói e do projeto Zeca Pagodinho.

02 de outubro de 2020
Sexta | 16h
Transmissão:
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https://www.facebook.com/OSNUFF/
https://www.instagram.com/osnuff/

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Cleópatra

qua, 23/09/2020 - 13:19

Cleópatra, Brasil, COR, ficção, 2007, 18 anos, 116´
De Júlio Bressane

O filme retoma a história da transição da República para o Império em Roma, com o protagonismo da egípcia Cleópatra, lírica e não épica, entre os romanos Júlio César Marco Antônio e Otaviano, o futuro Augusto. Premiado no Festival de Brasília em 2007.

01 de outubro de 2020
Quinta | 19h
Transmissão:
https://www.youtube.com/CentrodeArtesUFFOficial/

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V Congresso Internacional: Santuários, Cultura, Arte, Romarias, Peregrinações, Paisagens e Pessoas

qua, 23/09/2020 - 13:03

Em uma parceria internacional, o Centro de Artes UFF, o Instituto de Arte e Comunicação Social (IACS), o Laboratório de Observação de Artes e Saberes (LOAS), a Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, o Centro de Investigação e Estudos em Belas Artes e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro realizarão o V Congresso Internacional: Santuários, Cultura, Arte, Romarias, Peregrinações, Paisagens e Pessoas, que acontecerá de forma virtual, na plataforma zoom, entre os dias 09 e 13 de dezembro de 2020.

O Congresso dialoga com as dimensões científica, artística, estética, religiosa e humana dos estudos sobre os santuários e, esse ano, terá como tema A morada como santuário.

Devido à pandemia, o isolamento social fez com que espaços de reunião e convívio social, incluindo os espaços religiosos, fossem fechados. Dessa forma, a casa de cada um tornou-se local de recolhimento, de trabalho ou de oração.

Nesse sentido, o Congresso convoca a todos que estudam os santuários, nas suas mais diversas formas e experiências, para participação nas mesas e nas conferências que serão divulgadas em breve.

Envio de resumo até o dia 30/09/2020.

Para mais informações, consulte o site: www.santuarios.net

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Café com canela

seg, 21/09/2020 - 16:17

Café com canela, Ficção, COR, Brasil, 2017, 103´, 14 anos
de Glenda Nicácio e Ary Rosa

Após perder o filho, Margarida vive isolada da sociedade. Ela se separa do marido Paulo e perde o contato com os amigos e pessoas próximas. Um dia, Violeta bate à sua porta. Trata-se de uma ex-aluna de Margarida, que assume a missão de devolver um pouco de luz àquela pessoa que havia sido importante pra ela na juventude.

24 de setembro de 2020
Quinta | 19h
Transmissão:
https://www.facebook.com/centrodeartesuff/
https://www.youtube.com/CentrodeArtesUFFOficial/

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Chão da Terra – Aquilombamentos contra coloniais

sab, 19/09/2020 - 15:57

Convidamos o público para ouvir as confluências entre os pensamentos e práticas das lideranças quilombolas: Nêgo Bispo da comunidade de Saco Curtume (PI), Diva Silva de Conceição das Crioulas (PE) e Juliene Pereira dos Santos de Cachoeira Porteira (PA).
Um espaço de confluência pra pensar os quilombos como territórios de auto-organização comunitária, saberes orgânicos gerados na prática e relação entre seus membros e a natureza. Na busca por formas mais integradas de vivência na região amazônica que se opoem a modelos desenvolvimentistas e exploradores dos recursos. E apropriação pelo sujeitos da comunidade dos aparatos pedagógicos para a construção de uma processos de ensino aprendizagem que potencializam sua cosmologia, práticas e expressividade.

Mestre Nêgo Bispo (Antonio Bispo dos Santos)
Nascido em 10/12/1959, na comunidade Pequizeiro, no vale do Rio Berlengas, no município de Francinópolis Piauí.
Atualmente vive na comunidade Quilombola Saco Curtume, no município de São João do Piauí (PI).
Quilombola, lavrador, formado por mestras e mestres de ofício, com experiências em aproveitamento de quintal, orientado pela geração avó. Relator de saberes, dos povos e comunidades contracolonialistas: pela oralidade através de diálogos compartilhado nos mais diversos espaços e pela escrita, através de livros, artigos e poesias.
Membro da CECOQ/PI (Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas no Estado do Piauí).

Diva Silva
De Conceição das Crioulas, professora quilombola dos Anos Iniciais do ensino fundamental e membro da Comissão de educação da AQCC.

Juliene Pereira dos Santos
Quilombola da região do rio Trombetas, município de Oriximiná/PA. Doutoranda em Antropologia – PPGA/UFPA. Mestra em Cartografia Social e Política na Amazônia – PPGCSPA/UEMA (2019). Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Amazonas – UFAM (2017). Pesquisadora do Laboratório Nova Cartografia Social: Processos de Territorialização, Identidades Coletivas e Movimentos Sociais. Desenvolve pesquisas sobre os quilombos no Trombetas e conflitos territoriais envolvendo empresas mineradoras e Unidades de Conservação.

Rai Soares (Mediação)
Professora associada da UFF/ Departamento Interdisciplinar do campus de Rio das Ostras. Assistente social e economista. Coordenadora do NEAB/UFF (núcleo de estudos e pesquisa afro-brasileiro). Pós-doutorado em 2019 com pesquisa Junto à comunidades quilombolas do Maranhão, pelo PPGPP (Programa de pós-graduação em Políticas Públicas da UFMA).

23 de setembro de 2020
Quarta | 19h
Facebook: https://www.facebook.com/centrodeartesuff
Youtube: https://www.youtube.com/centrodeartesuffoficial

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